> 1 - Eu Contra a Noite
> 2 - 3 Garotas na Calçada
> 3 - O Rei do Salão
> 4 - Ressaca 99
> 5 - Gávea - Posto 6
> 6 - 10 Minutos
> 7 - Eu Não Esqueço Nada
> 8 - Da Lama a Pista
> 9 - Solidão, Bom Dia!
> 10- Pelas Ruas Da Cidade ( A Vida Continua)
> 11- Quando Eu Te Amo

ABAIXO SEGUE A LISTA DE CRÍTICAS FEITAS POR JORNAIS DE TODO O BRASIL AO NOVO CD SURF

Kid Abelha: em busca da onda perfeita

Banda carioca estréia na Universal Music com o disco Surf e diz esperar por melhores condições de divulgação para que suas músicas sejam sucessos

por Silvio Essinger

Ao lançar Surf , seu primeiro disco pela Universal Music, talvez o Kid Abelha não imaginasse que fosse mergulhar tão profundamente no tema. Durante uma sessão de fotos na praia do Arpoador (RJ), pouco antes da entrevista coletiva, o mar mau humorado, em tarde de ressaca, inesperadamente colheu os três músicos Paula Toller, George Israel e Bruno Fortunato como se fossem surfistas de primeira marola. "Fomos pegos pelas ondas ao invés depegá-las",
contou George, já de roupa seca. A idéia da banda ao abraçar esse conceitoem seu primeiro disco de inéditas desde Autolove (98) definitivamente não era a de tomar caldo.
"O surfista é a idéia utópica de felicidade. Ele pega onda, desafia o mar e é feliz sozinho. Originalmente, o disco ia se chamar "Inveja do Surf", revelou Paula.

Ao assinar com a Universal por três discos, depois de 18 anos (ou seja, toda a sua carreira até então) na Warner, o Kid tinha como ponto pacífico a decisão de fazer um disco só de músicas novas e não um Acústico cheio dehits
(coisa que eles fizeram em 94, no disco Meio Desligado ).
"A gente estava a fim de fazer um CD todo inédito o que hoje em dia parece uma aberração", provoca Paula, que aliás se mostra bastante preocupada com o painel atual da música brasileira:
"É tanta regravação de si próprio, de Roberto Carlos, Tim Maia e Jorge Ben Jor que daqui há 20 anos não se vai ter músicas para regravar."

A banda saiu da Warner deixando como últimos produtos o disco Coleção
(do ano passado, com faixas que estavam espalhadas por outros discos) e a coletânea E-Collection (para a qual gravou três faixas adicionais). "A gente fechou um ciclo na gravadora", diz George. Mas nem tudo foi tranqüilo nessa saída. "Não recebemos uma cópia sequer da E-Collection do Kid", denuncia Paula. "Tive que ler no jornal para saber como ele era." A banda diz esperar da Universal Music um trabalho mais eficiente de promoção, que faça seus discos venderem mais. "Não adianta ter músicas que podem ser hits se elas não viram hits", reconhece a vocalista.

No meio da confusão dos últimos três anos, Paula resolveu deixar de lado as letras feitas logo após Autolove só ficou a de Solidão, Bom Dia!. O restante de Surf foi todo composto ano passado. "Minha vida mudou em 2000. Achei melhor começar tudo de novo", diz ela, queaproveitou muitas anotações que tinha feito ao percorrer a cidade nas suas letras.

Em uma delas, a de Gávea-Posto 6, ela canta:
"Depois da chuva na Lagoa/
Sombras e silêncios no meu coração/
Hoje o rádio está disposto a me matar".
Nada contra a programação das emissoras, ressalva Paula.
Matar, sim, mas de alegria com boas surpresas, enquanto se navega pelo dial ao sabor do acaso.
"Prefiro ouvir rádio, porque até o random do CD é viciado!", brinca a vocalista.


http://.....Repertório para show


Uma das preocupações do Kid Abelha em Surf, conta George Israel, foi recuperar o punch do ao vivo, depois de um Autolove cheio de músicas sofisticadas (até Egberto Gismonti tocou!) que não puderam ser reproduzidas nos shows: "O Kid é uma banda de estrada. Uma das motivações para fazer esse disco era poder renovar o nosso show." Por falar nisso, em julho a banda estará de volta aos palcos com o novo espetáculo, que trará muita coisa do novo disco, mas também "uma porção de sucessos", como adianta Paula.

Nesse "começar de novo", o Kid Abelha também quis dar uma renovada na sua carteira de colaboradores. Quem estréia em trabalhos com a banda em Surf é Max de Castro, de quem o trio tinha ouvido o disco de estréia, Samba Raro . Segundo George, ele foi a pessoa ideal para ativar o "departamento soul" do Kid Abelha, no qual "a banda nunca conseguira atingir o máximo". Max acabou produzindo duas faixas: 10 Minutos e Solidão, Bom Dia!

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por HUMBERTO SLOWIK


Casa nova, clima de recomeço. É com este espírito que Paula Toller, George Israel e Bruno Fortunato lançam Surf, primeiro trabalho do Kid Abelha pela major Universal após 18 anos na Warner, gravadora pela qual lançaram discos desde o início de carreira, quando surgiram para o grande público com o hit "Pintura Íntima".

Sempre caracterizados como representantes do lado mais pop da moeda do rock nacional que tomou de assalto o mercado fonográfico e a mídia nacionais na década de 80 - e, pelo menos no início, muito criticados por não terem pose de mau ou politizado, e apostarem no que muita gente rotulava de meramente comercial, descartável -, o trio volta após trabalhos como a coletânea Coleção - composta, entre outras coisas, por canções produzidas para outros
projetos que não CDs próprios -, e de um jejum de três anos de um álbum composto apenas de inéditas - no caso, o elaborado Autolove (1998). Tendo se estabelecido como uma das bandas mais populares do Brasil - conseguindo, inclusive, superar o estado de marasmo e determinada falta de popularidade vivida por muitos representantes de sua geração na década de 90, e alcançando o interesse até mesmo do público teen, que não era nem nascido quando o Kid surgiu -, o trio não mexe no time que quase sempre esteve ganhando, mas pretende alçar novos vôos a partir de agora.


http://.....Solidão

Junto ao descontentamento com a Warner, a qual acusam de não desenvolver uma estratégia de divulgação satisfatória nos últimos anos, os artistas partem para mais uma investida apoiando-se em moldes que sempre os levaram ao sucesso, ao mesmo tempo em que utilizam influências musicais em evidência como mais um elemento. No caso da vocalista Paula Toller, as influências (mais uma vez) não param na área musical, e atravessam o campo determinado
pelas idéias e convicções (novas ou antigas) que norteiam seu cotidiano.

"O surfista, para mim, é uma idéia utópica de felicidade. Porque é o cara que é solitário, pega onda, desafia o mar, e é feliz sozinho. Eu tenho esta fantasia. O nome original do disco, por sinal, era Inveja do Surf, mas como gosto de títulos secos, mais simples, achei mais interessante usar só a palavra surf", fala Paula Toller.

Com letras escritas nos últimos seis meses - "tinha algumas coisas prontas, bem adiantadas, mas não gostei mais, porque minha vida mudou muito no ano passado, e aquilo tudo já não estava combinando comigo. Quase todas as letras surgiram de anotações que fiz quando andava pela cidade", fala Paula -, Surf surgiu da forma de trabalho que o Kid Abelha sempre usou, não conceituando o álbum antes do início de sua criação. E deve servir, entre outras utilidades, como provedor do arsenal que Paula, George e Bruno terão nos próximos shows.

"Somos uma banda de estrada", diz George Israel. "E este é mais um momento em que precisamos nos reabastecer. Para os novos shows, além de hits óbvios, só temos certezas que teremos muitas músicas do novo disco", completa Toller.


http://.....Produção

A produção de Surf ficou a cargo de George Israel, Kadu Menezes (que co-assinam 6 das 11 faixas)e Memê - até aí nenhuma grande novidade, já que o carioca preferido de muitas das estrelas do pop nacional já havia trabalhado com o trio anteriormente em mais de uma ocasião. Completando o time, eis que surge a figura de Max de Castro - filho de Wilson Simonal, e um dos maiores darlings brasileiros atualmente -, selecionado pela sonoridade interessante
de seu CD Samba Raro.

"Com esta história de começar de novo, a gente também queria colaborações novas, porque nossas experiências de trabalhar com outras pessoas foi sempre muito boa. Tínhamos curtido muito o disco do Max, por conta de uma grande originalidade de arranjos, do jeito soul. E como já tivemos algumas músicas que puxam para este lado soul, mas nunca nos sentimos exigindo o máximo delas, resolvemos chamar um especialista", explica George.

O disco, que já tem a faixa "Eu Contra a Noite" tocando em várias FMs,também inaugura uma estratégia diferente no que diz respeito à escolha da obrigatória música de trabalho.
Além da acima citada, "O Rei do Salão" (salão, no jargão do surf, como o tubo da onda) será trabalhada entre o público - com direito a clipe para as duas canções -, por se aproximar mais do conceito desenvolvido pela banda.

O Kid Abelha deve emplacar mais alguns hits com as canções que compõem Surf.
A grande maioria das composições trazem o apelo quase irresistível de cantarolar junto que marcou a trajetória do grupo - e que colocou o trio quase sempre na sobra do que foi o estouro do rock nacional -, "aquela coisa" pop um tanto inexplicável que surge como elemento chave para se conseguir um sucesso.

Só que, primeiro de tudo, é necessário dizer que é muito legal ver o trio novamente gravando apenas canções inéditas, sem partir para regravações de outros autores - como Tim Maia e Roberto Carlos -, ou reinterpretações do repertório desenvolvido em quase vinte anos de estrada. Através de melodias quase comuns - como normalmente fizeram -, e instrumentais que podem, por vezes, enganar dando a impressão de total simplicidade, Toller, Israel e Fortunato provam que ainda são campeões no pop nacional.

O pacote todo abre com a sacudida "Eu Contra a Noite", um rock revestido de produção mais sofisticada, mas que deverá entrar para a galeria Kid de êxitos. Apesar de diferente do que se apresenta na seqüência do álbum (com predominância de baladas), a canção é daquele tipo "batendo o pezinho", mesmo que o ouvinte em questão não seja exatamente um fã da banda.

A coisa continua num clima que George Israel descreve muito bem como surf anos 50, descompromissado, apesar das letras belas, muitas vezes contundemente melancólicas de Paula. Se "3 Garotas na Calçada" - outra da lista "pista de dança rocker" - é pura explosão, dá para escolher entre a quase singela "O Rei do Salão", a misteriosa "Gávea - Posto 6" (que traz a ótima frase "hoje o rádio está disposto a me matar"), as mais complexas e soul "10 Minutos" e "Solidão, Bom Dia!" (produzidas por Max de Castro), e a sensual "Quando Eu te Amo".

No final das contas, é claro que Surf é o tipo de disco que não vai mudar a vida de ninguém pela ousadia - e que, sim, vai continuar fazendo com que os críticos do grupo continuem na mesma opinião. No entanto, dentro do estilo da banda, soa também como trilha para ótimos dias na praia - os ensolarados, ou aqueles, lindos, em que o mar está revolto e o céu cinza, como se estivesse prestes a desabar.

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por RAFAELA GIORDANO

O Kid Abelha está de volta, em uma nova gravadora e somente com músicas inéditas.Depois de três anos sem um disco novo, Paula Toller, George Israel e Bruno Fortunato lançaram Surf esta semana, no Rio de Janeiro.
Surf traz rock, pop e soul. A parceria Paula Toller e George Israel está presente em todas as faixas do novo trabalho, o primeiro na Universal. Apenas 3 garotas na calçada e Gávea-posto 6 têm participações de músicos de fora do grupo. Na primeira, de Roberto Frejat; em Gávea..., de Cris Braun. "Foi divertido trabalhar com o Frejat, conseguimos fazer um rock bem rock,
que lembra bem o estilo do Barão, com quem nunca tínhmos feito nada ainda", conta Paula.

Para divulgação de Surf, o Kid aposta em duas músicas: Eu contra a noite e O rei do salão. Apesar de não ter muito a ver com o título do CD, Eu contra a noite foi a escolhida para abrir o novo disco.

A música, que na opinião da banda tem um bom potencial, tem um toque de Pintura Íntima, o primeiro compacto do Kid. O clima da capa e a origem do nome foi mesmo influenciada por O rei do salão, por lembrar da figura do surfista.

A música, como quase todas as outras, dá a idéia de solidão. E essa solidão, como define Israel,tem tudo a ver com a vida de quem pega onda. "O surfista dá a idéia utópica de felicidade.
Ele é um cara solitário. Parece ser feliz sozinho", complementa Paula.

Das letras criadas por Paula Toller antes da segunda metade de 2000,restaram apenas Solidão, bom dia! e Eu não esqueço nada. "Houve um momento em que abandonei tudo que havia escrito, por considerar ultrapassado em relação a mim mesma", conta.

A inspiração para novas músicas foi encontrada em caminhadas pelas ruas do Rio do Janeiro. As observações aparecem, principalmente, em Ressaca 99 (de tirar xerox, de lanchar no Bob's/ver "as maçaroca" de Copa subir) e em Gávea-posto 6 (depois da chuva na Lagoa/a luz, o Cristo. 1 avião e uma canção).

Surf marca também a troca de gravadora para o grupo. Depois de 18 anos na Warner, o Kid assinou contrato com a Universal para a produção de três discos.
A empolgação pode ser observada pela escolha do repertório do disco.
"Gravadora nova, músicas novas", diz Paula, "não tínhamos como entrar numa gravadora com um repertório velho", afirma Israel.

A produção de letras e músicas foi toda realizada no final de 2000 e início de 2001. "Assim o trabalho fica relacionado a uma época", diz Paula. Agora, o Kid se dedica à divulgação do disco, sem se preocupar com os próximos. "O Kid é banda de estrada e quando se faz um disco por ano acaba-se não tendo tempo para viajar", acredita Israel.

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ESTADAO

Kid Abelha renova repertório para durar anos
A banda de Paula Toller, George Israel e Bruno Fortunato lança CD com inéditas


por JANAINA ROCHA

RIO - Surf, o novo CD do Kid Abelha e o primeiro pela gravadora Universal Music, é, sobretudo, um trabalho de propósitos francos. "Somos uma banda de estrada.
Em Autolove (1998), perdemos um pouco dessa medida, fizemos um disco difícil para ser levado para o palco", analisa George Israel, co-autor de todas as composições inéditas. "Este é dosado, tem as músicas que funcionam no show e as mais sofisticadas."

A franqueza do grupo soa como maturidade musical, diferente do cinismo de certas bandas da sua geração, como os Titãs. O disco anterior, Coleção (2000), esboçava acomodação, com releituras de músicas praticamente obscuras e geniais. Entretanto, o grupo tinha alguns argumentos para fazê-lo. Era a despedida da gravadora Warner, com a qual o Kid foi introduzido no mercado fonográfico, no início dos anos 80. E o adeus, numa major interessada
sempre no próximo lançado, precisava ser breve. Coleção passou em branco.

Surf inicia o novo ciclo com vigor. As 12 composições foram feitas em cerca de quatro meses, no ano passado. "Gosto muito dessa intensidade, de criar com ímpeto. Isso deu unidade", afirma Paula, autora das letras do grupo. Ela conta que tinha rascunhos e músicas prontas, mas se desfez, por não acreditar no valor emocional e artístico desse material.
A única remanescente foi Solidão, Bom Dia!.

"Desde a nossa parada no ano passado, além das mudanças de gravadora, tive momentos pessoais delicados. O que havia feito não fazia mais sentido com o jeito que eu passei a encarar.
A alegria ganhou outra dimensão, a tristeza também", conta ela.
"Esses sentimentos, que cercam a vida da gente em períodos distintos,ficaram mais verdadeiros para mim e, mesmo que sutis, se mostram nas músicas. Ou na minha avaliação sobre os sentidos de cada uma."

Embora haja mudança na forma de Paula encarar determinadas emoções, Surf não difere do estilo desprendido de bandeiras estéticas, pop e refinado do Kid Abelha.
"Quando componho, penso que a nossa profissão é tocar no palco", diz ela.
Para isso, o grupo tem um princípio rígido há 19 anos: fazer canções.

"Apesar de estarmos dentro do formato rock, com banda, desde o começo nós nunca nos encaixamos numa tendência. As canções sempre foram o cerne. Sempre teve mais valor do que a atitude rock-n'-roll e outras coisas da nossa geração", diz Israel.
"Nossa música parte da simplificação máxima. Se a canção funciona bem no violão, então estamos no caminho certo", completa o guitarrista Bruno Fortunato.

A estrutura das canções continua fundamental para a banda. "Preocupo-me com a poética, mas gosto de escrever simples, com olhar subjetivo, mas com clareza e musicalidade", afirma Paula. O ponto de vista da compositora também destoa de alguns da sua geração, que se mostram mais críticos sobre a realidade. "Acho que tenho uma visão mais romântica.
Quando comecei a criar para Surf fui querendo imaginar sensações de quem anda na rua, observa a ressaca do mar. Não quis descrever, como a Fernanda (Abreu) faz, até porque esse não é o meu forte." Sobre isso, Paula afirma não querer usar a música como instrumento político e, aos poucos, quer ser mais atuante, mais cidadã.

Surf tem acabamento de primeira. Além da produção de Israel, o grupo chamou Memê e Max de Castro e cada um produziu duas músicas. Memê, segundo Israel, quis propor algo inédito.
"Ficamos muito felizes com o esforço dele em fazer algo inventivo", diz.
"Já o Max conseguiu dar o tratamento soul verdadeiro que o grupo tentava e não conseguia."

http://.....Reprodução

Tinha tudo para ter vida curta o Kid Abelha. Nome datado, um saxofone de ocasião (era cool na era yuppie banda com saxofone) e um som que logo ganhou a pecha de "descartável", adjetivo mortal nos finados anos 80.

Desde Educação Sentimental (1985), o Kid Abelha vem aprimorando de maneira inapelável sua fórmula de "música descartável", contribuindo para a obsolescência do antigo adjetivo crítico.

Qual é o passo adiante do grupo em Surf? Não é a temática, que envolve gírias de surfistas (como salão, parte da onda que chamam também de tubo), porque essa história de música de surfista e de skatista é besteira. O segredo é a batida, o acerto com a percussão eletrônica e a programação de bateria, algo que atingiu um equilíbrio.

A cantora Paula Toller vem testando recursos tecnológicos desde seu disco-solo Paula Toller (WEA), de 1998. Com Autolove, também de 1998, o grupo ampliava sua pesquisa, incorporando à sua suposta facilidade pop sons de flautas, vibrafone, violão, sax e percussão real, associada à eletrônica.

O barato, no entanto, são sempre as letras, simples e orgânicas.

Três Garotas na Calçada, parceria de Paula Toller, George Israel e Frejat, do Barão Vermelho, nasceu clássica. Impossível não transcrever parte da letra.

"Hoje à noite, aqui na cidade/
Me chamaram a atenção/
3 garotas na calçada, com baixo, bateria e guitarra na mão/
Qual das três é muito doida?/
Quem é que escreve, quem faz na na na?/
Quem é a dona da parada?/
Qual a onda que elas vão pegar?".

São as questões essenciais do pop nacional. Escolher o homem de frente, a onda do momento (new wave, punk rock, trip hop?) e montar o teatrinho. Há duas décadas, quem faz "na na na" na música de tocar no rádio na hora do rush é Paula Toller e seu grupo, o Kid Abelha.

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