22/04/2000
Kid Abelha - Entrevista - BRUNO FORTUNATO
Movidos pela paixão Bruno Fortunato, guitarrista do Kid Abelha, fala sobre o novo CD da banda, Coleção. Uma brincadeira musical com a época dos LPs. Kátia Borges eles continuam juntos e, desta vez, investem em uma releitura bem-humorada do universo dos LPs e compactos em vinil, com suas capas engraçadinhas e canções ingênuas.
Mas, Coleção, novo CD do
Kid Abelha, traz também hits certos, feitos sob medida para o dial das
rádios, como Deve Ser Amor, que remete ao som de Pintura Íntima, com o sax de
George Israel mais pop do que nunca. Nesta exclusiva, via fone, o guitarrista
Bruno Fortunato fala sobre o novo trabalho do grupo. Confira!
p - Como surgiu a idéia de fazer Coleção? Embora seja um trabalho
visivelmente sério, tem um toque de humor, principalmente no aspecto
gráfico, que é ótimo...
R - O projeto gráfico nasceu assim que começamos seleção das músicas. Havia
muitas canções nossas espalhadas em CDs de outras pessoas e os fãs vinham
perguntar onde poderiam encontrar determinadas gravações. Por isso, pensamos
em reunir todas elas em um só trabalho, incluindo as inéditas. Nossa idéia
era dar uma cara nova a essas canções, pois não ficamos satisfeitos em pegar
um trabalho original e repetir o
arranjo, como em Pingos de Amor, de Paulo Diniz, ou Na Rua, na Chuva, na
Fazenda. Pensamos em fazer um trabalho imitando capas de LP e de
compactos, destacando uma capinha específica para cada música. Isso
ajudou a amadurecer o que era o disco, o que estávamos esperando dele. O
título Coleção foi escolhido por um fã internauta e caiu como uma luva, pois
o trabalho não é uma coletânea, simplesmente.
P - E a seleção das músicas não segue uma linha única, já que mescla
Wanderléia e Jorge Ben Jor com músicas bem Kid, que são Deve Ser Amor e Eu
Sei Voar. Como foi escolhido o repertório?
R - Pedimos a amigos que nos ajudassem, citando canções que podiam ser
incluídas, mas trocamos figurinhas, também, e, assim, fomos montando o
repertório. A música de Wanderléia, por exemplo, surgiu de um modo bem
legal. Paula foi fazer o acústico de Rita Lee e Wanderléia estava lá. Paula
ficou impressionada com a performance de Wanderléia, que estava cantando bem
pra caramba. Por causa disso, fomos ouvir o repertório dela e escolhemos
Pare o Casamento, que é um clássico da Jovem Guarda.
P - Vez em quando, o Kid surpreende, com gravações como Canário do Reino,
na
qual Paula divide os vocais com Lulu. O som do Kid estaria mais MPB e menos
pop?
R - Eu acho que não. No caso específico dessa gravação, a música entrou mais
por ser um trabalho acústico. Somos influenciados pela MPB e música de rádio
em geral, mas creio que isso não se traduz o tempo todo no trabalho. Aparece
de vez em quando, mas não predomina.
P - Como vocês vêem a capacidade de renovação que o Kid tem, tantos e tantos
anos depois de Pintura Íntima, conquistando a garotada adolescente?
R - Vivemos fazendo coisas novas, movidos pela paixão que temos por tocar,
viajar, compor... É uma coisa prazerosa. Acho que o público capta essa
energia positiva. As pessoas, ao longo do tempo, vão descobrindo que certos
artistas passaram a fazer parte da vida deles. Outro dia, fui a uma festa e
encontrei uma figurinista, que trabalhou
conosco na época do Rock in Rio e as filhas dela, que, hoje, são
adolescentes, já estavam curtindo nosso som. É uma coisa mágica, que faz
parte da própria música. Os discos dos pais marcam muito
o que as crianças vão ouvir.