CAPÍTULO 2
No dia seguinte, a Priscila acordou e já ligou para o Zac. Ela queria
que alguém do pessoal dele fosse buscá-la em casa para levá-la ao encontro
dele. É claro que ele mandou logo um dos seus seguranças, o Eddie, buscar a
Priscila em casa e traze-la até o hotel. O Eddie era um jamaicano muito gente
boa. Se dava muito bem com os meninos e fazia eles rirem um monte. Nossa, o
homem era um armário de grande. Era negro, alto pra caramba, careca, todo
musculosão, de traços bem fortes e um olhão claro que destacava no rosto dele
por causa da sua cor de pele. O cara cuidava dos meninos do Hanson como se fosse
por prazer e não por quê ganhava para isso.
O
Eddie chegou no hotel com a Priscila e levou-a até a portaria, onde o Zac já
esperava por ela. Ela agradeceu, toda esnobe, e foi abraçar o Zac.
–
Valeu, Eddie! – o Zac agradeceu.
–
Imagine, chefe. Qualquer coisa, estamos aí – sorrindo com aqueles dentes
branquinhos, branquinhos.
–
Olá.
–
Oi, Zac. Dormiu bem? – a Pri perguntou. Claro que a pergunta era direcionada,
algo como "Dormiu bem depois de eu ter te perdoado?".
–
Muito bem. E você? – romântico.
–
Ah, normal... – ela disse.
Era
esse tipo de coisa que matava o Zac, as besteiras de orgulho dela. Mas ele não
dizia nada. Fingia que não tinha nem percebido, já que ele também era muito
orgulhoso.
–
E aí, vai com a gente hoje gravar aquele programa? – ele quis saber.
–
Claro que sim.
O
Taylor era bem amigo da Priscila antes de ela e o Zac terem essa última briga
sobre a tal carta. Mas fazia um tempo já que ele não vinha mais curtindo a Pri.
O Taylor sentia como se todo o mal que vinha tomando conta do Zac era graças à
ela. E claro, o Taylor não gostava do que era prejudicial para o irmão dele.
Nisso, o Walker chamou todo mundo para descer porque eles tinham de ir para o
dito do programa. Mas agora estava tudo bem para o Zac porque a Prizinha dele ia
junto. A gravação poderia até ser sobre a reprodução assexuada das plantas
marítimas, que pareceria Eagle Eye Cherry para o Zac.
–
Mãe, tô saindo! – a Fernanda gritou antes de sair de casa.
–
Tchau e cuidado! – a Mariliz recomendou.
E
lá ia a Fernanda de novo, para a frente do hotel, tentar mandar um recado para
o Zac por alguém de lá de dentro. Ela não tinha idéia de como, não tinha idéia
de quem, mas precisava chegar lá. Na frente do hotel tinha umas meninas, mas
eram poucas. Estavam todas bem arrumadas, parecia que esperavam alguém para
sair a qualquer momento. Foi quando a van do Hanson apareceu, saindo pela
garagem, e elas saíram que nem umas desesperadas, correndo atrás do carro.
Umas estavam acompanhadas dos pais e só precisaram entrar em seus respectivos
carros para seguir a van. E a Fer ficou lá, sozinha.
–
Eu não acredito. Tá só eu aqui? Woohoo!
Ela
correu para a portaria do hotel. Quando ela ameaçou entrar, um homem loiro todo
grande, vestindo um terno preto e um crachá no peito, empurrou ela com tudo,
muito grosseiro, fazendo a Fernanda quase cair no chão.
–
Nossa, que isso?! Calma! Eu só preciso de uma informação! – a Fer gritou
para o cara que a empurrou.
–
Não é permitido a entrada de fãs neste local. Por favor, retire-se ou terei
de ser rígido.
–
Puxa, ainda bem que o senhor ainda não foi, né? – irônica.
–
Saia, por favor.
–
Eu só preciso de um favor, moço.
–
Não estou autorizado a atender pedidos das fãs.
–
Moço, eu não sou fã, não. Eu queria só que você entregasse isso para o...
– com um bilhete nas mãos.
–
Não quero saber quem é você. Saia agora ou terei de agir de maneira brusca.
–
Moço, me escuta pelo menos. Eu só quero que você entregue isso pro...
–
Menina, não insista! Eu não posso te ajudar!
–
Puta que o Pacheco, eu só quero que você entregue um bilhete! Não é muito
difícil! Você tem neurônios para bater e ser grosseiro! Deve ter para
entregar um bilhete também!
–
Eu não posso, agora saia!
A
Fer saiu da porta do hotel e sentou num muro pequeno perto de umas plantas, na
entrada da garagem. Xingou aquele segurança, a família dele e toda a sua geração
futura de todos os adjetivos negativos possíveis. Não deu muito tempo, começaram
a aparecer umas meninas por ali, todas com camisetas do Hanson, cobertores,
colchões, lanternas, bolacha... A Fernanda ficou só observando. Aí uma delas
a viu ali sentada e cochichou com as outras. Fã de Hanson não é exatamente
unida para essas coisas. Briga muito fácil. Acho que é por isso que nem sequer
preocuparam-se em saber quem era a Fernanda. Mas ela não estava realmente
ligando porque a última coisa que ela queria era ouvir a palavra "fã"
perto dela. E cada vez foram chegando mais meninas. E mais meninas. Até que a
frente do hotel estava lotada mais uma vez. A Fernanda começou a ficar nervosa,
porque aquilo estava enchendo mais e mais e ela ainda não tinha pensado em
nada.
Terminada
a gravação, a van do Hanson deixou o estúdio e foi direto levar a Pri em
casa. Na hora de descer, ela se despediu do Zac e o carro foi embora, voltando
para o hotel. Os dois tinham tido uma briga meio feia por ciúmes, algo bem
imbecil sobre o Ricky Martin ou qualquer cara gostoso do ramo. A Pri ficava
dizendo que achava o sujeito lindo, sabendo que o Zac detestava quando ela fazia
isso só para provocar. Ele pedia para ela parar de falar do homem, mas ela
ficava: "Ah, mas ele é muito gostoso, muito maravilhoso", coisa e
tal. O Zac, que já não era quase nada estressado, acabou brigando com a
Priscila. Ela amava aquilo, as brigas, o ato de discutir, de ele correndo atrás
dela horas depois, desesperado, implorando pelo perdão dela. Na volta, ele
estava muito bravo. Quando eles estavam entrando na garagem, aquele monte de fãs
voaram para cima do carro, exatamente onde a Fer estava sentada. Foi tão rápido,
que ela só conseguiu sentir as suas costas chocando-se com toda força contra o
vidro do veículo. Fez um barulho muito alto.
–
Ouch! – o Isaac disse, quando ouviu
a Fer batendo no carro.
Ela
estava sendo esmagada ali pelas fãs contra o vidro. Nossa, estava machucando
demais porque aquelas meninas histéricas não queriam nem saber de ela ali. Só
enxergavam o Hanson, pertinho delas, apenas um vidro de distância. As que
estavam encostando no carro, batiam no vidro, mas as que estavam tentando chegar
no carro, batiam na cara da Fernanda. Ela estava levando tanta porrada naquela
circunstância, que ela não conseguia nem associar o que estava acontecendo
direito.
–
Eddie, tira aquela menina dali, por favor – o Taylor disse, vendo só as
costas da Fer pressionada contra o vidro. – Vão matar essa garota.
–
É, Eddie. Você desce do carro com cuidado e vai afastando as fãs de perto
dela – o Walker disse, também preocupado com a coitada que estava sendo
linchada pelas fãs. – E aproveita, e tira elas de perto do carro.
–
Positivo – o Eddie disse.
Ele
abriu a porta da van e, com muito custo e a ajuda de mais uns seguranças,
conseguiu sair de
dentro
dela.
–
Afasta, afasta! – o Eddie gritava em inglês. – Olha a garota aqui! –
apontando para a Fernanda.
Os
seguranças começaram a afastar as fãs lentamente e, quando elas já estavam
suficientemente distantes, o veículo entrou na garagem sem a menor dificuldade.
A Fernanda caiu tonta no chão, de tanto soco que ela tinha levado. Estava
consciente, mas com a vista um tanto embaçada. Um tumulto tinha se iniciado,
porque umas fãs estavam brigando entre si, culpando umas às outras pelo Hanson
ter escapado. Estava uma bagunça! O Eddie e os outros seguranças tentavam
acalmá-las, mas estava difícil. E como se a Fer já não estivesse arrependida
o suficiente por estar ali, alguma menina a soca na nuca sem querer com força o
bastante para faze-la apagar.
...
–
Depois de prontos, batam lá no nosso quarto porque nós vamos descer jantar –
o Walker disse, saindo então do quarto dos três.
–
E aí, Zac? Melhor agora com a Pri? – o Isaac perguntou.
–
Muito, obrigado.
–
Pensei que você fosse querer jantar com ela hoje, Zac – o Taylor disse,
saindo do banho naquele exato momento.
–
Eu até queria, mas a Pri não colaborou muito com aquela história de Ricky
Martin.
Logo
depois que ela tinha chegado em casa, a mãe da Priscila perguntou por quê ela
não tinha ido jantar fora. A Pri respondeu que precisava dar uma de difícil
para o Zac, que não podia se entregar tão fácil. Era assim que a Priscila
jogava. E conseguia prender o Zac.
–
Aaaah... – o Taylor disse. – Mas um dia você convida e ela janta com a
gente.
–
Cara, Zac, na boa, mas eu não sei o que você tanto vê naquela menina – o
Isaac disse, com um pouco de maldade, querendo criticar.
–
Eu adoro ela, e aí?! – o Zac ficou um pouco nervoso.
–
Mas Zac, essa garota te faz de trouxa! 'Cê parece um retardado quando ela tá
perto!
O
Zac já levantou nervoso. Ele era muito bravo. Não era exatamente uma tarefa
difícil deixá-lo puto da vida.
–
Cala essa boca, Isaac, porque você é o único aqui que não pode falar nada
sobre isso!
–
Eu? Por que eu não posso?
–
Você não tem nem idéia do que é gostar de alguém de verdade! Você e as
putinhas que você está acostumado a pegar em simplesmente todos os lugares que
a gente vai!
Apesar
do Isaac ser mais velho, o Zac, além de ser maior e mais forte que ele, metia
muito medo quando estava bravo. O Isaac não era nem louco de tentar contrariar.
–
Bom, pelo menos, eu não fico pelos cantos me acabando de fumar e choramingando
que nem um maricas por causa de mulher... – o Isaac disse, irônico.
O
Zac ameaçou ir para cima do irmão mais velho, mas o Taylor não deixou.
–
Ike, sai! – o Tay gritou, segurando o Zac.
O
Isaac saiu, todo feliz. É claro que ele estava mais feliz pelo Zac estar bem
com a menina que ele gostava, já que ele andava tão mal, mas o Ike também não
concordava com o tipo de relacionamento que o Zac tinha com a Priscila. O Taylor
pensava assim também. A diferença entre eles era que o Isaac não sabia falar
sobre isso com cuidado, conversando. Ele sempre acabava provocando o Zac e
deixando-o furioso, jogando cometariozinhos irritantes como estes que ele
acabara de fazer.
–
Zac, deixa ele... o Ike não quis dizer isso.
–
Ele tem inveja porque eu amo a Priscila e ela gosta de mim.
–
É, deve ser isso mesmo... agora se acalma.
O
Zac sentou, respirou fundo e contou até dez. Tudo para não arrombar a porta
daquele banheiro e encher o Isaac de porrada.
...
Um tapinha de leve fez a Fer acordar e olhar para cima. Só conseguiu ver
bem a cara de um negão quase azul, com aqueles olhões claros em cima dela, e
mais um monte de segurança em volta. Todos olhando curiosos. Quando a Fernanda
abriu um pouco mais os olhos, o Eddie aliviou:
–
Are you ok, kid?
A Fer não estava raciocinando direito para traduzir aquilo. De repente,
aquela dor nas costas, na região da nuca.
–
Ai...
–
Você levou uma pancada forte aí – o Eddie explicou. – Você ainda vai
sentir essa região por um tempo.
–
Você é quem, exatamente? E onde que eu estou?
–
Eu sou o Eddie, segurança. Estes são meus companheiros de trabalho e você está
no hall do Renaissance Hotel, São Paulo.
Quando
a Fer ouviu aquilo, nossa, ela quis gritar muito alto.
–
Jura?! Eu entrei?!
–
What? – o Eddie não entendeu muito
bem.
–
Woohoo!
Ela
olhou a sua volta e viu aquele lugar maravilhoso, cheio de plantas e uma decoração
linda. Tinha um piano mais para a frente e uma varanda enorme com umas mesinhas
e umas cadeiras de estofado azul. Lindo! As pessoas todas ali sentadas, cujas
esperavam por uma reação da menina desmaiada, olhavam para a Fernanda com
aquelas caras de quem nunca tinham visto. O rapaz da portaria se aproximou,
dizendo que era possível que ela estivesse delirando, já que a pancada havia
sido de grande força. O segurança concordou e perguntou mais uma vez para a
Fernanda se ela estava bem.
–
Tô, claro. Ei, você não é o segurança do Hanson?
–
Sou sim. Eu sei que você é fã do Hanson e...
–
Não, eu não sou fã deles, moço.
O
Eddie olhou para o rapaz da portaria:
–
É, ela está mesmo delirando.
–
Não, eu não tô! Eu queria entrar aqui porque eu preciso dar um recado para o
Zac. Eu conheço ele da Internet.
–
Uau... menina, você não está nada bem.
–
Moço, assim ó...
Quando
a Fernanda estava realmente pensando em explicar aquilo, o elevador abriu a
porta e os Hanson saíram de lá de dentro junto com a família toda. A Fer
ficou olhando para eles com aquele olho fixo. O Eddie se aproximou deles e
cochichou alguma coisa qualquer que os fez olharem para a Fer. Ela pensou em
dizer alguma coisa, mas achou melhor não. Eles não estavam perto o suficiente
para ouvi-la. Depois que o Eddie disse tudo o que queria, eles seguiram a família
para o restaurante.
–
Moço, moço, vem cá! – a Fer chamou.
–
Eddie.
–
Eddie, que seja... Será que eu poderia falar uma coisinha com eles?
–
Desculpe, kid, mas infelizmente não.
Você só está aqui dentro porque aquelas fãs realmente te acertaram em cheio.
–
Então será que você podia entregar isso aqui para o Zac? – tirando um
bilhete do bolso.
–
Também não, querida – o Eddie disse, atencioso.
–
Por favor, entrega lá agora. Eu preciso de uma resposta dele. Juro que se ele não
confirmar o que está escrito no bilhete, eu vou embora e sumo da sua vida,
Eddie – a Fernanda pediu. – Por favor, Seu Eddie, faz isso pra mim. Só esse
favor, please.
–
Promete que se o Zac não gostar do que estiver escrito aqui, você
desaparecesse?
–
Prometidíssimo – a Fer sorriu.
–
Tá, espera aqui então que eu já venho.
Quando
o Eddie saiu, a Fernanda tentou levantar. As pernas dela estavam formigando
inteiras. Os outros seguranças estavam de olho nela, vigiando para ver se ela não
iria fazer alguma loucura de fã fanática. O Eddie estava demorando para quem só
fora entregar um bilhete. Ele não voltava nunca. Por que estava demorando
tanto? Era só entregar e voltar, oras.
–
Cadê o Eddie? – ela se perguntou.
–
Deve estar vindo. Acalme-se, menina – o outro segurança ouviu.
Então
a Fernanda se arrependeu totalmente. Era óbvio que aquilo tudo era mentira. A
Priscila jamais conhecera o Hanson, tinha inventado tudo para a Fernanda só
para se divertir às custas dela. E a menina que ela viu dentro da van não
precisava ser necessariamente a Priscila. Podia ser qualquer garota. Uma prima,
quem sabe... "Por que eu fui inventar de entregar bilhete?! Ai, que
vergonha, que vergonha, que vergonha!" ela pensava.
–
O Eddie está vindo, senhorita – um dos seguranças disse.
A
Fernanda olhou para ele e viu que o Zac estava vindo junto. Ela quis morrer,
sumir, desaparecer. Nunca sentiu tamanha insegurança. Estava tão confiante
sobre tentar falar com o amigo, que esquecera completamente do que seria se
desse certo. Eles vinham conversando, descontraídos, mas quando o local que a
Fernanda estava foi ficando mais próximo, o Zac começou a olhar para ela com
aquele olhar sério e curioso. Ela não sabia o que fazia, se dava um sorriso,
se desviava o olhar... Ai, que sensação ruim de incerteza.
–
Prontinho, kid, seu bilhete foi
entregue – o Eddie disse.
–
'Brigada – nervosa.
O
Zac ficou parado olhando para ela, analisando sério, sem dizer nada. A Fer não
sabia o que fazer. Era muito estranho ver o Zac Hanson, assim, de tão perto. Até
que ele abriu aquele sorrisão.
–
Fãr? – ele disse, com sotaque. – I
can't believe it...
Inacreditável
mesmo era conhecer o Zac Hanson, isso sim.
–
Então é você mesmo – a Fer disse, quase que num desabafo.
O
Zac abraçou a Fernanda bem forte, como ele só fazia quando estava muito feliz
mesmo. A Fernanda mal podia acreditar que tinha conseguido. Ela estava ali, na
frente do Zac, conversando, finalmente, com ele. E olha, ele era muito
igualzinho à televisão em pessoa. Só o cabelo dele que era um pouco mais
loiro. Já o Zac, achou a Fer muito diferente das poucas fotos que ela tinha
mandado para ele.
–
É o cabelo – ela explicou. – Eu mudei.
Só
que o gosto do Zac não o tinha permitido achar a Fernanda bonita. Ele achou ela
bem normal, nada de muito "óóóó, que mulherão". Gostou do jeito
de ela se vestir e só. Mas estava muito empolgado em conhecê-la ao vivo. Ele
nunca tinha conhecido uma amiga da Internet antes. Ele não costumava fazer
essas coisas que adolescentes modernos normais fazem.
–
Nossa, eu tinha me esquecido completamente que você também morava aqui – o
Zac falou.
–
Puxa, Zac, valeu. Eu sei que eu sou assim, muito importante na sua vida, mas não
precisa ficar repetindo, né querido? – ela brincou.
–
Hehe, discupe. Não é nesse sentido que eu quis dizer...
–
Ah, tudo bem, desencana... eu tava só brincando – a Fer sorriu. – Mas e aí?
O que está achando daqui? É a tua primeira vez no meu país.
–
Ah, Brazil is pretty cool... o
problema são as garotas. Meu, como gritam, cara.
–
Não é assim sempre. São você e os seus irmãos que despertam um desejo
animalesco e psicopata nelas. Aliás, eu sou a prova viva disso. – Então a
Fer apontou para um puta roxo no rosto dela.
–
Uau... é mesmo, 'cê andou apanhando – o Zac falou num tom de deboche.
–
E você tá com essa cara de "Putz, que tesão! A Fer apanhou!" por quê?
O
Zac só riu.
–
Você já apanhou alguma vez? Já? Aposto que não! Sabe como que é? Pois eu
vou te falar como é. Dói muito e é humilhante!
Quando
a Fernanda começava com esses ataques dela de falar e explicar e de provar
alguma coisa que ela estava pensando, ela dava de falar muito. O Zac se matava
de rir, porque a Fer começava brincando e terminava um pouco nervosa de
verdade. Os seguranças só se olhavam, achando a menina muito esquisita.
–
Fãr, cala a boca. – O Zac disse o nome dela com sotaque de novo. – Fala
logo como 'cê tá.
–
Ahm, claro... ah, tô bem. Tipo, tem umas regiões ainda meio doídas, mas nada
de "nossa, que dor, que dor horrível, meu santo, que dor matadora, eu vou
morrer, vai cair pedaço de mim, que dor "... – o Zac riu de novo do
jeito dela. – Mas é, tá tudo em cima por enquanto.
–
Ok, ok, dude. Eu acredito em você – ele sorriu. – Mas e aí, já
jantou?
–
Jantar? Zac, 'migo, faz um bom tempo que eu não sei o que é comida. Eu tô a mó
tempão aqui nesse bendito hotel tentando falar com você.
–
Nossa, sério?
–
Não, é brincadeira. Claro que é sério! – a Fernanda brincou. Ela falava
meio rápido por causa do nervosismo. – Seríssimo, aliás.
–
Você teve de apanhar para falar comigo – o Zac fez cara de choro. – Nossa,
isso é tão lindo. Nunca fizeram algo assim, tão incrível por mim. Obrigado,
parceira. – Então ele abraçou-a. A Fernanda só ria.
–
Tudo bem, Zac, calma, calma. Já passou. Haha.
Ele
se recompôs e começou a rir baixinho por causa da situação toda.
–
Nossa, você é igualzinha aos chats.
–
É, você também. Você ainda lembra que nós somos parceiros, não lembra?
–
Mas é claro, como que eu poderia esquecer of
my dear partner? No
way, man!
–
Mmm... é bom mesmo.
–
Mas e aí? Quer ou não quer jantar?
–
Muito educado da sua parte, mas eu não sei se rola porque... bom, mesmo
aceitando, eu não conseguiria comer de tanta vergonha – ela disse, bem
sincera.
–
Oh, com'on! Você consegue, dude!
–
Nah... 'brigada, Zac, mas acho que nem.
O
celular do Zac tocou. Era o pai dele.
–
Oh, okay. I'm coming, dad. Bye. – O Zac desligou o telefone.
–
'Cê já terminou de jantar? – a Fer perguntou.
–
'Inda não. Por isso que eu quero que 'cê vá lá comigo. Aí eu vou comendo
enquanto a gente conversa.
–
Tipo que a tua família tá inteira lá. Ai, não. Melhor não. Imagine, que
vergonha? Faz seguinte, janta lá, come com bastante calma, enquanto isso, eu
fico aqui com o Eddie, trocando uma idéia com ele, coisa e tal... né Eddie?
–
Ahm... tudo bem – o Eddie respondeu, um pouco sem pensar.
–
Aí ó, viu? Aí depois que 'cê tiver jantado, eu e você conversamos. Tá?
–
Ahm... tá bom. Então eu vou lá, daqui a pouco eu volto.
–
Tchauzin'.
O
Eddie olhou para a cara da Fernanda estranhando um monte. Ele havia gostado da
garota, mas não confiava 100% nela.
–
Viu? Eu não te disse que conhecia o Zac?
–
É, eu tô vendo mesmo.
–
Faz tempo que 'cê tá com eles, Eddie?
–
É, faz um tempo sim... – com o mesmo olhar desconfiado.
–
Ô Eddie?
–
Fala, kid.
–
Muito obrigada por ter me ajudado hoje lá fora com as fãs – a Fernanda
agradeceu, séria. – Cara, se o senhor não tivesse me tirado de lá, nossa...
eu provavelmente estaria no IML agora.
–
Nossa, que exagero... mas de nada, anyway –
o Eddie sorriu com aqueles dentes branquinhos dele.
–
Exagero? Meu, sinceramente. Eu não sei o que o Hanson tem de tão diferente
assim para fazer com que as fãs sejam muito mais apaixonadas do que o normal. Não
existe fã no mundo mais apaixonada pelo seu ídolo do que fã de Hanson.
–
É que os moleques são muito gente boas. Acho que isso os diferencia de certa
forma dos outros grupos.
–
Mas todos os grupos são simpáticos.
–
Eu sei, mas o Hanson te faz sentir próximo a eles. Parece que eles são legais,
dá vontade de ser amigo deles – o Eddie disse, todo sério.
–
Uau... nunca tinha pensado nisso. Como você chegou a essa conclusão?
–
Uma fã deles um dia me disse.
A
Fernanda achou graça e riu. O Eddie começou a rir da risada alta dela, meio
escandalosa. Mas o tio da portaria acabou com a festa e pediu que eles fizessem
silêncio. O Eddie ficou muito sem graça e fechou a cara, fazendo aquela
expressão básica de segurança de gente famosa.
Não
demorou muito, o Zac apareceu. Saiu do elevador, todo poderoso, com aquela pose.
A Fernanda ficou olhando, achando meio esquisito, até que saíram o Taylor e o
Isaac junto. Aí ela entendeu o por quê de tanto exibicionismo.
–
Fãr... – o Zac falou com sotaque de novo. – Trouxe os meus irmãos pra te
conhecer.
–
É, eu notei – ela disse. – Oi, gente.
O
Taylor sorriu e cumprimentou a Fernanda muito simpático. Já o Isaac ficou
olhando para ela com aquela cara de comedor que ele fazia toda vez que ia com a
cara de uma menina.
–
Oi, Fãr – o Isaac disse. – E aí? Beleza? – fazendo aquela pose de
gostoso.
–
Tudin' – ela disse, sorrindo.
–
Que bonito o seu sorriso.
–
Ahm... 'brigada – ela agradeceu, sem jeito.
O
Zac conhecia o irmão mais velho que tinha e por causa disso, achou um pouco de
falta de respeito da parte dele dar em cima da Fernanda já de cara. Mas não
disse nada, porque vai que ela estava gostando, não é?
–
Então era você que estava sendo esmagada contra o vidro? – o Taylor
perguntou.
–
Pois é...
–
E tudo para tentar falar com o Zac? – o Isaac perguntou.
–
É que eu queria muito falar com ele.
–
Nossa, Zac... até que enfim uma mulher bonita atrás de você – o Isaac
provocou.
O Zac só olhou para o Isaac com aquela cara assassina. O
Taylor deu uma tossida para disfarçar e continuou com as perguntas:
–
Você ficou o dia todo tentando falar com ele?
–
Uh huh – a Fernanda fez que sim com a cabeça.
–
Nossa, mas por que demorou tanto? – o Taylor perguntou.
–
Porque ela já estava planejando levar umas porradas das fãs – o Zac tirou
com a cara do Taylor. – Dãã, Taylor, por que será que ela não conseguiu
falar com a gente?
–
Ok, ok... – o Taylor falou, meio bravo. Odiava quando o Zac tirava sarro da
cara dele.
Nossa,
a Fernanda ficou indignada como o Taylor era lindo. Parecia um boneco de tão
perfeitos que eram os traços dele. Porém, era um pouco magro demais. A
Fernanda não era chegada em garoto magro. Preferia os mais fortinhos. O Isaac
era mais ou menos de corpo. Ela o achava feio pela televisão, mas ao vivo,
nossa, totalmente diferente. Muito mais bonito. Até o olho dele era mais claro
em pessoa do que na TV. "Ele não é nada fotogênico, é isso" a
Fernanda pensou.
–
Fãr, não tá afim de conhecer o hotel? Eu te levo... – o Isaac sugeriu,
cheio das intenções.
Uma
coisa que deve-se saber é que, além de ser bem estressado, o Zac era bastante
ciumento. Mas muito mesmo. Ele já não estava gostando daquela intimidade toda
deles com a Fernanda, que era amiga dele. Foi ele quem conheceu a
Fernanda, foi ele quem apresentou-a para eles, portanto, a amiga era dele!
–
Não sei... se o Zac for... – ela disse, já que era só o Zac que ela
conhecia bem ali. Ele adorou esse comentário.
–
Eu acho melhor EU mostrar o hotel pra Fernanda. – Então o Zac cochichou com o
Isaac. – Senão é capaz de ela voltar grávida do passeio.
A
Fernanda olhou para o Zac com aquela cara de quem estava tentando descobrir o
que o Zac tinha dito, mas ele logo sorriu, tentando dizer que não era nada
demais.
–
Vem, Fãr, vamo' lá pra piscina. Acho que 'cê vai gostar de lá – o Zac
disse, puxando a Fer.
Mas
se o Zac estava pensando em se livrar do Isaac, podia esquecer porque ele já
tratou de seguir os dois. O Taylor foi junto, mas este não tinha problema
porque o Zac sabia que o Tay conversava que nem gente normal. Não ficava dando
em cima e dizendo coisas desagradáveis como o Isaac. Não que o Zac quisesse
ficar sozinho com ela, nada a ver, mas ele não achava apropriado o tipo de
indireta que o irmão mais velho dele ficava soltando. Mas claro que é por ciúmes
também, porque, como eu já disse, o Zac tinha muito ciúmes das pessoas que
ele gostava.
–
Mas então, Fãr... quantos anos 'cê tem? – o Taylor quis saber.
–
Dezesseis – sorrindo.
–
Dezesseis?! – o Zac se assustou.
–
Ué, 'cê num sabia? – a Fernanda perguntou.
–
Não, eu jurava que 'cê tinha a minha idade e da Priscila.
–
Nah...
–
Dezesseis? Puxa, eu também achei que você tinha menos idade – o Ike falou.
– Melhor assim.
–
Ahm... tá – ela disse, sentindo-se desconfortável.
Então
eles sentaram-se nas cadeiras que tinha ao redor da piscina para conversarem.
Passado um tempo, o Taylor e o Isaac começaram a ficar com sono. Deram boa
noite e subiram para o quarto dormir. A Fernanda emprestou o celular do Zac e
ligou para a sua mãe para avisar que estava tudo bem. A Mariliz começou a
berrar no telefone, preocupada, achando que a filha estava morta ou algo assim.
–
Mãe, calma... eu tô aqui com o Zac, tô bem – ela dizia. – Será que 'cê
pode vir me buscar mais tarde? Sério? Aê, 'brigada.
Depois
disso, eles ficaram conversando só coisa inútil, exatamente do mesmo jeito que
eles ficavam nos chats, pela Internet. A Fernanda às vezes falava umas coisas
erradas com o inglês básico dela e o Zac se matava de rir.
–
Ai, Zac, desculpe... putz, eu preciso estudar mais. Meu inglês é uma bosta!
–
Nah... nem é.
–
Não, 'magina... é o teu inglês que é podre, sabe – ironizando.
–
Eu também digo umas coisas erradas... Mas eu não ligo. Eu sou burro mesmo, that's
ok.
Claro
que eles falaram de coisas mais importantes, mas a maioria das conversas eram do
tipo:
–
Zac, sabe a música Look at You?
–
Look at you...? Não estou me lembrando...
–
Zac, fala sério!
–
O que você acha, Fãr? Dãã... hehe...
–
Tá, então... o que você diz naquela parte da música que nenhum ser humano é
capaz de entender uma palavra?
O
Zac riu.
–
A parte do grito? Você acha que eu me lembro?! I
don't think so...
–
É que eu entendia Sex Drugs ou alguma
coisa assim...
Putz,
aí o garoto soltou uma puta gargalhada.
–
Seu pervertido! – ela brincou.
–
Por favor, não diga isso! Fãr, eu tinha 10 anos naquela época!
–
10 anos?!
–
É! Middle of Nowhere foi gravado em
96. Eu tinha 10, quase fazendo 11.
–
Aaaah... entendi.
–
Eu era um santo, um anjo! Jamais poderia dizer Sex drugs!
–
Claro... um santo... e eu sou Jesus...
–
Por quê?!
–
Porque você é um pervertido!
–
EU?!? POR QUÊ?! Eu sou um santo! Eu sou tão pequenininho... – com cara de
coitado.
–
Ah, claaaaaro... suuuure... – rindo.
–
Eu nunca beijei uma garota – ele parou um minuto. – Wow... isso não vai
funcionar.
Aí
a Fernanda não agüentou e se matou de tanto que ria.
–
Hehe... oi, Jesus – ele disse, confirmando a mentira dele.
–
Bem que eu desconfiava mesmo... você é muito miudinho para já ter beijado –
a Fernanda disse, ironizando os 1,74 do Zac e o corpão enorme que ele tinha.
Ele riu muito.
–
Mas Fãr, muita gente acha que eu nunca beijei. As fãs principalmente.
–
É, eu sei... tsc, tsc...
–
Ah, deixe elas pensarem assim.
–
Zac, como você é malvado!
E
eles ficavam nessas conversas um tempão. Só falando besteira e rindo muito.
–
Zac, pára de falar besteira! Minha boca tá doendo já! – a Fer dizia, rindo.
–
Aaaaah!! Eu sei o que você fez o dia inteiro!! Por isso que tá com a boca
doendo!
–
Ai, meu santo... mereço isso... – ela ria mais.
Tinha
esse lado do Zac que ela já conhecia bem dos chats. Ele era muito infantil às
vezes. Quando ele usava esse lado para brincar, a Fer nem se incomodava.
Problema mesmo era quando ele resolvia ser infantil para resolver coisas sérias.
Aí era um saco, porque ele tornava-se muito criança.
–
Qual é a primeira coisa que você nota em um menino? – ele perguntou.
A
Priscila já tinha comentado com o Zac sobre a Fernanda gostar muito de bocas.
É que antes de saber de toda a história da Priscila com ele, a Fernanda vivia
falando da boca do Zac Hanson para a Pri. Ela amava menino com boca grande. O
Zac sabia disso. Não tinha por quê perguntar.
–
Ahm... sei lá... – ela disse, sem graça.
–
Já sei, 'cê nota a bunda – o Zac fingiu que não sabia.
–
Nah... nem.
–
Então o quê? A boca? – dããã! – O nariz? As orelhas?
–
Boca.
–
Bingo!
A
Fernanda já tratou de mudar de assunto. E foi ficando cada vez mais tarde e
eles cada vez mais entretidos na conversa. Até que o celular do Zac tocou. Ele
falou um pouquinho e já desligou.
–
Ops. Fãr, bad news.
–
O que foi?
–
Eu tenho que ir.
–
Ah, não! Por quê?
–
Eu já tô aqui embaixo faz muito tempo. Meu pai vai me matar.
–
Aaah, entendo. Tudo bem então – com uma expressão triste.
–
Calma, não chore...
–
Não tô chorando, seu convencido – ela disse, batendo no ombro dele.
Ele
riu muito.
–
Metido... – ela sorriu. – Tá, 'xô ligar para a minha mãe então.
–
Liga aê.
A
Fernanda digitou uns números no celular do Zac, falou com a Mariliz e os dois
foram logo para a frente do hotel. Tinha umas meninas dormindo na calçada e nem
viram quando o Zac saiu pela porta principal do hotel e levou a Fer até o carro
para se despedir.
–
Tchau, Zac. Foi muuuuito legal falar com você, parceiro.
–
Amanhã a gente se fala. Tó, fica com o número do meu celular – estendendo
um papelzinho com um número de telefone. – Aí, qualquer coisa, me liga.
–
Ah, valeu.
–
Você me dá o número do seu também? Aí, qualquer coisa, eu te ligo.
–
Claro, pera...
A
Fernanda pegou um papel e uma caneta com a mãe dela, escreveu o número e deu
para o Zac.
–
Não é celular, porque eu não tenho um, mas é o número da minha casa – a
Fer disse.
- - > Capítulo 3