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23/08/62
Paralelamente a carreira,
Paula Toller (foto) fez faculdade de Desenho Industrial e Comunicação
Visual, na PUC. Ela não chegou a terminar: já tinha feito
todas as matérias e só estava fazendo projetos. Mas o professor
acabou pedindo para ela trancar a matrícula, porque ela não
estava conseguindo conciliar a carreira e a faculdade.
Quando se separou de Leoni, Paula inaugurou a parceria com o também
kid George Israel, que se mantém até hoje.
Em 1987, Paula Toller foi eleita uma das dez mulheres que mais se destacaram
no ano, pela revista "Manchete". O prêmio deveu-se ao
enorme sucesso da música "Amanhã é 23",
da trilha da novela "O Outro".
Em março de 1995, foi anunciada a carreira solo de Paula Toller.
Apesar disso, Paula não sairá do KID: vai conciliar a carreira
solo com a do grupo, alternando os lançamentos dos discos. Paula
assinou contrato para lançar dois discos solo.
Em 96, Paula participou do júri que escolheu Roberto e Erasmo Carlos
para receberem o 17º Prêmio Shell de MPB pelo conjunto da obra.
Paula foi em 97 eleita pelo jornal O Dia a melhor cantora pop do ano,
acumulando também o prêmio de melhor grupo pop que o KID
ganhou. Ao saber do prêmio, Paula declarou: "Valeu galera do
Dia! Obrigada pelo carinho e pelo reconhecimento. Carioca sabe das coisas".
http://.....Paula
Toller: Crítica
A medida exata
"Paula Toller é a medida. Nem mais nem menos. Divisão
rítmica, volume e extensão de voz, nada excede e nada falta.
É ouvir e acreditar em tudo que ela diz, ou melhor, em tudo que
ela canta. Ela canta como quem diz alguma coisa, e o que menos importa
é o teor da mensagem. E tem mais. É autora da maioria das
letras de seu repertório, na mais completa tradição
de Rita Lee. E compõe como canta, na medida.
Há cantores formidáveis que emprestam sua voz a uma determinada
canção, nova ou consagrada, realizando o que chamamos de
interpretação, ou seja, uma leitura (ou audição)
e uma execução original da obra. Há outros, cuja
voz e dicção engendram um estilo de composição
e todo um repertório que só existem em virtude desta voz
e desta dicção.
Em vez de termos uma composição que estimula a execução,
nesse caso é o modo de cantar que influencia o modo de compor.
Carmen Miranda, Mário Reis, João Gilberto e Rita Lee, apenas
para citar alguns clássicos, pertencem a esta última categoria
de intérpretes.
Paula Toller também. Daí seu completo entrosamento com a
banda Kid Abelha, que representa o mundo musical que ela criou. Não
é o caso de pedir que ela cante nossas canções consagradas,
aquelas de todas as épocas, só para ver como ficam em sua
dicção. Pode até dar bom resultado, mas isso não
faz o seu gênero. Dirige-se a um público cujo gosto está
mais para o sabor que para o saber, que curte a linguagem e não
a metalinguagem, que só acredita na letra a partir da melodia e
do arranjo musical.
Talvez seus parceiros e companheiros de trabalho, ótimos cancionistas
por sinal, não saibam o quanto contribuíram para a concepção
e o acabamento do estilo Paula Toller de cantar. Ou talvez saibam e por
isso caprichem tanto na realização de cada novo álbum.
A propósito, vale a pena ouvir a faixa "Apenas Timidez"
do último CD da banda. Além da beleza da canção
como um todo, é interessante observar os experimentos espontâneos
da letrista-cantora. A mesma melodia que, no início, surge recortada
por 14 sílabas ("Soltando a minha voz aguda e rouca pelo ar")
reaparece depois subdividida em nada menos que 23 sílabas ("Escrevendo
a cada dia uma página da minha futura biografia"). E Paula
desliza sobre elas como se não houvesse qualquer alteração.
Em sua voz, tudo fica na medida."
Luiz Tatit, especial
para a Folha. (Luiz Tatit é compositor e professor livre-docente
da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP).
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