Abaixo você confere alguns trechos da entrevista dada por Paula Toller para a Revista Trip.
TRIP: COMO
É SEU DIA-A-DIA? TEM UMA ROTINA? LEVAR FILHO PRA ESCOLA, IR PARA A GINÁSTICA...
Toller: Eu não levo
meu filho pra escola, mas faço o dever de casa com ele quando estou em
casa. Faço também aula de alemão.E em casa faço
ginástica. Meus horários são meio estranhos. Gosto de fazer
compras em uns horários meio malucos. É uma coisa que vai dependendo
do momento.
TRIP: QUE
TIPO DE GINÁSTICA VOCÊ FAZ?
Toller: Ah, eu sou super
preguiçosa, não sou fissurada. Faço um negócio bem
geral, só para manter mesmo, pouco peso,pouco tempo, meio geriátrico.
E jogo tênis duas vezes por semana, que é um negócio mais
divertido para mim. Não gosto de só malhar.
TRIP:: A SUA BANDA DEVE SER
UMA DAS MAIS ESTÁVEIS DO POP ROCK DO BRASIL. É UMA
BANDA QUE TEM DEZOITO ANOS, E COM A MESMA FORMAÇÃO. É A
MESMA COISA QUE
ENCONTRAR UM CASAL CASADO HÁ 60 ANOS. AO QUE VOCÊ ATRIBUI, E COMO
É HOJE,
NA PRÁTICA, OS ENCONTROS ENTRE VOCÊS TRÊS?
Toller: Acho
que é muito da amizade entre nós e do esforço que temos
para mantê-la. Temos muita coisa para fazer ainda. A gente está
sempre mudando, inventando alguma coisa nova. O Bruno é o melhor músico
de nós, em termos de virtuosismo, é guitarrista... O George é
o diretor musical. Ele é o cara que entende de música, que sabe
tocar.Também é o produtor da gente e compõe as músicas
comigo. Eu sou a pessoa que fica puxando: "Não! Vamos fazer isso
aqui, isso aqui não". Fico dando uma direcionada, sou mais objetiva.
TRIP: A PALAVRA FINAL É SUA? POR EXEMPLO, VOCÊ TEM PODER DE VETO?
Toller: Não, tem isso não.
TRIP: O KID ABELHA SEMPRE FOI CRITICADO PELA IMPRENSA SUPOSTAMENTE ENTENDIDA EM ROCK. COMO ERA E COMO É ISSO HOJE?
Toller: Ao longo do tempo isso mudou muito. Esse último disco tem 98% de críticas boas ou legais. Antigamente era uma coisa contra mesmo: "Não ouvi e não gostei". Acho que é porque a gente era garoto, eu era uma menina, a gente não tinha cara de mau nem se drogava...Na época rolava um rock muito ligado a isso.
TRIP: MAS O KID ABELHA SEMPRE SE DEFINIU COMO POP, ANTES MESMO DE ISSO SER CONSIDERADO LEGAL E MODA, COMO É HOJE...
Toller: Pop
era palavrão! Na verdade, a gente já fazia essa música
mesmo sem ninguém ouvir, mesmo sem vender, mesmo sem gravar. O fato de
ser pop não quer dizer que é um negócio só para
ganhar dinheiro. As pessoas confundem isso. No começo a gente foi xingado
de ser banda de FM. Agora, todo mundo quer ser banda de FM. Todo mundo quer
tocar pra caramba, ganhar muito dinheiro e, atualmente, tem gente que só
quer ganhar dinheiro com isso. Agora somos tipo "da velha guarda".
Não estamos pensando só em ganhar dinheiro.
TRIP: TEM
UM PESSOAL QUE DIZ QUE VOCÊ ESTÁ MAIS BONITA AGORA, MAIS EQUILIBRADA,
E O SOM DA BANDA ESTÁ SAINDO MUITO MELHOR. VOCÊ ACHA QUE AS COISAS
ESTÃO MELHORANDO CONFORME VAI FICANDO MAIS VELHA?
Toller: Acho. Eu não
quis mudar o som por causa da crítica, que detonava a gente. Nunca pensamos
nisso. Isso seria loucura. Na verdade, fomos caminhando dentro do que a gente
fazia e foi ficando mais legal. Hoje em dia temos mais domínio de tudo
que fazemos: da composição, da gravação... Acho
que hoje as coisas estão melhorando porque trabalhamos mesmo, fomos teimosos.É
isso.
TRIP: SUA
BELEZA É IMPORTANTE NA COMPOSIÇÃO DA BANDA, É UMA
DAS QUALIDADES DO VISUAL. COMO VOCÊ LIDA COM ISSO, SABENDO QUE, ENFIM,
A BELEZA NÃO DURA PARA SEMPRE?
Toller: Primeiro não
me acho tão bonita assim - faço o melhor que posso. Tem dia que
me acho horrorosa, péssima. Não sou também um tipo de beleza
que fica sempre bem em todas as fotografias, maravilhosa, como algumas pessoas.
Detesto me ver na televisão, por exemplo, acho horrível. Sempre.
Então, eu não vivo isso. Acho que mais o conjunto, é tudo
misturado, é o que você fala, o que você canta, a maneira...
TRIP: MAS,
NA VIDA REAL, QUANDO VOCÊ NÃO ESTAVA CASADA, ACONTECIA DETRANSAR
COM UMA PESSOA QUE CONHECIA HÁ POUCO TEMPO?
Toller: Não, eu
nunca estive disponível. Nem um dia, e não é força
de expressão. Falando sério, eu sempre estava com alguém.
Não deu nem 24 horas, se bobear. É assim desde que comecei a namorar.
Eu só troquei mesmo.
TRIP: E
O SEU NAMORO, OU CASAMENTO, COM O HERBERT VIANNA, FOI UMA COISA MEIO DE MOLEQUE
OU JÁ ERA UMA COISA MADURA?
Toller: Já era uma
coisa madura. Foi a primeira coisa madura, que havia planos. A gente ficou dois
anos no máximo, e o ano da separação, que é um outro
ano de vai e volta, sabe? Bem complicado...
TRIP: FOI
DIFÍCIL PARA OS DOIS?
Toller: Foi. Foi péssimo,
principalmente porque a gente não se separou de uma vez, não cortou
de vez logo no começo. Então foi bem complicado.
TRIP: PAULA,
POR QUE VOCÊ NUNCA POSOU NUA? JÁ DEVE TER RECEBIDO UNS 300 CONVITES...
Toller: Eu tenho vergonha.
Acho que não é adequado para o meu trabalho. Acho que não
ajuda. A Playboy, por exemplo, produz um tipo de foto que não me agrada.
Posso te dizer um ou outro que achei bonito, mas no geral já é
uma coisa muito comercial. Eu tenho vergonha. Eu não gostaria, não
ia me sentir bem fazendo. E realmente na minha vida eu tenho muito contato com
as pessoas.
Eu estou em um ônibus cheio de homem, com vinte caras. Não sou
uma atriz que fica no estúdio ou no set de filmagem e não aparece
nunca. Estou ali, com o público, direto. Acho que não seria bom
para mim.
TRIP: COMO
VOCÊ CONHECEU O LUI (FARIA, MARIDO DE PAULA E CINEASTA)?
Toller: Conheci o Lui na
estréia do primeiro filme dele, Com Licença, Eu Vou à Luta.
Mas ele estava casado com outra pessoa, e eu também... A gente só
foi se conhecer melhor uns dois anos depois. Mas aí foi aquele negócio:
na hora que cumprimentou, deu dois beijinhos, eu pensei: "Puta, fudeu.
Casei!".
TRIP: QUANTAS
PESSOAS VOCÊ ACHA QUE AMOU NA VIDA ATÉ AGORA?
Toller: Dá para
contar nos dedos das mãos e deve sobrar algum. Amor, amor... já
teve os platônicos também, de antes, que eu não cheguei
a namorar. Mas amor de verdade, que eu namorei e tal, desde o meu primeiro namorado,
acho que uns cinco, quatro, contando com o Lui.
TRIP: TEM
UMA MÚSICA SUA NO ÁLBUM AUTOLOVE CHAMADA "MÃOS ESTRANHAS",
EM QUE VOCÊ FALA SOBRE A FANTASIA DE DORMIR COM UM ESTRANHO. COMO É
ESSA HISTÓRIA PRA VOCÊ?
Toller: Esse é um
lance que quase todo mundo que eu conheço tem, essa fantasia de dormir
com um estranho. Mesmo que não durma, você acaba sempre pensando
nisso. Aí resolvi escrever sobre isso. Achei que ficou legal. Eu tenho
gostado de escrever umas músicas eróticas assim, porque é
um negócio difícil. Não se trata daquele lance de música
brasileira que tem duplo sentido, como no Nordeste, ou então esse negócio
tipo Wando. Gosto de falar de coisas mais do meu jeito mesmo, e resolvi escrever.
TRIP: VOCÊ
JÁ FALOU DEDINHEIRO ALGUMAS VEZES. QUAL A IMPORTÂNCIA DO DINHEIRO
NA SUA VIDA?
Toller: Quem me conhece
sabe que deixo de fazer muito trabalho, deixo de fazer um monte de comercial.
Não sou fissurada em dinheiro. Prefiro cuidar melhor da minha vida.
TRIP: VOCÊ
FALOU QUE NÃO SE ACHA BONITA. VOCÊ SE ACHA SENSUAL?
Toller: Sim, sim. Acho
que é mais por aí. Claro que tenho umas coisas bonitas.
TRIP: O
QUE VOCÊ ACHA QUE É BONITO?
Toller: O que é
bonito em mim? Pô, é tão estranho eu falar disso... Mas
é a mão, o pescoço, a orelha, os dentes. Eu sou muito de
detalhe.
TRIP: E
FEIO, O QUE VOCÊ ACHA?
Toller: Gosto de tudo que
é meu, mas o que eu não acho tão bonito quanto poderia
ser... acho que são meus pés. Eu acho que são grandes,
mas na verdade não são.
TRIP: COMO
VOCÊ TEM CUIDADO DE SUA FORMA FÍSICA?
Toller: Comida. Comida.
TRIP: REEDUCAÇÃO
ALIMENTAR?
Toller: Gosto muito de
comer, como pra caramba. Sou do tipo que comia dois pratos cheios de arroz com
feijão. Com o tempo, dá uma certa diferença. Aos dezoito
anos eu tinha um corpaço. Não tenho facilidade de engordar, mas
você começa a sentir aquela coisa de mulher, daqui do joelho até
a cintura, aí é que pega. Houve uma época que eu comia
muito mal, cheguei a ter uma anemia seríssima. Depois comecei a ter uma
alimentação mais correta.
TRIP: E
PARA A CABEÇA, VOCÊ JÁ BUSCOU DE AJUDA?
Toller:: Faço análise há dez anos.
TRIP: O QUE VOCÊ ACHA
DA ANÁLISE?
Toller: Sensacional. Acho
que todo mundo tem que fazer, mesmo sem analista. O legal é que o analista
é um pouco o cara que te leva a fazer a análise sozinho. É
que nem malhar, você tem que malhar a cabeça também. Acho
horrível quando uma pessoa diz "eu nunca fiz análise",
porque aquela
pessoa não quer nenhuma pergunta indesejável. É muito legal
malhar, sou supersaudável, gosto de exercício, de jogar tênis,
de correr.
TRIP: NOSSA
GERAÇÃO USOU MUITA DROGA, MUITA COCAÍNA PRINCIPALMENTE.
FOI A GERAÇÃO QUE FOI ARRASADA PELA COCAÍNA. COMO É
QUE VOCÊ PASSOU POR ISSO?
Toller: Nunca experimentei
cocaína. Experimentei outras coisas.
TRIP: VOCÊ
FALOU QUE O SEU PRIMEIRO BEIJO FOI HORRÍVEL. E A PRIMEIRA TRANSA, FOI
RUIM TAMBÉM?
Toller: Não, foi
legal. Clássica, eu diria. Foi com o meu primeiro namorado. Acho que
fui, das minhas colegas da turma, a última a namorar e a primeira a transar.
Mas foi engraçado, porque ele não acreditou que eu era virgem!
(risadas)
TRIP: A
REGINA CASÉ FALOU UMA COISA QUE ACHEI INTERESSANTE, ALGO COMO: "TENHO
VONTADE DE TRANSAR COM UMA MULHER PORQUE ACHO QUE DEVE SER REALMENTE UMA COISA
SUBLIME. NÃO SEI SE VOU FAZER, MAS TENHO VONTADE".
Toller: Não. Assim,
a sério, não.
TRIP: O
QUE VOCÊ ACHA DESSES ENSAIOS DE HOMEM NU QUE ESTÃO SAINDO AGORA?
Toller: Ah, não
vi nenhum desses... Eu estou fora da moda. Não vi nada.
TRIP: MAS VOCÊ TEM CURIOSIDADE DE VER? POR EXEMPLO: VAI POSAR O FULANO DE TAL NU; SE BOTAR NA MESA DA SUA CASA, VOCÊ VAI OLHAR?
Toller: Acho
um negócio meio gay, homem posar nu... Então já acho meio
fora, não me interessa tanto. É que homem é outro negócio,
não é só olhar, homem é um negócio que tem
que ter, não
é um negócio de ficar olhando.
TRIP: SÓ
PENSANDO EM BELEZA FÍSICA, DEIXANDO TODO O RESTO DE LADO, QUEM SÃO
OS CARAS MAIS BONITOS ATUALMENTE?
Toller: O Kelly Slater
é um homem bonito. Lembro do rosto, nem sei como é o corpo dele,
se ele é lindão, másculo, atlético... apesar de
ele ser atleta. Acho que o Brasil está mais bem servido de mulher bonita
do que de homem bonito. Principalmente na TV e no cinema.
TRIP: VOCÊ
JÁ FEZ ALGUMA PLÁSTICA? FARIA, GOSTA, ACHA BOM?
Toller: Já fiz,
mas não no rosto. Acho que plástica, para você consertar
alguma coisa no corpo,
não tem o menor problema. Agora, no rosto é bem complicado, não
sei se faria. Talvez se tivesse um nariz de Cyrano de Bergerac... Mas plástica
por envelhecimento nãoconsigo gostar. Acho que devia e vai ter, no futuro,
alguma coisa mais legal para você manter, que é o que eu faço.
Faço tratamentos preventivos, mas é uma coisa de cuidar da pele.
TRIP: COMO
É A SUA FORMAÇÃO, VOCÊ ESTUDOU O QUÊ?
Toller: Fui até
a faculdade e fiz Desenho Industrial, Comunicação Visual e sempre
estudando línguas. Uma época quase virei professora de inglês.
TRIP: QUE
NOTA VOCÊ SE DÁ COMO CANTORA?
Toller: Acho o seguinte:
eu tinha realmente uma voz de menina e isso mudou bastante. Mas nunca fui desafinada.
Acho que tenho uma voz bonita, acho que canto bem, sou afinada, e tenho um jeito
de cantar que é meu - gosto de cantar em português, sei cantar
em português e, é claro, venho melhorando, venho treinando o tipo
que eu gosto de fazer e descobrindo o que eu não gosto. No meu disco
solo comecei a cantar de um outro jeito, pensando mais no João Gilberto.
TRIP: MUDANDO UM POUCO DE
ASSUNTO, QUAL FOI A TRANSA MAIS INCRÍVEL DA SUA VIDA?
Toller: (Risadas) Não
teve uma. Pelo amor de Deus!
TRIP: NÃO?!
Toller: Não. A transa,
que você está falando, assim, o negócio...
TRIP: É,
SEXO MESMO.
Toller: Não. Porque
é um negócio que você trabalha, vai melhorando. Esse negócio
de primeira vez...
TRIP: SEI,
A DOIS... ENTÃO NÃO EXISTE ESSE NEGÓCIO DE BOM DE CAMA,
DE SER BOM COM TODAS AS PARCEIRAS?
Toller: Seria um gênio,
né?! (risadas)
TRIP: VOCÊ
ACHA QUE EXISTE?
Toller: Claro que existe!
Acho que a pessoa, quanto mais tempo passa, vai melhorando, seja com uma pessoa,
com várias... Não é a mesma coisa que começar, mas
não posso falar muito sobre esse assunto. É tudo palpite. Acho
mais legal você ter uma pessoa e ir...
TRIP: MAS
VOCÊ ACHA QUE PODE TER GENTE FELIZ SEM TRANSAR?
Toller: Acho, talvez. Eu,
por exemplo,
é uma coisa de, ou eu quero todo dia, ou eu não quero nenhum dia.
Quando tem um corte no negócio, aí custa a mudar. Então,
se eu estiver transando todo dia, aí eu quero transar todo dia. Se eu
parar por algum motivo, aí eu não quero transar nenhum dia. É
bem complicado.
TRIP: NÃO É
DO MESMOJEITO SEMPRE?
Toller: Não. Agora,
pessoas que só gostam, pessoas que não gostam; se você decidir
que não vai mais transar, eu acho possível.
TRIP: E
NESSAS FASES QUE VOCÊ NÃO ESTÁ A FIM DE TRANSAR, SEU MARIDO
NÃO FICA PUTO?
Toller: Não. Mas
aí...
TRIP: ELE
ESTÁ ENVOLVIDO NESSE PROCESSO?
Toller: Mas aí rola
um convencimento (risadas). Porque senão não dá. Não
pode ser aquele negócio de príncipe encantado todo dia.
TRIP: VOCÊ
ACHA QUE É MUITO MACHISTA A IDÉIA DE QUE O HOMEM TENHA MAIS NECESSIDADE
CARNAL?
Toller: Olha, eu já ouvi pessoas dizendo isso, esta história de
que o homem quer espalhar o seu sêmen (risadas)...