O disco solo de Paula Toller. "Paula Toller" foi lançado em abril de 98, o álbum, foi produzido por Guto Graça Melo e tem 10 músicas.
Paula começou a gravação do disco em outubro de 97, e continuou gravando dois dias por semana. Os músicos escolhidos foram Ricardo Palmeira (guitarra), Dunga (baixo) e Márcio Miranda (teclados, programações e samplers). Os arranjos de cordas foram gravados em Londres sob a batuta do maestro Graham Preskett.
O disco tem muitos sambas que Paula ouvia na casa dos avós, por quem foi criada. Há duas músicas inéditas: "Oito anos" fala das indagações de Gabriel, 8 anos, filho da cantora. A outra é "Derretendo satélites" e é a música de trabalho do disco.

As dez músicas do disco:


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1800 colinas,
Gracia do Salgueiro
Alguém me avisou,
D. Ivone Lara
Cantar,
Godofredo Guedes
Derretendo satélites,
Herbert Vianna/Paula Toller
E o mundo não se acabou,
Assis Valente
Eu quero um xodó,
Dominguinhos/Anastácia
Fly me to the moon,
Bart Howard
Oito anos,
Dunga/Paula Toller
Onde está a honestidade?,
Noel Rosa
Patiente,
Guns N'Roses


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A interpretação e a afinação da cantora foram muito elogiadas pela crítica. Abaixo você tem trechos destas críticas. Confira!

Estadão: É certo que está na moda gravar discos moderninhos, com influências de jungle, drum'n'bass e outros ritmos londrinos (é só ouvir os novos trabalhos de Barão Vermelho, Lobão e Ira!), mas daí a transformar clássicos de Dominguinhos e Dona Ivone Lara em música de boate gay é demais. Até o texto de apresentação do disco, feito por Luis Tatit, é pretensioso: "Paula Toller é a cantora brasileira mais próxima da dicção de João Gilberto."Nos dois únicos bons momentos do CD, Paula Toller interpreta com desenvoltura dois clássicos do samba brasileiro: E o Mundo não Se Acabou, de Assis Valente, e Onde Está a Honestidade, de Noel Rosa. Dessa vez, a cantora preservou a harmonia original das canções, deixando os efeitos tecnológicos em segundo plano.


Folha de São Paulo:
Embora possua a voz mais "virtuosa" entre os seus, também ela vinha sendo displicente nas técnicas de interpretação."Paula Toller" dissolve em parte esse clichê. Sua voz está mais grave, modulada, lânguida, melodiosa -"Fly Me to the Moon" é exemplo de morna despretensão.Dona de timbre que ronda perigosamente o irritante, afasta mais que sempre o perigo não se pode compará-la à sósia Vanessa Rangel, que atormenta ouvidos "com saudade de você debaixo do meu cobertor".Bem, mas a baladeira pop despreocupada agora tem que escolher repertório e aí se faz mais desastrada.Há acertos em sua seleção a doce leitura de "1.800 Colinas" é antológica. A de "E o Mundo Não Se Acabou" não faz vexame (tem a presença de espírito de atualizar a letra, trocando "peguei na mão de quem não conhecia" por "peguei no pau de quem não conhecia").Há erros, também. "Eu Só Quero um Xodó" é, como ela diz, muito manjada a versão, mais ainda. Mas nada se compara a "Patience".Ela não dispõe de sutileza capaz de apagar o ranço reacionário dos Guns N'Roses era lixo, continua sendo.Acostumada à inconseqüência pop, Paula parece ainda não saber bem o que fazer com material "adulto" mas disso a produção padrão de Guto Graça Mello é também bem culpada.Ganham nessa as canções próprias a hiperexplícita "Derretendo Satélites" ("abro com as mãos, te deixo olhar/ te levo pra dentro devagar", diz, falando você sabe bem de quê) e "Oito Anos". Contextualizada, a letra boba dessa vira um achado: é um relatório de perguntas feitas por seu filho Gabriel, 8 ("por que a lua é branca?", "por que a gente espirra?", ao que ela responde, parva: "Well, well, well, Gabriel...").Paula Toller continua hábil no que passou década e meia aprendendo a fazer e titubeante diante do novo. É, seja como for, mais uma a enfrentar o novo. A história segue seu curso.


Jornal do Brasil:
Paula Toller escolheu para sua estréia solo uma embalagem sonora eletrônica misturada com timbres acústicos de cordas, violões e percussão (esta convivendo bastante com sua contraparte eletrônica também) ao estilo dos CDs de Annie Lennox na fase pós-Eurythmics. Goste-se mais ou menos do resultado, deve-se louvar sua disposição de jogar-se de braços abertos rumo a experiências sonoras diversas de sua longa experiência como vocalista do Kid Abelha, que ela integra com George Israel e Bruno Fortunato.Cantar, de Godofredo Guedes, encerra o CD em ritmo de samba tradicional, com uma levada de violão, o piano de Antônio Adolfo e uma coda dramática de violinos num grave carregado. Paula fez um CD típico de artista que incursiona por um trabalho paralelo ao habitual. Não prejudica nem substitui o Kid Abelha e rendeu o suficiente para justificar novas incursões paralelas no futuro.


O Dia: Produzido por Guto Graça Mello, o CD revela uma Paula afinadíssima, que em nada lembra a cantora desajeitada dos primeiros sucessos do Kid.O repertório surpreende positivamente. Sem soar eclética, Paula consegue adoçar um sucesso do Guns ’N’ Roses (Patience), celebrar o canto em clima de seresta (Cantar, jóia de Godofredo Guedes) e soar cool na melodiosa balada Fly me to the Moon, sucesso de Frank Sinatra. A única derrapagem é quando tenta levar para o universo dance Eu Só Quero um Xodó, xote de Dominguinhos e Anastácia lançado por Gilberto Gil em 1974.O hit do disco é a deliciosa Derretendo Satélites, uma daquelas jóias pop de Herbert Vianna (a letra é de Paula). Com base funk, o arranjo cósmico valoriza o refrão radiofônico. Herberttoca violão na faixa. A outra música de Paula, Oito Anos, é menos inspirada. Na letra, ela relaciona perguntas feitas pelo filho Gabriel. Não é nenhuma obra-prima, mas o disco é ótimo.


O Globo: Na capa, ela está bonita e elegantemente sensual, fotografada ao lado de aviões e na pista do hoje cinzento Aeroporto Santos Dumont. No disco, está serena e econômica onde, se quisesse, poderia estar explosiva e rica em explorações. Mas foi essa a rota escolhida e assinada por Paula Toller, uma abelha rainha em seu primeiro vôo solo.Mas é no passado e na tradição que ela voa um pouco mais alto. "Eu só quero um xodó" leva base eletrônica e metais ao clássico de Dominguinhos. "Alguém me avisou", de Dona Ivone Lara, mistura samba com a guitarra de Luís Carline. "1800 colinas", de Gracia do Salgueiro, tem cordas e o melhor vocal do disco. E "E o mundo não se acabou" lembra Carmen Miranda no sampler, mas subverte a letra original de Assis Valente trocando "peguei na mão de quem não conhecia" por "peguei no pau de quem não conhecia". Ops!


IstoÉ: Os detratores que há anos malham a atuação do Kid Abelha e a de Paula não enxergam nela uma boa cantora. Uma bobagem preconceituosa, já que seu timbre é dos mais agradáveis entre as estrelas cantantes tupiniquins. "Minha voz não é visceral, não é boa para blues nem para rock no sentido masculino. É uma voz branca para cantar melodias", determina. "Não dou notas inúteis." Paula estuda técnica vocal para preservar a saúde da voz. Já fez canto lírico, mas continua mesmo é acreditando no ouvido. Um ouvido que desde criança foi educado, principalmente pelo avô, para também escutar canções das décadas de 30 e 40. Algumas delas, inclusive, entraram na seleção do CD que leva seu nome. Foi destas lembranças que ela pinçou E o mundo não acabou, de Assis Valente, do repertório de Carmen Miranda. "Esta música estava no meu DNA."

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