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O Kid Abelha entrou na cidade do Rock às 20h55 com o jogo ganho. No show de uma hora que terminou com um "obrigado por esses 18 anos" dito por Paula Toller, o público pulou, cantou todas as músicas junto com a banda e foi muito mais animado do que os músicos no palco. Como não precisava se esforçar para ganhar o público, que já estava no bolso, o Kid deu uma certa burocratizada no show. O melhor parâmetro para isso foi a hora da apresentação dos músicos, quando alguns deles como Dunga (baixo), Kadu Menezes (bateria) e Cezinha (percussão) mostraram, que tinham muito mais na manga do que estavam mostrando.
O Kid entrou no Palco Mundo quando a dupla Touré, Touré, do Senegal, estava encerrando um dos melhores shows deste festival na subestimada Tenda Raízes, a maior novidade do Rock in Rio. O ronco do poderoso P.A tocou uma versão eletrônica de Deus, com Paula cantando Deus apareça na televisão, enquanto o telão mostrava o nome da banda e ilustrações coloridas ao estilo dos quadrinhos. A banda entrou com "Eu tive um sonho", com Paula Toller esplendorosa num mini vestido dourado aberto dos lados com um shortinho por baixo de cano alto, ousado o primeiro coro da noite.
As 14 canções foram todas radiofônicas por serem sucesso e por terem duração inferior a três minutos, com exceção da dançante "Fixação" e de "Pintura Íntima", estendida para a apresentação dos músicos. "Alice não esqueça aquela carta de amor" teve solo inaudível do sax de George Israel, com um visual ié-ié-íe total. A identificação do Kid com a Jovem Guarda continua forte como nunca nas levadas de várias músicas como "Te amo pra sempre", sem falar, claro, na cover que a banda gravou de "Pare o casamento", da Wanderléia. Aliás, Paula está com a cabeleira loura farta como a da Vandeca.
No meio do show, Paula reclamou que tinha "um cara falando em inglês no meu ouvido o tempo todo", referindo-se a problemas no retorno de ouvido que ela já vinha acusando desde o começo. O povo não negou fogo em canções como "Na rua, na chuva, na fazenda" e na volta aos anos 80, como ela disse, com "Lágrimas e chuva", sucesso do segundo LP, de 1985, ano em que tocaram no primeiro Rock in Rio.
Um bom momento semi-acústico com George ao violão e Bruno Fortunato fazendo intervenções criativas na guitarra teve as canções "Amanhã é 23", "Grand´ hotel' e "Desculpe o auê", de Rita Lee, homenageada por Paula Toller com um "viva Rita Lee, deusa do rock brasileiro e mundial". Depois do hit "Como eu quero", Paula puxou "Fixação" e os marmanjos vibraram quando ela dançou de costas e a câmera fechou no derriére com as bochechinhas de fora.
Para encerrar, "Pintura Íntima" e um "cantei essa no videokê e tirei 97, vamos ver que nota vocês tiram", provocou ela. E todo mundo foi atrás berrando a letra inteira. Isso mostra que com a acúmulo de bagagem e a experiência de 18 anos de estrada, faz com que a banda tenha total controle sobre seu público.
(fonte: Jamari França - JB)