Janela de
Botafogo

"Encontro de dois mundos"
Acr�lica sobre tela
trabalho da artista Neyde Noronha
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H� uma janela �
minha frente,
� minha frente h� um homem,
h� um homem que se esconde � minha frente
h� uma janela que o encobre;
h� um mist�rio entre a janela,
o homem e eu que me exponho.
Tiro a roupa e mostro meus seios
ao homem � minha frente.
Vejo que uma luz se apaga do outro lado
e recome�a o mist�rio ante o espa�o escuro
frente a janela, o homem e eu.
Sinto-me s�, despida;
o telefone toca, n�o atendo;
penso que se for o homem h� de dizer
um monte de asneiras conhecidas,
h� de falar dos meus seios, do meu ventre,
h� de querer entrar pelo fio.
Frente a janela, l� na rua, caminha um homem...
penso ser o homem frente a janela
corro a trancar a porta e imagino
que pode ter a chave e pode entrar
e querer me possuir sobre a mesa.
Passo horas a correr em pensamento
entre a janela,
� minha frente, o homem e eu
O dia nasce
e eu ali entre o mist�rio,
o telefone, a porta,
o homem e eu.
H� uma janela � minha frente.
Beth Hermanny, poeta e colaboradora |