Contos e Koans Zen
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EM CONSTRUÇÃO

 

 

"Antes de entendermos o Zen, as montanhas são montanhas e os rios são rios;
Ao nos esforçarmos para entender o Zen, as montanhas deixam de ser montanhas e os rios deixam de ser rios;
Quando finalmente entendemos o Zen, as montanhas voltam a ser montanhas e os rios voltam a ser rios."

 

Transitoriedade

 
Certa vez, uma pequena onda do oceano percebeu que ela não era igual às outras ondas e disse:
"Como sofro! Sou pequena, e vejo tantas ondas maiores e poderosas do que eu! Sou na verdade desprezível e feia, sem força e inútil..."
Mas outra onda do oceano lhe disse:
"Tu sofres porque não percebes a transitoriedade das formas, e não enxergas tua natureza original. Anseias egoísticamente por aquilo que não és, e mergulhas em auto-piedade!"
"Mas," replicou a pequena onda,"se não sou realmente uma pequena onda, o que sou?"
"Ser onda é temporário e relativo. Não és onda, és água!"
"Água? E o que é água?"
"Usar palavras para descrevê-la não vai levar-te à compreensão. Contemples a transitoriedade à tua volta, tenhas coragem de reconhecer esta transitoriedade em ti mesma. Tua essência é água, e quando finalmente vivenciares isso, deixarás de sofrer com tua egóica insatisfação..."

 

 

 

O Cego e a Lanterna

 
Quando saía da casa de um amigo tarde da noite, um homem cego recebeu deste uma lanterna. O cego disse, surpreso:
"Sou cego. De que me vale levar uma lanterna?"
"Sei disso, mas como vais caminhar no escuro, a lanterna evitará que outras pessoas esbarrem em vós," disse o solícito amigo, acendendo a vela dentro da lanterna.
O homem partiu levantando a lanterna à sua frente. Confiante no fato de que ela evitaria acidentes com outras pessoas, ele caminhou sem medo ou relutância ao longo da estrada. Nunca ele se sentiu tão confiante, sabendo que a lanterna era um eficiente aviso de sua presença no caminho.
Entretanto, para sua completa surpresa, de repente alguém esbarra fortemente nele, que cai ao chão. Irritado com isso, o cego grita:
"Não podeis ver uma lanterna aproximando-se?! Com certeza és mais cego do que eu!!!!"
Mas o outro homem disse confuso:
"Mas como poderia ter visto uma lanterna apagada nesta noite escura?"
Todo aquele tempo o cego carregava a lanterna inutilmente, pois a vento tinha apagado a vela há muito...

 

 

 

Por que palavras?

 
"Mestre, aprendi que confiar nas palavras é ilusório; e diante das palavras, o verdadeiro sentido surge através do silêncio. Mas vejo que os Sutras e as recitações são feitas de palavras; que o ensinamento é transmitido pela voz. Se o Dharma está além dos termos, porque os termos são usados para defini-lo?"
O velho sábio respondeu: "As palavras são como um dedo apontando para a Lua; cuida de saber olhar para a Lua, não se preocupe com o dedo que a aponta."
O monge replicou: "Mas eu não poderia olhar a Lua, sem precisar que algum dedo alheio a indique?"
"Poderia," confirmou o mestre, "e assim tu o farás, pois ninguém mais pode olhar a lua por ti. As palavras são como bolhas de sabão: frágeis e inconsistentes, desaparecem quando em contato prolongado com o ar. A Lua está e sempre esteve à vista. O Dharma é eterno e completamente revelado. As palavras não podem  revelar o que já está revelado desde o Primeiro Princípio."
"Então," o monge perguntou, "por que os homens precisam que lhes seja revelado o que já é de seu conhecimento?"
"Porque," completou o sábio, "da mesma forma que ver a Lua todas as noites faz com que os homens se esqueçam dela pelo simples costume de aceitar sua existência como fato consumado, assim também os homens não confiam na Verdade já revelada pelo simples fato dela se manifestar em todas as coisas, sem distinção. Desta forma, as palavras são um subterfúgio, um adorno para embelezar e atrair nossa atenção. E como qualquer adorno, pode ser valorizado mais do que é necessário."
O mestre ficou em silêncio durante muito tempo. Então, de súbito, simplesmente apontou para a lua.

Meditação e Macacos

 

Um homem estava interessado em aprender meditação. Foi até um zendo (local de prática meditativa zen) e bateu na porta. Um velho professor o atendeu:
"Sim?"
"Bom dia meu senhor," começou o homem. "Eu gostaria de aprender a fazer meditação. Como eu sei que isso é difícil e muito técnico, eu procurei estudar ao máximo, lendo livros e opiniões sobre o que é meditação, suas posturas, etc... Estou aqui porque o senhor é considerado um grande professor de meditação. Gostaria que o senhor me ensinasse."
O velho ficou olhando o homem enquanto este falava. Quando terminou, o professor disse:
"Quer aprender meditação?"
"Claro! Quero muito?" exclamou o outro.
"Estudou muito sobre meditação?", disse um tanto irônico.
"Fiz o máximo que pude..." afirmou o homem.
"Certo," replicou o velho. "Então vá para casa e faça exatamente isso: NÃO PENSE EM MACACOS."
O homem ficou pasmo. Nunca tinha lido nada sobre isso nos livros de meditação. Ainda meio incerto, perguntou:
"Não pensar em macacos? É só isso?"
"É só isso."
"Bem isso é simples de fazer" pensou o homem, e concordou. O professor então apenas completou:
"Ótimo. Volte amanhã," e bateu a porta.
Duas horas depois, o professor ouviu alguém batendo freneticamente a porta do zendo. Ele abriu-a, e lá estava de novo o mesmo homem.
"Por favor me ajude!" exclamou aflito "Desde que o senhor pediu para que eu não pensasse em macacos, não consegui mais deixar de me preocupar em NÃO PENSAR NELES!!!! Vejo macacos em todos os cantos!!!!"
 

 

 

 

Buscando por Buddha

 
Um monge pôs-se a caminho de uma longa peregrinação para encontrar Buddha. Ele levou muitos anos em sua busca até alcançar a terra onde dizia-se que vivia Buddha. Ao cruzar o sagrado rio que cortava este país, o monge olhava em torno enquanto o barqueiro conduzia o bote. Ele percebeu algo flutuando em sua direção. Quando o objeto chegou mais perto, ele viu que era um cadáver - e que o morto era ele mesmo!
O monge perdeu todo o controle e deu um grito de dor à visão de si mesmo, rígido e sem vida, flutuando suavemente na corrente do grande rio.
Neste instante percebeu que ali estava começando sua busca pela liberação...
E então ele soube definitivamente que sua procura por Buddha havia terminado.

 

 

 

Gato Ritual - Complicando o que é simples

 
Quando um mestre espiritual e seus discípulos começavam sua meditação do anoitecer, o gato que vivia no Monastério fazia tanto barulho que os distraía. Então o professor ordenou que o gato fosse amordaçado durante a prática noturna. Anos depois, quando o mestre morreu, o gato continuou a ser amarrado durante a meditação. E quando o gato eventualmente morreu, outro gato foi trazido para o Monastério e amarrado. Séculos depois, quando todos os fatos do evento estavam perdidos no passado, praticantes intelectuais que estudavam os ensinamentos daquele mestre espiritual escreveram longos tratados escolásticos sobre a significância de se amordaçar um gato durante a prática da meditação...

 

 

 

O Mudo e o Papagaio

 
Um jovem monge foi até o mestre Ji-shou e perguntou:
"Como chamamos uma pessoa que entende uma verdade mas não pode explicá-la em palavras?"
Disse o mestre:
"Uma pessoa muda comendo mel".
"E como chamamos uma pessoa que não entende a verdade, mas fala muito sobre ela?"
"Um papagaio imitando as palavras de uma outra pessoa".

 

 

 

 

Compreendeis o Budismo?

 
Um monge perguntou a Hui-neng (o Sexto Patriarca Zen):
"Quem herdou o espírito do Quinto Patriarca?"
Hui-neng respondeu:
"Aquele que compreende o Budismo."
"Teríeis então vós herdado este espírito?" quis saber o monge.
"Não," replicou o mestre. "Eu não o herdei."
"Por que não?!?" o monge, naturalmente pasmo, perguntou então.
"Porque não compreendo o Budismo." Afirmou Hui-neng.
 
Koan: Vós compreendeis o Budismo?

 

 

 

Trabalhando Duro

 
Um estudante foi ao seu professor e disse fervorosamente,
"Eu estou ansioso para entender seus ensinamentos e atingir a Iluminação! Quanto tempo vai demorar para eu obter este prêmio e dominar este conhecimento?"
A resposta do professor foi casual,
"Uns dez anos..."
Impacientemente, o estudante completou,
"Mas eu quero entender todos os segredos mais rápido do que isto! Vou trabalhar duro! Vou praticar todo o dia, estudar e decorar todos os sutras, farei isso dez ou mais horas por dia!! Neste caso, em quanto tempo chegarei ao objetivo?"
O professor pensou um pouco e disse suavemente,
"Vinte anos."

 

 

 

 

O Agora

 
Um guerreiro japonês foi capturado pelos seus inimigos e jogado na prisão. Naquela noite ele sentiu-se incapaz de dormir pois sabia que no dia seguinte ele iria ser interrogado, torturado e executado. Então as palavras de seu mestre Zen surgiram em sua mente:
"O "amanhã" não é real. É uma ilusão. A única realidade é "AGORA. O verdadeiro sofrimento é viver ignorando este Dharma".
Em meio ao seu terror subitamente compreendeu o sentido destas palavras, ficou em paz e dormiu tranqüilamente.

 

Tigelas

 
Certa vez um estudante perguntou ao mestre Joshu:
- Mestre, por favor, o que é o Satori?.
Joshu respondeu-lhe:
- Terminaste a refeição?
- É claro, mestre, terminei.
- Então, vai lavar tuas tigelas!

 

 

 

Quando cansado...

 
Um estudante perguntou a Joshu, "Mestre, o que o Satori?"
O mestre replicou: "Quando estiver com fome, coma. Quando estiver cansado, durma."

 

 

O tesouro em casa

 
Um dia, um jovem chamado Yang Fu deixou sua família e lar para ir a Sze-Chuan visitar o Bodhisattva Wu-Ji. Ele sonhou que junto àquele mestre poderia encontrar um grande tesouro de sabedoria. Quando já se encontrava às portas da cidade, após uma longa viajem cheia de aventuras, encontrou um velho senhor. Este lhe perguntou:
"Onde vais, jovem?"
"Vou estudar com Wu-Ji, o Bodhisattva." - respondeu o rapaz.
"Em vez de buscar um Bodhisattva, é mais maravilhoso encontrar Buddha."
Excitado com a perspectiva de encontrar o Grande Mestre, disse Yang Fu:
"Oh! Sabes onde encontrá-lo?!"
"Voltes para casa agora mesmo. Quando lá chegares, encontrarás uma pessoa usando uma manta e chinelos trocados, que lhe cumprimentará. Essa pessoa é o Buddha."
O rapaz pensou, aterrado: "Como posso retornar agora, quando estou às portas do meu objetivo? Eu teria que confiar muito no que este simples velho me diz". Então Yang Fu teve uma forte intuição de que aquele simples homem à sua frente era alguém de grande sabedoria. Num impulso, voltou-se para a estrada, sem jamais ter encontrado Wu-Ji. Ele retornou o mais rápido que pode, ansioso pela vontade de encontrar Buddha. Chegou em casa tarde da noite, e sua amorosa mãe, em meio à alegria e pressa de abraçar o filho que retornava ao lar, cobriu-se de uma manta usada e calçou seus chinelos trocados.
Olhando para sua mãe desse modo, que vinha sorrindo e pronta a abraçá-lo, Yang Fu atingiu o Satori. Este era o maior  tesouro.

 

 

 
 

Ansiando por Deus

 
Um sábio estava meditando à margem de um rio quando um homem jovem, um tanto entusiasmado, o interrompeu.
"Mestre, eu desejo ser seu discípulo!", disse o jovem.
"Por quê?" replicou o sábio.
O jovem era uma pessoa que sempre ouviu falar dos caminhos espirituais, e tinha uma idéia fantasiosa e romântica deles. Em sua imaturidade, ele achava que ser "espiritual" era algo como participar de um movimento, de uma crença, de uma moda, sem grandes conseqüências. Ele então pensou numa resposta bem "profunda" e disse:
"Porque eu quero encontrar DEUS!"
O sábio pulou de onde estava, agarrou o rapaz pelo cangote, arrastou-o até o rio e mergulhou sua cabeça sob a água. Manteve-o lá por quase um minuto, sem permitir que respirasse, enquanto o terrificado rapaz chutava e lutava para se libertar. Finalmente o mestre o puxou da água e o arrastou de volta à margem. Largou-o no chão, enquanto o homem cuspia água e engasgava, lutando para retomar a respiração e entender o que acontecera. Quando ele eventualmente se acalmou, o sábio lhe perguntou:
"Diga-me, quando estava sob a água, sabendo que morreria, o que você queria mais do que tudo?
"Ar!", respondeu o jovem, amuado.
"Muito bem", disse o mestre. "Vá para sua casa, e quando você souber ansiar por um Deus tanto quanto você acabou de ansiar por ar, pode voltar a me procurar."

 

 

 

A Velha e o Buddha

 
Havia uma velha mulher que vivia no lado leste da cidade em que também morava o Buddha. Ela nascera quando tinha nascido Gautama, e tinha vivido toda sua vida acompanhando a estória de Sua vida, uma vez que era sua contemporânea. Entretanto, ela nunca quis vê-lo, ou falar com ele. Sempre que ouvia que Buddha se aproximava, ela fugia de sua presença, tentando por todos os modos evitar-lhe o olhar, correndo para aqui e para ali, escondendo-se.
Mas certo dia, ela estava em um local de onde não podia sair ou se esconder. Buddha se aproximava, e a velha mulher, desesperada em seu terror de encontrar tal homem, já não sabia o que fazer. Então, no último momento, ela fez a única coisa possível para evitar ver o Buddha: ergueu ambas as mãos à frente de seu rosto, tapando assim sua visão.
Neste momento, maravilhosamente, o rosto de Buddha apareceu entre cada um de seus dez dedos.
 
Koan: A condição de Buddha representa a absoluta afirmação (Dharma). Não se pode fugir da Verdade, pois ela vai estar a cada passo de seu caminho. Portanto, quem é esta velha mulher?

 

 

 

O Eu Verdadeiro

 
Um homem muito perturbado foi até um mestre Zen, apresentou-se e disse:
"Por favor, Mestre, eu me sinto desesperado! Não sei quem eu sou. Sempre li e ouvi falar sobre o Eu Superior, nossa verdadeira Essência Transcendental, e por muitos anos tentei atingir esta realidade profunda, sem nunca ter sucesso! Por favor mostre-me meu Eu Verdadeiro!"
Mas o professor apenas ficou olhando para longe, em silêncio, sem dar nenhuma resposta. O homem começou a implorar e pedir, sem que o mestre lhe desse nenhuma atenção. Finalmente, banhado em lágrimas de frustração, o homem virou-se e começou a se afastar. Neste momento o mestre chamou-o pelo nome, em voz alta.
"Sim?" replicou o homem, enquanto se virava para fitar o sábio.
"Eis o seu verdadeiro Eu." disse o mestre.

 

 

 

Chuva

 
Num dia chuvoso, quando estava sentado com um discípulo no salão do templo e ouvindo as gotas d'água batendo suavemente no telhado e no pátio, o mestre Jing-qing perguntou ao outro monge:
"Que som é aquele lá fora?"
"É a chuva," respondeu o monge. O mestre disse:
"Ao buscar fora de si mesmos alguma coisa, todos os seres se confundem com os significados."
"Então," replicou o discípulo, "como deveria eu me sentir em relação ao que percebo, Mestre?"
O sábio apenas disse:
"Eu sou o barulho da chuva."

 

 

 

Conflito - Amor ou Paixão?

 

Havia uma monja chamada Eshun, que era uma mulher muito bonita. Um jovem monge apaixonou-se por ela. Sem poder resistir ao sentimento, escreveu-lhe uma carta propondo um encontro às escondidas.
No dia seguinte ao fato, tão logo o Mestre terminar a palestra, Eshun levantou-se e disse para o monge, em frente a todos:
"Vós me enviastes uma carta se dizendo enamorado. Entretanto, o Amor não é algo para ser realizado às escondidas, pois ele é pleno e sincero. Se vós realmente me amais e não simplesmente me desejais, venha aqui e abrace-me em frente a todos. O que há para esconder/"
Mas o monge abaixou a cabeça envergonhado. Na verdade, o que sentia não passava de luxúria...

 

 

 

A Sábia Iluminada

 
Perto do templo onde vivia o mestre Hakuin, morava uma jovem com seu pai. Seu nome era Osatsu, e embora segunda a tradição japonesa ela estivesse em idade para casar, por mais que seu pai insistisse ela não queria fazê-lo, preferindo estudar os Sutras. Certo dia, após ler um Sutra, atirou o livro para cima de uma mesa e sentou-se em cima dele, dando gostosas gargalhadas. Assustado, seu pai foi ver Hakuin em busca de conselhos. O mestre resolver ir falar com a menina. Ao ver Hakuin chegar ela sorriu e sentou-se à sua frente.
"Disseram-me que sentastes em cima de um Sutra", perguntou o mestre.
"Sim," respondeu a mulher, "pois sou mais digna de respeito do que um simples livro de sutras."
Hakuin olhou-a e disse:
"Nesse caso é melhor ir para o templo e não mais ficar em casa." A partir deste dia Osatsu praticou o Zen sob a orientação de Hakuin. Depois de algum tempo, seguindo os conselhos do mestre, ela casou-se e teve filhos, ainda que continuasse a praticar o Zen. Quando ficou mais velha, ela teve netos, os quais amava muito. Já então era considerada uma sábia mestra.
Um dia aconteceu de um de seus jovens netos adoecer e morrer. No dia do funeral, Osatsu abraçou o esquife, e chorou muito. Um dos presentes, estranhando o fato, disse-lhe:
"Então, embora sejas Iluminada pela Sabedoria, sofres mais do que nós?"
"Eu amava muito este meu neto!" disse simplesmente a sábia Osatsu, entre lágrimas.
 
 
Koan: O sentimento jamais abandona o sábio. Qual é o segredo do amor sem apegos?

 

 

 

Joshu e o Grande Caminho

 
Certa vez, um homem encontrou Joshu, que estava atarefado em limpar o pátio do mosteiro. Feliz com a oportunidade de falar com um grande Mestre, o homem, imaginando conseguir de Joshu respostas para a questão metafísica que lhe estava atormentando, lhe perguntou:
"Oh, Mestre! Diga-me: onde está o Caminho?"
Joshu, sem parar de varrer, respondeu solícito:
"O caminho passa ali fora, depois da cerca."
"Mas," replicou o homem meio confuso, "eu não me refiro a esse caminho."
Parando seu trabalho, o Mestre olhou-o e disse:
"Então de que caminho se trata?"
O outro disse, em tom místico:
"Falo, mestre, do Grande Caminho!"
"Ahhh, esse!" sorriu Joshu. "O grande caminho segue por ali até a Capital."
E continuou a sua tarefa.

 

 

Estou Aqui

 
Um velho monge estava secando vegetais sob o inclemente sol do meio-dia. Um homem aproximou-se solícito e disse:
"Quantos anos tens?"
"Sessenta e Oito," disse o ancião.
"Por que trabalhas tanto aqui no templo?"
"Porque aqui no tempo tem tanto trabalho a fazer," replicou o monge.
"Mas porque trabalha sob este sol tão quente?"
"Porque o sol quente está lá, e meu trabalho é aqui."

 

 

 

Não tenho nada

 
Um jovem monge aproximou-se de Chao-chou muito orgulhoso e eufórico, e disse:
"Me desfiz de tudo o que tinha! Minhas mãos estão vazias e vim à vós com o coração sereno!"
"Então resta apenas desfazeres-te disso, e chegarás ao Zen." Afirmou o mestre.
"Mas," replicou o monge, "não tenho mais nada. Do que mais posso me desfazer?"
"Tudo bem," comentou o sábio, "se tu queres manter o Nada que ainda carregas, fique com ele..."

 

 

 

O Monge Indiferente

 
Uma velha construiu uma cabana para um monge e o alimentou por vinte anos, como forma de adquirir méritos. Certo dia, como forma de experimentar a sabedoria adquirida pelo monge, a velha pediu à jovem mulher que levava ao monge o alimento todos os dias (já que a velha senhora não podia mais fazer o caminho com freqüência) o abraçasse. Ao chegar à cabana, a menina encontrou o monge em zazen. Ela abraçou-o e perguntou-lhe se gostava dela. O monge, frio e indiferente, disse de forma dura:
"É como se uma árvore seca estivesse abraçada a uma fria rocha. Está tão frio como o mais rigoroso inverno, não sinto nenhum calor."
A jovem retornou, e disse o que o monge fez. A velha, irritadíssima, foi até lá, expulsou o monge e queimou a cabana. Enquanto ele se afastava, ela gritou:
"E eu, que passei vinte anos sustentando um idiota!"

 

 

 

O Caminho está no Cotidiano

 
Joshu perguntou a Nansen: "Qual é o Caminho?"
Nansen disse: "O dia-a-dia é o Caminho".
"Pode ele ser estudado?" perguntou Joshu
Nansen disse: "Se tentares estudá-lo, irás estar muito longe dele."
Joshu replicou: "Se não posso estudá-lo, como posso entender o Caminho?"
Nansen completou: "O Caminho não pertence ao mundo da percepção, nem Ele pertence ao mundo da não-percepção. A cognição é delusão e a não-cognição é sem sentido. Se desejais alcançar o Verdadeiro Caminho além das dúvidas, busqueis ser tão livre como o céu. E não afirmais que isso é bom ou ruim."
Ao ouvir tais palavras, Joshu atingiu o Satori.
 
Koan: Sabeis reconhecer a Liberdade?

 

 

 

Apenas uma estátua

 
Certa vez Tan-hsia, monge da dinastia Tang, fez uma parada em Yerinji, na Capital, cansado e com muito frio. Como era impossível conseguir abrigo e fogo, e como era evidente que não sobreviveria à noite, retirou em um antigo templo uma das imagens de madeira entronizadas de Buddha, rachou-a e preparou com ela uma fogueira, assim aquecendo-se. O monge guardião de um templo mais novo próximo, ao chegar ao local de manhã e ver o que tinha acontecido, ficou estarrecido e exclamou:
"Como ousais queimar a sagrada imagem de Buddha?!?"
Tan-hsia olhou-o e depois começou a mexer nas cinzas, como se procurasse por algo, dizendo:
"Estou recolhendo as Sariras (*) de Buddha..."
"Mas," disse o guardião confuso "este é um pedaço de madeira! Como podes encontrar Sariras em um objeto de madeira?"
"Nesse caso," retorquiu o outro "sendo apenas uma estátua de madeira, posso queimar as duas outras imagens restantes?"
 
(*) Sariras - tais objetos são depósitos minerais - como pequenas pedras - que sobram de alguns corpos cremados, e que segundo a tradição foram encontrados após a cremação do corpo de Gautama Buddha, sendo considerados objetos sagrados.
Koan: Em que parte de um objeto fica o reverenciado Sagrado?

 

 

 

 Carroça

 
Um Imperador, sabendo que um grande sábio Zen estava às portas de seu palácio, foi até ele para fazer uma importante pergunta:
"Mestre, onde está o Eu?"
O mestre então pediu-lhe:
"Por favor traga-me aquela carroça que está lá."
A carroça foi trazida. O sábio perguntou:
"O que é isso?"
"Uma carroça, é claro," respondeu o Imperador.
O mestre pediu que retirasse os cavalos que puxavam a carroça. Então disse:
"Os cavalos são a carroça?"
"Não."
O mestre pediu que as rodas fossem retiradas.
"As rodas são a carroça?"
"Não, mestre."
O mestre pediu que retirassem os assentos.
"Os assentos são a carroça?"
"Não, eles não são a carroça."
Finalmente apontou para o eixo e falou:
"O eixo é a carroça?"
"Não, mestre, não são."
Então o sábio concluiu:
"Da mesma forma que a carroça, o Eu não pode ser definido por suas partes. O Eu não está aqui, não está lá. O Eu não se encontra em parte alguma. Ele não existe. E não existindo, ele existe."
Dito isso, ele começou a se afastar do surpreso monarca. Quando estava já afastado, voltou-se e perguntou-lhe:
 
"Onde Eu estou?
 
 

Dar e Receber

 
Um professor de Zen, após anos como orientador de um aluno particularmente sensível e sábio, resolveu lhe dar um presente:
"Estou ficando velho, em breve morrerei. Para simbolizar sua sucessão a mim como mestre vou lhe dar este livro valiosíssimo."
O discípulo, entretanto, não estava interessado em livros:
"Não é necessário, obrigado, mestre. Eu aceitei o seu ensinamento como o Zen que prescinde a palavra escrita. Gosto de sua face original. Fique com seu precioso livro."
O professor insistiu, e afirmou, orgulhoso:
"Este livro atravessou sete gerações, é uma relíquia! Por favor, fique com ele como um símbolo de sua aceitação do manto e da tigela!"
O outro apenas disse:
"Está bem, dê-me o livro."
Ao recebê-lo, o discípulo simplesmente atirou o livro no fogo próximo, queimando-o. O professor ficou chocado. Gritou para o aluno, indignado:
"Como pôde fazer isso?! Era uma peça inestimável de conhecimento!"
Foi a vez do sábio discípulo ficar indignado:
"Como podes dar mais valor a papel e couro do que àquilo que me ensinastes diretamente, de forma pura? Ensinar uma sabedoria que não se pode praticar é como agir sem coração, e não ser nada mais do que um repetidor de textos sagrados. Tu me deste um objeto, e eu usufrui dele como considerei adequado. Como podes ficar indignado com um simples 'dar e receber'?"
 
 
Koan: O que é "possuir"?

 

 

 

Não Conheço Títulos

 
Um dia, o grande general Kitagaki foi visitar seu velho amigo, o superior do templo Tofuku. Ao chegar, disse a um noviço de forma algo desdenhosa como comumente se dirigia às pessoas que considerava seus subordinados no exército:
"Diga ao Mestre que o grande general Kitagaki está aqui."
O noviço foi ao seu mestre e disse:
"Mestre, o Grande General Kitagaki está aqui."
O mestre respondeu:
"Não conheço Grandes Generais."
O noviço voltou à presença do militar com o recado enquanto o velho sábio observava do pórtico:
"Desculpe, o mestre não pode vê-lo. Ele não conhece nenhum Grande General."
O General inicialmente ficou surpreso, depois indignado, e finalmente compreendeu. Humildemente disse ao noviço:
"Desculpe minha arrogância. Por favor, diga-lhe que Kitagaki deseja vê-lo."
O monge assim o fez. Logo, o mestre aproximou-se com um sorriso e cumprimentou:
"Ah, Kitagaki! Há quanto tempo! Por favor, entre."

 

 

 

Sem Problema

 
Um praticante Zen foi à Bankei e fez-lhe esta pergunta, aflito:
"Mestre, Eu tenho um temperamento irascível. Sou às vezes muito agitado e agressivo e acabo criando discussões e ofendendo outras pessoas. Como posso curar isso?"
"Tu possuis algo muito estranho," replicou Bankei. "Deixe ver como é esse comportamento."
"Bem... eu não posso mostrá-lo exatamente agora, mestre," disse o outro, um pouco confuso.
"E quando tu a mostrarás para mim?" perguntou Bankei.
"Não sei... é que isso sempre surge de forma inesperada," replicou o estudante.
"Então," concluiu Bankei, "essa coisa não faz parte de tua natureza verdadeira. Se assim fosse, tu poderias mostrá-la sempre que desejasse. Quando tu nasceste não a tinhas, e teus pais não a passaram para ti. Portanto, saibas que ele não existe."

 

 

 

 Alegria

 
O monge Shou-duan era muito diligente, mas não tinha senso de humor. Praticava o Zen de forma rígida e moralista, e era incapaz de se guiar pela alegria. Um dia seu mestre Yang-ki perguntou:
"Quem foi seu mestre anterior?"
"O monge Chaling Yu", respondeu o outro.
"Ouvi dizer que ele obteve o Satori quando escorregou de uma ponte e caiu na água, e até mesmo chegou a escrever um poema sobre isso, não foi assim?"
"Sim," replicou  Shou-duan, "e eu ainda me lembro do poema:
Tenho uma pérola brilhante
Que por muito tempo esteve obscurecida pelo pó;
Agora o pó se foi
E o brilho voltou
Iluminando os rios e as colinas."
Ouvindo isso, o mestre Yang-ki caiu na gargalhada, rindo sem parar. O monge Shou-duan ficou pasmo. Não entendeu o porquê de tanta alegria. Naquela noite foi incapaz de dormir, pensando no que poderia ter sido engraçado naquilo tudo. No dia seguinte foi à presença do mestre e lhe perguntou:
"Mestre, por que riste tanto ao ouvir o poema que recitei ontem? Não entendo o que pode ser tão engraçado!"
"Ontem um palhaço esteve aqui, apresentando-se numa pantomima. Vós lembrais disso?"
"Sim, lembro-me."
"Pois há um aspecto nele que é completamente superior ao vosso espírito."
Intrigado, o monge replicou: "E o que um palhaço possui de mais profundo do que eu?"
"Ele gosta que as pessoa riam, e vós tendes medo quando elas riem..."
Ouvindo isso, o monge obteve o Satori.

 

 

 

 

Sem Mais Questões

  Ao encontrar um mestre Zen em um evento social, um psiquiatra decidiu colocar-lhe uma questão que sempre esteve em sua mente:

"Exatamente como você ajuda as pessoas?" ele perguntou.
"Eu as alcanço naquele momento mais difícil, quando elas não tem mais nenhuma questão para perguntar," o mestre respondeu.

 

 

Tudo Morre

 
Quando era jovem, o então monge Ikkyu e seu irmão estavam arrumando o quarto de seu mestre, e num acidente o irmão quebrou a tigela da cerimônia do chá favorita do sábio professor. Ambos ficaram assustados, pois a tigela era muito estimada pelo mestre, pois foi um presente do imperador. Entretanto, Ikkyu disse ao irmão:
"Não se preocupe. Sei como abordar a questão com nosso mestre!"
Juntou os pedaços de cerâmica, escondeu-os no manto, saiu para o jardim do templo e sentou-se a esperar pelo velho sábio. Quando este se aproximou, Ikkyu propôs-lhe um Mondo (uma seqüência de perguntas e respostas):
"Mestre, é dito que todos os seres e todas as coisas no Universo estão fadadas a morrer?"
"Sim," respondeu o Mestre, "o próprio Buddha assim afirmou, e tal conceito é inegável: todas as coisas têm de perecer."
"Sendo assim, devemos compreender a natureza da impermanência, e superar o sofrimento ignorante pelas perdas que são, afinal, relativas e inevitáveis."
"Com certeza, tal compreensão faz parte do caminho correto!" disse o mestre feliz pela sagacidade de seu jovem discípulo. Neste momento, Ikkyu retirou os cacos de sua manga, pousou-os à frente do mestre e disse:
"Mestre, sua querida xícara de chá morreu..."
E  saiu ligeiro da presença do surpreso sábio...

Olhando da Maneira Correta

 
Havia em uma aldeia uma velha chamada "mulher chorosa" pois todos os dias, chovendo ou fazendo sol, ela sempre estava chorando. Ela vendia bolinhos na rua, e um monge sempre passava por ela quando ia ao grande templo para os ritos. Um dia, curioso, ele lhe perguntou:
"Sempre que passo, seja em belos dias ensolarados, seja em suaves dias chuvosos, vejo a senhora chorando. Por que isso acontece?"
"Tenho dois filhos," ela respondeu, "Um faz delicadas sandálias, o outro guarda-chuvas. Quando faz sol, penso que ninguém comprará os guarda-chuvas de meu filho, e ele e sua família vão passar necessidades. Quando chove, penso no meu filho que faz sandálias, e que ninguém vai comprá-las. Então ele também vai ter dificuldade para sustentar sua família."
O monge sorriu e disse:
"Mas... a senhora deveria ver as coisas de forma correta. Veja: quando o sol brilha, seu filho que faz sandálias venderá muito, e isso é muito bom! Quando chove, seu filho que faz guarda-chuvas venderá muito, e isso é também muito bom!"
A velha olhou-o com alegria e exclamou:
"Tem razão!"
Desde então a velha passa todos os dias, chovendo ou fazendo sol, sorrindo feliz.

 

 

 

Talvez

 

Há um conto Taoísta sobre um velho fazendeiro que trabalhou em seu campo por muitos anos. Um dia seu cavalo fugiu. Ao saber da notícia, seus vizinhos vieram visitá-lo.
"Que má sorte!" eles disseram solidariamente.
"Talvez," o fazendeiro calmamente replicou. Na manhã seguinte o cavalo retornou, trazendo com ele três outros cavalos selvagens.
"Que maravilhoso!" os vizinhos exclamaram.
"Talvez," replicou o velho homem. No dia seguinte, seu filho tentou domar um dos cavalos, foi derrubado e quebrou a perna. Os vizinhos novamente vieram para oferecer sua simpatia pela má fortuna.
"Que pena," disseram.
"Talvez," respondeu o fazendeiro. No próximo dia, oficiais militares vieram à vila para convocar todos os jovens ao serviço obrigatório no exército, que iria entrar em guerra. Vendo que o filho do velho homem estava com a perna quebrada, eles o dispensaram. Os vizinhos congratularam o fazendeiro pela forma com que as coisas tinham se virado a seu favor.
O velho olhou-os, e com um leve sorriso disse suavemente:
"Talvez."

 

 

 

Mente e  Não-Mente

 
Um monge perguntou a Ta-chu:
"São as palavras a Mente?"
"Não, as palavras são condições externas. Elas não são a Mente," disse o mestre.
"Então onde, fora das condições externas, podemos encontrar a Mente?"
"Não há Mente além das palavras," declarou o sábio.
"Não havendo Mente independente das palavras, o que é afinal a Mente?" perguntou o monge, confuso.
"A Mente é sem forma e sem imagens. Em verdade, ela nem depende nem é independente das palavras. É eternamente serena e livre em seu movimento."
 
Koan: Onde está a sua Mente?

 

 

 

Bonecos

 
Eis aqui a história do monge Zen Hotan.
Hotan ouvia as preleções de um mestre. Na estréia das palestras, a assistência foi numerosa mas, a pouco e pouco, nos dias seguinte, a sala se esvaziou; até que, um dia, Hotan ficou só na sala com o mestre. E este lhe disse:
- Não posso fazer uma conferência só para ti; de mais a mais, estou cansado.
Hotan prometeu voltar no outro dia com muita gente. Nesse dias Porém. voltou só. Não obstante, disse ao mestre:
- Podeis fazer a conferência hoje, porque eu trouxe numerosa companhia!
Hotan trouxeram bonequinhas, que espalhara pela sala. Disse-lhe o mestre:
- Mas são apenas bonecas!
- Com efeito, - respondeu-lhe Hotan. - mas todas as pessoas que aqui vieram não são mais do que bonecas, pois não compreendem patavina dos vossos ensinamentos. Só eu lhes compreendi a profundeza e a verdade. Mesmo que muita gente tivesse vindo, serviria tão-somente de enchimento, decoração, vazio sem fundo.

 

 

 

O Corajoso General

 
Havia um certo general chinês, que em batalha liderou seus homens com coragem e destemida força. Nada podia levá-lo a sentir medo, pois sua convicção era inabalável. Certo dia ele estava em casa, tomando chá usando sua mais adorada relíquia, uma bela xícara de porcelana finamente decorada. Ele era profundamente apegado àquela peça, e a estimava muito. Quando fez o gesto de colocá-la na mesa sua mão vacilou e a xícara começou a cair ao chão. Terrificado com o temor de que a peça se quebrasse, o general lançou-se ao chão e no último momento conseguiu pegá-la.
Ainda tenso, tremendo e suando frio, o general pensou:
"Liderei homens em terríveis guerras e passei por momentos assustadores na vida sem jamais vacilar! Como é possível que eu sentisse tanto temor por causa de um pequeno objeto de porcelana?!?"
Então o general percebeu plenamente a natureza de seu apego na vida. Neste momento, largou a xícara ao chão, voltou-se para uma vida contemplativa e abandonou  a violência e a paixão ignorantes.
 
 

 

Isso também passará

 
Um praticante foi até o seu professor de meditação, tristemente, e disse:
"Minha prática de meditação é horrível! Ou eu fico distraído, ou minhas pernas doem muito, ou eu constantemente fico com sono. É simplesmente horrível!!!!"
"Isso passará," o professor disse suavemente.
Uma semana depois, o estudante retornou ao seu professor, eufórico:
"Minha prática de meditação é maravilhosa! Eu sinto-me tão consciente, tão pacífico, tão relaxado, tão vivo! É simplesmente maravilhoso!!!!!"
O mestre disse tranqüilamente:
"Isso também passará."

 

 

 Homem ou Mulher - Não Faz Diferença

 
"Mestre, li em um Sutra que ser uma mulher é algo ruim, e que devo me aperfeiçoar para que, um dia, possa renascer como um homem e assim poder atingir a sabedoria. Mas como posso fazer isso? O que devo fazer para renascer como um homem?"
O mestre simplesmente perguntou-lhe:
"Há quanto tempo és uma monja?"
"Mas..." replicou a monja "eu não perguntei sobre isso. Perguntei como posso um dia renascer como homem!"
"O que tu és agora?" perguntou o mestre.
"Uma mulher, ora!" respondeu a monja, surpresa. "Quem não sabe disso?"
"E quem realmente conhece tua verdadeira natureza para, a partir do fato de seres uma mulher, sentenciar tolamente que tua condição feminina lhe impede de compreender o Dharma?" disse Long-tan.
Neste momento a monja obteve o Satori.

 

 

Bambu longo, bambu curto

 
 
"Qual o significado fundamental do Budismo?"
O mestre disse:
"Ao final da palestra fique aqui sozinho comigo que eu lhe explicarei."
Imaginando que algo muito importante lhe seria revelado, o monge esperou impaciente o fim da preleção. Quando todos saíram, ele perguntou ansioso:
"Então, responder-me-ás agora?"
"Siga-me," disse o mestre e levantou-se. Conduziu o monge ao belo jardim aos fundos do templo, apontou para o bosque de bambus e disse:
"Este bambu é longo, aquele é curto."

 

 

Inferno?

 

Um homem perguntou ao mestre Zen:
"Onde estará o senhor daqui a cem anos?"
"Renascido como um cavalo ou um burro", respondeu o velho sábio.
"Oh!", exclamou o homem , confuso. "E depois disso?"
"Renascerei em um Naraka[1]", declarou o mestre.
"Mas... o senhor é um homem bom e sábio, por que tal coisa aconteceria?" perguntou o homem.
"Se não renascer lá para ensinar o Dharma, quem o fará?"
 
[1] Região de demérito kármico, associada ao semita "Inferno".
 
Koan: O Dharma está em toda parte. Onde tu estarás daqui a cem anos?

 

 

 

Impermanência

 
Um famoso mestre espiritual aproximou-se do Portal principal do palácio do Rei. Nenhum dos guardas tentou pará-lo, constrangidos, enquanto ele entrou e dirigiu-se aonde o Rei em pessoa estava solenemente sentado, em seu trono.
"O que vós desejais?" perguntou o Monarca, imediatamente reconhecendo o visitante.
"Eu gostaria de um lugar para dormir aqui nesta hospedaria," replicou o professor.
"Mas aqui não é uma hospedaria, bom homem, "disse o Rei, divertido, "Este é o meu palácio."
"Posso lhe perguntar a quem pertenceu este palácio antes de vós?" perguntou o mestre.
"Meu pai. Ele está morto."
"E a quem pertenceu antes dele?"
"Meu avô," disse o Rei já bastante intrigado, "Mas ele também está morto."
"Sendo este um lugar onde pessoas vivem por um curto espaço de tempo e então partem - vós me dizeis que tal lugar NÃO É uma hospedaria?"

 

 

 

Samsara

 
O monge perguntou ao Mestre:
 
"Como posso sair do Samsara (a Roda de renascimentos e mortes)?"
O Mestre respondeu:
"Quem te colocou nele?"

 

 

 

O Médico e o Zen

 
Kenso Kusuda, diretor de um hospital em Nihonbashi, Tóquio, recebeu um dia a visita de um velho amigo, também médico,  que não via há sete anos.
"Como vai?", perguntou Kusuda.
"Deixei a medicina", respondeu o amigo.
"Ah, sim?"
"Na verdade, agora eu pratico o Zen."
"E o que é o Zen?"-- quis saber Kusuda.
"É difícil explicar..." -- hesitou o amigo.
"E como é possível entendê-lo, então?"
"Bem, deve-se praticá-lo."
"E como faço isso?"
"Em Koishikawa, há uma sala de meditação dirigida pelo Mestre Nan-In. Se quiser experimentar, vá até lá."
No dia seguinte Kusuda dirigiu-se à sala de meditação do Mestre Nan-In. Ao chegar, gritou:
"Com licença!"
"Quem é?" responderam lá de dentro. Um velho de aspecto miserável, que se aquecia junto a um fogareiro próximo ao vestíbulo, dirigiu-se a ele. Kusuda entregou-lhe seu cartão e o velho, após dar uma olhada, disse sorrindo:
"Olá!!! Faz tempo que o senhor não aparece!"
"Mas... é a primeira vez que venho aqui!" - disse Kusuda, surpreso.
"Ah, sim? É a primeira vez? Como está escrito 'Diretor de hospita1', pensei que fosse o Sasaki. O que o senhor deseja?"
"Quero falar com o Mestre Nan-in."
"Já está falando com ele!" disse o velho, abrindo um largo sorriso.
"Então o Mestre Nan-in é o senhor?", disse Kusuda meio desconfiado. Esperava alguém mais "venerável".
"Eu mesmo", respondeu o velho, sem dar mostras de resolver a mandar seu visitante entrar. Já meio desanimado e um tanto desdenhoso, Kusuda decidiu falar ali mesmo, de pé, no vestíbulo:
"Eu gostaria que o senhor me ensinasse a praticar o Zen."
O velho olhou para ele e disse:
"Praticar o Zen? O senhor é um médico não? Deve então tratar bem de seus doentes e se esforçar para o bem de sua família, o Zen é isso. Agora, pode ir embora."
Kusuda voltou para casa, sem entender nada. Intrigado com as palavras de Nan-In, três dias depois resolveu visitar novamente o velho Mestre. Nan-In atendeu-o novamente no Vestíbulo.
"Novamente o senhor aqui? O que deseja?"
"Insisto para que o senhor me ensine a praticar o Zen!" - disse Kusuda petulantemente.
"Ora, nada tenho a acrescentar ao que já disse outro dia. Vá embora e seja um bom médico". E fechou a porta.
 
Dois ou três dias depois, Kusuda novamente voltou a ver o Mestre, pois absolutamente não conseguira entender suas palavras.
"Outra vez aqui?"
"Eu vim porque não consegui entender suas palavras, por mais que pensasse sobre elas."
"Pensando nas palavras é que o senhor não vai entender coisa nenhuma mesmo!" - disse o velho monge.
"Então o que eu devo fazer?" - disse Kusuda, já quase desesperado.
"Procure perceber por si, ora essa! Agora, vá embora."
Mas Kusuda desta vez zangou-se muito e respondeu:
"Por três vezes, embora tenha muitos afazeres, larguei tudo e vim até aqui pedir-lhe para me ensinar o Zen e sempre o senhor me manda embora sem me dar o mínimo esclarecimento! Que espécie de mestre é o senhor, afinal!?!"
"Ah! Finalmente ele zangou-se!", exclamou o Mestre.
"Mas é EVIDENTE!", desabafou o médico.
"Então agora chega de palavreado e seja educado! Faça-me uma saudação."
Encarando fixamente o velho monge, Kusuda reprimiu sua vontade de dar-lhe um soco na cara e inclinou-se em reverência. O Mestre então conduziu-o à sala de meditação e o ensinou a praticar zazen.
 
Anos depois, Kusuda finalmente entendeu porque o Zen também é cuidar bem dos doentes e esforçar-se para o bem de sua família.
 
 

 

Perguntas do Rei Milinda

 
Durante uma conversa, o rei Milinda perguntou ao Bodhisattva Nagasena:
- Que é o Samsara?
Nagasena respondeu:
- Ó grande rei, aqui nascemos e morremos, lá nascemos e morremos, depois nascemos de novo e de novo morremos, nascemos, morremos... Ó grande rei, isso é Samsara.
Disse o rei:
- Não compreendo; por favor, explicai-me com mais clareza.
Nagasena replicou:
- É como o caroço de manga que plantamos para comer-lhe o fruto. Quando a grande árvore cresce e dá frutos, as pessoas os comem para, em seguida, plantar os caroços. E dos caroços nasce uma grande mangueira, que dá frutos. Desse modo, a mangueira não tem fim. E assim, grande rei, que nascemos aqui, morremos ali, nascemos, morremos, nascemos, morremos. Grande rei, isso é Samsara.
Em outro Sutra, o rei Milinda pergunta ainda:
- Que é o que renasce no mundo seguinte (Depois da morte.)
Responde Nagasena:
- Depois da morte nascem o nome, o espírito e o corpo.
O rei pergunta:
- É o mesmo nome, o mesmo espírito e o mesmo corpo que nascem depois da morte?
- Não é o mesmo nome, o mesmo espirito e o mesmo corpo que nascem depois da morte. Esse nome, esse espírito e esse corpo criam a ação. Pela ação, ou Karma, nascem outro nome, outro espírito e outro corpo.

 

 

 

Essência

 
Na China, havia um monge Zen, chamado mestre Dori, que, por fazer zazen empoleirado num pinheiro pára-sol, fora alcunhado de mestre Ninho de Passarinho Um poeta muito célebre, Sakuraten, foi visitá-lo e, ao vê-lo fazer zazen, disse-lhe:
"Tomai cuidado, que isso é perigoso; podereis, um dia, cair do pinheiro!"
"De maneira nenhuma," respondeu mestre Dori. "Vós é que correis perigo de um dia cair."
Sakuraten refletiu. "Com efeito, vivo dominado por paixão, é como brincar com o raio". E perguntou ao mestre Zen:
"Qual é a verdadeira essência do budismo?"
Mestre Dori respondeu:
"Não façais nada violento, praticai somente o aquilo que é justo e equilibrado."
"Mas até uma criança de três anos sabe disso!" exclamou o poeta.
"Sim, mas é uma coisa difícil de ser praticada até mesmo por um velho de oitenta anos..." completou o mestre.
 

 

 

Baso e a Meditação

 
Quando jovem, Baso praticava incessantemente a Meditação. Certa ocasião, seu Mestre Nangaku aproximou-se dele e perguntou-lhe:
- Por que praticas tanta Meditação?
- Para me tornar um Buddha.
O Mestre tomou de uma telha e começou a esfregá-la com um pedra. Intrigado, Baso perguntou:
- O que fazeis com essa telha?
- Pretendo transformá-la num espelho.
- Mas por mais que a esfregueis, ela jamais se transformará num espelho! será sempre uma pedra.
- O mesmo posso dizer de ti. Por mais que pratiques Meditação, não te tornarás Buda.
- Então o que fazer?
- É como fazer um boi andar.
- Não entendo.
- Quando queres fazer um carro de bois andar, bates no boi ou no carro?
Baso não soube o que responder e então o Mestre continuou:
- Buscar o Estado de Buda fazendo apenas Meditação é matar o Buda. Dessa maneira, não acharás o caminho certo.
 
 

 

Uma vida inútil?

 
Um bondoso fazendeiro tornou-se velho demais para poder trabalhar nos campos. Assim ele passava seus dias apenas sentado na varanda, feliz em observar a natureza. Seu filho era uma pessoa insensível e ambiciosa que não gostava de dar duro. Mas, ainda trabalhando na fazenda, podia observar seu pai de vez em quando ao longe.
"Ele é inútil," o filho falou para si mesmo, agastado, "ele não faz nada!"
Um dia o filho ficou tão frustado por ver seu pai numa vida que ele considerava absurda, que construiu um caixão de madeira, arrastou-o até a varanda e disse insensivelmente para o seu pai entrar nele. Sem dizer uma palavra, o pai deitou-se no caixão. Após fechar a tampa, o filho arrastou o caixão até as fronteiras da fazenda onde existia um grande abismo. Quando ele se aproximou da beira, ouviu uma suave batida na tampa, de dentro do caixão. Ele abriu-o. Ainda deitado lá pacificamente, o pai olhou para seu filho.
"Sei que você vai lançar-me no abismo, mas antes de fazer isso posso lhe sugerir uma coisa?"
"O que é?" disse o filho, confuso e algo constrangido por ver seu pai tão calmo.
"Lance-me ao abismo, se quiser," disse o pai, "mas salve este bom caixão de madeira. Seus filhos podem querer usá-lo um dia com você..."
 

 

 

O Quebrador de Pedras

 
Era uma vez um simples quebrador de pedras que estava insatisfeito consigo mesmo e com sua posição na vida.
Um dia ele passou em frente a uma rica casa de um comerciante. Através do portal aberto, ele viu muitos objetos valiosos e luxuosos e importantes figuras que freqüentavam a mansão.
"Quão poderoso é este mercador!" pensou o quebrador de pedras. Ele ficou muito invejoso disso e desejou que ele pudesse ser como o comerciante.
Para sua grande surpresa ele repentinamente tornou-se o comerciante, usufruindo mais luxos e poder do que ele jamais tinha imaginado, embora fosse invejado e detestado por todos aqueles menos poderosos e ricos do que ele. Um dia um alto oficial do governo passou à sua frente na rua, carregado em uma liteira de seda, acompanhado por submissos atendentes e escoltado por soldados, que batiam gongos para afastar a plebe. Todos, não importa quão ricos, tinham que se curvar à sua passagem.
"Quão poderoso é este oficial!" ele pensou. "Gostaria de poder ser um alto oficial!"
Então ele tornou-se o alto oficial, carregado em sua liteira de seda para qualquer lugar que fosse, temido e odiado pelas pessoas à sua volta. Era um dia de verão quente, e o oficial sentiu-se muito desconfortável na suada liteira de seda. Ele olhou para o Sol. Este fulgia orgulhoso no céu, indiferente pela sua reles presença abaixo.
"Quão poderoso é o Sol!" ele pensou. "Gostaria de ser o Sol!"
Então ele tornou-se o Sol. Brilhando ferozmente, lançando seus raios para a terra sobre tudo e todos, crestando os campos, amaldiçoado pelos fazendeiros e trabalhadores. Mas um dia uma gigantesca nuvem negra ficou entre ele e a terra, e seu calor não mais pôde alcançar o chão e tudo sobre ele.
"Quão poderosa é a nuvem de tempestade!" ele pensou "Gostaria de ser uma nuvem!"
Então ele tornou-se a nuvem, inundando com chuva campos e vilas, causando temor a todos. Mas repentinamente ele percebeu que estava sendo empurrado para longe com uma força descomunal, e soube que era o vento que fazia isso.
"Quão poderoso é o Vento!" ele pensou. "Gostaria de ser o vento!"
Então ele tornou-se o vento de furacão, soprando as telhas dos telhados das casas, desenraizando árvores, temido e odiado por todas as criaturas na terra. Mas em determinado momento ele encontrou algo que ele não foi capaz de mover nem um milímetro, não importasse o quanto ele soprasse em sua volta, lançando-lhe rajadas de ar. Ele viu que o objeto era uma grande e alta rocha.
"Quão poderosa é a rocha!" ele pensou. "Gostaria de ser uma rocha!"
Então ele tornou-se a rocha. Mais poderoso do que qualquer outra coisa na terra, eterno, inamovível. Mas enquanto ele estava lá, orgulhoso pela sua força, ele ouviu o som de um martelo batendo em um cinzel sobre uma dura superfície, e sentiu a si mesmo sendo despedaçado.
"O que poderia ser mais poderoso do que uma rocha?!?" pensou surpreso.
Ele olhou para baixo de si e viu a figura de um quebrador de pedras.
 

 

 

 

Não Morri Ainda

 

O Imperador perguntou ao Mestre Gudo:
 
"O que acontece com um homem iluminado após a morte?"
 
"Como eu poderia saber?", replicou Gudo.
 
"Porque o senhor é um mestre... não é?" respondeu o Imperador, um pouco surpreso.
 
"Sim Majestade," disse Gudo suavemente, "mas ainda não sou um mestre morto."
 

 

 

 

Obra de Arte

 
Um mestre em caligrafia escreveu alguns ideogramas em uma folha de papel. Um dos seus mais  especialmente sensíveis estudantes estava observando. Quando o artista terminou, ele perguntou a opinião do seu pupilo - que imediatamente lhe disse que não estava bom. O mestre tentou novamente, mas o estudante criticou também o novo trabalho. Várias vezes, o mestre cuidadosamente redesenhou os mesmos ideogramas, e a cada vez seu estudante rejeitava a obra.
Então, quando o estudante estava com sua atenção desviada por outra coisa e não estava olhando, o mestre aproveitou o momento e rapidamente apagou os caracteres que havia escrito no último trabalho, deixando a folha em branco.
"Veja! O que acha?," ele perguntou. O Estudante então virou-se e olhou atentamente.
"ESTA... é verdadeiramente uma obra de arte!", exclamou.
 
(Uma lenda diz que este é o conto que descreve a criação de arte do mestre Kosen, que por sua vez foi usada para criar o entalhe em madeira das palavras "O Primeiro Princípio", que ornamentam o portão do Templo Obaku em Kyoto).
 

 

 

 

Livros

 
Hsüan-Chien, quando jovem, era um devoto estudante do buddhismo. Estudou muito os conceitos e as doutrinas, e tornou-se muito hábil em analisar os termos complexos, e se considerava um expert em filosofia buddhista. Aprendeu de cor o Sutra do Diamante, e orgulhosamente escreveu um longo comentário sobre ele.
Um dia, sabendo que em Hunan havia um grande sábio que dizia coisas que ele não concordava, resolveu viajar até lá para provar, através de seu conhecimento, que o pretenso sábio estava errado. Ele pegou seu comentário Qinglong sobre o Sutra do Diamante e partiu.
No caminho, encontrou uma velha que vendia bolinhos de arroz. Cansado e com fome, falou à senhora:
"Gostaria de comprar alguns bolinhos, por favor."
"Que livros está carregando? ", perguntou a velha.
"É o meu comentário sobre o sentido verdadeiro do Sutra do Diamante," disse orgulhoso," mas você não sabe nada sobre esses assuntos profundos."
Após um pequeno momento em silêncio, a velha lhe disse:
"Vou lhe fazer uma pergunta, e se puder me responder eu lhe darei os bolinhos de graça. Se não, terá que ir embora, pois não vou lhe vender os bolinhos."
Achando-se capaz de responder qualquer pergunta, quanto mais de uma pessoa sem os seus anos de conhecimentos nos termos filosóficos, disse:
"Muito bem, pergunte-me".
"Está escrito no Vajracchedika que a Mente do passado é inatingível, a Mente do futuro é inatingível e a Mente do presente é inatingível; diga-me então: com qual Mente você vai se alimentar?"
Estupefato, Hsüan-chien não soube o que dizer. A velha levantou-se e comentou:
"Sinto muito, mas acho que terá que se alimentar em outro lugar", e partiu.
Quando chegou no seu destino encontrou Longtan, o mestre do templo. Tinha chegado tarde, e ainda abalado com o encontro anterior, sentou-se silenciosamente em frente ao mestre, esperando que ele iniciasse o debate. O mestre, após muito tempo, disse:
"É muito tarde, e você está cansado. É melhor ir para seu quarto dormir."
"Muito bem," disse o intelectual, levantou-se e começou a sair para a escuridão do corredor. O mestre veio de dentro do salão e comentou:
"Está muito escuro, tome, leve esta vela acesa," e lhe passou uma das velas acesas do altar. Quando Hsüen-chien pegou a vela trazida pelo mestre, Longtan subitamente assoprou-a, apagando a luz e deixando ambos silenciosos em meio à escuridão. Neste momento Hsüan-chien atingiu o Satori.
No dia seguinte, levou todos seus livros e comentários para o pátio e os queimou.
 
 
 
 
 
 
 

 

                                                                          
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