CAPÍTULO 6
A família Hanson entra em casa. Largam as malas na sala
mesmo. Todos sobem para seus quartos, apenas Zac que entrou na cozinha e sentou
na pia de mármore preto, como de costume, para pensar um pouco. Ele lembra de
Gabi. Mas não dela quando a encontrou dormindo, ou dela na mesa, tomando café
com o resto da família. Relembrou de quando ela acordou e o viu, lá, deitada
no sofá creme da sala de estar da casa de Mariah. A reação dela. Lhe parecia
tão... familiar. Como se o seu jeito de reagir a certas coisas continuasse o
mesmo. A maneira de ela falar, mexer sua boca, jogar os cabelos. Nada havia
mudado muito. “Ah! O cabelo dela! Tá
castanho escuro. Melhor, eu acho... se bem que eu gostava azul...”
ele pensa. Zac sentia como se a Gabriela com que ele namorou não tivesse
mudado nenhum pouco. Aparentemente, ela mostrava-se a mesma. “Eu
só queria ter conversado um pouco com ela...”
ele pensa novamente, apoiando sua cabeça na parede logo atrás dele.
É quando Taylor entra na cozinha. Zac, porém, não percebe. Taylor o observa
por uns minutos, já adivinhando no que ele pensava.
TAY>> “É... mexeu comigo também.”
Zac olha para o irmão de repente. Havia se assustado um pouco quando
ouviu sua voz.
ZAC>> “Ah... ‘cê tá aí...”
TAY>> “Eu sei no que ‘cê tá pensando... eu tô assim também.”
ZAC>> “Sóóó...”
TAY>> “O que ‘cê achou quando viu?”
Zac o olha incerto se devia falar de algo assim, que considerava tão
particular.
ZAC>> “Susto.” – tentando ser o mais discreto possível;
TAY>> “É...”
ZAC>> “E você?”
TAY>> “Sei lá...” – saindo da porta da cozinha e se
aproximando de Zac na pia – “A Cacá tá... assim...” – coloca as mãos
nos bolsos – “...linda. Tão mais mulher, eu acho...” – não querendo se
abrir completamente;
ZAC>> “A Gá também... diferente pacas.”
TAY>> “Só que é claro que eu não senti nada de mais, tipo...
foi só...”
ZAC>> “Nossa, claro, claro...”
TAY>> “Nada além de primo...”
ZAC>> “Parente é parente.”
TAY>> “Só isso mesmo.”
ZAC>> “Nada mais.”
TAY>> “Claro que não.”
ZAC>> “Até porquê ‘cê gosta da Duda.”
TAY>> “E você da Lí.”
ZAC>> “Claro,
claro...”
TAY>> “Nada a vê mesmo.”
Os dois mentiam para si mesmos. Nunca iriam admitir que rever as primas
tinham despertado neles uma saudade dos velhos tempos. Taylor tira as mãos do
bolso. Abre a geladeira. Silêncio.
ZAC>> “Eeeeeee...” – pensando em algo para dizer, quando Ike
entra na cozinha;
IKE>> “Oi...”
ZAC & TAY>> “Oi.”
IKE>> “Nossa... ‘cês num se assustaram não quando viram as
meninas?”
ZAC>> “Realmente elas estão muito diferentes.” – sério para
não se entregar;
TAY>> “Verdade...”
IKE>> “Diferentes??! Elas tão muito diferentes! A Gabi com
o cabelo daquela cor natural fico muito legal! E a Cacá então?! Nossa, como
ela cresceu!” – bastante empolgado;
ZAC>> “As nossas primas estão mesmo muito diferentes...”
TAY>> “Concordo.”
IKE>> “Por que ‘cês tão falando desse jeito?!”
TAY>> “Quê jeito?”
ZAC>> “Estamos sendo sinceros.”
IKE>> “Sinceros? ‘Cês tão fazendo mó tipo aí...” – ele
levanta – “Ih...” – e sai da cozinha;
TAY>> “Nossa... eu acho que o Ike pirô agora...”
ZAC>> “Com certeza.”
E os dois saem da cozinha.
Gabi agora terminava de se trocar, pois havia combinado de ir com suas
amigas dar uma volta no shopping, aproveitar um pouco o final de semana. Camilla
decidia se iria junto. As duas trocavam-se no quarto.
CACÁ>> “Ô Gabi... ‘cê num falou nada ‘té agora a respeito
deles e...” – esperando que a irmã concluísse a frase;
GABI>> “Você também não falou nada.” – vestindo sua calça;
CACÁ>> “Se eu falar, ‘cê fala também?”
Gabriela olha para a irmã mais nova com uma expressão no rosto,
repreendendo-a.
CACÁ>> “Ah, Gabi...”
GABI>> “Ih, Cacá.. parece coisa de criança...” –voltando sua
atenção para a calça;
CACÁ>> “Mas fala ou não?” – ela persiste;
Gabriela pensa alguns segundos.
GABI>> “Sei lá... num sei se eu já tenho alguma opinião
formulada sobre o assunto.”
CACÁ>> “Gabi, quando ‘cê começa a falar difícil é porquê tá
escondendo alguma coisa!” – desmascarando Gabi;
GABI>> “Bom...” – cedendo – “Eu não sei se foi por que eu
briguei com o Adrian, mas eu achei tão mais bonito...”
CACÁ>> “Não é porquê ‘cê brigou com o Adrian não. O Zac tá
muuuuuito lindo!” – sentando em sua cama;
GABI>> “Vai ver que sim...” – terminando de colocar a sua
roupa – “E você?”
CACÁ>> “Mas é só isso?? Não vai me dizer mais nada??”
GABI>> “Dizer mais o quê? Não tem o que falar! É só isso
sim!”
CACÁ>> “Bom, tá... mas não pense que eu me dei por contente com
essa respostinha mais besta!” – ela respira fundo – “Já eu... é,
concordo com o que ‘cê falou do Zac. Ele tá muito lindo! Nossa, mó grande!
O Ike também! Vixi... tá tão mais homem, com a voz mais grossa também e
tal... Outra coisa que eu observei no Zac foi que...”
GABI (interrompendo)>> “Ô Cacá! Pára de enrolar e fala logo do
Taylor! ‘Té parece que eu num sei que foi nele que ‘cê mais reparou!”
– com um sorriso irônico;
CACÁ>> “Tá, tá!” – respira mais uma vez – “O Tay...
claro... O que eu posso dizer do Tay?” – ela finge pensar;
GABI>> “Agora ‘cê entende por quê é tão difícil falar
deles? É duro ‘cê tocar no passado de novo. Principalmente quando é algo
que ‘inda mexe com você.” – sorrindo de maneira terna, como se fosse a
dona da verdade, o que não deixava de ser uma realidade naquele momento;
CACÁ>> “Sóóó... taí... agora eu tô ligada.”
GABI>> “Esquece isso e vamos pro shopping.”
As duas saem do quarto. Gabriela liga para as amigas. Camilla liga
rapidamente para Pulipa e elas vão. Lá, depois de alguns cumprimentos...
GABI>> “Mas e aí, ‘bora dá uma volta?”
MARRIE>> “Eu tava querendo ver uns CDs. ‘Cês num tão afim de
ir comigo?”
POLLY>> “Mas é ‘craro’! Eu também tô querendo comprar um aí...”
PRUE>> “Qual?”
POLLY>> “Ah... um aí...”
DEA>> “Qual, minina?”
POLLY>> “Por que ‘cês querem saber?!” – mostrando cada vez
mais que não queria dizer;
MAG>> “Agora eu quero saber qual é!”
MARRIE>> “Eu também! Deve ser dos Backstreet Boys! Hahaha...”
– ela brinca inocentemente.
Todos riam. É quando Marrie, e todas as outras, percebem que a única
que permanecia séria era a própria Polly.
MARRIE>> “Polly? ‘Cê vai comprar esse mesmo?”
POLLY>> “Ah!! E o que é que tem??! Algum problema?! Eu gosto
deles sim, tá?!”
MARRIE>> “Imagina, Polly, eu brinquei, mas nem queria
ofender...”
POLLY>> “Ah, só por quê ‘cês gostam das bandonas fudidas, eu
não posso gostar de coisa brega?!”
Silêncio.
GABI>> “Eu não acho brega.”
Todas concordam como numa tentativa de pedir desculpas.
MARRIE>> “BSB é muito legal!”
PRUE>> “Claro! Eles cantam bem e tudo!”
DEA>> “Eu também acho... fora que eles são muito lindos!
Nossa...”
POLLY>> “Ai, gente... que ‘môr que ‘cês são.” –
sorrindo;
MARRIE>> “Mas, gente... acho que seria mais divertido se a gente
entrasse no shopping. Dizem que é muito legal lá dentro...” – ela brinca.
Todas riem e entram.
No caminho para a tal loja...
GABI>> “Quê Cd ‘cê vai comprar, Marrie?”
MARRIE>> “O novo do No Doubt.
Muuuuito massa!” – mostrando empolgação;
PRUE>> “ ‘Magina se não...”
Camilla e Pulipa andavam olhando as lojas, quando Pulipa avista, mais a
frente, Nathan e Steve.
PULIPA>> “Ô Cacá...” – cutucando a amiga – “Cacá!”
CACÁ>> “Quié??”
PULIPA>> “Ó lá!” – mostrando a direção com os olhos.
Camilla olha e vê o que a amiga lhe chamara a atenção.
CACÁ>> “Sóóó...”
Os dois, que caminhavam distraidamente, demoram um tempo até as
avistarem. Mas as vêem. Os dois sorriem um para o outro e se aproximam.
NATHAN>> “Oi.” – com o seu característico sorriso bastante
atraente;
CACÁ>> “Oi...” – sorrindo um pouco sem graça;
STEVE>> “E aí, beleza?”
PULIPA>> “Tudo...” – sorrindo;
NATHAN>> “Vocês ‘tão sozinhas?”
CACÁ>> “Uhun.”
NATHAN>> “E... a gente pode andar com vocês?”
CACÁ>> “Claro...”
Eles começam a andar sem rumo certo. Olhando as lojas e as outras atrações
do andar em que estavam. Steve e Pulipa começam a conversar mais afastados de
Camilla e Nathan, denunciando que iriam ficar.
NATHAN>> “É... eu queria que ‘cê soubesse que eu já acabei
com a Stella.”
CACÁ>> “Ah é?” – sorrindo – “Quando?”
NATHAN>> “Hoje. Agora pouco. Quer dizer, faz um tempo já...”
Os dois riem tímidos.
CACÁ>> “Isso é bom.”
NATHAN>> “É? Mesmo?” – olhando-a com o seu sorriso novamente;
CACÁ>> “Ela deve tá querendo me matar agora...” – rindo e
olhando para baixo;
NATHAN>> “Nah... nem tá.
‘Té porquê eu nunca vou deixar ela fazer nada contra
você.”
Camilla o olha. Nathan continuava com aquele seu sorriso, de quem sabe o
quer, no rosto.
NATHAN>> “Eu gosto de você, Cacá.”
CACÁ>> “Eu acho que eu também gosto de você.”
Pela primeira vez desde que tinha se encontrado com Camilla, ele desfaz o
sorriso, dando lugar a uma expressão de maior seriedade. Cacá já sabia do que
se tratava. Os dois se beijam. Passado um tempo, ele tira seus lábios e vão ao
encontro de Pulipa e Steve de mãos dadas.
GABI>> “Pagou, Marrie?”
MARRIE>> “Paguei! Woohoo!! Meu Cd do No Doubt!!” – pulando sem
parar;
POLLY>> “Eitcha! Calma, fia! É só um Cd!” – brincando;
MARRIE>> “O quê?! Só um Cd?? Foi isso que você disse?? Eu ouvi
bem??”
DEA>> “Ih... hehe... alguém vai apanhar aqui hoje.”
MARRIE>> “Esse é o Cd mais lindo desse mundo, fique você
sabendo! Depois de tempos sem dá notícia, a minha banda do coração volta com
tudo, com umas músicas alucinantes e você vem me dizer que é só um Cd??”
POLLY>> “Tá, tá... hehe... foi maus aê...”
GABI>> “Ô gente boa! Será que ‘cês podiam esquecer o No
Doubt aê um minutin’? Vamo’ dá umas voltas, pessoas.”
E elas vão. Sobem para o último andar, onde localizava-se a praça de
alimentação.
PRUE>> “Putz! Num tem lugar pra sentar!”
É quando alguém chama pelo nome de Gabriela. Ela olha em direção ao
chamado e vê Adrian sentado com alguns amigos numa mesa.
ADRIAN>> “Vem aqui...” – ele sussurrou, fazendo sinal com as mãos
para que elas se aproximassem;
GABI>> “Merda! O Adrian!”
PRUE>> “Merda? Ele não era para ser, por ventura, assim sabe, seu
namorado?”
DEA>> “Gabi... ‘cê num vai lá não?”
GABI>> “Não!”
POLLY>> “Gente, os amigos do Adrian tão lá junto! Vamo’ lá,
Gabi!” – ela quase implora;
GABI>> “Eu não quero ir.”
MARRIE>> “Gabi, vamos sim. Quem sabe num é a oportunidade
perfeita pra ‘cês se entenderem.”
MAG>> “Além do que, a gente num tem lugar pra sentar mesmo...”
– tentando achar um lado positivo na situação;
GABI>> “Tá...” – depois de pensar um tempo.
Elas se aproximam da mesa. Os amigos de Adrian, todos, abrem um largo
sorriso para todas as meninas. Elas sentam. Adrian tenta beijar a namorada, mas
ela se afasta. Ele sabia que ela tinha motivos para toda aquela raiva. Porém,
decide não falar-lhe naquele momento. A conversa entre eles ali estava animada.
As amigas de Gabi riam muito.
ADRIAN>> “Gabi...”
Ela o olha séria.
ADRIAN>> “Eu queria muito falar com você.”
Ela espreme os olhos com desprezo e vira para as outras pessoas da mesa,
prestando atenção no que elas falavam. Adrian acha melhor parar de insistir.
Passado um tempo, Gabi, que não estava se divertindo tanto quanto suas colegas,
levanta e decide ir embora.
GABI>> “Bom, gente, eu vou indo...”
ADRIAN (levantando)>> “Será que eu podia te deixar em casa?”
Gabriela pensa um pouco.
GABI>> “Tá. Mas vamos logo!” – já saindo;
Os dois deixam a mesa.
GORDON>> “Nossa... mas essa namorada do Adrian é mesmo brava,
hein?”
MARRIE>> “Quem? A Gabi? Olha, acho que nem é questão de
temperamento. No caso dela, eu também não sei se ficaria lá muito contente se
o meu namorado deixasse de ir na minha apresentação de dança para ir beber
com os amigos.”
Todos concordam com Marrie em silêncio.
Adrian e Gabi estavam agora dentro do carro, parados frente a casa de
Gabriela. Ele havia acabado de estacionar. Ela olhava séria para frente. Não
parecia muito contente. Adrian respira fundo.
ADRIAN>> “Bom, Gabi... eu sei que ‘cê tá muito brava
comigo.” – ele a olha esperando por alguma atitude – “Eu sei que errei não
indo a sua apresentação... mas é que...”
GABI>> “Olha o que ‘cê vai me dizer. Meça bem as palavras se
você não quiser me perder de vez mesmo.” – olhando-o com raiva – “Como
é que você pôde, hein?!”
ADRIAN>> “Gabi, por favor, me desculpe... eu não sabia que
significava tanto pra você.”
GABI>> “O quê?! Você não sabia?!”
ADRIAN>> “Eu sabia, mas... sei lá, eu acabei me entretendo tanto
lá com os meus amigos que esqueci completamente.”
Gabriela espreme os olhos mostrando indignação.
ADRIAN>> “Eu sei que eu devia ter ido, mas é que essa parada com
os meus amigos já estava marcada fazia tempos.”
GABI>> “Que parada?! Ficar lá, bebendo que nem um gambá até
cair?! A questão é que você prometeu! Eu tava nervosa, esperando que ‘cê
fosse ficar comigo, me fazendo companhia!”
ADRIAN>> “Mas eu ia! Só que eu me empolguei lá na casa do Gordon!”
GABI>> “Olha, Adrian, se você não tivesse ido lá me ver por
algum motivo realmente importante, algo sólido, que me fizesse acreditar em você...
tudo bem. Mas você preferiu ficar lá bebendo com aqueles seus amigos
idiotas!”
ADRIAN>> “Desculpe! Errar é humano, sabia?! Foi sem querer!”
GABI>> “Você não errou sem querer. Você tava muito consciente
quando decidiu ficar lá com os seus amigos pinguços a ir assistir a apresentação
de dança da sua namorada!”
ADRIAN>> “Gabi, poxa... eu já disse... eu esqueci! Não foi do
jeito que ‘cê falou aí não...” – com uma voz de choro;
GABI>> “Ah, eu imagino como deve ter sido difícil pra você ter
que ter ficado!”
Adrian começa a chorar.
GABI>> “Ah, Adrian! Por favor, né?! Tenha vergonha nessa sua
cara!!” – e sai do carro;
Adrian observa Gabriela entrar em casa.
ADRIAN>> “Putz, a Gabi é foda... nem chorar com ela adianta.”
– limpando suas lágrimas fingidas.
Adrian liga o carro e vai para casa.
A casa dos Hanson estava vazia de adultos. Walker e Diana haviam saído
fazer umas compras e levaram as crianças junto para aproveitar o dia ensolarado
daquele final de semana. Isaac estava agora com Myranda na casa dela e Taylor
conversava com Duda, ambos sentados na sacada da casa da família Hanson. Zac não
tinha nada para fazer. Estava deitado na cama, sem camisa (usava apenas uma calça
jeans), jogado de maneira muito largada, com suas mãos caindo pelas laterais,
de bruço. A janela estava aberta. Silêncio. Só ouvia-se os barulhos que
vinham lá de fora. Vezes algum carro que passava, vezes um pássaro que
cantava, vezes o próprio vento que soava ao bater nas janelas. Batia também em
todo o corpo de Zac, já que seu leito era logo ao lado da janela. Seus cabelos
soltos voavam em seu rosto e voltavam a repousar em suas costas a todo momento,
levados pelo vento. A claridade do dia, apesar de forte, não entrava no quarto.
Zac não pensava em nada. De olhos fechados, estava quase dormindo. Seu sono
tinha um grande aliado – o tédio. É quando alguém bate na porta. Ele ouve a
batida ao longe. A pessoa bate novamente. Abre os olhos lentamente e levanta o
seu rosto em direção a porta para ver quem era.
ZAC>> “O quê ‘cê quer?” – resmungando. Ele vira para o
outro lado;
LÍ>> “Vim dá um oi...”
ZAC>> “Como é que ‘cê entrou aqui?” – resmungando
novamente;
LÍ>> “O Tay disse que eu podia entrar. Ele tá sentado ali na
sacada conversando com a Duda.” – entrando. Senta na cama frente a de Zac
– “Eu soube que ‘cês viajaram.”
ZAC>> “Uhun.” – disse tão baixinho, que Lí mal conseguiu
ouvir;
LÍ>> “Zac, ‘cê não vai dormir em pleno Domingo, né?”
ZAC>> “Vou! Algum problema?” – falava abafado, por estar com o
seu rosto escondido entre seus braços, de costas para Lí;
LÍ>> “Tá tão lindo lá fora...”
ZAC>> “Aqui dentro também.” – ainda sem virar para ela;
Ela levanta e se ajoelha, ficando de frente para os cabelos longos de Zac.
LÍ>> “Zac, por favor...” – o chacoalhando pelas costas.
Ele respira fundo e, ainda de bruços, apoia-se com os cotovelos sobre o
travesseiro, olhando para frente. Seus cabelos caíam retos, sobre seu rosto e
ombros, cobrindo assim sua face.
ZAC>> “Cara, eu tô com sono...” – diz baixinho;
LÍ>> “Você pensa que tá. Vamo’ lá fora, Zac! Olha o dia que
lindo!”
Zac cai com seu rosto no travesseiro.
ZAC>> “Não quero.”
LÍ>> “Zac, levanta daí agora!”
Ele enrola um tempo e senta na cama.
ZAC>> “Puta, Lí, que saco!”
LÍ>> “Pode reclamar a vontade!”
Ele coloca os cabelos para trás, como se fosse amarrá-los, enrolando-os
em espiral, deixando-os caídos nas costas. Lí não deixa de reparar em seu tórax
e barriga. Zac nota o olhar fixo dela.
ZAC>> “Licença que eu vou me trocar?”
LÍ>> “Ah, claro,
claro...”
E ela
sai do quarto. Após um certo período de tempo, ele sai do quarto com a mesma
calça jeans, mas dessa vez usando uma camiseta branca básica.
ZAC>> “Vamo’.”
LÍ>> “Isso!” – sorrindo.
Os dois saem da casa dos Hanson.
ZAC>> “Tá. E agora?” – desanimado;
A rua estava vazia. Não havia ninguém.
LÍ>> “Ué... onde será que tá todo mundo?”
ZAC>> “Dormindo! Dormindo! O que eu tava fazendo antes de ‘cê
inventar essa de sair!”
LÍ>> “Ô Zac! Quê qui é, hein??? Posso saber por que ‘cê tá de
xico assim?!”
ZAC>> “Eu?!”
LÍ>> “É!!”
Zac pensa por uns minutos.
LÍ>> “Posso saber o que eu te fiz pra ‘cê tá me agredindo
assim, do além?!” – cruzando os braços;
ZAC>> “Tá, foi mau... nem era a intenção...”
LÍ>> “Poxa, Zac... eu achei que agora a gente fosse mais do que
simples amigos...”
ZAC>> “Ah, sei lá... acho que somos sim.” – sorrindo de leve;
Lí sorri e vai em direção de Zac para beijá-lo. Ele pensa em se
afastar, mas desiste da idéia. Os dois se beijam.
Gabriela estava agora em casa, assistindo televisão. O telefone toca.
GABI>> “Alo?”
MARRIE>> “Oi, Gabi!”
GABI>> “Marrie! Ai, que bom que ‘cê ligou!”
MARRIE>> “O que ‘cê tá fazendo aí de bom?”
GABI>> “Nada de nada.”
MARRIE>> “Quer vir aqui em casa?”
GABI>> “Preguiça, Marrie...”
MARRIE>> “Hmm... tá bom! É que eu tenho ensaio do coral daqui a
pouco. Tá afim de ir?”
GABI>> “Nem... tô meio abalada ainda...”
MARRIE>> “O Adrian, né?”
GABI>> “Nem...” – pausa – “O Zac.”
MARRIE>> “Ah...
entendo.”
GABI>> “Valeu.”
MARRIE>> “Então tá, ‘miga... vou indo. Se cuida, tá?”
GABI>> “Tá.”
MARRIE>> “Tchau!”
GABI>> “Tchau.” – e desliga o telefone.
Ela volta-se para a televisão. Camilla ainda não havia voltado do
shopping. Era cedo. Lourdes entra na sala de televisão.
LOURDES>> “Olá, Gabi.” – sorridente;
GABI>> “Oi, Lourdes... entra aí.”
LOURDES>> “Você não está muito bem, não é meu anjo?” –
com uma expressão preocupada no rosto;
GABI>> “Nem esquenta, Lurdéca. Num é nada não.” – sorrindo
levemente;
LOURDES>> “Eu posso preparar alguma coisa pra você comer, se você
quiser...”
GABI>> “Num rola, Lourdes... mas ‘brigada.”
LOURDES>> “Ah! Aquela sua tia de Tulsa ligou.”
Gabriela, que estava encostada no sofá, levanta de supetão, ficando
assim sentada com a postura reta.
GABI>> “Ligou?? E o que ela queria?” – com os olhos fixados em
Lourdes;
LOURDES>> “Ela queria falar com a Sr.ª Mariah para acertar de
eles virem para cá passar uns tempos.”
GABI>> “MÃÃÃÃE!!” – saindo correndo em direção ao quarto
de Mariah;
Isaac, Taylor e Zac chegam em casa quase que juntos. Um diferencial de
minutos entre cada chegada. Diana e Walker já haviam chegado com as crianças.
DIANA>> “Oi, querido.” – falando com Isaac, que fora o último
a chegar;
IKE>> “Oi...” – sorrindo e beijando a mãe no rosto;
DIANA>> “Que bom que estão todos aqui. Eu e o pai de vocês queríamos
falar com vocês.”
ZAC>> “O que ‘conteceu?” – já preocupado;
WALKER>> “Não, filho, não é nada de mais... é só que hoje a
sua mãe ligou para a tia Mariah...”
DIANA>> “É. E ela nos convidou para irmos visitá-la agora nessas
férias de meio de ano.”
Os três se surpreendem com a notícia. Tinham certeza que não veriam as
primas novamente tão cedo.
IKE>> “Legal!”
WALKER>> “Nós só queríamos saber se vocês concordavam. Mas
pelas caras de vocês, acho que sim...” – ele sorri;
ZAC>> “Mas já tá tudo combinado?”
DIANA>> “Uhun.” – sorrindo;
TAY>> “E quando a gente vai?”
DIANA>> “Daqui dois dias.”
IKE>> “Mas a Gabi e a Cacá vão tá de férias?”
DIANA>> “Vão sim.”
WALKER>> “Então comecem a se preparar, porque nós vamos para
Londres.” – sorrindo;
GABI>> “Mããããee!!”
MARIAH>> “Nossa, Gabi, o que foi, filha!” – rodando a cadeira
do computador para ficar de frente para a filha;
GABI>> “Mãe...” – respira – “A tia Diana e o tio Walker vão
vir passar um tempo aqui em casa?”
MARIAH>> “Vão sim, filha... Eu ia avisar você e a Cacá juntas,
mas já que você está perguntando...”
GABI>> “A Lourdes me falou agora.”
MARIAH>> “É, eles vêm sim.” – sorrindo – “Bom, mas agora
com licença que eu preciso terminar isso aqui que eu estou fazendo no
computador, tá bem?” – virando para o computador novamente;
GABI>> “Tá...”