In Di�rio de Not�cias, 28 de Julho de 2001


Fernando Gomes quer referendo sobre Parque da Cidade

HELDER ROBALO

O candidato do PS � C�mara do Porto j� tomou uma posi��o quanto � pol�mica que envolve o Parque da Cidade. Afirmando-se a favor da constru��o imobili�ria em determinados pontos do parque, Fernando Gomes garantiu que, caso seja eleito, ir� "realizar um referendo local sobre a frente urbana" projectada para as imedia��es do local. Fernando Gomes considera "precipitado tomar-se j� uma posi��o definitiva", uma vez que a realiza��o de um referendo local s� ser� poss�vel depois de Dezembro. Tendo em conta os prazos estabelecidos por lei para a convoca��o de referendos, o candidato considera ser "muito dif�cil resolver a quest�o at� �s elei��es". Por isso, o ex-ministro aproveitou para elogiar "a posi��o assumida pelo PSD e PS na assembleia municipal" de quinta-feira, com a aprova��o de duas mo��es que recomendam uma decis�o definitiva para depois das "aut�rquicas". Apesar de, em Abril de 1994, a c�mara, ent�o liderada por si, ter aprovado um Plano Director Municipal (PDM) que defendia a "n�o constru��o de uma frente urbana mar�tima", Fernando Gomes defende que � necess�ria a edifica��o em determinadas �reas do Parque da Cidade, pois "a cidade n�o tem possibilidades financeiras de fazer parques de grande dimens�o sem deixar fazer constru��es", afirmou. Embora considere "admir�vel" a solu��o encontrada por Souto Moura para construir numa reduzida �rea, Gomes diz que lhe "custa aceitar uma torre de 26 andares naquela zona".
In Di�rio de Not�cias, 02 de Setembro de 2001


Arbitragem incendia Liga

ANT�NIO CASTRO
HELDER ROBALO

Tr�s jornadas, erros de alguns �rbitros, reclama��es de dirigentes, treinadores e jogadores. Este � o panorama do futebol portugu�s que, por raz�es de diversa ordem, sem esquecer as temperamentais dos latinos, j� est� a "incendiar" a Liga, quando a hora das decis�es ainda est� longe, apesar de alguns clubes terem vivido alguns momentos de frustra��o.
Ali�s, este � um aspecto que os elementos directamente ligados � arbitragem salientam para explicar o tenso ambiente vivido nas �ltimas semanas. Caso do internacional V�tor Pereira que, com certa ironia, afirma: "A culpa de toda esta confus�o s�o as derrotas. Penso que deveria haver um campeonato onde n�o houvesse derrotas, porque assim todos ficavam contentes e ningu�m criticava ningu�m..."
Em tom mais s�rio, o �rbitro lisboeta adianta solu��es: "Concordo com a ideia de colocar pessoas que estiveram ligadas � arbitragem, ex-�rbitros, por exemplo, a dirigir a Comiss�o de Arbitragem, porque j� t�m um know-how da profiss�o que outros n�o t�m; e outras com uma independ�ncia total de qualquer organismo, para acabar com certos v�cios. Penso que n�o poder� haver estabilidade na arbitragem enquanto houver o sistema de sorteio. Mas � estranho que alguns colegas meus estejam a ser chamados para jogos internacionais de grande responsabilidade, quando c� s�o t�o criticados."
Entretanto, V�tor Pereira recorda: "As altera��es aos regulamentos foram decididos pelos pr�prios clubes, n�o foi por n�s. N�o fomos ouvidos nesta decis�o, porque os clubes entenderam que a nossa opini�o n�o interessava. Importa atender � exist�ncia de um quadro de �rbitros em que, cerca de um ter�o, t�m menos de 20 desafios nos escal�es principais. � muito importante levar isso em linha de conta quando s�o chamados para apitar jogos mais complicados."
An�lise sobre a qual se deve reflectir, mas n�o faz esquecer as realidades. E, qualquer que seja a raz�o, os pr�prios �rbitros, com actua��es infelizes, n�o podem furtar-se �s responsabilidades
DEPOIMENTOS
Valentim Loureiro
Presidente da Liga de Clubes


"Tem havido, de facto, segundo o que observo e a Comunica��o Social relata, alguns erros de decis�o dos �rbitros e dos seus assistentes. Mas, a verdade, � que s� passaram tr�s jornadas e os �rbitros, tala como os jogadores, ainda est�o a come�ar a �poca, sem a rodagem suficiente para decidirem com mais precis�o. Penso que a arbitragem deve continuar na Federa��o, mas defendo tamb�m que deve haver um �nico Conselho de Arbitragem, com duas ou tr�s sec��es: uma para a I e II Liga; outra para o futebol n�o profissional; e, eventualmente, outra para a forma��o. Penso que se devem intensificar e melhorar os apoios log�sticos e financeiros aos �rbitros. � importante aumentar o recrutamento, a forma��o e os apoios a que os �rbitros devem ter direito. E os clubes tamb�m ter�o que o fazer, h� que apoiar mais. O sorteio dos �rbitros assistentes, reconhece quem j� lutou por isso e o aprovou, n�o melhorou a arbitragem. Pelo contr�rio. Na direc��o de um jogo, os �rbitros t�m que actuar como equipa. N�o se conseguem as melhores equipas, entre os �rbitros e tantos �rbitros assistentes que, noutras �pocas, poucas ou nenhumas vezes ter�o actuado em conjunto. O sistema misto, com sorteio dos �rbitros e nomea��es dos seus assistentes, parece-me melhor. Mas � tudo uma quest�o de mentalidade. N�s, portugueses, temos o cora��o muito perto da boca, temos dificuldades em conter os sentimentos."
Guilherme Aguiar
Director Executivo da Liga de Clubes


"A arbitragem vive neste clima de instabilidade por culpa das altera��es aos regulamentos efectuadas pelos clubes. Enquanto havia a nomea��o dos �rbitros assistentes, t�nhamos o cuidado de escolher um que acompanhava sempre o mesmo �rbitro e outro que era da sua �rea de jurisdi��o. Gra�as ao sorteio, acontece que os �rbitros mal conhecem os seus auxiliares e, muitas vezes, arbitram juntos pela primeira vez. Ora, quando estamos com algu�m em quem n�o temos tanta confian�a, as coisas n�o podem correr bem. Mas esta � uma instabilidade normal no in�cio de �poca. Quem, l� fora, conhece o n�vel de arbitragem portuguesa, diz que estamos no bom caminho, que t�m havido uma evolu��o muito grande do nosso quadro de �rbitros. N�o creio que a tend�ncia de evolu��o fosse regredir por culpa dos �rbitros. Ali�s, eles provaram, neste in�cio de temporada, que est�o melhor preparados, fisicamente, do que na �poca transacta. Quando houve a altera��o dos regulamentos de arbitragem, avisamos os clubes dos perigos que delas resultavam, mas, alguns, n�o nos quiseram ouvir. E, embora a decis�o na assembleia geral tenha sido aprovada por unanimidade, duvido que a maioria concordasse com as altera��es. Sei que, por exemplo, o sorteio dos �rbitros auxiliares passou, naquelas reuni�es do G-18, por um voto apenas. E nem estavam presentes todos os clubes. Penso que foram medidas tomadas com alguma ligeireza, e h� que alterar os regulamentos onde j� se percebeu que se errou. No entanto, a arbitragem vai estabilizar nas pr�ximas semanas. Posso afirmar isso com seguran�a porque conhe�o muito bem os �rbitros. Nunca, como em Portugal, se imputa tanta responsabilidade aos �rbitros, e isso, claro, leva a um aumento da indisciplina dos jogadores, que pensam "se os outros criticam, porque � que eu n�o hei-de criticar?". Num jogo colectivo como � o futebol, o �rbitro � o �nico elemento que est� sozinho, sobre quem recai toda a responsabilidade, que n�o pode ter um momento menos bom. E um dos grandes respons�veis por este clima de suspei��o s�o os ditos comentadores de arbitragem, com as suas 14 c�maras. Gostava que eles fossem sujeitos a exames t�cnicos de arbitragem, para ver os resultados finais. H� que n�o esquecer que o �rbitro tem uma frac��o de segundo para decidir e n�o recorre a c�maras de televis�o para tomar a sua decis�o".
Artigo Anterior                      P�gina Inicial                   Artigo Seguinte
Hosted by www.Geocities.ws

1