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Fim de ano...




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O ano acabando...  Um outro ano começando...  Ciclo permanente que é visto na folhinha cada vez mais fina, na agenda velha, cheia de notas e orelhas, quase despencando, ao lado da nova,  ainda intocada; o calendário exíguo ao lado de um outro transbordante de meses, dias e datas a serem preenchidos, sem que saibamos com o quê.

O que marca nossa vida não é o ano da folhinha. É a marca, são as a marcas que recebemos e fazemos na vida. O que marca um ano é aquilo que nunca fizemos até aquele momento, o que nunca vimos diferente até olhar de um outro jeito. É o ganho e a perda, é a falta e a dádiva. É o passo que é dado ou o atalho tomado.

Isso foi quando meu pai morreu, foi no verão que minha filha nasceu, foi a época que perdi o emprego, foi o ano que encontrei o meu amor.

O tempo afaga e castiga.   Ele tira aquilo que só ele nos dá, enquanto que,  estranho paradoxo,  ele nos dá exatamente aquilo que ameniza a dor daquilo que nos tirou. O tempo que renasce, espanando a poeira do esquecimento daquele fato pequeno,  apagado,  que ressurge com força numa outra forma,  num outro momento, deixando a gente sem ação, perdida nesse raio que rasga folhinhas e datas... abrindo uma passagem entre passado e presente, coincidindo momentos,   sentimentos,  mostrando o sempre de uma forma concreta.

Esse tempo é o tempo que suaviza a dor, que embeleza a lembrança, das memórias plurais, mutantes,  sempre diferentes a cada novo momento que passa a ser vivido. O tempo que faz a gente querer ser velho, só prá poder ser sábio e, ao mesmo tempo, que nós dá uma saudade imensa da época em que loucura era não tentar ser tudo.

O tempo que brinca com a dúvida... dissipa umas e cria novas...   não deixando a gente ter certeza absoluta de quase nada. E é isso que nos enlouquece no tempo, vamos confessar...

Esse tempo que teima em tornar fugaz aquilo que queremos eternizar é o mesmo tempo que torna distante aquele dia em que tudo vai passar... vai passar... vai passar...

 

 

Neyza Prochet, amadora apaixonada pelas letras, amiga

Dezembro/98

 

 


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