Na edição anterior de nossas pesquisas, muito falamos de Carrito, o segundo marido de Guilhermina. Mencionamos suas múltiplas atividades e destacamos o ativismo político. Agora queremos falar de Guilhermina.
Neste último ano, em função de termos localizado uns livros paroquiais do século passado, que se acreditavam perdidos, também estivemos trabalhando para comemorar a passagem do 90º aniversário da Colônia Constança, localizada nas proximidades de onde Guilhermina residiu. Com isto, temos em mãos algumas notícias e muitas interrogações sobre Guilhermina. Nossa intenção, ao discorrermos sobre isto, é tentar obter respostas ou sugestões de quantos tenham informações a respeito.
Embora tenhamos pesquisado exaustivamente os livros paroquiais de Piacatuba, assim como o Registro Civil de Tebas, nada encontramos sobre o primeiro marido de Guilhermina. Há indícios de que ele seria da família Tavares Nepomuceno, radicada em Piacatuba desde 1852. Mas ainda não sabemos a data de seu nascimento ou o nome de seus pais, o que praticamente invialiliza uma pesquisa direcionada.
Quanto aos filhos deste primeiro matrimônio, novamente nos deparamos com enganos cometidos em documentos oficiais. Até então tínhamos que os quatro nasceram em Leopoldina. Para surpresa nossa, encontramos o assento do casamento religioso do filho Erotides, que veio modificar sensivelmente algumas informações já consolidadas. Um vez que Erotides nasceu em Faria Lemos, no ano de 1893, passamos a supor que Afrânia, a irmã mais velha, possa também ter nascido naquela cidade. E vamos mais adiante, pelo motivo que se verá a seguir.
Num trabalho de pesquisa sério, nunca devemos nos basear apenas em informações orais. A memória das pessoas pode falhar e, mais importante, cada um memoriza os acontecimentos por uma visão particularíssima. Vale dizer, cada um de nós guarda na memória apenas a parte dos acontecimentos que mais chama a atenção. Assim, não devemos confiar apenas no que ouvimos, devemos confirmar todas as informações através de documentos.
Pois saibam que, na infância, ouvi algumas vezes que Guilhermina teria chegado ao Brasil com 3 anos e em Leopoldina já adulta, viúva do primeiro marido. Tantos anos passados e quase posso refazer a história que ouvi. Guilhermina teria chegado a Leopoldina aos 3 anos e posteriormente teria se mudado para Faria Lemos. Viúva, retornou a Leopoldina.
Caso isto se confirme, estará explicado o motivo de não se encontrar, em Leopoldina, o assento de seu primeiro casamento, bem como os batismos de seus primeiros filhos e o óbito do primeiro marido. Outro indicativo: no aviso de óbito do irmão Julius, em 1896, a Gazeta menciona apenas os irmãos Jacob, Johann e Josef. Porque Constança e Guilhermina não foram incluídas? Estariam as duas residindo em outra cidade?
À vista disto, outras interrogações nos surgem: terá Juscelino falecido em Faria Lemos? Teria sido um funcionário da Estrada de Ferro Leopoldina Railway?
Algumas dúvidas poderão ser esclarecidas pesquisando-se os livros paroquiais de Faria Lemos. Mas há uma parte da história que dependerá de outras pesquisas.
Em contacto com um pesquisador do ramal norte da ferrovia, colhi uma versão que ainda não se mostrou sustentável. Trata do estabelecimento de lavouras em diversas cidades, de Leopoldina a Cantagalo, por famílias oriundas de São João Nepomuceno. Entre tais famílias, estariam uns Tavares Nepomuceno, estabelecidos em Faria Lemos por volta de 1880. A versão dá conta de alguns alemães entre eles: a esposa do filho mais velho de José Tavares, e três irmãos dela. Segundo aquele pesquisador, em pouquíssimo tempo o filho de José Tavares tornou-se proprietário de grande extensão de terras, trazendo os cunhados para trabalharem com ele. Pouco tempo depois o proprietário teria falecido e a esposa abandonou a cidade, deixando a cargo de seus irmãos o cuidado da terra.
Esta versão me parece pouco verossímel, à vista das informações que a família conhece. No entanto, não conhecemos os motivos que levaram Josef Dietz, irmão de Guilhermina, a radicar-se em Faria Lemos. Também nada conseguimos apurar sobre uma propriedade rural de Constança Maria Dietz, irmã de Guilhermina, na mesma cidade. Tampouco descobrimos a trajetória de dois outros irmãos: Jacob Dietz, posteriormente radicado em Santos Dumont e Johann Dietz, cujos registros em Leopoldina desaparecem a partir de 1891.
Mais adiante, temos ainda uma grande lacuna: onde e quando faleceu Philipp Dietz II, pai de Guilhermina? Pelo registro de óbito da esposa, Philippine Deubert, vemos que ele estaria vivo em 1904. Verificamos cuidadosamente os assentos dos Cartórios de Registro Civil de Tebas e Leopoldina, até o ano de 1928, quando Philipp teria completado cem anos. Nada encontramos. Teria Philipp se transferido para uma outra cidade, após enviuvar? Com qual dos filhos teria passado a residir?
Acreditamos que, ao solucionarmos as questões acima, poderemos reescrever a história de Guilhermina com mais precisão. Temos visto que muitos documentos nos tem levado a consolidar informações que posteriormente se mostram insustentáveis. Esperemos, pois.
Um outro aspecto da vida de Guilhermina, carente ainda de maiores estudos, é o seu papel de companheira do segundo marido. Pesquisando documentos sobre a Colônia Constança, vamos nos aproximando mais e mais de Carrito. A imagem mais forte que pudemos apurar: Carrito só não se destacou além fronteiras municipais, por ter sido sempre do partido de oposição. Aparece como o operador eficiente das "Vendas do Timbiras", um estabelecimento equivalente às atuais redes de supermercados, como o juiz nas contendas entre os imigrantes italianos, como o intermediário eficaz para as reivindicações daqueles colonos, como construtor de obras das mais variadas, como o socorro necessário nos momentos de doença e morte, enfim, é uma presença constante. E documentalmente ainda não pudemos comprovar, mas a "mulher do seu Carrito" era o anjo da guarda daqueles pobres sacrificados, vendidos pelo próprio país para os escravocratas fazendeiros do Brasil. Ficamos surpresos ao ouvir, de um antigo morador, referências elogiosas à "dona madrinha Guilhermina" (também conhecida como "dona madrinha neném", tia neném, dona neném).
Obra registrada de acordo com a Lei 5988, sob nº 011487
Ministério da Cultura - Biblioteca Nacional
© cantoni 1999
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Prezado parente,
Da última edição desta história, em novembro de 1999, até julho de 2000, conseguimos localizar mais alguns documentos que vieram esclarecer alguns pontos obscuros. Faltam-nos muitos ainda. Motivo pelo qual deixamos para o futuro a reedição completa. Neste momento estamos apenas disponibilizando aqui uma atualização da genealogia da família Dietz. Esperamos ser bem sucedidos em novas buscas para melhor subsidiarmos a edição que será distribuída em nosso próximo encontro de família.
Se você tiver encontrado algum novo documento, ou se quiser opinar a respeito de quanto diga respeito aos nossos antepassados, entre em contacto conosco.
(a) nilza cantoni