CAPÍTULO 4
Walker estava agitado e nervoso. Diana tentava acalmá-lo, porém não
obtêm resultado algum. Havia recebido um telefonema da esposa de um grande
amigo da família na qual esta lhe avisara que seu marido estava muito doente no
hospital.
DIANA>> “Mas o que o Stewart tem?”
WALKER>> “A Victoria disse que ele sofreu um derrame sério. Está
na UTI e os médicos disseram que talvez ele fique com graves seqüelas. Nós
precisamos ir até lá, Diana.”
DIANA>> “Mas chegaríamos a tempo?”
WALKER>> “Se formos logo, sim.”
DIANA>> “E as crianças?”
WALKER>> “Vão conosco. Não gosto de separar a nossa família. Se
vamos ter que viajar, todos nós o faremos.”
DIANA>> “Hospital não é um bom ambiente para eles, querido.”
WALKER>> “Mas é só um dia. Podemos ir hoje e voltarmos amanhã
pela manhã.”
DIANA>> “Nós poderíamos ficar na casa da Mariah, já que
Birminghan é próximo a Londres.”
WALKER>> “As crianças já acordaram?”
DIANA>> “Ainda não.”
WALKER>> “Eu vou providenciar as passagens. Podemos embarcar logo
após o almoço. Será muito cansativo, mas acho que conseguiremos
sobreviver.” – ele brinca um pouco;
DIANA>> “Bom, então vá logo ver as passagens enquanto eu arrumo
as coisas por aqui.”
WALKER>> “Eu vou indo, Diana.” – a beija suavemente nos lábios
– “Até logo, querida.”
Logo que o marido sai, Diana corre ver o que os filhos faziam. Estavam
Taylor, Isaac e Zac no quarto deles mexendo no computador. Diana entra.
DIANA>> “Meninos, arrumem as coisas de vocês porque nós vamos
viajar.”
IKE>> “Pra onde?”
ZAC>> “Por quê?”
TAY>> “Que horas?”
DIANA>> “O Stewart está muito doente. Ele teve um derrame. A
Victoria ligou aqui aflita para nos avisar. Ele é muito amigo do pai de vocês
e nós precisamos ir até lá para ajudar no que for preciso, afinal, eles já
nos ajudaram muito também.”
IKE>> “A gente vai agora e volta hoje ainda?”
DIANA>> “Não. Nós vamos voltar amanhã pela manhã.”
ZAC>> “A gente vai ficar aonde?”
DIANA>> “Na casa da Mariah. Birminghan é próximo a Londres.”
TAY>> “Ah... e cadê o pai?”
DIANA>> “Foi comprar as passagens. Arrumem as coisas de vocês
enquanto eu ligo para a Mariah. E ajudem a Jessie, o Mackie e a Avie.”
Diana sai do quarto. Eles começam a se mover para agilizarem as coisas.
JESSIE>> “Mas a gente tem que ir por quê?” – arrumando a sua
mala ao lado do irmão, a pedido do próprio, para que ele pudesse policiá-la;
ZAC>> “Porque se o cara lá morre, o nosso pai não vai vê-lo
nunca mais!” – grosseiro;
JESSIE>> “Tá, mas se o pai não vai mais vê-lo do mesmo jeito,
faz diferença ver uma última vez?”
ZAC>> “Jessie, fica quieta e põe logo essas roupas na sua
mochila!” – colocando seu moletom dentro da sua;
JESSIE>> “Tá, tá!!”
AVIE>> “Posso levar o Batatinha?”
TAY>> “Se ele gostar de hospital...”
IKE>> “É melhor não, Avie... ‘cê num vai ter tempo de
brincar.”
AVIE>> “Hmm... mas eu quero que ele vá. É muito importante a
participação dele no meu cotidiano.”
IKE>> “Tá, que seja...”
ZAC>> “MÃÃÃÃE, PRECISA LEVAR MUITA ROUPA DE
FRIIIIU????”
DIANA>> “LEEEEEVA! LÁ NÃO É MUITO QUEEEEENTE!!” – gritando
do seu quarto;
ZAC>> “TÁÁÁÁ!!”
TAY>> “Puxa, a gente vai ver a Cacá e a Gabi.”
IKE>> “Nossa... faz muito tempo que a gente não fala com elas.”
ZAC>> “Eu falei com a Gabi esses dias no telefone.”
Taylor e Isaac param de fazer o que faziam e o olham.
ZAC>> “Nós nem conversamos. Eu só dei oi. A mãe queria falar
com a tia Mariah.”
IKE & TAY>> “Aaaaahhh...” – voltando a arrumarem suas
coisas;
Diana já havia arrumado tudo. Precisava só ligar para a irmã. Ela pega
o telefone e disca os números da casa da irmã. “Hoje é Sábado. A Mariah
deve tá em casa...” ela pensa.
MARIAH>> “Alo?”
DIANA>> “Mariah? Oi. É Diana.”
MARIAH>> “Didi, querida! Como vai?”
DIANA>> “Não muito bem.”
MARIAH>> “O que houve?” – com um ar mais preocupado;
DIANA>> “Um amigo nossa está muito doente. Precisamos pegar o próximo
avião para Birminghan. Pretendemos voltar amanhã de manhã. Será que poderíamos
passar essa noite na sua casa?”
MARIAH>> “Mas é claro que sim! Só espero que você não se
importe de ir a uma apresentação de dança da Gabi hoje à noite. Ela vai se
apresentar no teatro principal de Londres.”
DIANA>> “Não, imagine. Iremos com o maior prazer.”
MARIAH>> “Vocês vão chegar mais ou menos que horas?”
DIANA>> “Eu não tenho nem idéia. Mas não se preocupe. Quando
chegarmos, pegaremos um taxi até a sua casa, está bem? Assim você não
precisará se aborrecer com essas coisas de horários.”
MARIAH>> “Tudo bem. Venham que estarei esperando.”
DIANA>> “Obrigada, Mariah. Muito obrigada mesmo.”
MARIAH>> “Quê isso... é um prazer, acredite.”
DIANA>> “Então até logo. Tchau.”
E desligam o telefone. Minutos depois, Walker chega com as passagens em mãos.
Eles arrumam as poucas coisas que estavam levando no carro e vão para o
aeroporto, parando rapidamente no Drive Thru do Mc Donald’s (a pedido dos
menores) para pegar alguns sanduíches. No aeroporto, não encontram problemas
nenhum que pudessem os atrasar. Em pouco tempo, já haviam decolado.
TAY>> “Zac, ‘cê ouviu alguma coisa sobre apresentação de dança
que a gente vai ter que ir?”
ZAC>> “Nem.”
IKE>> “É da Gabi. Ela vai se apresentar num teatro lá com o
grupo de dança dela.”
ZAC>> “Ela dança?”
TAY>> “Acho que sim, né...”
IKE>> “Não sabia também.”
Zac sentia-se seguro. O que ele e Gabi tiveram juntos já havia sido
superado, ao menos pela parte dele. Era como se ir para Londres e revê-la fosse
mesmo uma visita de família.
Gabriela saíra cedo de casa. Iria passar todo o dia no teatro ensaiando
com o seu grupo. Cacá acompanhara a irmã, pois estava mais entusiasmada do que
a própria. Pulipa havia ido junto, pois dificilmente, ela e Camilla se
separavam para algo. Enquanto dançava-se no palco, Camilla, Pulipa e mais
algumas pessoas assistiam sentadas na primeira fila.
PULIPA>> “E o namo da sua irmã? Cadê ele?”
CACÁ>> “Sei lá... Aquela lá é um nuvem! Eu não duvido que ele
tenha se esquecido que a Gabi ia se apresentar hoje.”
PULIPA>> “Nossa... mas ele gosta dela que eu sei. Ele faz de um
tudo por ela.”
CACÁ>> “É... isso até é. O Adrian gosta muito da minha irmã.
Ele só tem uma leve dificuldade de mostrar isso às vezes.” – com um ar irônico.
As duas riem.
Mariah preparava a casa, com a ajuda de Lourdes, para receber as súbitas
visitas. Arrumavam os quartos de visita, as camas, guarda-roupas livres...
LOURDES>> “Quando eles chegam, Sr.ª Mariah?”
MARIAH>> “Não sei, Lourdes. É por isso que precisamos preparar
tudo desde já. Eles podem chegar a qualquer hora.”
LOURDES>> “Ah, claro, claro...”
MARIAH>> “E as meninas, onde estão?”
LOURDES>> “A Gabriela foi logo cedo para o teatro. Disse que iria
ficar o dia todo lá ensaiando. A Camilla foi junto para acompanhar a irmã. Ela
disse que iria, depois do ensaio, para a casa daquela amiga dela... como é
mesmo o nome...” – olhando para cima, buscando o nome em sua cabeça;
MARIAH>> “A Pulipa?”
LOURDES>> “Essa mesmo!”
MARIAH>> “Puxa... então elas nem vão ver aos tios e os primos
direito.”
LOURDES>> “Pois é... que pena...”
MARIAH>> “E elas nem sabem que eles vêm.”
LOURDES>> “Na apresentação da Gabriela, elas ficarão
sabendo.”
Algumas horas se passam. Mariah continuava ansiosa. É quando a campainha
toca.
MARIAH>> “Deixa, Lourdes!! Eu atendo!!”
Corre para a enorme porta principal. Eram mesmo eles: Diana, Walker,
Isaac, Taylor, Zac, Jessica, Avery, Mackenzie e Zöe, no colo de Diana.
MARIAH>> “Vocês chegaram!!!! Finalmente!!”
Todos se abraçam na portas mesmo. Era tanta felicidade que via-se
claramente no rosto de todos ali. Eles entram, colocando as malas no chão da
sala de estar. Isaac, Zac e Taylor olham ao redor, reparando, discretamente, na
beleza da casa em que os tios viviam. Mariah não parava de falar.
MARIAH>> “Mas e os meninos, não vieram por quê?!” – ela
brinca como se não os reconhecesse;
Todos riem de maneira social.
DIANA>> “Cresceram, não?”
MARIAH>> “Zac, mas o que houve com você?! O que você anda
tomando, menino?!” – soltando uma gargalhada logo a seguir; ele apenas sorri
um pouco tímido.
WALKER>> “Bom, eu preciso ir imediatamente para Birminghan. Vocês
podem ficar, se quiserem.”
DIANA>> “Não quer que eu te acompanhe, Walker?”
WALKER>> “Não, é melhor não, querida. Senão você teria que
levar a Zöe, consequentemente a Avie também.”
AVIE>> “É! Onde a Zöe for, eu vou também!”
DIANA>> “Tudo bem... Você vem para a apresentação da Gabi?”
WALKER>> “Acho que sim, não sei.”
Enquanto os adultos acertavam detalhes para encontros subseqüentes, Zac
vigiava ao seu redor na esperança de Gabriela ou Camilla surgirem de alguma
porta ou sala.
WALKER>> “Bom, então até logo. O taxi ainda está lá fora me
esperando.”
Walker beija sua esposa, cada um de seus filhos e deixa a casa.
DIANA>> “Mas... e as meninas, Mariah? Onde estão?”
Isaac, Taylor e Zac olham a tia ansiosos pela resposta.
MARIAH>> “Bom, a Gabi foi cedo para o teatro. A Cacá, como é
muuuuito coruja, foi junto para acompanhar a irmã. Elas vão passar a tarde lá.”
DIANA>> “Puxa, que pena...”
MARIAH>> “Eu nem consegui avisá-las que vocês estão aqui.”
ZAC>> “Mas elas não vão voltar para casa pra se arrumarem?”
MARIAH>> “Não, Zac...” – lamentando – “A Gabi vai se
arrumar lá mesmo com o grupo e a Cacá combinou com a melhor amiga dela de irem
as duas pra casa dessa amiga se arrumarem para de noite.”
Zac faz uma expressão que mostrava compreensão. A campainha toca. Uns
segundos depois, Lourdes aparece com Adrian na sala.
LOURDES>> “Sr.ª Mariah?”
Mariah olha para trás. Adrian sorri de forma geral como cumprimento.
MARIAH>> “Ah, sim... esqueci que você vinha, querido...”
ADRIAN>> “A Gabi já foi?”
MARIAH>> “Já sim...” – ela olha para os seus familiares –
“Ah, deixe-me apresentar. Esse aqui é o Adrian, namorado da Gabi.”
ADRIAN>> “Oi...” – sorrindo novamente.
Zac espreme os olhos não acreditando. Estava perante o tão falado
Adrian, responsável pelas tantas brigas entre ele e Gabi, há dois anos atrás.
Zac o avalia com a exigência magistral que lhe era cabida naquele momento.
Adrian tinha cabelos castanhos lisos curtos, cujo caíam em seus olhos a todo
instante, olhos verdes e rosto fino. Sua magreza muito sutil destacava seus
ombros largos e seu porte atlético, conseqüência de ser um freqüentador assíduo
de academias.
ADRIAN>> “Bom, então eu acho que eu vou até lá. Eu queria vê-la
antes da apresentação.”
MARIAH>> “Você tá com o seu carro aí?”
ADRIAN>> “Tô sim.”
MARIAH>> “É, vai mesmo... a Gabi deve tá querendo o seu apoio
agora. Você, como namorado, tem mais que estar do lado dela mesmo.”
Zac sente um rancor tênue dentro dele. Como se aquela informação, que
Adrian era agora namorado de Gabriela, lhe abrisse uma ferida que lhe machucava
só naquele momento, sem fazer grandes estragos.
MARIAH>> “Será que você podia dar um recado para ela e para
Camilla para mim, por favor?”
ADRIAN>> “Claro...”
MARIAH>> “Diga pra elas que os primos delas estão aqui em casa e
que querem vê-las.”
ADRIAN>> “Pó’ deixá. Eu vou indo. Tchau pra vocês.”
Zac ficou um pouco chocado. Sim, sentia-se completamente recuperado, mas
o sentimento de posse o amolava naquele momento. Era como se Gabi ainda
pertencesse a ele de alguma maneira.
MARIAH>> “Bom, meninos, se ‘cês quiserem, podem fuçar por aí.
As meninas não estão aqui para entretê-los, então... bom, fiquem à
vontade.” – ela sorri;
Adrian chega ao teatro. Camilla estava sentada, ao lado de Pulipa, na
primeira fileira de cadeiras, assistindo ao ensaio da irmã. Ele se aproxima das
duas.
ADRIAN>> “Oi, meninas.”
CACÁ & PULIPA>> “Oiê!”
ADRIAN>> “Ah... a Gabi tá ensaiando...” – diz olhando para o
palco; sente um forte orgulho de ter uma namorada que dançasse como Gabi o
fazia – “Nossa, como ela fica linda dançando...”
CACÁ>> “Hehe... calma, Adrian, não precisa babar.”
ADRIAN>> “É... hehe... acho que não...” – lembra-se de algo
– “Ah! A sua mãe pediu pra mim dizer pra você que os seus primos estão lá
na sua casa.”
CACÁ>> “Ah, tá bom...”
A professora de Gabriela grita “Okay, vamo’ dá um intervalo!”. É
aí que Adrian aproveita para subir ao palco e falar com Gabi.
PULIPA>> “Que primos seus que estão aí?”
CACÁ>> “Ah, ‘cê num conhece... um é o Pipo. Ele tem só sete
anos. E o outro é o ‘Digo. Ele tem 12 anos. São filhos da minha tia por
parte de pai. Eles são bem legaizinhos até...”
PULIPA>> “Aaaahh...”
ADRIAN>> “E aí, Gabi? Muito nervosa?” – depois de dar um
beijo longo na namorada;
GABI>> “Ai... um pouco... sei lá, tô meio insegura...”
ADRIAN>> “Vê se isso ajuda.”
Adrian abraça Gabriela com muita força e a beija com muito carinho,
dessa vez, de maneira delicada.
GABI>> “Ai, Adrian... que ‘môr que ‘cê é.” – sorrindo;
ADRIAN>> “Ajuda?”
GABI>> “Hmm... num deu pra ter bem certeza. Melhor ‘cê me
beijar de novo.”
Adrian sorri e beija Gabi novamente.
GABI>> “Você vai ficar, não vai?”
ADRIAN>> “Eu vou ter que dar uma passadinha na casa d’um amigo
meu, mas é coisa rápida, muito rápida mesmo. Eu já volto pra cá. Tá?”
GABI>> “Hhmm... tá. Mas ‘cê promete que vem me ver?”
ADRIAN>> “Claro que sim.” – sorrindo;
GABI>> “Beleza.”
ADRIAN>> “Bom, eu vou indo agora, pra chegar o mais cedo possível.”
GABI>> “Tudo bem. Tchau.”
Os dois se beijam uma última vez. Adrian, quando estava na porta do
teatro, olha para trás e acena para Gabi. Ela sorri e acena também. Ele deixa
o lugar.
CACÁ>> “Nossa, tô ‘té com diabetes aqui... ô melação!”
PULIPA>> “Hehe... detalhes...”
Na casa de Mariah, ela e Diana conversavam na sala enquanto Isaac,
Taylor, Zac e os irmãos menores observavam, entediados, a conversa sentados ao
lado delas. Começava a escurecer.
MARIAH>> “Daqui à pouco é a apresentação da Gabi. Vamos nos
trocar?”
Mariah mostra o quarto em que a irmã e os sobrinhos podiam mudar seus
trajes. Depois de todos prontos, eles vão direto para o teatro. Chegando lá,
procuram lugares no meio da platéia. O lugar não estava muito cheio. É quando
Mariah avista Cacá sentada com a amiga Pulipa na primeira fileira.
MARIAH>> “A Cacá! Achei!”
Isaac, Taylor e Zac olham na direção que a tia olhava, mas não viam
nada. É quando Camilla olha para trás e avista a mãe. Ela acena. Cacá nota a
pessoa que sentava ao lado de Mariah. Era Diana. Ela espreme os olhos numa
tentativa de ver melhor quem era.
PULIPA>> “Cacá, olha lá, vai começar!”
Cacá demora um pouco para virar para frente, mas vira, depois de uns
segundos. Pulipa percebe que havia algo de errado.
PULIPA>> “O que foi, Cacá? Por que ‘cê tá com essa cara?”
CACÁ>> “Nossa, eu tive a impressão de que vi a minha tia Diana
sentada lá com a minha mãe... que estranho...”
PULIPA>> “Nah... nem deve ser...”
Cacá olha para trás mais uma vez. Vê apenas um homem sentado ao lado
da mulher que ela não acreditava ser Diana. Esse “homem” era Taylor.
CACÁ>> “Não, num é não...” – e dedica toda a sua atenção
ao palco novamente;
TAY>> “Era a Cacá aquela que deu tchau?”
IKE>> “Acho que sim...”
ZAC>> “Será que ela não viu a gente?”
TAY>> “Foi o que pareceu.”
IKE>> “Talvez ela não tenha reconhecido...”
As luzes do palco se acendem. O grupo de Gabi entra em cena e o espetáculo
começa.
MARIAH>> “Olha lá a Gabi!”
Zac a procura no palco e logo a encontra. Prende seu olhar apenas nela.
Gabi dançava com todo o seu corpo de maneira que impressiona a ele. Os três
cochichavam entre si.
IKE>> “Nossa, como a Gabi dança!”
ZAC>> “Putz...”
TAY>> “Caracas...”
Durante
todo o espetáculo, Gabi parecia muito concentrada. Estava belíssima, vestindo
uma roupa muito colada ao corpo, a qual tinha como principal função facilitar
os movimentos.
MARIAH>> “Ai, que linda a minha filhinha!”
DIANA>> “Nossa, Mariah, que lindas essas danças! Que tipo é?”
MARIAH>> “Olha, eu não sei te dizer o nome, mas a Gabi vai te
contar com detalhes depois.”
Toda a apresentação foi repleta de comentários da parte da família
Hanson. Os primos estavam encantados com o que viam. Até mesmo os menores. As
luzes se acendem e o show termina.
MARIAH>> “Nossa, que lindo!” – enquanto aplaudia;
DIANA>> “Muito bonito mesmo.” – aplaudindo também;
Os aplausos se cessam. As pessoas começam a deixar o teatro. Mariah sai
à procura de Camilla, mas não a encontra.
MARIAH>> “Acho que ela vai voltar para casa com a Pulipa...”
Cacá estava com sua irmã nos camarins. Havia entrado pelo palco mesmo,
junto com a amiga.
CACÁ>> “Gabiiiiii!!! Aqui!!!”
Gabi, que tirava a maquiagem, olha para trás em busca do chamado.
GABI>> “Cacá! Vem aqui!!”
A irmã se aproxima e abraça Gabriela com força.
CACÁ>> “Nossa, ‘cê tava linda!!” – enquanto abraçava
Gabi;
GABI>> “Obrigada...” – sorrindo; as duas se soltam;
PULIPA>> “Parabéns, Gabi!”
GABI>> “Obrigada, Pulipa.” – sorrindo; vira para a irmã –
“E o Adrian?”
CACÁ>> “Ai, Gabi... nem sei como te dizer, mas...”
GABI>> “O que aconteceu, Cacá?”
CACÁ>> “Ele não veio, não...”
GABI>> “Como assim não veio?” – desapontada;
CACÁ>> “Não apareceu.”
GABI>> “Eu não acredito...” – ela senta na cadeira logo atrás
– “Mas como?” – ela se pergunta – “O meu namorado não veio na minha
apresentação mais importante?” – olha para Camilla;
CACÁ>> “Calma, Gabi... Deve ter uma explicação lógica pra
isso.” – se ajoelhando frente a irmã;
GABI>> “Claro que tem! Ele foi na casa do amigo dele e achou muito
mais divertido ficar lá bebendo um monte e falando merda do que vir ver a
namorada dele dançar!!” – irritada;
CACÁ>> “Não, calma, Gabi. Não deve ser isso. ‘Cê sabe que o
Adrian te ama e nunca ele faria algo assim.”
PULIPA>> “É, Gabi... nem esquenta... deve ter acontecido algo com
ele no caminho.”
GABI>> “Ai, que nojento!!” – muito nervosa;
APRIL (professora de dança de Gabi)>> “Gabiiiiii!! Venha!!! Reunião!!”
GABI>> “Cacá, eu tenho que ir. ‘Cê fala pra mamãe que eu vou
chegar em casa meio tarde. Eles querem sair pra comemorar.”
CACÁ>> “Tá... mas quem vai te deixar em casa?”
GABI>> “O Jeff. Nem se preocupa, tá?”
CACÁ>> “Tá.” – beija Gabi no rosto – “Tchau.”
GABI>> “Pó’ deixá.” – sorrindo;
PULIPA>> “Tchau, Gabi. Se cuida.” – beija Gabi no rosto também;
As duas ligam para a mãe de Pulipa, que logo chega ao teatro e as apanha
no local combinado.
DIANA>> “Mas Mariah, ‘cê tem certeza que não é melhor nós
voltarmos lá pra saber como as duas vão voltar?” – sentando no confortável
sofá da sala de estar de Mariah;
MARIAH>> “Não, elas sempre se viram nessas ocasiões. Não se
preocupe.”
AVERY>> “Mas a Gabi vai voltar? Eu queria muito ver ela.”
MARIAH>> “Vai sim, querida.” – sorrindo;
LOURDES>> “Olá, Sr.ª Mariah.” – aparecendo na sala;
MARIAH>> “Olá, Lourdes. Será que você poderia providenciar algo
para nós comermos, por favor?”
LOURDES>> “Evidente, Sr.ª. É pra já.”
ZAC>> “É Nissin Miojo.” – completando a frase de Lourdes.
Todos riem;
O telefone toca. Mariah atende.
MARIAH>> “Alo? Cacá, oi filha!” – todos olham para Mariah –
“Você não vai vir pra casa, querida? A Pulipa? Você tá aí na casa da
Pulipa?” – pausa para ouvir o que a filha dizia do outro lado da linha –
“Mas querida, os seus primos estão aqui. O Adrian não te falou?” – pausa
novamente – “Mas quem disse que são o Pipo e o ‘Digo? A Diana está com
todo o pessoal aqui!” – pausa – “Como brincando, filha?! É claro que eu
tô falando sério!”
Na casa de Pulipa, Cacá tampa telefone com uma das mãos e olha para a
amiga.
CACÁ>> “Eles tão mesmo lá, Púli!” – sussurrando;
PULIPA>> “Putz! Então é melhor ‘cê ir pra lá.”
Na casa de Mariah...
MARIAH>> “Filha? Ah, ‘cê tá aí. Então, ‘cê vem ou não?
Ótimo! Estamos te esperando, tá? Tchau, filha...” – e desliga o telefone;
TAY>> “Ela vem?” – não disfarçando a ansiedade;
MARIAH>> “Vem sim.”
CACÁ>> “Mas Pulipa, como é que eu vou olhar pro Tay de novo?
Meu, que vergonha...”
PULIPA>> “Olhando, ué! Cacá, ‘cês ficaram faz dois anos! Meu,
acho que o garoto nem lembra mais!”
CACÁ>> “Se ele não lembrar, eu capo ele!”
PULIPA>> “Hahahahaha...”
CACÁ>> “Bom, mas ‘xô indo, senão eu chego lá só amanhã,
com essa minha enrolação.”
PULIPA>> “Tá. Vem, vamo’ lá pedir pra minha mammy te levar.”
A mãe de Pulipa se dispõe a levar Camilla para casa sem problemas. No
carro, Pulipa a acompanha. Cacá não dizia uma palavra, devido ao seu
nervosismo.
PULIPA>> “Calma, Cacá... ‘cê tá tremendo.”
CACÁ>> “Ai, eu tô com um putz frio na barriga.”
Um tempo depois, chegam na casa de Camilla.
MÃE DE PULIPA>> “Chegamos.” – olhando para Cacá no banco de
trás e sorrindo;
CACÁ>> “Muito obrigada, gente. Desculpe o incômodo.”
PULIPA>> “Tchau, Cacá. E me liga logo que der.”
CACÁ>> “Beleza.”
Camilla sai do carro. Espera a mãe de Pulipa ir. Ela vira e olha para a
sua casa. Sente um arrepio interior. Se abraça forte. Ela estava realmente
nervosa. Pensa por um curto período de tempo, ali, parada na frente da casa.
Começa a caminhar para entrar. Abre a porta devagarinho e, logo que entra,
escuta as conversas em voz alta vindas da sala de jantar. Cacá fecha a porta e
se encosta nela. Ouvia-se barulhos de talheres batendo nos pratos, mostrando que
a família comia toda reunida. Ela sente aquele frio na barriga de novo. Logo
depois vem o arrepio de a pouco. Cacá temia um pouco ir até o local onde todos
estavam. Começa a andar em passos lentos. Ela chega na porta da sala de jantar,
mas não coloca todo o seu corpo à mostra, digamos assim. Ela espia uns
minutos. Observa cada um que estava sentado. “Meu...
o Zac... que enorme!! Como ele tá lindo!! Nossa... faz muito tempo mesmo que a
gente não se vê...” ela
pensa. “Caracas... é a Avie, a Jessie e o Mackie?! Meu, tão enormes!”
ela continuou pensando. “O Ike!! Ai, que saudades dele!! Que ‘môr que ele tá! Mó grandão! Woohoo!! Hehe...”. É quando Cacá olha para Taylor sentado no meio da
mesa. É como se naquele momento o tempo tivesse parado. Via suas ações em câmara
lenta. Ele colocando seus cabelos atrás de suas orelhas, observando, com o seu
olhar tímido, os movimentos das outras pessoas, sorrindo com as brincadeiras...
O seu sorriso. Cacá sente saudades daquele sorriso. Da maneira única que
Taylor tinha de sorrir. Não mostrava os dentes. Fechava os olhos quase que
totalmente, não deixando nenhum pouco da sua bela cor azul à mostra. Cacá
sorri sozinha. Seguido desse sorriso, sente algo muito forte dentro dela. Como
se não fosse conseguir manter aquilo dentro dela. Continua olhando para Taylor
encantada. Ele estava muito bonito. Cabelos muito curtos, porte atlético, rosto
amadurecido. De repente sente vergonha. Tal era o embaraço, que ela chega a
pensar em subir para o seu quarto e se trancar lá, escondida, sem que eles a
vissem até irem embora. Quando estava já de costas, pronta para ir...
MARIAH>> “Cacá? É você que tá aí?”
Cacá pára e fica imóvel. Pensa em muitas coisas ao mesmo tempo. Decide
falar.
CACÁ>> “Sou!”
MARIAH>> “Vem cá então, filha! Tá todo mundo aqui!”
Cacá se olha no espelho da sala. Sua aparência não estava das
melhores.
CACÁ>> “Eu sei, eu só tava me ajeitando aqui!”
Se arruma rapidamente frente ao espelho, arrumando os cabelos. Coloca-os
atrás das orelhas, tirando-os de trás das orelhas, amarrando-os, desfazendo o
laço logo após tê-lo feito... Até que resolve deixá-los soltos mesmo. “Seja o Deus quiser...” ela
pensa. Camilla respira fundo e vai até a porta da sala de jantar. Todos a olham
surpresos. Ninguém falava nada, apenas a observavam. “Pelo amor de tudo que é santo! Falem alguma coisa!” ela
suplica em pensamento. Até que Diana se manifesta;
DIANA>> “Cacááá!! Querida!!!”
“Ai... ‘brigada
Deus!” ela pensa.
DIANA>> “Mas você tá linda!” – disse, olhando Cacá dos pés
à cabeça;
CACÁ>> “Estou? Hehehe...” – sorrindo, muito sem jeito;
Toda a família levanta para cumprimentá-la, inclusive os menores.
Depois de Diana, foi Isaac quem correu abraçar a prima.
IKE>> “Cacáááá!! Oiêêê!!” – abraçando-a com força;
CACÁ>> “Ikeee!! Que saudades!!!” – já abraçada a ele;
IKE>> “Nossa... como ‘cê tá diferente!” – olhando-a nos
olhos agora;
CACÁ>> “Eu?! E você?!! Da onde surgiu toda essa massa, filho?!
Nossa, que potência!” – ela brinca, fazendo todos rirem;
IKE>> “ ‘Magina, ‘té parece!”
CACÁ>> “Naaaaah... quê isso!! Hehehe...”
O próximo a abraçá-la era Zac.
ZAC>> “Cacáááá, prima queriiiiiiida!!!” – a abraçando com
força;
CACÁ>> “Zaquizinhúúúú!!!” – eles se soltam e se olham –
“Quer dizer... hehe... Zaczão!” – todos riem de novo – “Meu, ‘cê tá
muito gigante!!”
ZAC>> “Tô é?” – sorrindo;
CACÁ>> “Tô é?” – imitando a voz grossa do primo;
ZAC>> “Nossa... ‘cê tá muito diferente também...” – a
analisando com afeto;
CACÁ>> “Quê isso... hehe...”
O próximo era Taylor. Antes de Zac conceder-lhe a vez, ele já observava
de trás do irmão, pensando em como Cacá estava incrivelmente diferente.
Simplesmente não cria naquele rosto de mulher que Camilla agora carregava com
ela. Até que Zac sai de sua frente para que, assim, Taylor a cumprimentasse.
Como ele era um pouco mais tímido, não fez esse escândalo todo que o irmãos
fizeram. Ele olha Cacá um tempo, sem mexer um músculo do rosto. A enxerga com
atenção, sem deixar passar um detalhe se quer de sua bela expressão facial.
Cacá o olhava um tanto receosa, já que Taylor não fazia nenhum comentário,
nem movimento. A olhava com tamanha concentração, que a assustava. “Vai
ver que ele não gostou muito do que encontrou...” ela pensou no mesmo instante. É quando ele sorri. Cacá
sente um grande alívio.
TAY>> “Oi, Cacá...” – ele sussurrou;
CACÁ>> “Oi...” – sorrindo;
Taylor vai em sua direção para abraçá-la. Envolvendo-a pela cintura,
ele a segura tão forte e com tanto carinho, que ela só pensava em retribuir da
mesma maneira. O abraça firme pelo pescoço. Os dois ficam um tempo agarrados.
Cacá sentiu o perfume dos cabelos dele. Era tão agradável... Ela fecha os
olhos e lembra que já o teve muito mais perto que aquilo. Ela sente quando
Taylor a aperta mais contra ele, numa atitude que denunciava apenas saudades,
nada mais. Eles se soltam. Se olham. Taylor sorri. Cacá retorna o sorriso. Não
dizem nada. Diana e Mariah estavam sentadas à mesa, concentradas nas conversas
delas e no prato delicioso que Lourdes havia feito para aquela noite.
IKE>> “Mas e a Gabi, cadê? Tô louco pra ver ela também....”
CACÁ>> “Ah, sim... poizé... ela foi com os amigos do grupo dela
de dança para comemorar o sucesso da apresentação.”
ZAC>> “Ela dançou muito bem...”
IKE>> “É verdade...”
CACÁ>> “Mas ela volta ainda hoje... eu acho pelo menos...” –
risadas deles ali – “Vocês vão vê-la com certeza...”
ZAC>> “Mas... ela não vai sair com o namorado?” – um pouco
sem graça;
CACÁ>> “Olha, pouco provável... ela tá puta com ele porque ele
não foi na apresentação de dança dela. Isso por que um pouco antes de começar
ele foi lá, falou com ela e disse que nunca iria perder a apresentação...
Vixxx’... ela tá muito brava. E nesses casos ela não quer vê-lo de jeito
nenhum.”
ZAC>> “Ah...” – colocando as mãos no bolso;
TAY>> “Será que ela demora?” – falando pela 2º vez;
CACÁ>> “Nah... acho que não... o problema é que ela não sabe
que ‘cês tão aqui.”
IKE>> “Não?”
CACÁ>> “É que a gente pensou que o Adrian tava falando do nossos
primos daqui, por parte do nosso pai.”
MARIAH>> “Pessoal!” – eles viram para ela – “Vocês podem
ir para o quarto, se quiserem. Não precisam ficar aqui.”
AVERY>> “Oba! A gente pode ir também?”
CACÁ>> “Claro! ‘Bora lá.” – sorrindo;
Todos, incluindo os menores, subiram para o quarto delas. Era enorme, com
uma decoração moderna toda em azul. As camas eram embutidas no alto do quarto,
quase no teto. Embaixo delas, ficava o guarda-roupas.
AVERY>> “Noooossa!!” – olhando ao redor;
JESSIE>> “Meu...”
CACÁ>> “Tesão, né não? Hehe... eu e a Gabi passamos ‘té
horas aqui no nosso quarto. A gente ama ficar aqui conversando.”
ZAC>> “Muito legal.” – sorrindo;
IKE>> “Muito mesmo.”
CACÁ>> “Mas sentem aí.”
Eles sentam no sofá azul, enquanto as crianças se distraíam com outras
coisas quaisquer.
CACÁ>> “Mas e vocês? Como é que tão? E o pessoal lá da rua de
vocês?”
No mesmo instante, os três se olharam.
IKE>> “Ah, tá tudo bem...”
ZAC>> “Ah, mais ou menos, né...” – olhando para o irmãos
mais velho com um olhar contraditório – “O Ike tá namorando a Myra...”
CACÁ>> “Nossa! Que legal!” – ela sorri empolgada com a
novidade;
ZAC>> “O Tay tá com a Duda...”
Camilla olha para Taylor imediatamente. Não se é de negar que no
instante em que Zac disse aquilo, Cacá sentiu um desapontamento muito forte.
Taylor ficou um pouco nervoso.
TAY>> “Eu não tô com a Duda, tipo, namorando!”
ZAC>> “É, mas falta pouco!”
TAY>> “Ué, Zac, fala então que ‘cê tá com a Lí!” –
nervoso;
CACÁ>> “É mesmo, Zac? Puxa... pra ‘cê vê como são as
coisas... ‘cê detestava ela.”
ZAC>> “Mas eu não tô namorando com ela... tipo, sei lá... tem
umas coisas aí... entende?”
CACÁ>> “Ah... só...” – ela sorri;
IKE>> “Mas e você, Cacá? Como é que tá com essas coisas do
coração?” – sorrindo;
CACÁ>> “Ah... ‘tamos indo... nada de muuuuito demais.” –
sorrindo, um pouco sem jeito;
TAY>> “Nada mesmo?”
Ela pensa em Nathan na hora. Pensa em comentar a respeito, mas prefere não
dizer nada.
CACÁ>> “Não.” – com segurança, mesmo estando mentindo;
TAY>> “Ah...” – com certo alívio;
CACÁ>> “Mudando de assunto... ‘cês não querem fazer alguma
coisa?”
ZAC>> “Tipo?”
CACÁ>> “Ah... sei lá...” – ela olha ao redor – “ ‘Cês
ainda jogam video-game?”
ZAC>> “Olha, o Ike deu uma abandonada. Mas eu e o Tay continuamos
fiéis.” – brincando; Cacá ri;
CACÁ>> “Eu e a Gabi também. Pena que ela nem tem mais tempo de
jogar comigo direito por causa da faculdade...”
ZAC>> “Faculdade?”
CACÁ>> “É...”
ZAC>> “Nossa... faz tempo mesmo.” – fala olhando para cima,
como se recordasse alguma coisa;
CACÁ>> “Pois é...”
E eles ficam lá, conversando por um bom tempo sobre tudo o que fizeram
durante esse tempo todo que não se viram. Eram muitos assuntos. Taylor e
Camilla por nenhum momento demonstraram um ao outro qualquer outro tipo de
sentimento que não fosse o de primos que se gostavam apenas como tais. Até que
Diana os avisa da hora de dormir. Na manhã seguinte levantariam cedo para
voltarem para Tulsa. Todos deitados. Cacá dormia no quarto de hóspedes com
Avery e Jessica deitadas em colchões no chão. Isaac, Taylor e Zac dormiam no
quarto de Gabi e Cacá, à sugestão da própria Camilla. No outro quarto, com
uma cama de casal, dormiam nesta Diana, Walker e Mackenzie e, ao lado,
improvisou-se um berço para Zöe.
O carro de Jeff pára frente a casa dos Hanson Brandalise (H.B.). Dentro
dele, todos os amigos de Gabi do grupo de dança.
JEFF>> “Tá entregue.” – olhando para Gabi sentada no banco de
trás;
GABI>> “Valeu, Jeff. ‘Cê foi um amor em me deixar em casa.”
JEFF>> “Quê isso...” – sorrindo;
SARAH>> “Você quer que eu te ajude com esse bando de roupa?”
GABI>> “Não precisa, Sarah, valeu...”
CHRISTOPHER>> “Gabi, ‘cê tava demais hoje, sabia?”
GABI>> “Nem sabia... Porque ‘cê me falou isso apenas 23 vezes
hoje, mas eu nem sabia...” – ela sorri;
CHRISTOPHER>> “Ah, só pra dá uma reforçadinha...” –
sorrindo;
GABI>> “Valeu. Pela 23º vez, valeu.” – risadas;
JEFF>> “E o seu namorado, Gabi? Quando que ‘cê vai apresentar
ele pra gente?”
CHRISTOPHER>> “É! Só a April conhece ele e de vista ainda.”
SARAH>> “De vista todo mundo conhece. A gente só precisa conhecê-lo
mais a fundo, ‘tendeu?”
GABI>> “Namorado? Rum
(som)... nem parece que eu tenho um.”
JEFF>> “Por que ‘cê tá dizendo isso?”
GABI>> “Ele não foi me ver dançar.”
CHRISTOPHER>> “Calma, Gabi... qualquer coisa, tem eu aqui ó!”
– com uma expressão bastante meiga; risadas;
GABI>> “Valeu, Chris... Nossa, como eu tô te agradecendo
hoje...” – risadas;
SARAH>> “Mas é sério... esse Adrian num se liga que, com esse
tipo de atitude, ele só tá colaborando pra te perder?”
CHRISTOPHER>> “E, ao mesmo, colaborando pra você namorar comigo!
Nossa, eu tenho que agradecer muito esse cara!” – ele brinca. Todos riem;
GABI>> “Bom, mas ‘xô indo embora porquê tá tarde pacas.”
– ela abre a porta do carro 4 portas – “Boa noite pra vocês. ‘Cês
foram super legais me aturando hoje com essa minha cara de bunda.”
SARAH>> “Imagina, Gabi. Amigos tão aí pra essas horas também.”
– sorrindo;
CHRISTOPHER>> “Além do que, com cara de bunda ‘cê fica lindássa!”
– risadas;
GABI>> “Chris, ‘cê é mó fofo, sabia?”
CHRISTOPHER>> “Isso é um sim?! Olha, eu posso trabalhar, comprar
uma casa, a gente constrói uma família bem linda e tal...”
GABI>> “Esse Chris... Bom, mas boa noite pra vocês. ‘Cês são
muito queridos.” – sorrindo;
Todos dizem tchau e esperam Gabi entrar em casa para irem embora. Ela
acena uma última vez e fecha a porta da sala de sua casa. Estava tudo escuro.
Todas as luzes encontravam-se apagadas. Enxergava-se muito pouco, com a luz
natural que entrava pela janela. Gabriela começa a caminhar em passos lentos
procurando pelo abajur. Ela não o encontrava. É quando ouve o barulho de alguém
acordando lá em cima. Pára para ouvir. Logo, a mesma porta que se abriu a
pouco, se fecha. Gabi sente um alívio. A última coisa que ela queria era
acordar alguém. Tudo continuava muito escuro. Ela não sabia se queria mesmo ir
para a cama. Ainda sentia muito o que Adrian havia lhe aprontado. Senta no sofá.
Uns segundos depois, deita. E acaba dormindo.
Zac dormia no quarto das meninas. É quando ele acorda de repente, de
supetão.
ZAC>> “Nossa... acho que estranhei a cama da Gabi...” – ele
sussurra;
Levanta. Começa a descer as escadas. Chega na sala e, no escuro, entra
na cozinha, acendendo a luz. Toma um copo d’água. Coloca o copo na pia.
Quando estava com o seu corpo fora do recinto, pronto para apagar a luz de fora
mesmo, ele vê, com a iluminação da cozinha, alguém deitado no sofá. Apaga a
luz da cozinha e acende a do abajur, ao lado do sofá. Ele olha com atenção e,
sem precisar observar muito, reconhece logo Gabi ali deitada, dormindo
profundamente, toda encolhida por causa do frio. Zac a aprecia por alguns
minutos. “Nossa... Gabi?”
ele pensa. Gabi lhe parecia tão diferente. “Que
linda...” ele pensa
olhando-a. Sorri. As lembranças naquele momento são inevitáveis. Não tinha
jeito de olhá-la tão perto de novo e não recordar de pelo menos um momento
que eles passaram juntos. É quando Gabi se contrai mais devido ao frio. Zac
sente-se na obrigação de fazer alguma coisa. Ele reflete por uns minutos e
sobe as escadas para apanhar sua própria coberta. Volta rapidamente e a cobre.
Nesse momento, Gabi parece abrir levemente os olhos e sussurrar alguma coisa.
Zac não consegue ouvir e se aproxima mais com os ouvidos. Ela repete.
GABI>> “Muito obrigada.” – já de olhos fechados;
Zac a observa se ajeitar e sorri.
ZAC>> “De nada...” – sussurra;
Então volta para o seu quarto e dorme novamente.