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                           purpb.gif (2557 bytes)   A DOR QUE D�I MAIS

 

 

Trancar o dedo numa porta d�i. Bater com o queixo no ch�o d�i. Torcer o tornozelo d�i. Um tapa, um soco, um pontap�, doem. D�i bater a cabe�a na quina da mesa, d�i morder a l�ngua, d�i c�lica, c�rie e pedra no rim. Mas o que mais d�i � saudade.

Saudade de um irm�o que mora longe.   Saudade de uma cachoeira da inf�ncia.    Saudade do gosto de uma fruta que n�o se encontra mais. Saudade do pai que   j� morreu. Saudade de um amigo imagin�rio que nunca existiu. Saudade de  uma cidade. Saudade da gente mesmo, que o tempo n�o perdoa. Doem essas  saudades todas.  

Mas a saudade mais dolorida � a saudade de quem se ama. Saudade da pele,  do cheiro, dos beijos. Saudade da presen�a, e at� da aus�ncia consentida.   Voc� podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se l�.     Voc� podia ir para o escrit�rio e ele para o dentista, mas sabiam-se onde.    Voc� podia ficar o dia sem v�-lo, ele o dia sem v�-la, mas sabiam-se  amanh�. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade   que ningu�m sabe como deter.


Saudade � n�o saber. N�o saber mais se ele continua se gripando no inverno. N�o saber mais se ela continua pintando o cabelo de vermelho. N�o saber se ele ainda   usa a camisa que voc� deu. N�o saber se ela foi na consulta com o dermatologista  como prometeu. N�o saber se ele tem comido frango assado, se ela tem assistido      as aulas de ingl�s, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a  estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua  preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dan�ando, se ele  continua surfando, se ela continua lhe amando.


Saudade � n�o saber. N�o saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, n�o saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, n�o  saber como frear as l�grimas diante de uma m�sica, n�o saber como vencer a dor  de um sil�ncio que nada preenche.


Saudade � n�o querer saber se ele est� com outra, e ao mesmo tempo querer. � n�o querer saber se ela est� feliz, e ao mesmo tempo querer. � n�o querer saber se  ele est� mais magro, se ela est� mais bela. Saudade � nunca mais saber de quem  se ama, e ainda assim, doer.

                                                                                     ( Martha Medeiros)

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