Capítulo 15 – Fadas, bilhetes e beijos

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O mês de fevereiro chegou trouxe com ele um clima agradável. Harry acordou cedo naquele dia, sentando-se sobre sua cama. Rony acordou no momento em que ele procurava por suas meias debaixo da cama:

-         Não me deixe acordar – pediu ele, enfiando a cabeça debaixo do travesseiro.

-         Por que? – perguntou Harry, enfiando a meia recém-encontrada no pé.

-         Hoje é um dia horrível. Dia catorze de fevereiro.

-         Dia dos Namorados! – riu Harry.

Não encontraram com Gina nem Hermione até chegarem no Salão Principal. Hermione dava risadinhas e Gina estava extremamente corada.

-         Ah não – reclamou Rony.

O Salão estava enfeitado de rosa, vermelho e enormes corações. O “céu” tinha adquirido uma cor rubra. Dumbledore sorria radiante, com um coração espetado na ponta do seu chapéu pontudo.

-         Bom dia, queridos alunos! Hoje é um dia muito especial, o Dia dos Namorados. Esse ano, resolvi fazer uma comemoração diferente.

Batendo palmas, milhares de graciosas fadinhas inundaram o Salão. Algumas vestiam branco, rosa e vermelho e conversavam tímidas, entre elas, cobrindo seus rostos com as mãos.

-         As fadinhas de Flitwick! – disse Hermione, apenas mexendo os lábios, pois ela estava sentada na outra extremidade da mesa.

-         Tímidas – comentou Gina.

-         Hoje não é dia de guardar mágoas, ressentimentos ou rancor – disse Dumbledore. Nesse momento, Hermione e Rony se olharam – e esconder o que se passa pelos seus coraçõezinhos...

“Vocês podem mandar recados para outros colegas em Hogwarts durante todo o dia. As fadinhas são extremamente discretas, cochicham os recados ao seu ouvido e não atrapalharão as aulas dos nossos prezados professores. As de branco, simbolizam a amizade. De rosa, o amor e de vermelho, paixão. Boa sorte, alunos!”

-         Isso é brincadeira! – revoltou-se Rony, dando um soco na mesa – odeio Dia dos Namorados!

-         Roniquinho! – exclamou Fred – deixe-me adivinhar por que...

-         Não me digam! – disse Jorge, segurando as mãos de Rony – será porque você está brigado com sua namoradinha?

-         Vão pro inferno! – rugiu Rony, jogando alguns cookies nos irmãos.

 

 

A primeira aula de Poções estava extremamente maçante. Snape ordenou aos alunos que preparassem a Poção do Sono, em duplas.

-         Mas, eu vou escolher as duplas! – disse ele, com um sorriso maroto.

Hermione fez par com Pansy Parkinson, Rony com Simas Finnigan...

-         Por favor, Draco e Potter.

-         NUNCA! – exclamaram os dois, ao mesmo tempo.

-         Ah, sim! – e empurrou Harry em direção ao caldeirão de Malfoy.

Harry descascava os ingredientes, enquanto Malfoy os mexia fervorosamente. De repente, uma fadinha vestida de vermelho entrou na masmorra e foi em direção ao caldeirão deles, parando nos ombros de Malfoy.

-         “Querido Draco – Harry escutou a voz de Cho Chang reproduzida pela fadinha – nunca se esqueça que eu vou te ter sempre no meu coração. Te amo! Cho”.

-         Que linda! – exclamou Malfoy, causando enjôos em Harry – essa Cho sempre me surpreende...

“Que foi, Potter? Ah! Você não recebeu nenhuma fadinha? Ou gostaria de receber uma da Cho?”

-         Cala a boca, Malfoy! – cortou Harry, empurrando libélulas cortadas para o menino.

-         Uh... impressionado porque Cho Chang preferiu o tenebroso Draco do que o maravilhoso Potter? – e sorriu cheio de desdém – você não imagina como Cho tem os lábios doces...

Harry não bateu em Malfoy por pouco. Quer dizer, por uma fada rosa que se dirigia a ele.

-         “Convivo com você e gosto muito de você, Harry. Por favor, mostre o mesmo a mim” – era uma fadinha anônima. Harry se surpreendeu quando Hermione deixou cair parte das seus cogumelos indianos cair em Pansy Parkinson.

-         Essa Granger – disse Malfoy, enquanto media a temperatura da poção – é tão tapada que me surpreende!

-         Não fala assim de Mione! – defendeu Harry.

-         Bem que Cho tem razão! – disse ele, dando um soco no ar – por favor, professor, a poção está pronta.

A poção de Harry e Malfoy ficou no ponto certo, mas Snape deu somente cinco pontos para a Grifinória e vinte para a Sonserina. Neville derramou a sua poção em Goyle:

-         LONGBOTTOM! SUA BURRICE ME ESPANTA – bradou Snape – MENOS VINTE PONTOS PARA A GRIFINÓRIA!

Snape encerrou a aula e deu um antídoto para Goyle, enquanto Neville chorava compulsivamente. Hermione o consolou, mas não olhou nos olhos de Harry quando ele a chamou para conversar:

-         Está tudo bem com você?

-         Está sim, obrigada – ela respondeu.

-         E Rony? Vocês conseguiram se acertar?

-         Ainda não – e seus olhos adquiriram um brilho estranho – mas tive uma idéia, que não vai me falhar!

Consultando seu relógio de pulso, deu um tapinha na sua testa:

-         Não estamos atrasados para a aula de Defesa Contra as Artes das Trevas?

Claire R. estava esperando por eles na porta. A aula foi interessante, pois estavam aprendendo mais sobre múmias.

-         Simas? – sorriu Claire R. – pode me dizer por que é perigoso explorar pirâmides sem um bruxo treinado?

-         Hum... – Simas apoiou no seu queixo, pensando – porque existem diversos feitiços que impedem de prosseguir.

-         Exatamente! Dez pontos para a Grifinória!

E virando-se para Harry:

-         Potter! Me dê o nome de duas múmias famosas!

“O quê?”, Harry pensou. Ele tinha revisado a matéria, mas não podia decorar nomes de todas as múmias citadas no livro.

-         Não sei, professora – sussurrou Harry, envergonhado.

-         Devia saber! – rugiu ela – Tutankâmon e Ramsés II me serviram! Menos dez pontos para a Grifinória!

Uma fadinha branca irrompeu a sala de aula e se dirigiu a Rony, que estava ao lado dele. Harry pode escutar o recado mandado por Hermione:

-         “Rony, sinto sua falta. Você e Harry são os meus melhores amigos, e você de mal comigo arranca um pedaço de mim. Gostaria de voltar a ser sua amiga.”

-         Diga a ela – rosnou Rony para a fadinha – para ela contar mentiras para outro e me deixar em paz!

A fadinha branca adquiriu uma cor negra e uma cara rabugenta e se dirigiu a Hermione, que adquiriu a mesma expressão rabugenta.

-         Dever de casa! – disse Claire R., quando a sineta tocou, anunciando o almoço – façam uma lista sobre as diferentes maneiras de se combater uma múmia.

-         Fácil! – disse Rony, quando se encaminhavam para o Salão Principal – só mandar uma coruja para Gui!

Fred e Jorge riam de algo muito engraçado na mesa da Grifinória. Gina ria entre as mãos, enquanto os alunos da Sonserina condenavam os demais com o olhar.

-         O que aconteceu? – perguntou Rony, intrigado.

-         Snape recebeu uma fadinha vermelha! – explicou Gina.

-         O pior é que era uma fadinha indiscreta, sabe? – disse Fred, enxugando uma lágrima.

-         Ela contou à todos os presentes do que se tratava! – terminou Jorge.

-         “Severo, você sabe por quais motivos eu mando essa fadinha. Pelos mesmos de anos atrás. Claire R.” – remendaram os gêmeos.

Harry e Rony riram abertamente de Snape, que era capaz de matar a fadinha e Claire R. (a professora chegara depois dos grifinórios e foi arrastada para fora por Snape).

-         Ah, Harry, temos uma coisa ótima para te contar! – sorriu Fred.

-         Sobre quadribol? – Harry tapou sua boca cheia com as mãos, enquanto falava.

-         Não, sobre a Gina. Sabia que ela recebeu uma fadinha vermelha-brasa de Colin Creevey? – contou Jorge.

Harry se engasgou com a comida.

-         E ela? – perguntou ele, enciumado.

-         Ficou feliz – disse Fred – afinal, a pequenina Gina nunca recebeu algo tão...

-         ...romântico na vida! – completou Fred.

Fred, que tinha anotado tudo o que a fadinha de Colin Creevey havia dito, entregou um papel para Harry. Rony, rindo, leu também:

 

“Amada Gina,

Esse é o melhor momento para me declarar, para dizer o tanto que gosto de você. Não posso mais passar um único dia sem ver o brilho dos seus olhos, sem sentir o seu perfume, sem te ver. Preciso muito de você, me encontre depois que terminar o almoço naquela sala ao lado do Salão Principal.

Com todo o meu amor,

Colin.”

 

-         Ela foi encontrar-se com ele? – perguntou Harry.

-         Sim! – responderam os gêmeos juntos.

-         Eu gosto de Colin – aprovou Rony – ele e Gina formam um belo casal!

-         Rony! – ralhou Harry – ela é sua irmã!

Gina voltou, sorrindo e sentou-se ao lado de Harry.

-         E então, Gina? – perguntou Jorge – como foi?

-         Nada! – disse Gina, ofendida – Colin apenas disse que me queria ter como namorada...

-         Uau! – Fred imitou uma menina, cumprimentando Gina – e você aceitou, querida?

-         Bem... na verdade, acho que tenho outros sentimentos por Colin.

Harry sorriu triunfante. Ele preferiria Gina assim: sozinha, sem nenhum Colin Creevey.

 

Harry ainda recebeu duas fadinhas, uma rosa e uma branca (mas que Dino jurou que era rosa, e Simas concluiu que era uma mistura das duas).

-         Você anotou? – perguntou Rony, parecendo interessado, enquanto se dirigiram para o campo de quadribol.

-         Sim – respondeu ele, estendendo um papel dobrado.

 

“Querido Harry,

Se faço o que eu faço, é porque gosto de você. Se sou o que sou, é porque gosto de você. Se penso em você, é porque gosto de você. Sua sempre admiradora.”

 

“Harry,

Acho que não há motivos para me esconder. Gosto muito da sua amizade e gostaria que nós nunca nos afastássemos. Apesar de você ser anos mais velho do que eu, nossos ciclos se completam. Natalie.”

 

-         Essa menina, Natalie Hufflepuff – comentou Rony, intrigado – ela é tão misteriosa, além de não parar de lançar enigmas. Você e ela...

-         Claro que não, Rony! – disse Harry, chateado – vamos, não quero me atrasar para a aula de quadribol.

Madame Hooch estava ensinando os alunos a serem apanhadores e Harry e Cho Chang fizeram dupla para ensiná-los:

-         Não há um segredo específico – disse Harry, tímido.

-         O segredo – explicou Cho Chang, contrariando Harry – é ter uma boa visão, saber voar e uma boa vassoura, claro.

A professora pediu alguns exercícios em dupla, e Harry e Cho Chang formaram uma delas.

-         Vamos ver – ela desafiou, segurando o pomo – se é um bom apanhador mesmo.

Ela lançou o pomo longe, perto do lago. Harry, montado em sua potente Firebolt 2, voou em direção ao pomo e o agarrou firme:

-         Bela pegada, Potter! – elogiou Madame Hooch, sua voz magicamente ampliada pelo megafone roxo – agora volte para cá!

Harry e Cho Chang trocaram lances cada vez mais difícil, garantindo belas jogadas e vinte pontos para cada casa. Os dois, exaustos, pararam e foram beber água, sem se olharem.

Uma fadinha vermelha chegou e se escondeu nos cabelos de Cho Chang, falando em um tom relativamente alto:

-         “Cho, meu amor, você sabe que eu também te amo muito e fico feliz todo o dia em que eu acordo e me lembro que tenho alguém fabulosa ao meu lado. Encontre-me hoje, no Salão de Troféus. Tenho uma agradável surpresa para você. Do seu apaixonado namorado, Draco.”

-         Draco! – ela sorriu – você é mesmo um amor!

Harry saiu dali depressa para não dizer um grosseria para a garota. Madame Hooch dispensou os alunos, que iam em direção ao castelo.

Hermione chegou correndo e segurou Rony pelo braço, quando entraram no saguão:

-         Você vai me ouvir! – ela ordenou.

-         Me solta! – ele olhou para Mione com raiva, e tentou se soltar – e se você tentar me enfeitiçar, eu juro...

-         Tenho métodos melhores – ela alegou – escute, não somos mais crianças e você é meu amigo, Rony!

-         Granger! – ele gritou – me solta!

Mas ele não pode terminar, porque Hermione o abraçou junto ao seu corpo e passou os braços por volta de seu pescoço. Então, Hermione beijou Rony. No começo, ele pareceu apavorado, mas depois se entregou à garota e passou os braços em sua cintura.

Harry olhou a cena perplexo. Tanto os grifinórios como corvinais apenas pararam para observar. Rony alisou o cabelo de Mione, que apertou-o ainda mais no abraço.

Hermione interrompeu o beijo e sorriu para Rony, que a olhou com nojo:

-         Nunca pensei que você fosse tão baixa! Eu te odeio! – dizendo isso, saiu correndo em direção à torre da Grifinória.

 

Rony havia decretado o fim de sua amizade com Hermione, que estava entrando em depressão novamente. Harry queria os dois como amigos, e por isso, resolveu dar uma trégua na amizade com ambos e Gina.

-         Isso é uma medida muito radical! – protestou Hermione.

-         Prefiro não me intrometer na briga de vocês. E também preciso de tempo para pensar.

O tempo que Harry passou sem os amigos foi doloroso, mas ajudou-o bastante. Rony era alvo constante de gozações de Malfoy e os sonserinos, tendo apenas os irmãos para defender.

Era uma tarde de sexta-feira, e Harry estava na biblioteca, terminando seu dever de alquimia. Havia poucas pessoas na biblioteca, o que fazia ele se sentir melhor.

-         Ambos atolados em deveres – disse Natalie Hufflepuff, sentando-se ao seu lado.

-         Olá, Natalie. Só não te convido para sentar porque você já se sentou.

-         Incomodo? – ela perguntou, educada.

-         Claro que não.

-         Eu fiquei sabendo de umas histórias sobre... seus amigos – ela disse, sem olhar para ele, escrevendo algo em um pergaminho.

-         Sobre o que, especificamente? – perguntou Harry.

-         Que eles se beijaram – respondeu Natalie, prontamente.

-         Sim, é verdade – confirmou Harry – quero muito que eles voltem a ser amigos...

-         Se eu ajudar – disse Natalie, encarando-o – você não se afasta de mim?

-         Toda a ajuda é bem-vinda – ele sorriu – vai ser difícil. E outra coisa: eu não me afasto de você, somos apenas de mundos diferentes.

-         Não podemos ser de mundos diferentes! – ela justificou – somos do mesmo meio, do mesmo ciclo.

Harry ficou sem entender, e a menina riu da sua expressão confusa.

-         Você deve sempre dizer quanto eu sou enigmática. Mas, confie em mim. Eu vou ajudar você.

Ela se levantou, juntando os livros.

-         Que bom que você continua usando o pingente.

-         Ei! – interrompeu Harry – você não tinha deveres de casa para fazer?

-         Na verdade não – ela sorriu, como se pedisse desculpas pela mentira – era só uma desculpa para conversar com você.

Ela se sentou mais uma vez e encarou ele. Os olhos dela, os seus cabelos, o perfume foi se aproximando de Harry. De repente, ela lhe deu um rápido beijo e saiu da biblioteca, às pressas.

Harry tocou os lábios recém-beijados e sorriu para ela.

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