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01/01/2002 - Entrevista com Duff McKagan.
Você pode nos contar o que anda fazendo?
Bem,
como eu disse antes, estou em uma nova banda. Somos eu, Mark Lanegan, Mike
Johnson e um baterista de Seattle. Amanhã mesmo nós estaremos gravando alguma
coisa. Mark, Mike e eu estamos improvisando algo com uma bateria eletrônica.
Ele é o baterista do New American Shame. Esse é um projeto o qual Mark e eu
estivemos planejando por um bom tempo, e é a primeira vez que eu conto isso pra
alguém, pois era uma espécie de segredo. Houve até mesmo um rumor no MTV News
o qual negamos, porque não queríamos que ninguém soubesse. Quando você estáno
ramo da música você precisa manter algumas coisas como uma surpresa, pra que
as pessoas digam "Wow, esse e esse cara juntos!". Apesar de que a
verdade é que o fato de virmos de diferentes bandas não nos afeta. Nós já
nos conhecíamos, pois viemos do mesmo lugar e crescemos ouvindo a mesma música
- The Saints, Bad Company, Stranglers, e eu podia ir longe falando das nossas
influências em comum. Eu escrevi um novo trabalho, "Beautiful
Disease", e quando estava prestes a ser lançado a Geffen foi absorvida
(nota: foi comprada pela Interscope Records) e as prioridades mudaram, então no
fim o disco não foi lançado, e nunca o será. De qualquer maneira, Mark adorou
algumas das músicas. Talvez tudo isso estivesse destinado a acontecer. Nós
vamos gravar três sons daquele álbum, então agora mesmo estamos trabalhando
nas músicas. Como com o negócio do Neurotic Outsiders, o que nunca foi nada
muito sério para nenhum de nós. Nós nunca ensaiamos as músicas com o
Neurotic. Nós apenas as escrevíamos em cinco minutos ou Steve Jones já tinha
elas feitas. Nós não estávamos num esquema 24/7. Isso é o que estamos
fazendo agora.
Há alguma gravadora interessada em você?
Não, mas nós temos um bom gerente. Nós vamos gravar uma
demo e tocar ao vivo como todo mundo faz. Mas nós iremos gravar uma demo que
ninguém vai poder rejeitar, escolheremos qualquer gravadora que quisermos. Essa
é a idéia, dominar o mundo e tudo o mais (ri). Estou muito feliz de estar
trabalhando em algo que vai me redefinir para o público. Agora mesmo eu sei
quem sou em minha vida pessoal, e digo isso porque é muito importante, desde
que por um longo tempo eu não o soube. Você está naquela banda enorme, o Guns
N' Roses, e não tem muito tempo pra perder consigo mesmo, e sem isso você
acaba perdido. Isso talvez soe dramático, mas é a verdade. É terrível! A
principal preocupação é o vício em drogas, álcool e toda a merda restante.
Aquilo quase me matou. É um assunto sério! Então, acredito que nesses últimos
anos o Neurotic Outsiders me ajudou com a minha vida pessoal, porque eu tive
aquela válvula de escape que era realmente uma diversão. Mas no fim aquilo não
me definiu por inteiro. Eu estava tocando com o meu ídolo e nós tocávamos
rock'n'roll! Aquilo me transformou numa criança de 32-33 anos de idade. Eu era
o garoto e me sentia bem. Ótimo!
Você pode descrever como vão soar suas novas músicas?
Nosso objetivo é soar tão bom quanto Pink Floyd em
"The Wall". Vai soar como "The Wall" do Pink Floyd? Não!
Todos sabem como soa a voz de Mark Lanegan e as trevas que ela esconde. Tudo
isso estará lá, mas a respeito das composições, é aí que eu e Maek Johnson
entramos. As músicas são orientadas para lugares onde Mark teria facilidade de
se sentir atraído. As influências em comum são as mesmas, como Burt
Bacharach, Bad Finger, e a lista continua.
Qual sua opinião sobre "Believe In Me"
quando você o ouve hoje?
Eu acho que foi um disco pessoal. Acho que aqui fui eu
tentando consertar minha vida pessoal, e na verdade não foi um álbum completo.
Foi mais como um diário. Eu não sei se vocês já sabem disso, mas enquanto
estávamos em turnê eu estava escrevendo músicas e uma coisa levou à outra.
Enquanto você estava em turnê com o Guns N' Roses...
É, uma coisa levou à outra e um cara na Geffen sugeriu que eu gravasse um
disco. Foi um passo grande a ser dado, porque aquelas eram músicas realmente
pessoais. Acho que é um bom retrato da minha vida naquela época. Se eu lançaria
aquele disco hoje? Sem chance! Mas eu estou orgulhoso do mesmo pelo que é, por
muitas razões. Foi o meu disco do Johnny Thunders.
Quando deixou o Guns N' Roses você se juntou a Steve Jones para formar o
Neurotic Outsiders. Como surgiu a idéia?
Eu ainda estava no Guns quando a idéia começou a tomar forma, mas nós eramos
preguiçosos. Eu ia ao lugar onde praticávamos, eu e Matt tocávamos por um
tempo, mas ninguém mais aparecia. Slash estava tendo problemas com Axl e, bem,
vocês já conhecem a história. Axl finalmente apareceria por volta das 4 da
manhã, oh bem, foda-se! Eu percebi que não queria mais esperar até as 4 da
manhã para ensaiar. Minha vida havia mudado. Eu não vou falar merda de ninguém,
todos tem suas razões para o que fazem. Eu apenas me tornei um pouco mais razoável,
e acho que sempre o fui, mas agora eu levo isso a sério. Eu faço o que digo, e
digo o que penso. Eu não diria "Ok, tudo bem cara, eu vou engolir isso de
novo". Não. Eu encarei e disse que sem chance, aquilo não era justo... se
acontecesse mais três vezes eu estava fora. Bem, aconteceu. Então Jonesy
(Steve Jones) e eu estivemos praticando e fazendo algumas apresentações,
porque o Guns não fazia nada. We tocávamos no Viper Room todas as segundas à
noite. Era demais! Nós o fizemos por caridade. Um tempo depois, tivemos uma
proposta para um disco. Claro que o nosso interesse não ia tão longe, mas
assim que você tenta manter algo quieto as gravadoras começam a aparecer de
todos os cantos, subitamente. Nós não queríamos gravar um disco, mas
finalmente dissemos "Porra, Maverick, faça-nos uma boa proposta!"
Eles disseram "Hey, vocês não precisam sair em turnêm nós sabemos que
cada um de vocês tem suas próprias coisas para fazer. Então nós dissemos que
tudo bem e fizemos o disco. Eu adoro aquele álbum! Eu iria trabalhar com Steve
Jones e ele é meu amigo. Nós quisemos fazer alguns shows, o que é algo que eu
espero poder fazer por um longo tempo. Acho que os fãs da banda perceberam do
que se tratava a coisa toda. Foi algo o qual fizemos uma vez e por um certo
tempo, então não havia nenhuma pressão envolvida.
Você teve alguns problemas de saúde em 1994. O que aconteceu exatamente?
Eu havia desistido das drogas e me juntei com minha banda pra uma turnê Européia.
Eu não usava mais drogas, mas bebia como um louco. Eu sempre precisava de um
coquetel na minha cama quando acordava no meio da noite, senão me sentiria horrível.
Eu queria parar com tudo aquilo mas não pude. Depois da Europa eu fui ao Japão
e daí de volta para casa. Eu havia comprado essa casa em Seattle, o lugar onde
fui criado. Eu estava deitado em casa quando senti essa dor pungente. No momento
eu achei aquilo estranho, apesar de que pra ser honesto, eu sentia dor o tempo
todo, eu estava realmente fodido! Mas desta vez a dor começou a aumentar e
ficou tão insuportável e durou tanto tempo que eu nõa podia nem me mover. Nem
mesmo pra ligar pro 911. Felizmente um amigo meu apareceu, e eu o ouvi dizendo
"Hey, onde você está?" lá embaixo, quando ele entrou. Eu não podia
nem mesmo gritar que estava escada acima, mas ele veio até o meu quarto, me
achou e me levou ao hospital. Meu pâncreas havia explodido e uma quantidade
enorme de toxinas estava correndo pelo meu estômago. Quando esse tipo de coisa
acontece, um monte de gente morre, mas não foi o meu caso. Eu podia contá-los
sobre a expriência toda no hospital, mas vocês não iam querer ouvir os
detalhes.
Aposto que isso fez você reconsiderar um monte de coisas.
Bem aquilo teve que acontecer. É a única maneira de fazer você parar. Eu me
vi no hospital todos todos aqueles tubos e o caralho a 4. Aquilo mudou a minha
vida completamente. Foi como "Hey, você pode estar orgulhoso de estar
aqui, você não morreu. Você fez um monte de louras, e você não está morto.
Era o fim que lhe esperava, mas não aconteceu. Você está aqui por algum
motivo". Agora eu estou aproveitando uma segunda vida. Bom, acho que o álbum
no qual estamos trabalhando também é uma boa razão pra continuar vivo.
Quando você estava realmente mal, alguém do Guns N' Roses ou seus outros
amigos tentou ajudá-lo?
Slash. É, Slash, meu amigos em Seattle e minha família estavam lá.
Você teve um grupo de pessoas o apoiando, não teve...
É, eu sou o mais novo de oito irmãos, então minha família esteve comigo no
hospital. Foi muito bom que Slash também esteve lá. Ele e eu, nós passamos
por algumas coisas juntos. Somos como irmãos.
Então hoje você está sóbrio e se mantém limpo...
Oh sim. Eu deixei de fumar e estou enjoado de ver as coisas indo tão bem.
Besteira! Não, é sério, estou muito feliz. Como na noite passada, estivemos
trabalhando até tarde da noite e às vezes eu posso dormir por volta de 4 horas
e me sentir bem quando eu acordo. Se eu estivesse bebendo ou coisa do tipo, não
poderia. Provavelmente eu não teria ido dormir no fim. Eu não pensaria que
tenho uma entrevista ao meio-dia, eu apenas diria "foda-se!" e ficaria
acordado a noite toda. Eu não poderia dirigir até aqui para a entrevista. Tudo
vai se acumulando. Eu não poderia fazer uma porção de coisas, como vocês
tirarem algumas fotos.
Você até mesmo voltou à escola para entrar numa faculdade.
Eu estou realmente empolgado com isso! Eu estou voltando à escola. Eu levei um
ano e meio num curso em administração de negócios. Nós vendemos um monte de
discos e fizemos muito dinheiro, mas ninguém no Guns teve o seu diploma. Eu não
sabia como funcionavam e quais os elos do mercado, ou outros termos financeiros.
Foi tudo parte da reconstrução da minha vida e de achar um novo rumo para
tomar. Então eu estou de volta à escola e sou um estudante brilhante, nada além
de A's. É realmente divertido! Se você já está nos 30, é melhor tirar um A
ou então, por que diabos você está lá? Eu estou ficando muito agradecido
pela escola.
Você tem um diploma?
Não, não tenho diplomas. Eu parei por causa do disco "Beautiful
Disease" para a Geffen, que deveria ter sido lançado, e eu estava
ensaiando com a banda para que pudéssemos sair em turnê. Então tudo terminou.
Mas você ganhou bastante conhecimento.
Bastante. Sim.
Para qual escola você foi?
Faculdade Santa Monica. Bem impressionante. Eu fui para o período noturno.
Pessoas de 18 anos de idade estavam chocadas de me ver por lá. Todos diziam,
"Nós não contaremos a ninguém que você está aqui!" Foi demais,
uma experiência maravilhosa.
Agora você está entre L.A. e Seattle. Você tem saudades da vida noturna em
Los Angeles quando está em Seattle?
Eu não estou mais muito interessado na vida noturna. Eu tive tanta vida noturna
quanto centenas de pessoas juntas. Minha vida noturna está resumida aos meus
shows, é noite o suficiente pra mim. Vez ou outra eu vou conferir uma banda,
como o Screaming Trees quando eles tocaram no Viper Room. Quando um amigo está
tocando, eu normalmente apareço.
Muita gente diz que o clima em Seattle é muito depressivo, pois chove muito, e
isso combinado ao uso de drogas influenciou a música de bandas como
Soundgarden, Alice In Chains ou Nirvana.
Eu não penso assim. Há uma cena musical muito forte lá, e a razão é bem
simples. Desde que chove muito você tem que ensaiar em porãos escuros e você
gasta um bom tempo tocando porque não pode sair e pegar algum sol, ou ir à
praia ou jogar tênis ou golfe ou seja lá o que for. Então você apenas toca.
Amplificadores soam diferente em um ambiente muito úmido. Tudo soa diferente.
Além disso, em Seattle você não sente a pressão "pop" como em
L.A., coisas como "nós temos que compor um hit pra conseguirmos contrato
com uma gravadora". Não existem gravadoras em Seattle. Então as pessoas
basicamente escrevem para si mesmas. Elas apenas tocam e as pessoas vão
assistir às bandas, e é assim que elas influenciam umas às outras. É um
mundo a parte. Eu adoro estar lá. Não parece nada depressivo para mim. Chris
Cornell ama Seattle.
Sua carreira começou muito antes de todas essas bandas sequer existirem. Como
você trilhou um caminho diferente indo até L.A. e se juntando a
uma banda como o Guns N' Roses?
Soundgarden, esses caras já estavam por aí. Havia um monte de heroína em
Seattle quando eu estive tocando em bandas de Punk Rock de 1979 a 1984. Heroína
rolava por todos os cantos e todo mundo era um junkie. Não havia clubes pra se
tocar, nada! Era uma daquelas épocas em sua vida em que se deve fazer uma
escolha. Eu tive que escolher entre ficar em Seattle ou me mudar para Hollywood
atrás de uma chance. E foi o que fiz. Eu me mudei pra um apartamento, e Izzy
morava bem do outro lado da rua. Boom! Nós formamos uma banda. Daí tudo começou.
Foi estranho pra mim, porque quando eu conheci Steven Adler ele estava ouvindo
W.A.S.P. e eu nunca os ouvi. Ele estava chocado, ele pensou "wow! Essa música
é demais!". Eu conhecia outras bandas como Mötley Crüe e Ratt. Eu não
ouvia apenas Punk Rock, eu também ouvia Prince e outros gêneros de música.
Izzy parecia mais comigo, ouvindo Thunders, Hanoi Rocks, Aerosmith ou qualquer
outra coisa. Steve e Slash estavam mais ligados ao Metal. Axl gostava do
Nazareth. Mas todos eles eram loucos pelo W.A.S.P., eles amavam aquele álbum
'(Animal) Fuck Like A Beast'! Eles (o Guns)eram roqueiros de verdade. Quando nós
tocávamos, eu pensava "Hey, isso é rock de verdade!". Nós formamos
a banda, mas as influências eram
muito diversas... Nosso primeiro show com a formação completa foi em Seattle,
abrindo para o The Fastbacks. Inicialmente nós nos considerávamos mais uma
banda de Punk Rock e todos nossos shows eram aberturas para bandas como Tex and
the Horseheads, The Dickies, Social Distortion andthe Chilli Peppers. É como as
coisas mudaram. Se eu tivesse ficado em Seattle, quem sabe o que teria
acontecido. Talvez eu tivesse terminado no Soundgarden. Nunca se sabe.
Há uns dois anos você gravou um álbum com o 10 Minute Warning, sua banda
antes de se juntar ao Guns N' Roses. Como você veio a se juntar de novo a eles?
Eu vou contar a vocês o que aconteceu. Stone Gossard veio à minha casa em L.A.
na época em que eu estava envolvido com o Neurotic. Muita gente diz que o 10
Minute Warning influenciou sua maneira de tocar guitarra. Os caras do
Soundgarden, por exemplo. Kim Thayil diz que o 10 Minute Warning foi sua maior
influência. Nós éramos uma espécie de "reis do trash" em 1983.
Stone disse que ele nunca teria começado a tocar guitarra se não fosse por
minha causa. Nós temos a mesma idade e tudo o mais. Então Stone disse
"Você gravaria um álbum? Eu lhe pago pra isso." Era uma história
diferente, eu havia acabado de deixar o Guns e estava no Neurotic, então eu
disse que o ligaria. E eu liguei, a banda apareceu e nós gravamos uma demo. Mas
o nosso cantor estava numa penitenciária federal à aquela altura, e ele não
sairia de lá por um bom tempo, então nós precisamos procurar por um cantor
diferente.
Por que ele estava na prisão?
Roubo a banco. Não apenas um, mas muitos. Então nós achamos esse cara,
Christopher, e aí o Sub Pop se envolveu. Nós todos terminamos na mesma sala e
os caras estavam tipo "Vamos nessa, vamos tocar". Muitos anos se
passaram, como 12 ou algo assim, e foi muito divertido. Era como algo divertido
mais uma vez, mas sem um traço de amargura. Eu adorei aquilo. E o pessoal no
Sub Pop também!
Uma semana atrás você esteve no Japão, tocando com Izzy. Vocês tocaram algum
som do Guns N' Roses, ou apenas o material de Izzy?
Nós tocamos 'Attitude', que não é uma música do Guns N' Roses, mas nós a
fizemos popular. "Popularizada pelo Guns N' Roses" (fala num tom de
brincadeira).
Como foi tocar com seu velho companheiro Izzy?
Demais! Nossa amizade é realmente sólida. Aliás, quando meu pâncreas foi pro
saco Izzy também telefonou. Nós sempre fomos amigos e nossa amizade está além
da música. Nós passamos por muita coisa juntos. Eu toco nos seus discos, o que
normalmente não leva mais do que dois dias. É algo como "Aqui está a música,
toque, obrigado". Para este último disco eles quis ir para longe e fazer
alguns shows comigo. Nós estivemos ensaiando em Hollywood por uma semana e aí
ele quis fazer alguns shows, que foram realmente divertidos. Foi muito fácil!
No Japão todos estavam chocados à nossa volta, vendo nós dois juntos. Foi
excitante. Nós estamos gravando um novo álbum em duas emas. Rick (Richards,
guitarra) está vindo de Atlanta e Taz (Bentley, bateria) virá de Dallas. Os
mesmos caras que estiveram no Japão. Nada além disso - as coisas são bem fáceis
com Izzy. As músicas não são muitos difíceis na verdade, elas são baseadas
nas boas e velhas raízes do rock. É o que gosto no Izzy. Acho que ele está
mantendo algo essencial - raízes do rock. Elas estão lentamente sendo deixadas
de lado e ninguém parece estar fazendo o que ele faz. Ele mistura
country e rock and roll, e é bom nisso.
Quando Izzy deixou o Guns N' Roses, ele supostamente o fez pelas mesmas razões
as quais você o fez - porque o Guns estava virando uma grande máquina de
dinheiro. Isso é verdade? (Duff concorda). Você pode nos dar algo a respeito e
por que o Guns N' Roses virou toda essa máquina de dinheiro?
Se você dá muito a alguém como Axl... Vamos colocar as coisas dessa forma: se
todos à sua volta estão sempre respondendo "sim" por anos, se tudo
é reduzido a "sim, sim, sim", então na sua relação com outras
pessoas, se alguém diz "não" você acha que aquela pessoa está
errada. Você vai mandá-lo se foder! Você está nessa banda desde o começo, e
então subitamente tudo se torna autocrático, apenas porque uma pessoa está
rodeada de pessoas dizendo sim para tudo. Não é legalmente uma autocracia, mas
há apenas uma pessoa pensando que é a sua própria banda. Bem, então, fique
com a sua maldita banda! Apenas um não pode mais lidar com isso. Eu amo todos e
cada um dos membros do Guns N' Roses, e esse sentimento não irá acabar. Eu
faria qualquer coisa por eles, sem me questionar. Mas as pessoas mudam. Então,
o que eu pude fazer? Ficar puto e ganhar rios de dinheiro? Pra mim, fazer música
não está orientado a ganhar dinheiro. Se você está nessa pelo dinheiro, você
está nessa pela razão errada. Você nunca fará boa música, eu te digo.
Quando você deixou a banda, como tudo aconteceu? Você disse que estava fora,
você disse que precisava conversar... ?
É, apenas conversa, sentar e conversar. Eu lhes disse que havia mudado. Disse a
eles que se precisassem de ajuda, eles precisariam apenas ligar pra mim. Eu
disse a Axl que essa era sua banda, ele ignorou a todos e trouxe seu melhor
amigo para a banda. Eu não pude tocar com ele. Paul Huge, esse era o cara! Ele
é um amigo de Axl, um daqueles que dizem sim.
Por que você não pôde tocar ao lado dele?
Cara, você não pode estar no Guns N' Roses de um dia para o outro. Aquela é
uma banda de verdade. Você toca guitarra?
Não.
Bem, imagine que eu e você crescemos juntos e que você é o meu melhor amigo.
OK, eu estou no Guns N' Roses e eu digo a todos que você vai entrar na banda.
"OK, Slash, Axl, Matt, caras, esse cara está na banda". "Duff,
você tem um minuto?" "Não, ele está na banda" "Bem, não.
Todos na banda tem que votar, Duff, então sem chance!" "Vá a merda,
esse cara está na banda! Eu não vou fazer nada a não ser que ele esteja na
banda". "OK, sabe de uma coisa? Nós vamos tentar e tocar com ele, já
que você está tão interessado nisso... Hey Duff o cara não pode tocar"
"Não me importo" "Bem, isso não é muito razoável..."
"Não me importo". À essa altura, o que você faria? Eu cheguei a um
ponto onde não podia nem mais olhar para ele (Paul Huge). Seu eu estivesse em
tal situação, se eu fosse o amigo se juntando à banda, eu diria "Hey
caras, vocês se deram muito bem sozinhos, eu não estou fazendo progresso
nenhum. Hey, Duff, valeu pela oferta, mas eu estou acabando com a sua
banda." Mas ele não disse isso.
Até então, quando vocês estiveram trabalhando com o material novo, como
soava?
Não havia material. Não havia nada. Nós não tocávamos. Nós tentávamos.
Matt e eu tocávamos. Era legal quando Slash juntou-se a nós por uma semana. Até
quando Zakk Wylde e Slash tocaram juntos, havia alguns sons nos quais ouve uma
progressão natural e eles eram bem rock. Você pode imaginar, eram sons
realmente pesados. Tão pesados quanto eu gosto deles!
Como foi trabalhar com Zakk Wylde por esse pequeno tempo?
Eu gostei bastante. Ele é um grande cara. É o cara mais engraçado que eu
conheço! Você não consegue fazer nada senão gostar dele. Eu trabalhei com
ele e ele é um gênio. Quando ele se senta no piano e começa a tocar, ele pode
trazer lágrimas aos seus olhos. Quando ele tinha 18 anos ele era algo como o
campeão do Estado dele no piano.
Você mantém contato com Steven Adler? Ninguém parece saber o que ele anda
fazendo atualmente.
Bem pouco. Steven causou muito dano a si mesmo. A única coisa que você pode
fazer pelo cara é chorar por ele... É difícil falar com ele às vezes. Ele
ainda é o mesmo cara, mas há um monte de coisas que o mudaram para sempre.
Ele está fazendo qualquer coisa musicalmente?
Não.
O que você sente quando escuta "Use Your Illusion" hoje?
Eu acho que são discos incríveis, e foi uma honra tocar em álbuns como esses,
por causa dos diferentes estilos que os sons apresentam. Eu gostei de fazer
parte daquilo.
Aquela turnê foi realmente única, porque na primeira parte da mesma a banda
estava tocando em estádios músicas que ninguém havia ouvido antes. Como foi
tudo isso?
Foi estranho. Tudo começou porque Axl ou alguém disse "hey, nós vamos
tocar músicas do novo disco que vai sair em um mês ou dois. Que tal?" E
todos nós dissemos "Legal!". As pessoas agradeceram por aquilo também,
porque foi algo como "hey, nós somos os primeiros a ouvir essas músicas".
Então eu acho que foi bom. Nós éramos apenas uma banda tocando.
Qual sua opinião sobre "Get In The Ring"?
Sabe, eu escrevi uma parte dessa música. O título era "Why do you look at
me when you hate me", e era sobre a imprensa escrevendo merda a nosso
respeito. Bem, por que vocês escrevem sobre nós se na verdade vocês nos
odeiam? Eu poderia das os nomes daqueles que nos odiaram. Por que a imprensa não
contrta outras pessoas pra escrever sobre nós, ao invés de bater na gente? Por
que eles tem que escrever sobre nós? Eu era muito idealístico e eu pensei que
o mundo havia mudado. Você precisa de um bocado de energia negativa consigo
para escrever tanto sobre alguém que você na verdade odeia.
Izzy disse que ele não entendeu porque Axl chegou ao ponto de mencionar nas músicas
os jornalistas os quais ele odiou...
A música era uma espécie de piada, e tudo começou com aquela música. Então
Axl levou para o lado pessoal. Ele pensou que seria uma boa idéia. Mas
definitivamente, se existem pessoas podres que devem ser tratadas como podridão,
quem se importa? Pro inferno com eles!
À essa altura a banda lançou alguns vídeoclipes bem elaborados de sons como
"Estranged" e "November Rain" que alguns dos fãs antigos
odiaram porque neles a essência selvagem do Guns estava perdida.
Eu acho que eles levaram nossa música à América "redneck", como nós
dizemos por aqui.
Durante aquela época, você gostou de fazer aqueles vídeos? Ou eles foram idéias
mais de Axl ou da gravadora?
Eles foram todos idéias de Axl, mas existem cinco caras numa banda e todos tem
uma opinião. Na época, eu acho que a gravadora tinha medo de nos dizer pra não
fazê-los. Eles viram o que estava acontecendo, mas quando você está gerando
tanto dinheiro ninguém lhe diz o que você deve fazer. Oh bem, está feito e
minha opinião é, se dependesse de mim nós nunca teríamos feito aqueles vídeos.
Mas não estava em minhas mãos.
Especialmente você, vindo de um cenário punk.
É, toda aquela merda sobre a limusine e tudo o mais. Ora cara, não mostre sua
maldita casa e limusine! Você vai alienar todos os seus fãs! Os fãs do nosso
primeiro disco eram todos "rednecks", punks e roqueiros. Nós estávamos
nesse nível das ruas e subitamente todos estavam trazendo seus pais aos nossos
shows. Como em "November Rain". Eu amo aquela música, mas o vídeo...
Elite, nós viramos elite.
Qual a sua lembrança do incidente de St. Louis, quando Axl se meteu numa briga
com alguns Hell's Angels durante um show, saiu do palco e o lugar de transformou
num campo de batalha?
Aqui foi algo estúpido. Eu não vou comentar isso porque eu não quero ser
negativo. Aconteceu e foi ridículo. Pessoas se machucaram e aquilo me deixou
muito puto. Eu não posso gostar de pessoas se machucando durante um show.
Aquilo foi besteira! Foi uma das piores noites, como o showem Donington onde
aqueles garotos morreram. Aquilo foi horrível.
Depois de deixar o Guns N' Roses, você chegou a tirar férias?
Eu estava trabalhando no meu disco, "Beautiful Disease", todos os
dias, seis dias por semana. Foi o que fiz. Eu saí em Agosto e trabalhei no álbum
de Agosto a Janeiro. O disco estava marcado para ser lançado em 12 de Fevereiro
daquele ano. O pessoal da banda, que estariam comigo na estrada, depois do disco
não ter sido lançado disse "Foda-se, vamos fazer a turnê de um jeito ou
de outro". Nós fizemos a turnê sob o nome Loaded, e foi algo como uma
turnê punk, sempre em clubes punk, e eu me diverti muito, algo que eu realmente
precisava fazer. Eu me casei no fim de Agosto. Então eu comecei com o 10 Minute
Warning antes de trabalhar com Mark. Nós escrevemos cerca de 30 músicas e então
chegamos ao presente. Então eu nunca pensei em parar de trabalhar e dizer
"Hey, eu vou tirar alguns meses pra descansar" porque eu não posso.
Eu não posso simplesmente parar em casa.
Você até mesmo tocou com Slash no Slam Dance Festival. Como foi aquilo?
Muito divertido. Matt trabalhou na trilha sonora de um filme e ele arranjou
todas músicas e seus músicos. Eucantei uma música e Slash tocou guitarra. Eu
não sei se vocês viram o filme, é um filme independe e de baixo orçamento
que foi aceito para o Sundance Festival. Então nós fomos e tocamos na festa do
filme. Éramos apenas nós, nos soltando, tocando e nos divertindo.
Você gosta da banda do Slash, o Slash's Snakepit?
Sim, é o Slash, você sabe. Ele é divertido. Seu bateris é muito bom. Eu não
escutei o disco. Ele não me deixaria escutá-lo. Acho que ele tem medo de mostrá-lo
para mim. Ele não o mostraria para Matt também. Eu não tenho nem idéia do
que se trata a coisa toda. Eu lhe perguntei se era merda ou algo. Ele disse que
não. Ele tinha medo do que nós poderíamos ver a dizer a respeito.
Desde que saiu do Guns N' Roses, você esteve em contato com Axl?
Uma ou duas vezes.
O seu relacionamento é bom?
Eu não sei se é para ele. Eu não sei. Eu acho que Axl está realmente puto
comigo agora. Eu acho que ele está ficando mais e mais puto. Na primeira vez em
que vi ele, tudo pareceu correr bem, mas parece que as coisas mudaram.
Axl é como a Greta Garbo de hoje. Há um bocado de mistério ao redor dele,
ninguém viu uma foto dele em anos, exceto por aquela foto da polícia de quando
ele foi detido em Phoenix. Ninguém sabe nada sobre a música que ele está
fazendo e há um bocado de mistério ao redor de sua persona. Qual sua opinião
sobre isso?
Coisas estranhas acontecem quando você se torna famoso. Isso acontece e as
pessoas são afetadas de maneiras diferentes. Eu não tenho uma resposta para
você. Eu tenho muitas opiniões e eu sei muitas coisas a respeito disso, mas eu
não estou as explicando. Eu não o vou. Ele está lá para responder. Se ele
lança um álbum e o mesmo é bom, ele estará bem. Ele está muito assustado a
respeito disso tudo. Eu acredito nessa situação em que você precisa sair de
casa por um tempo para ver o que está acontecendo. Afaste-se, viva. Ou faça o
que você tem que fazer, mas tenha certeza do que está fazendo. É assim que eu
penso. Se você continua se enganando e continua fazendo as mesmas coisas, você
vai acabar se dando mal. O Guns nunca foi desse jeito. Nós fizemos o que
tivemos que fazer, e nós não temos um nome pra isso. É apenas rock'n'roll,
vamos nessa! Deixe que
os outros o enquadrem numa categoria.
Depois de muitos anos longe, você acha que há qualquer chance dos membros
originais do Guns N' Roses se reunirem algum dia para um álbum ou uma turnê?
Você o faria se lhe oferecessem?
Se é algo democrático entre nós cinco, é algo algo que eu adoraria fazer. Não
há muito tempo atrás nos ofereceram diversos shows para começar o novo milênio
na austrália. Mas não há chance de tudo ser como nos velhos tempos. As coisas
mudaram.
Que tipo de música você tem ouvido hoje em dia?
Eu gostei do novo disco do Bush. Não é exatamente novo, já saiu há uns dois
meses agora. Foo Fighters. Eu posso ouvir de The Hellacopters até Dr. Dre.
Então você é mente-aberta em seus gostos...
Certamente, bem mente-aberta. Digo, eu até mesmo gosto de Crhristina Aguilera.
Eu acho ela uma cantora surpreendente! Kid Rock é um bocado divertido. Ele é
realmente um cara legal.
Que tal Buckcherry?
Eles são bons. Eu esperava mais daquele disco. Eu lhes dei uma chance, eu
realmente dei. Eu acho que o cantor não é nada mau, e Keith, o guitarrista, é
grande. Mas há algo naquele disco de que eu não gosto. Eu não consigo saber o
quê. Eu gosto da banda, mas acho que eles podem fazer algo melhor. A coisa é,
o disco foi lançado como se fosse a salvação do rock and roll! Foi o que eu
tinha em mente quando o comprei. Eu escutei e não consegui perceber. Acho que
Foo Fighters e bandas similares estão mais próximas de serem a salvação do
rock and roll. Talvez o Buckcherry se rotule como a salvação do
"rock-and-roll-com-tatuagens", eu sei lá. Eu gostaria que eles fossem
melhores. Eu gosto deles, mas não adoro eles, apesar de que eu o gostaria. Então
se eles estiverem lendo isso, mãos à obra para trabalhar no seu próximo
disco! Quem sou eu pra julgar, de qualquer maneira? Eu não sei. Eu escuto
Christina Aguilera, quem diabos sou eu pra julgar? (ri). É sério, cara, ela é
demais, ela é demais. Eu estava em casa por uma semana quando eu desisti de
fumar, sete semanas atrás, assistindo ao The Box. Eles tocaram algo como os dez
ou vinte singles mais cotados. Cara, eu realmente gostei daquilo. Quase tudo era
hip hop. Sabe de outra banda da qual eu gosto? Slipknot. Eu acho que eles são
bem engraçados. E eu gosto também de um monte de outras bandas underground. Eu
gosto de música em geral.
Finalmente, você poderia nos contar quais são as suas músicas favoritas do
Guns?
Eu não sei, há muitos sons dos quais eu gosto. Por anos "My
Michelle" foi a música a qual eu mais adorava tocar, mas perto do fim da
turnê dos
Illusions minha favorita era "Preety Tied Up".
12/12/2001 - Entrevista com Matt Sorum.
O webmaster do site lostrose.com esteve recentemente em um show do Cult, e após o show ele teve a oportunidade de se encontrar com Matt Sorum e fazer uma breve entrevista. Na entrevista Matt fala, entre outras coisas, sobre seu primeiro álbum solo, "Hollywood Zen" e sobre a sua saída do Guns. Aqui está a tradução da entrevista:
Webmaster:
O
que aconteceu com o Binge?
Matt:
Binge?
Webmaster:
Sim.
Matt:
Aquilo
era só um projeto cara.
Webmaster:
Só
um projeto?
Matt:
O
Steve Canton saiu em turnê com a Tori Amos and bem quando ele voltou da turnê
eu voltei ao Cult. Basicamente nós
criamos aquele álbum no meu quarto e colocamos na internet e foi só isso.
Nunca tocamos ao vivo nem nada assim.
Webmaster:
Nunca?
Ah.
Matt:
Uh-huh.
Webmaster:
Eu
estava curioso sobre isso.
Matt: Era um bom CD mesmo assim, você ouviu?
Webmaster:
Só
escutei alguns demos na internet, mas foi só isso. Eu queria comprar mas não
pude. E quanto ao seu novo álbum "Hollywood Zen"? Quando vai sair?
Matt: Fevereiro ou março... Está pronto, eu só tenho que embalar, tenho que fazer a capa e eu já tirei as fotos. Fevereiro...ruary...
Webmaster:
Fevereiro?
Legal.
Matt:
E vou ter um site, você sabe, www.mattsorum.com,
mas será lançado em um selo chamado Conspiracy Music.
Webmaster:
Que
tipo de gênero vai ser?
Matt:
Não
tão pesado como o Cult, são músicas mais leves.
É um álbum pessoal; é sobre minhas esperiências vivendo em Hollywood.
Eu moro lá há 21 anos. Então é como se fosse um resumo da minha vida lá.
Webmaster:
Legal.
Eu ouvi que você tocou com Slash em uma das músicas?
Matt:
O Slash tocou em uma música chamada "Blame
Game".
Webmaster:
"Blame
Game"? Maravilha.
Matt:
É
legal, ele veio e fez um solo para mim, veio na minha casa. Funcionou bem.
Webmaster:
Falando
no Slash, o que você acha dos seus últimos álbuns como "Ain't Life
Grand" e coisas assim?
Matt:
Não ouvi esse álbum
Webmaster:
Não
ouviu?
Matt:
Não.
Webmaster:
Ah,
e quanto ao álbum "River" do Izzy?
Matt:
Não
ouvi esse álbum. (risos)
Webmaster:
E
quanto as músicas mais recentes do GN'R como...
Matt:
Não
ouvi. (risos)
Webmaster:
Nada!?
Matt:
Você
ouviu?
Matt: O que?
Webmaster:
Como a nova música "Madagascar", "The Blues", "Oh My
God"... nunca ouviu nada disso?
Matt:
"Madagascar"?
Quando isso foi lançado?
Webmaster:
É
do show no Rio.
Matt:
Não
Webmaster:
Não?
Não ouviu?
Matt:
Não
estou interessado.
Webmaster:
Não
está interessado?
Matt:
Não.
Sem comentários, não estou interessado. (risos)
Webmaster:
Bem,
essas perguntas são basicamente sobre o GN'R. Tipo, quando você saiu
exatamente? Eu procurei na internet, mas nunca encontrei a data exata.
Matt: Numa noite em 1997. (risos)
Não lembro o mês. Eu voltei pra casa, e eu disse "Eu acabei de ser
despedido". Eu lembro que época do ano era... eu acho que era verão. Deve
ter sido em abril... março ou abril. Eu acho, 1997.
Me:
What happened, I mean was this Paul Tobias guy...
Matt: We weren't getting along. (laughs)
We weren't playing live. I wanted to get out and play. But no one else wanted to
play so we...
Webmaster:
Não
foi o tal Paul Tobias que todo mundo fala.
Matt: Quem é esse?
Webmaster:
É
um amigo do Axl, cara...
Matt:
Paul Tobias? Este é seu nome no palco? (risos)
Webmaster: Acho que ele usa outro
nome...
Matt: Paul Hugey, você quer dizer.
Webmaster: Sim, Paul Hugey.
Matt: H U G E Y. Eu achava que ele
devia mudar o nome para Paul Huge. (risos)
Webmaster:
Não
se dava bem com ele, huh?
Matt:
Ah, eu gosto de chamá-lo de Yoko Ono do Guns N'
Roses. (risos)
Webmaster:
Yoko
Ono?
Matt:
O
cara que separou a banda.
Webmaster:
Foi
isso que aconteceu mesmo? É isso o que estão dizendo, então eu não sei.
Matt:
Você é o primeiro que me fez dizer isso. Mas,
sim. (risos)
Webmaster:
Deixe-me
ver o que mais...
Matt:
Então eu acho que os advogados do Axl vão
entrar em contato com voce. (risos)
Webmaster:
Sim,
sim. (risos)
Matt:
Então continue.
Webmaster:
Por
que você foi listado como músico adicional nos créditos do Live Era?
O que foi isso?
Matt:
Músico adicional?
Webmaster: Sim, você não tocou na
maioria daquelas faixas?
Matt: 21 das 23, na verdade. Nenhuma
destas músicas foi gravada antes de 1991. Então aquele álbum, dizendo que era
de 87 a 93, era uma farsa. Havia duas músicas naquele álbum gravadas antes de
1990. Mas o resto foi em 1991, 1992. A grande turnê que fizemos. Todo o álbum
foi gravado naquele tempo. Em três shows especificamente... Joe Robbie Stadium,
algumas músicas foram em Tóquio e eu acho que o show em Paris, e a faixa
Patience naquele álbum foi de outra fita, gravada por nosso "homem do
som", que faleceu, chamava-se Dave Care. Ele gravou aquilo. Mas não tínhamos
uma versão em fita que fosse boa. Mas eu não estava envolvido nesse álbum.
Webmaster:
Sim,
eu soube que foi só Axl e Slash e eles nem falaram um com o outro.
Matt:
Nah, não foi bem assim. A razão pela qual eu
fui listado como músico adicional é porque eu e Axl não estávamos se dando
bem. Ele quis fazer isso.
Webmaster:
Eu
entendo... mas é triste...
Matt:
Foi
desse jeito que aconteceu.
Webmaster:
Estou
curioso, você já se encontrou com Steve Adler?
Matt:
Sim.
Webmaster:
O
que ele disse? Como ele se sentiu em relação a você substituir ele?
Matt:
Eu
disse a ele, se não fosse ele teria sido algum outro. Essa é basicamente a
verdade. Infelizmente, não deu certo para ele.
Webmaster:
Sim.
Matt:
Então essa é a história. (risos)
Webmaster:
Tem
algo a dizer aos seus fãs na internet? Alguma mensagem?
Matt:
Você
vai colocar isso lá, em algum tipo de gravação?
Webmaster:
Não,
provavelmente não. Eu provavelmente só vou digitá-la.
Matt:
(risos)
Digitá-la?
Webmaster:
Digitá-la.
Matt:
Continuem
agitando.
Webmaster:
Continuem
agitando?
Matt:
Continuem
agitando, bem isso.
Webmaster:
Está
bem cara, muito obrigado.
Matt:
Boa
sorte.
Fonte: Lostrose
Tradução: Nice Boys Don't Play Rock N' Roll
26/07/2001 - Entrevista com Fernando, o filho de Betta
ENTREVISTA
EXCLUSIVA PARA O http://www.gunsnroses.cjb.net/
por Ciane Sonale
agradecimentos especiais para Larissa Sonale
Que Axl Rose, o famoso líder do Guns n' Roses, tem uma mãe brasileira, muitos
já sabem, mas sua conexão com o Brasil vai muito além. Seu melhor amigo é
Fernando, 22, filho caçula de Betta. Fernando é companheiro, amigo de todas as
horas e presença certa nos estúdios. Seguem abaixo os melhores trechos da
entrevista:
Pergunta: Que ano você foi para os Estados Unidos?
Fernando: Em 93 ou 94.
P: Você já conhecia Guns n'Roses?
F: Conhecia, mas não era fã, não conhecia a fundo seu trabalho.
P: Como foi a primeira vez que você viu o Axl?
F: A primeira vez que eu o encontrei eu tinha 13 anos, estava na casa da minha
prima Stephanie Seymour (Betta foi casada com um tio da modelo), estava lavando
o carro quando ele parou, apertou minha mão e então cuspiu a água que tinha
na sua boca em mim, desde então ele sempre brincava comigo. Ele vê em mim o
mais próximo do que ele gostaria de ter sido quando criança.
P: Vocês saem sempre juntos?
F: Bem, a gente tá sempre trabalhando, mas ele gosta de sair a noite, ir ao
cinema, jantar, e a gente chega por volta das 3, 4 horas da manhã.
P: Como sua mãe começou a trabalhar com o Axl?
F: A minha mãe trabalhava para a Stephanie, quando ela perdeu o emprego, ela
foi para o norte da Califórnia e o Axl ligou no dia seguinte dizendo que tinha
gostado dela e de nossa família. Três ou quatro dias depois ela começou a
trabalhar para ele. Então eu comecei a ouvir suas músicas.
P: O que você acha da Stephanie?
F: Eu detesto ela. Ela é a encrenca em pessoa. Falsa, não é confiável, não
sabe o que é o amor ou gostar de alguém sem segundos interesses, a mãe dela já
é assim.
P: Que tipo de mulher o Axl procura agora?
F: Agora ele não está indo atrás. Está com as atenções voltadas para o cd,
não quer nenhuma distração. Ele até procura, mas não está indo atrás.
P: Qual o motivo do atraso do cd?
F: É como se toda vez que ele tentasse fazer algo, alguma coisa desse errado.
Como se estivesse tudo saindo bem, mas de repente o cara que é responsável por
algum detalhe técnico cometesse um erro, por exemplo. Digo isso porque estive
com ele no estúdio, e é incrível, parece que algo tenta tirar ele desse
projeto. Eu ouvi o novo cd, e posso dizer que todas as músicas são lindas, não
existe uma sequer faixa que esteja lá para preencher espaço apenas.O cd deve
ter 16, ou 17 faixas e todas são muito fortes. Não digo isso porque trabalho
para ele, ou porque sou seu amigo, meus amigos por exemplo, quando ouvem alguma
faixa, sempre elogiam. Catcher in the Rye, This I love, That's call the Blues,
Chinese Democracy, todas são belíssimas.
P: Qual o processo de criação?
F: Primeiro, o Axl trabalha o ritmo com a banda. As letras ele tem pronta na
cabeça. Ele está trabalhando muito pesado para ver que tipo de palavra cabe
bem para a palavra que ele já tem em mente e para o som que ele ouve. Ele é
uma das pessoas mais brilhantes que eu já conheci.
P: A Rolling Stone publicou um artigo dizendo que o Axl dá festas de Halloween
todos os anos. Verdade?
F: Acho que começou em 95. Mas a RS publicou esse artigo dizendo que as pessoas
que estavam lá, estavam por obrigação, o que era mentira. Ele faz dois tipos
de festa: a primeira é de dia, para as crianças, filhos de amigos e crianças
carentes, abusadas por parentes, cegas...Vão cerca de cem crianças e quando
elas chegam em casa ficam maravilhadas, ele constrói uma espécie de parque com
brinquedos e tudo que tem direito. A outra é para adultos, e a RS disse que as
pessoas estavam detestando a festa, que a gente estava servindo Jose Cuervo,
enquanto a gente estava servindo a melhor tequila, servimos as melhores que se
pode comprar. Até alugamos uma fonte de tequila para a festa, mas isso a RS
omitiu. As pessoas que foram são as mesmas de todos os anos, eles sempre ligam
alguns dias antes para perguntar da festa. E essa é uma das poucas festas que o
Axl faz, porque as pessoas costumam pensar que sua casa é rodeada de bebidas e
música alta, não é verdade. Ele só bebe tequila e não fica bêbado ou
bravo, é a pessoa mais carinhosa que conheço. Sempre gentil com meus amigos, e
toda vez que alguma encrenca se aproxima dele, ele vira as costas e sai andando.
P: E sobre a Internet?
F: Ele gosta de navegar, pode passar horas, mas quando ele lê na rede mentiras
sobre ele, e vê que não pode fazer nada quanto a isso, ele se aborrece. Os fãs
lêem os public chats e as histórias são repetidas tantas vezes que passam a
acreditar.
P: O que você sabe sobre o Renato e a Xozi, que o Axl citou no RiR?
F: Não me lembro, mas existem pessoas especialistas em espalhar mentiras,
telefones particulares e endereços pessoais. Devem ser um deles.
P: E sobre a Karen McNeil?
F: Ela é uma pessoa que precisa de ajuda. Um dia, ela seguiu a faxineira e
entrou na casa. Ela dá medo, ela acha que o Axl se comunica com ela através de
cartas e, pasmem, acha que ele tem alguma relação amorosa com minha mãe, o
que não existe. Mas ela acha que se não fosse a minha mãe, o Axl se casaria
com ela.
P: Qual a relação que Axl tem com o Slash?
F: Não se falam há anos. Mas é uma relação na qual as pessoas vêem o Axl
como vilão. Se algo deu errado, de quem é a culpa? Se o Slash faz algo, ninguém
fica sabendo, como o Snakepit, o que tem demais com esse álbum? Não está em
nenhuma parada da MTV, ninguém compra, mas o Slash ' é a chave do GnR', 'o
Guns é o Slash e o Axl'.... Ele era um bom guitarrista, mas também não é
assim, o Axl não precisa ser o culpado de tudo. OP Slash usa drogas e esteve no
hospital por overdose, nada demais, já se fosse o Axl ... Por exemplo, um dia
desses eu estava em casa quando vi alguém correndo no jardim, o quarto do Axl
é em cima do meu, então pensei que a pessoa pudesse ter pulado da janela do
Axl e corrido. Fui até o quarto do Axl, bati e ninguém abriu, porque o Axl
estava no banho e não ouviu, mas eu chamei a polícia. Quando eles chegaram,
vieram junto os para-médicos e eles falaram que vieram socorrer uma vítima de
overdose. Eu nunca falei overdose, eles supuseram que por ser a casa de Axl
Rose, a emergência se tratava de overdose. Slash sofre overdoses e ninguém
fica sabendo. O Slash queria acabar com o Guns, levar a banda para bares. O Axl
falou para ele que não era possível, que eles não poderiam tocar para mil
pessoas enquanto atraiam um público de 200.000 pessoas. Mas se o Axl tivesse
concordado com o Slash, a culpa pelo fracasso da idéia iria cair sobre o Axl.
P: Então essa é a versão do Axl para a demissão do Slash?
F: Todos falam de versão do Axl e versão do Slash. Não há versão do Axl,
porque o que ele fala é a verdade. O Axl não mente, ele só fala a verdade.
Mas o Slash queria as músicas do Snakepit no álbum do Guns, e o Axl não, então
ele passou a dificultar o trabalho. Ele não aceitava outra música que não
fosse a dele.
P: E sobre a saída do Duff?
F: Ele saiu porque queria uma família, a filha dele tinha nascido e ele queria
tempo pra família. Foi o que eu ouvi dizer, não sei nada sobre o processo
legal. Eles eram amigos, mas faz anos que não se telefonam.
P: Qual a sua opinião pessoal de:
Slash:
Eu o conheci, ainda era criança. Ele tem uma voz...diferente. Eu não tenho
amizade com ele, ele me conhece, sabe que sou filho da Betta...
Duff:
Acho que o vi três ou quatro vezes, mas nunca conversamos mais profundamente.
Ele parece ser um cara legal.
Matt:
Não gosto. Ele se acha, pensa que é melhor do que é, na realidade.
Buckethead:
É super legal, parece uma criança , é a pessoa mais carinhosa e gentil que
conheço, fora o Axl.A gente é super amigo.
Brain:
Ele é ótimo, mais que legal.
Fink:
Ele foi criticado ao tocar 'Sossego', mas você conhece outra pessoa que faria
isso? Ele aprendeu aquela música um dia antes do show. O Axl...o Guns adora o
Brasil, sentem uma conexão com os fãs, amam mesmo, sem falsidade alguma. O
Robin percebeu isso e viu o Brasil da mesma forma. Aprendeu sozinho a tocar e a
cantar.
P: O Axl fala português?
F: Não, só alguns palavrões.
P: Que tipo de patrão ele é?
F: Todos o adoram, ele está sempre disposto a ouvir o que você tem a dizer.
Ele paga muito bem, e quer sempre saber o que está acontecendo, mas não minta
para ele porque caso o faça, ele diz: 'Bem, se você vai mentir pra mim, faça
isso em outro lugar'. Principalmente se a mentira tiver algo a ver com o Guns.
P: É verdade os boatos de que Sabrina é namorada de Axl?
F: Não, ele confia em Sabrina, é uma grande amiga.
P: E a Suellen?
F: Quem?
P: Ele é a favor do Napster?
F: Se for para pesquisar, ver se gosta, ele é a favor. Mas se for para pegar músicas
de graça, apenas, ele é contra.
P: Agora vou lhe perguntar algumas coisas. Você diz se é verdade ou mentira.
O Axl pagou milhões em um exorcismo?
F: (Risadas) Mentira.
P: Ele se vestiu de príncipe para pedir Stephanie em casamento? De quem foi a
idéia?
F: Ele usou um cavalo branco...acho que sim. Não sei de quem foi a idéia.
P: Existe uma VJ brasileira, Cuca, que afirma que Axl rose deu em cima dela, mas
que ela não o quis porque ele era baixinho, fedido e feio. Sabe algo a
respeito?
F: Nunca ouvi nada, mas ele não é baixinho, deve ter por volta de 1m75, e
posso afirmar que ele toma uns dois banhos por dia, e feio...eu não acho. Mas
isso já é pessoal. Mas eu não conhecia essa história.
P: Quais as suas preferências musicais?
F: Não sou radical. Ouço tudo que possa me oferecer algo novo, tudo que tenha
um sabor, gosto de rock, country, pagode, funk brasileiro, ópera, não tenho
preconceitos. Menos heavy metal, isso eu não gosto.
P: De que sentiu mais falta quando se mudou do Brasil?
F: Eu estava tão preocupado em me mudar para lá e não conhecer ninguém, só
minha mãe e meu irmão...Senti falta da minha família e de meus amigos.
P: Qual a sua música favorita do Guns?
F: That's called the Blues e Patience.
P: Ele é feliz?
F: Sim! Ele fica bravo quando as pessoas ficam com dó dele, acham que ele deve
ser triste. Ele é feliz!
FONTE:
http://www.gunsnroses.cjb.net/
14/06/2001
- Axl apareceu na tv americana.
Axl
Rose compareceu ao quarto jogo dos playoffs finais da NBA entre os Lakers e os
76ers, ontem 13/06 em Los Angeles. Após
o jogo ele foi entrevistado na televisão por Fred Roggin, do canal NBC4.
Para ver o vídeo da entrevista, vá ao site da NBC4: http://www.nbc4la.com
; Foto de Axl na entrevista, clique aqui.
Fred
Roggin:
Vocês sabem quem é esse? O
vocalista do Guns N' Roses, Axl Rose. Uau. O que você achou?
Axl:
[risos] Eu achei maravilhoso, foi muito divertido.
Foi o primeiro jogo de basquete que assisti pessoalmente na minha vida.
FR:
Foi seu primeiro jogo pessoalmente?
Axl:
Sim - assistindo ao vivo, sim.
FR:
Você estava torcendo para os Lakers ou para os Sixers?
Axl:
Os Lakers são meu time favorito, mas eu sou um grande fã de Allen Iverson
(jogador dos Sixers). Então eu vou
vencer de qualquer jeito.
FR:
Agora Axl, você sentou lá, experimentou os fãs...
Axl:
Mas eu queria que a temporada fosse mais longa - eles deviam aumentar a série,
fazer uma série de uns 10 jogos.
FR:
Tenho que te falar algo muito sério - eu sei que é seu primeiro jogo de
basquete, e eu sei que é tudo muito empolgante, mas quando terminar a temporada
terá sido longa o suficiente, é uma temporada muito longa.
Agora me responda, o que você achou destes fãs?
As pessoas dizem que é um público difícil, duro, o que você achou?
Axl:
Eu achei que foi tudo bem, achei que foi legal.
FR:
Bem, gostamos muito que você veio.
Axl:
Estou torcendo para os dois times, quando é empolgante, é empolgante.
Quer dizer, não se pode subestimar Shaq ou Kobe.
FR:
Axl, obrigado por aparecer, agradeço muito por ter dedicado um pouco de seu
tempo conosco, estou feliz que você gostou do seu primeiro jogo.
Axl:
Muito obrigado.
FONTE:
NICE BOYS
DON'T PLAY ROCK N' ROLL -
GUNS N´ ROSES LIVE
03/06/2001
- Izzy Stradlim conta tudo sobre o Guns N' Roses, tudo fica explicado!
P: O sucesso do GN'R fez você perder o contato com a realidade ?
R: sim, um pouco, eu não sabia o que esperar, eu só queria tocar rock n' roll, nenhum de nós pensávamos que poderíamos estar tocando fora de LA um dia. E eu posso assegurar que éramos pessoas simples, não havia um caminho que nos preparasse para o sucesso. O único lado verdadeiro do rock que tínhamos era ficar drogado. Nosso tipo de vida era estranho, e quando começamos á ter algum sucesso, nossas vidas se tornaram piores. Quando voltamos de uma tour, todos nós compramos uma casa, e ficamos drogados ainda mais... Mas um dia quando eu não estava drogado pensei "Algo está errado, nós estávamos nos separando". Isso foi em 88 e 89. Eu tomei a decisão de voltar para Indiana e ver meus amigos... Antes da tour nos não tínhamos dinheiro, quando voltamos, nossa conta bancária estava cheia, todo mundo queria nos vender drogas, armas e coisas malucas.
P: Antes de gravarem os UYI 1 & 2, você já pensava em deixar a banda ?
R: sim, de hora em hora, mas não todos os dias. É verdade que algumas vezes a situação era muito"grotesca"; Axl deixava o palco depois de 2 musicas e eu pensava: "Nós parecemos uns cuzões idiotas". Mas eu não estava convencido á sair ainda. A música ainda estava nos fazendo ficar juntos. Slash, Steven, Duff e eu estávamos vivendo muito próximo um dos outros e nós estávamos tocando demais. Então eu queria fazer outro álbum, e foi o que fizemos. Foi um trabalho duplo...ou triplo nem eu mesmo sei.
P: Qual foi a última coisa que lhe levou á deixar a banda ?
R: Depois do primeira parte dos Illusions tour, Axl queria que eu assinasse um contrato o qual eu me envolveria menos e seria menos pago. Eu não pude acreditar naquilo. Esse contrato vinha de um cara com quem eu cresci porra do caralho! Nós sempre consideramos o GNR como uma banda de melhores amigos, e Axl chega e me diz "agora estamos fazendo negócios". Por que eu deveria continuar? Era pela diversão? Aquilo tinha sido a gota.d'agua. Mas outras coisas aconteceram antes como em Donnington onde dois garotos morreram durante o show. Que porra era aquilo? Rock n' roll? Ler num jornal do aeroporto que dois garotos morreram durante um de seus shows? Que graça tem tocar num estádio toda noite e iniciar uma confusão em Saint Louis porque seu vocalista está puto da vida? Chegamos á um ponto onde nada mais era divertido. Axl não estava mais fazendo seu papel de "homem de frente". E os outros, estavam todos drogados e desgastados, eu não era nem mais capaz de fazer eles tocarem covers enquanto Axl estava fora do palco para alegrar o pessoal, não, ao invés disso fazíamos sólo de bateria. O que é mais chato do que um sólo de bateria?
P: Você era o melhor amigo dele. Ele escutava você ?
R: Quando ele começou a ganhar muito dinheiro e mulheres, ele estava fora de controle. Todos estavam tão drogados. Eu era capaz de controlar apenas á mim mesmo, mas eu estava preocupado era com Steven, Slash e Duff se matando na minha frente. Á propósito eu nem lembro se Steven estava na banda ainda. Que besteira era aquela afinal? Um musico ser despedido do GNR porque esta se drogando demais quando as drogas eram a principal ocupação da banda? Então parei com tudo antes que eu saísse. Durante aqueles anos eu era testemunha deles tentando matar á si mesmos. Eu não queria ser cúmplice daquilo; Eu não queria acordar em uma bela manhã perto do corpo morto de Slash. Pensando naquelas coisas eu era indirectamente responsável por tudo aquilo, então saí da banda.
P: Mas você voltou mais tarde para substituir Gilby ?
R: Eu estava de volta á Indiana, vivendo em paz quando Axl me ligou. Ele me pediu se eu poderia ajuda-los por alguns shows. Perguntei onde eram os shows, e ele disse Istambul, London, Paris, Atenas... Você acha que eu negaria? Eu gosto de viajar e conhecer outros países. Enquanto isso Alan Niven, meu manager, que foi o manager do GNR durante aquela época, disse que a banda ainda estava me devendo dinheiro. Eu disse que aceitaria se eles dessem meu dinheiro. Só agora eu lembrei que Alan tinha direito á 20% do dinheiro(risos). Eu fiz os shows mas não me diverti porque Slash e Duff estavam se drogando ainda. Não que eu seja um santo, mas quando você não esta drogado não tem graça alguma ver seus amigos se drogando.
P: Você ainda vê Steven, Slash e Duff ?
R: Sim, eu falei com eles pelo telefone dias atrás, eu até almocei com Steven semana passada. Ele está limpo agora mas psicologicamente e mentalmente... Slash está bem, o mesmo está Duff; ele acabou de fazer uma maratona havaiana! Uma maratona do caralho. Nada mal para um cara que os pâncreas explodiram porque bebia 3 1/2 litros de vodka todo dia. O único que não fala com ninguém é Axl. Ele não liga de volta para ninguém. Eu gosto de andar de moto e eu sei onde ele vive. Uma vez em 95, eu fui lá e toquei a campainha, ele abriu a porta, fomos abraçados até a casa, ele me fez visitar sua casa e nós tivemos uma conversa. Legal, por um dia o velho Axl estava de volta, nós nos falávamos pelo telefone novamente, ele anotava ao telefone coisas que eu dizia á ele, e de repente, sem noticias novamente. Desde então eu vou á sua casa, o que me faz rir, pois quando toco a campainha há sempre um empregado me dizendo que ele não está lá! Estou feliz por ele ter feito dois shows em Las Vegas e no Rio no começo do ano. Estou feliz que o microfone dele tenha funcionado direito. Quem sabe, ele talvez tenha deixado o palco(risos)
P: Você ainda se considera um guitarrista do GNR ? isso te incomoda ?
R: isso ainda anda comigo, mas não me incomoda. Isso é o que me permite fazer o que estou fazendo hoje. Se eu não tivesse no GNR hoje talvez ninguém. soubesse quem eu sou. Ou talvez leve mais tempo para mostrar ás pessoas quem eu realmente sou na verdade. Para mim os anos 80 foi um período louco....
P: O que você acha da nova formação do GNR ? Acha que Axl deveria mudar o nome da banda ?
R: Eu nem sequer conheço esses caras! Eu acho que ele deveria ter mudado o nome
sim. As pessoas provavelmente devem estar dizendo "que porra é
essa?". isso não é guns. Claro que Axl é o vocal, mas 4 caras eram com
ele a banda. É estranho para mim ver ele agindo dessa forma, mas isso realmente
não me incomoda. Veremos no que vai dar. São os fãs que irão dizer o que
acham. Se tivemos sorte, ele virá com um bom álbum. Eu até irei compra-lo,
apenas para ver como é. Sei que ele é criativo, inteligente, ele é um bom
vocalista, mas ele levou tempo demais para escrever e grava as musicas. Eu irei
escutar o novo álbum e se for uma merda eu mandarei o álbum de volta para ele.
FONTE:
APPETITE FOR DESTRUCTION HP - DEAD HORSE GUNS N' ROSES - GUNS
N´ ROSES LIVE
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