Faz frio esta tarde.
Frio ameno. Tropical.
Mangas mais longas e
um leve casaco acolhem
os bra�os num calor morno.
A janela respingada de chuva
me lembra um choro manso
escorrendo pela face.
De repente,
a natureza se estende
e me alcan�a na carne.
O pranto,
vislumbrado na janela
resvala pelo rosto,
irmanado.
O trov�o, ao longe,
reflete no vidro,
a menina ouvindo
est�rias da av�
sobre o tempo.
Isto � obra de S�o Pedro!
ela escuta,
entre descrente e encantada.
De quando em quando
o c�u deve ser limpo
e muita �gua ser usada.
Trov�es?
Ora, � a mob�lia arrastada!
E assim,
o que antes mist�rio,
torna-se hist�ria desvendada.
A chuva cessa,
e a mistura dos tempos
se defaz.
Ficando comigo,
o doce som da voz
e o calor de um colo,
em paz.
Neyza Prochet, colaboradora, amiga