Bernardo Homem da Silveira

BERNARDO HOMEM DA SILVEIRA

(1725~1798)

Bernardo Homem da Silveira nasceu aos 20 de maio de 1725 na Freguesia de N.S. da Piedade, Ilha do Pico, A�ores, Portugal. Era filho de Jo�o Gon�alves Areias e Maria da Esperan�a. Eis o assento de seu batizado:

"Bernardo filho de Jo�o Gls Areias e de sua mulher Maria da Esperan�a naturais e fregueses desta Paroquial Igreja da Virgem NS da Piedade da Ponta, termo da Vila das Lajens da Ilha do Pico e moradores a Cruz do Redondo, lugar desta freguesia, nasceu aos 20 dias do m�s de maio da era de 1725 anos e foi batizado nesta Igreja de seus pais, aos 22 dias do dito m�s e ano por mim Francisco �lvares da Borba, vig�rio desta Igreja. Foram padrinhos Pedro de Fraga e B�rbara da Concei��o, filhos de Frco. de Fraga e Maria �lvares, naturais e fregueses desta sobredita par�quia, estiveram testemunhas presentes o soldado Ant�nio Vargas Machado e Soldado Caetano da Costa Leal e para constar fiz este termo que assinei die, mense et anno ut supra"

A vida de Bernardo, em sua p�tria, com certeza n�o oferecia grandes possibilidades. Seus pais eram pacatos lavradores, propriet�rios de vinhas e algumas reses, conforme relatou Manoel Pereira da Rosa, seu conterr�neo, no processo de habilita��o do padre Jo�o Bernardes da Silveira, em 1779:

"que conheceu na Ilha do Pico, sua p�tria, a Jo�o Gls Areias e sua mulher Maria da Esperan�a, por alcunha Maria Santa, av�s maternos do habilitando Jo�o Bernardes da Silveira, pessoas que viviam de suas vinhas, lavradores que eram, na mesma freguesia donde ele testemunha era natural (...) conhece e conheceu na sua P�tria o dito Alferes Bernardo Homem da Silveira por serem vizinhos, em muitas vezes se encontravam no campo pastorando seus rebanhos"

Assim, Bernardo deve ter vindo muito jovem para o Brasil, embora n�o se tenha conseguido precisar com exatid�o a �poca. Mas, sabe-se que, chegando a Minas, seguiu a trilha dos milhares de aventureiros que aportaram nessas paragens: a busca pelo ouro. Parece ter tido sucesso na atividade de garimpagem de ouro e como mercador, mas n�o persistiu nessas atividades. Buscou rumos mais s�lidos para sua vida: adquiriu um fazenda na regi�o de S�o Jos� D'el Rei, hoje Tiradentes, casou-se e obteve, sucessivamente, as patentes de alferes e capit�o. Nesse sentido, s�o esclarecedores os depoimentos de algumas testemunhas no mesmo processo de habilita��o do Pe. Jo�o Bernardes da Silveira:

"... conheceu o alferes Bernardo Homem da Silveira nestas Minas, primeiramente vendendo ouro lavrado e depois com sua fazenda e da� passou-se, depois de casado, a lavrador, como se acha com f�brica nesta freguesia..." (Miguel Leal do Couto)

"conhece o Alferes Bernardo Homem da Silveira, sendo mercador, agora roceiro" (Amaro de Freitas Almada, natural da Vila do Porto, Ilha de Santa Maria)

O casamento de Bernardo Homem da Silveira ocorreu na Matriz de Prados aos 27 de novembro de 1752, quando tinha, ent�o, 27 anos de idade:

"Aos 22 dias do m�s de novembro de 1752, Nesta Igreja Matriz de N.S. da Concei��o dos Prados, de manh�, sendo feitas as denuncia��es na forma do Sagrado Conc�lio e constitui��es deste Bispado, nesta dita Igreja, em cuja freguesia os contraentes s�o moradores, em minha presen�a e das testemunhas abaixo assinadas, se casaram em forma eclesi�stica solenemente por palavras de presente Bernardo Homem PIMENTEL(?) e Mariana Francisca de Bel�m, ele natural da Ilha do Pico e batizado na Freguesia de NS da Piedade, Bispado de Angra; ela da freguesia de NS da Assun��o da Vila do Porto, Ilha de Santa Maria do dito bispado, logo lhe dei as b�n��os nupciais conforme os ritos da Santa Madre Igreja e para constar fiz este assento era ut supra - o vig�rio colado Manoel Martins de Carvalho"

Curiosamente, o sobrenome de Bernardo, nesse assento, aparece como Pimentel. Ter� sido um engano de vig�rio ao redigir o termo, ou teria Bernardo homenageado algum antepassado, como era costume �quela �poca? Ali�s, o sobrenome Silveira, como visto no assento de seu batizado, n�o era o de seu pai, Jo�o Gon�alves Areias, nem o de sua m�e, Maria da Esperan�a. Na verdade, o sobrenome Silveira lhe veio do av� materno, o Capit�o Ant�nio (Homem) da Silveira, conforme assento de batismo de Maria da Esperan�a:

"Em os dezenove dias do m�s de agosto de 1687, digo 1688, batizei a Maria, filha do Capit�o Ant�nio Silveira e de sua mulher Cec�lia Pereira. Foram padrinhos Alferes Francisco Machado Fagundes, fregu�s da Matriz da Vila das Lajens, e Ana Monteira, filha de Jo�o Quaresma, fregu�s da Igreja de Santa Barbara das Ribeiras, e para constar fiz este termo, o vig�rio Mel. Cardoso Machado"

A esposa de Bernardo, Mariana Francisca de Bel�m, era natural da Ilha de Santa Maria, nascida aos 20 de setembro de 1728:

"Mariana Francisca, filha leg�tima de Jos� Andrade e sua mulher Maria da Concei��o, naturais desta Matriz de N.S.da Assun��o e moradores na Ribeira de S�o Domingos, termo desta Vila, nasceu aos 29 dias do m�s de setembro da era de 1728 anos, foi batizada nesta dita Matriz paroquial de seus pais por mim Jos� de Andrade, cura desta Matriz, em os tr�s dias do m�s de outubro da dita era supra, foi padrinho Mel. Curvello de Magalh�es, morador em Rosa Baixa e Mariana da Vit�ria, recolhida no recolhimento de NS da Concei��o, e por ela assistiu seu pai Cristovam de Almada, morador nesta vila, todos naturais desta Matriz. Foram testemunhas Melchior de Saa e Cristovam de Almada, morador nesta vila, de que para constar fiz este termo que assinei era ut supra, cura Jos� de Andrade".

Mariana Francisca de Bel�m veio para o Brasil, igualmente muito jovem, com seus pais, Jos� de Andrade Braga e Maria da Concei��o. Estes eram aparentados entre si e o casamento deles foi realizado dia 23 de fevereiro de 1726 na Matriz de Nossa Senhora de Assun��o, Ilha de Santa Maria, dispensados de 3o. e 4o. graus de consang�inidade. Jos� de Andrade Braga era filho de Miguel de Andrade Braga e �ngela de Magalh�es. De acordo com depoimento de Paulino de Andrade, "procurador de causas"(advogado), de 64 anos de idade em 1762, no processo de habilita��o do Padre Jo�o Bernardes da Silveira, eles eram descendentes de nobres fam�lias da Ilha de Santa Maria:

"disse que a dita �ngela de Magalh�es, m�e do justificante, era filha leg�tima de Manoel Curvello de Magalh�es e de sua Mulher dona Francisca de Parada, descendentes de nobres fam�lias desta Ilha (...) disse que a raz�o que tem para certificar o que tem jurado � por conhecer as ditas linhagens e por pap�is que tem tirado por suas pr�prias m�os por traslados de habilita��es que nestas ilhas se tem tirado no ju�zo"

O Dr. Djalma Garcia Campos, advogado e historiador/genealogista, fez um apanhado da vida de Bernardo Homem da Silveira, no seu livro Iguatama-Hist�ria e Genealogia, destacando a compra de uma fazenda em 27 de abril de 1770, que era de Manoel de Souza Pacheco, localizada na Paragem de S�o Jo�o Batista, na Freguesia de Santo Ant�nio (Tiradentes), na Comarca do Rio das Mortes; a obten��o da patente de Capit�o de Cavalaria, em 24 de mar�o de 1787. Finaliza, dizendo que em 1798, aos 73 anos de idade, Bernardo findou o seus dias naquela fazenda, sendo sepultado no interior da capelinha de S�o Jo�o Batista.

Nas disposi��es de sua �ltima vontade, nomeou os seus filhos, a saber:

1.-Padre Jo�o Bernardes da Silveira

2.-Jos� Bernardes da Silveira cc Ana Gon�alves da Cruz

3.-Francisco Bernardes da Silveira cc Francisca Romana da Silva

4.-Ant�nio Joaquim da Silveira

5.-Ana cc Manoel da Silva Ponte

6.-Mariana Francisca da Silveira cc Cap. Joaquim da Silva Le�o

7.-Bernarda cc Matheus Gon�alves Costa

8.-Genoveva cc Manoel Martins Parreiras

9.-Manoel Bernardes da Silveira cc Elena Rodrigues

Pode-se dizer, com seguran�a, que Bernardo Homem da Silveira realizou o sonho dos milhares de portugueses que vieram buscar fortuna no Novo Mundo. Colaborou na consolida��o do povoamento de nosso Estado, deixando para a posteridade exemplo de persist�ncia, dedica��o ao trabalho e religiosidade.

Nas regi�es sul e oeste de Minas, principalmente, vivem hoje centenas de descendentes do destemido e empreendedor a�oriano Capit�o Bernardo Homem da Silveira. Ter um antepassado como ele � motivo de muito orgulho e incentivo a que se d� continuidade ao ideal de evolu��o e progresso de nossa sociedade.

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