CAPÍTULO 1
Ø
Por favor,
eu queria um suco de laranja e um sanduíche natural,( Clara estava na
lanchonete perto da escola. Distraída, comia, e pensava longe. Ela fazia isso
todas as sextas-feiras enquanto esperava o pessoal, eles se reuniam para jogar
basquete e se divertir no clube. Naquele dia, ela tinha faltado na escola, mas
de forma alguma faltaria ao encontro de Sexta à tarde.)
Atrás
dela, um garoto se aproximava carregando alguns livros e cadernos, era um garoto
muito bonito que usava um boné de um time de basquete. Sentou no balcão e
pediu...
Ø
Por favor,
eu queria um suco de laranja e um sanduíche natural.
Coincidência?
Pode até ser, aliás, o que não faltará nessa história são coincidências,
porém, coincidência ou não, Clara continuou lá , pensativa, concentrada nem
parecia a tagarela Clarinha que os amigos estavam acostumados.
Depois
de um tempo o garoto se levantou, pagou a conta e quando estava saindo, esbarrou
nela tirando-a do estado de alfa em que ela se encontrava e derrubando alguns
livros dela que estavam sobre a mesa no chão.
Ø
Desculpe.
Ø
Tá
tudo bem.
Foi
assim o curto diálogo entre eles, o garoto continuou, saiu e esperava para
atravessar a rua. Clara, voltando a realidade, abaixou-se para recolher o livro
de poesias dela que o garoto deixou cair, foi quando ela viu a carteira dele no
chão, ela levantou e sem pensar muito gritou
Ø
Ei
garoto!!!! ( ele, que estava atravessando a rua, parou e olhou para traz) Você
deixou cair sua carteira.!!
Ele
sorriu e virou para ir buscar , depois disso tudo aconteceu muito rápido, foi só
o garoto olhar para trás que um carro que vinha no sentido contrário bateu
contudo nele. Clara ficou sem saber o que fazer, saiu correndo e encontrou ele
deitado no chão com um corte na cabeça.
Ø
Ai meu
Deus, socorro. Garoto, fala comigo, fala alguma coisa...
Clara
começou a chorar, e algumas pessoas começaram a chegar, uma mulher pegou o
celular e chamou uma ambulância, o transito parou, Clara pedia ajuda, e
chorava, não sabia o que fazer.
Ø
Ai....Ai.....
Ø
Fala
comigo pelo amor de Deus.
Ø
Minhas
costas...minha perna..
Ø
Calma,
a ambulância já esta chegando.
E
como estamos falando de um país desenvolvido, de fato a ambulância chegou rápido,
desceram dois médicos e começaram a imobilizar o menino. Clara estava mais
calma, ainda chorava , mas estava mais calma.
Ø
Você vai
na ambulância?? (perguntou um dos médicos)
Ø
Vem
comigo....Ai....
Ø
Ai
meu Deus ele desmaiou....é....Claro que eu vou...eu...eu sou irmã dele.
Ø
Então
vamos logo.
Clara
entrou na ambulância atrás da maca e só depois pensou no que tinha feito.
Ø
Ele vai
ficar bem?
Ø
Não
podemos dizer nada ainda, mas fique calma , ele só desmaiou devido a pancada na
cabeça, vai acordar daqui a pouco.
Clara
segurava a mão do garoto enquanto começava a organizar seus pensamentos,
chegando no hospital levaram ele para uma sala e pediram que ela preenchesse uma
ficha :
Ø
Qual o
nome do paciente? ( perguntou a recepcionista)
Clara
sabia que não devia, mas começou a mexer na carteira do menino, cartão de
telefone, papel de bala, telefone de uma tal de Marina, de uma tal de Letícia,
US$ 3,00,que zona de carteira!!!! cartão de uma loja, camisinha, uma foto, Ah,
cartão do clube, até que enfim uma identificação.
Ø
Jordan
Taylor Hanson
Ø
Data
de nascimento, endereço, telefone.....
E
por aí foi, a mulher perguntou absolutamente tudo pra Clara, é obvio que ela não
soube responder nem a metade como por exemplo o telefone, não tinha o telefone
dele escrito em lugar nenhum, depois que acabou o interrogatório com a mulher
do balcão, o médico se aproximou.
Ø
Sta
Hanson...( e nada...)..sta Hanson?
Ø
Ãh
Ø
Tudo
bem com vc?
Ø
Tá
tudo bem, como ele está?
Ø
Ainda
está inconsciente, mas está fora de perigo, não se preocupe.
Ø
Nossa,
que alívio. Obrigada.
Ø
Vc
já avisou os seus pais?
Ø
Pais?
Ah, não, mas eu já vou avisar. Agora mesmo, obrigada. ...Putz,
e agora? Como eu vou avisar os meus pais?? Meus pais??? Peraí, onde eu tô com
a cabeça?? Eu não sou a irmã dele!!!! Já tô ficando louca. Como eu vou
avisar os pais dele se o garoto nem tem telefone???
Ela
foi até o telefone, pegou o telefone da tal da Letícia e ligou:
Ø
A-alô, eu
gostaria de falar com a Letícia
Ø
Quem
é?
Ø
E-
ela não me conhece, meu nome é Clara.
Ø
Um
momento Clara.
Ø
Obrigada.
Ø
Alô?
Ø
Letícia?
Ø
Eu.
Ø
Eu...eu....
Ø
Você???
Ø
Que
queria saber se vc conhece Jordan Taylor Hanson.
Ø
Quem?
Ø
Jordan
Taylor Hanson
Ø
Não
conheço ninguém com esse nome.
Ø
Não?
Ø
Não.
Ø
Ah....obrigada
então
Ø
De
nada.
Que
ótimo, a garota não conhece ele, por que um garoto andaria com o telefone de
uma garota que não conhece ele??? Garotos!!! Cada um tem seus mistérios!!!
falta a Marina...
Ø
Alô?
Ø
Por
favor a Marina.
Ø
Um
momento.
Ø
Alô?
Ø
Quem
é?
Ø
Mari
Ø
Mari,
eu queria saber se vc conhece Jordan Taylor Hanson.
Ø
Conheço,
porque?
Ø
Ai
graças a Deus, é uma emergência e eu preciso do telefone dos pais dele.
Ø
Emergência?
Eu sou amiga dele, pode falar.
Ø
Você
tem o telefone dos pais dele?
E
por aí vai, a Mari deu o telefone, ela ligou, os pais dele se assustaram como já
era de se esperar, e disseram que já estavam vindo. Ela sentou mais aliviada e
quando olhou no relógio percebeu como já era tarde, sua mãe ia matá-la. Ela
deixou a carteira e o livro com uma enfermeira e foi embora. Durante aquele dia
inteirinho ela não parou de pensar em tudo o que tinha acontecido. Desde quando
o menino, (Que agora já sabemos o nome, é
Jordan,) desde quando Jordan esbarrou na mesa dela na lanchonete, o
acidente, as mentiras...tudo, ela literalmente não parou de pensar nele. E com
razão, aquele não foi um dia comum, foi bem agitado, agitado até demais. Ela
estava preocupada com ele, queria saber o que tinha acontecido depois.