Kid Abelha grava seu Acústico MTV 20.09.02 - Uma das bandas com maior média de hits por ano de carreira da já antológica geração pop roqueira dos anos 80, o Kid Abelha, encerrou na última quarta-feira (18.09) as gravações de seu Acústico MTV. O programa, que conta com as participações de Edgar Scandurra em ´Como Eu Quero´ e ´Mudança de Comportamento´, e Lenine na canção ´Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda´, foi gravado no estúdio Oscarito do Pólo de Cinema e Vídeo, no Rio de Janeiro. Além de novas roupagens para sucessos como ´Maio´, ´Eu Tive Um Sonho´, ´Como Eu Quero´, ´Grand´ Hotel´ e ´Lágrimas e Chuva´, entre outros, o Kid Abelha concebeu versões para sucessos como ´Quero Te Encontrar´, de Claudinho e Buchecha, e ´Brasil´, uma parceria entre Cazuza, George Israel e Nilo Romero. O programa será transmitido em novembro e dará origem ao CD e DVD ´Acústico MTV Kid Abelha´. O mtv.com.br disponibilizará um hot site especial do especial com direito a galeria de fotos, curiosidades, entrevistas exclusivas, ficha técnica e muito mais.
 








20 anos depois, uma musa de 40

Isabel De Luca Vai fazer 20 anos, mas parece que foi ontem: no dia 13 de novembro de 1982, o Kid Abelha, já com a demo de "Distração" na programação da Rádio Fluminense, fez o primeiro show de sua história, abrindo para Zé da Gaita e Jards Macalé - no Circo Voador, naturalmente. À época, os Rolling Stones comemoravam duas décadas de carreira e a cantora Paula Toller, que era fã de Marcos e Paulo Sérgio Valle, Stevie Wonder e Rita Lee (principalmente de Rita Lee), achava tal duração um absurdo. - Para mim era coisa de outro mundo uma banda ficar de pé por tanto tempo - lembra. - Hoje penso que 20 anos é só um número, mas acho bom comemorar. É tão difícil trabalhar, é tão difícil fazer música e é tão difícil viver de música... Paula, George Israel e Bruno Fortunato - o atual Kid Abelha, enfim - estavam pensando em lembrar a data com um show no Circo (ou "nas ruínas do Circo", como ela diz). Mas acabaram convidados para fazer um disco do projeto Acústico MTV. Saiu melhor que a encomenda: o grupo acaba de gravar hoje, no Pólo de Cine e Vídeo, em Jacarepaguá, o CD que chega às lojas em meados de novembro. Na hora "H", portanto. O "Acústico MTV" do Kid Abelha vem com novidades. Além dos grandes sucessos e das participações especiais que já viraram marca do projeto - desta vez tem Lenine (em "Na rua, na chuva, na fazenda", de Hyldon) e Edgar Scandurra (guitarrista e compositor do Ira!, em "Como eu quero") - o disco traz três faixas inéditas cujas letras marcam uma nova fase no caminho do Kid Abelha: "Meu vício agora", "Nada sei (apnéia)" e "Gilmarley song", parcerias de Paula e George, falam de um universo até então estranho às letras do grupo. - As músicas novas têm uma cara diferente dos nossos sucessos. Quero falar de outros assuntos e este disco já apresenta uma mudança que vem por aí - adianta Paula, que em seguida acha melhor trocar a forte palavra "mudança" pela mais simpática "andança". - Em uma dessas músicas, digo que não vou mais falar de amor e dor, elementos que estão sempre nas minhas letras. Estou mostrando uma visão menos particular das coisas. Andávamos meio reclusos. É bom fazer uma coisa diferente. 'A Paula sempre foi uma espécie de Nara', diz Gil "Gilmarley song" é diferentérrima . Escrita na noite em que Paula viu o show "Kaya N'Gan Daya", de Gilberto Gil, a música é, segundo a autora, "um recado a favor da paz e da música e contra a megalomania" ("Vamos falar mais baixo/Vamos falar pra escutar/Uma barriga roncando/Uma mamãe chorando", diz uma estrofe). O baiano recebeu um CD com a homenagem na última segunda-feira, assim que pôs os pés no Rio de volta de uma temporada de apresentações pelo Nordeste. - Fico encantado. A Paula, apesar de surgida no seio dessa coisa rock, sempre teve um recato, sempre foi uma espécie de Nara Leão, até mesmo no jeito de cantar, com uma voz muito própria, natural, sem afetação. É lindo que gente como ela tenha se encantado com um show tão singelo e feito uma música por causa de Gil e de Marley - derrete-se Gil. A admiração mútua acaba de render a Paula um convite para se apresentar no trio elétrico Expresso 2222, no próximo carnaval soteropolitano. Ela adorou a idéia porque acredita que a fórmula do sucesso de um artista é justamente o contato constante com o público. O que esse público não sabe, ou parece não saber, é que a Paula Toller que em cena corre de lá para cá e exibe um corpinho malhado, conquistado às custas de alongamento, musculação (ambos três vezes por semana, em casa, com a ajuda de um professor particular) e partidas de tênis (duas vezes por semana, sempre contra o marido, o cineasta Lui Farias), completou 40 anos no último dia 23 de agosto. Se bem que a idade, para ela, não faz muita diferença. - Só sinto que fiquei mais alegre. Era cheia de problemas e hoje não invento mais problemas. Sou uma pessoa do sim, gosto de ver o lado bom das coisas - divaga. O marido, que divide a vida com a recém-quarentona há 14 anos (antes, porém, Paula foi casada com Herbert Vianna), concorda. Para ele, Paula é totalmente do bem e quase não mudou com o tempo: - Ela é uma pessoa muito constante, sempre teve uma direção muito precisa e definida do que quer. Além disso, é carinhosa, generosa, inteligente, muito consciente e domina muito bem a profissão que tem, da letrista à empresária. Do ponto de vista profissional, é muito madura. Nem sempre foi assim. No início de sua trajetória, Paula teve problemas sérios com a imprensa: quando surgiu no fervilhante cenário musical oitentista, ficou muitíssimo chateada com a imagem de aparvalhada que colaram à sua imagem. E o trauma só passou recentemente. - Tinha 20 anos, era uma garota de classe média sem nenhum traquejo e me pintaram como uma boba - reclama. - Tinha uma turma a fim de dar opinião, de aparecer. Já eu, quis sumir. Mas agora relaxei. Mesmo assim, Paula continua passando muito tempo em casa, na Gávea. Gosta de cantar com o filho, Gabriel, de 13 anos, apreciador de rock, reggae e rap. Come bem ("e de tudo") mas há muito largou o vício da Coca-Cola, que para ela tem "muita química". Adora praia. Está em dívida com o cinema ("Quando estou dentro da sala, adoro, mas dá preguiça de pegar o carro, estacionar..."). Não morre de amores pela música eletrônica ("Em festa, então, é uma coisa muito cansativa. Não tomo ecstasy..."). É muy amiga de George Israel, do casal Fernanda e Dado Villa-Lobos.


 

 

Kid Abelha grava seu Acústico MTV Paula Toller interpretou ainda Kelly Key, Roberto Carlos, Ivete Sangalo e Deep Purple Foi-se o tempo em que a voz de Paula Toller suscitava críticas nem sempre respeitosas: em português claro, desafinada era o termo recorrente associado à cantora. A bela quarentona provou nesta quarta- feira e quinta-feira que não precisou do Pro Tools (o salvador programa de computador que conserta escorregões de gente que não sabe nada do riscado) para dar a volta por cima. Os vinte anos de carreira do Kid Abelha, completados neste ano, fizeram bem à diva, que comemorou o aniversário da banda (e o seu, agora em agosto), sua excelente forma física e sua linda voz no Acústico MTV do grupo, gravado no Pólo de Cine e Video de Jacarepaguá, no Rio. No repertório do programa, que vai virar também CD e DVD (nas lojas em novembro), vingou a receita de sempre do formato: um punhado de inéditas, duas ou três esquecidas e vários sucessos. As novidades são Nada sei, Meu vício agora e Gilmarley song, esta última uma homenagem a Gilberto Gil e Bob Marley, idealizada quando Paula assistiu o último show do baiano, que lançou este ano um CD com músicas do Rei do Reggae. A nova safra marca um amadurecimento (especialmente nas letras) do conjunto, menos aficcionados nos temas amorosos e com uma amplitude quase política. Das velhas conhecidas estavam lá Fixação, Pintura íntima, Como eu quero, Amanhã é 23 e Eu tive um sonho, devidamente acompanhadas pelo coro da platéia, sempre escolhidas a dedo entre integrantes de fã- clubes capazes de cantar todas as letras de cabo a rabo. Além do público, participou de Como eu quero o guitarrista do Ira!, Edgard Scandurra, que exibiu sua habilidade em um belo solo de violão que lhe rendeu elogios: "Seus solos de guitarra me conquistaram", se derreteu com sensualidade a vocalista, fazendo alusão aos versos de Fixação. O Kid aproveitou também para regravar Na rua, na chuva, na fazenda, sucesso de Hyldon que a banda já havia revisitado no disco Meu mundo gira em torno de você (1996). O conjunto contou com o habitual talento do pernambucano Lenine para dar maior beleza à canção, que teve de ser repetida quatro vezes (dentro da média, em se tratando de acústicos). Outro bom momento foi a interpretação do sucesso na voz de Cazuza, Brasil, em que George Israel (co-autor da música ao lado de Nilo Romeiro) teve seus minutos de glória, ao cantar o hit junto com Paula. Kelly Key - Mas curioso mesmo foi poder conferir as impagáveis imitações e performances de Paula Toller, entre uma piada e outra (umas engraçadas, outras nem tanto) que não entrarão no CD (nem no programa), mas que foram devidamente registradas pelas câmeras da MTV. Em uma delas, Paula Toller cantarolava uma canção dos Beatles quando se tocou: "Gravar Roberto Carlos já está difícil, imagina Beatles!", disse, arrancando as risadas de quem está por dentro das sucessivas tentativas frustradas de artistas que tentam regravar músicas do Rei. Paula emendou em seguida O Portão - aquela em que Roberto Carlos solta a voz nos versos eu voltei/e agora é pra ficar/porque aqui/ aqui é o meu lugar -, pouco se lixando para as recusas do cantor. Neste esquema quase de avacalhação, a cantora avisou: "Pô, tinha prometido que hoje eu não ia cantar Baba (sucesso de Kelly Key)", brincou. A vocalista fez questão de elogiar a menina: "Me lembra o nosso começo", disse, séria, antes de começar sua hilária interpretação da música, em que abusou dos trejeitos sexy-infantis de Kelly Key. Vale lembrar que a sessão versões proibidas teve a participação intensa da banda, formada pelos ex-Abóboras Selvagens George Israel e Bruno Fortunato, acompanhados por Jefferson Vitor (trompete), Kadu Menezes (bateria), Rodrigo Santos (baixo), Humberto Barros (piano), Nani Dias (violão) e Ramiro Musotto (percussão). Neste pacote teve ainda A festa, de Ivete Sangalo, e Smoke on the water, o maior sucesso do Deep Purple, já gravado pelo Kid Abelha em discos anteriores. Paula Toller cantou ainda Quero te encontar (aquela que diz: você pra mim é tudo/minha terra meu céu meu mar), uma homenagem à dupla Claudinho e Buchecha. Claudinho faleceu recentemente, vítima de um acidente de automóvel. Esta faixa sim, vai entrar no CD Acústico, mas chegou a confundir: será que não fazia parte do script fake? Não fazia. Confira o repertório completo da apresentação:

















A cenógrafa Isabelle Bittencourt foi a responsável pelo colorido, abundantemente iluminado e auto-suficiente cenário do ‘Acústico Kid Abelha’. Ela mesma explica em que se baseou para criá-lo: "Na verdade a gente ficou conversando bastante tempo a respeito desse cenário e a primeira idéia que a gente teve foi fazer uma coisa que remetesse ao Rio de Janeiro dos anos 50 e 60. Eu comecei a fazer uma pesquisa em cima disso e, enfim, pesquisei vários livros de fotografia dessa época e acabei achando um fotografia muito interessante, que nada tinha a ver com isso. Era o livro de um fotógrafo alemão que fotografou bastante o Brasil nos anos 60 e 70, e tinha imagens de vários lugares e tinha uma em especial, feita na Indonésia, que tinha uns elementos diferentes. Era uma foto noturna e não dava para saber o que eram exatamente esses elementos, mas percebia-se que tinham forma, volume e aparentavam possuir luz por dentro. Achei essa referência super bonita, apesar de não ter nada a ver com o que a gente estava procurando. Fui para a reunião com o Jimmy (Leroy, gerente de Promo/Gráficos da MTV), a Romi (Atarashi, produtora dos shows e especiais da MTV), a Anna Butler (diretora do TAR) e comecei a mostrar as referências dos anos 50, 60, Rio de Janeiro e não sei que, mas eles adoraram essa referência indonésia, que não tinha nada a ver com a idéia inicial. Então decidimos fazer uma coisa que tivesse essas luminárias. Pensando nessa estrutura aérea que surgiu a idéia de colocar esses elementos num cenário que fosse iluminado por si próprio".





 

mtv.com.br - Como foi a preparação do ‘Acústico’? George Israel - A gente começou em março, só nós três. Partiu muito dos violões e começou bem da essência das músicas, dos violões com a voz. Começamos a ver as músicas que iríamos tocar, experimentamos um monte de coisas. Montamos a banda em junho. O difícil de fazer esse disco, na verdade, foi a escolha do repertório, porque o ‘Acústico’ tem uma história de você poder fazer várias coisas diferentes de formas diferentes. Poderia ser uma coisa mais super produzida, com arranjo de cordas em todas as músicas, mas a gente tentou segurar um pouco na simplicidade. Acho que, dessa forma, a voz da Paula se valoriza, os instrumentos se valorizam e a sonoridade se diferencia do disco de estúdio. A gente adora o som dos violões, então pensamos muito em cima disso. A dificuldade foi não repetir muita coisa do ‘Meio Desligado’ e não fazer um disco de greatest hits, o mais óbvio, que também não sairia pelo fato de muitas coisas já estarem no acústico anterior. Também pensamos em novidades, coisas que a gente nunca tivesse gravado antes. Olhar para a frente, entendeu? Até porque tem a coisa da turnê, que a gente sabe que vai fazer e que é bacana pra caramba. É legal ter assunto para ir se desdobrando conforme o disco for acontecendo. Também quisemos colocar músicas de outras pessoas e aí experimentamos milhões de coisas.

mtv.com.br – E a seleção das músicas? George Israel - Experimentamos ‘Borderline’, da Madonna, ‘Overkill’, do Men At Work, testamos várias músicas brasileiras diferentes e coisas que a gente já tinha feito, como ‘Pingos de Amor’, que a gente toca e fica muito legal ao vivo. Acabamos achando dessa forma. O processo era meio caótico. Vai um convencendo o outro ou a música convencendo que ela não pode sair. Uma hora um põe em dúvida a exclusão… Tem ‘Amanhã é 23’, que a gente tinha feito um arranjo acústico que não entrou no outro disco. É uma música que tínhamos parado de tocar há muito tempo e voltamos a tocar dessa maneira. Tinha músicas que agente nem pensava muito em colocar, como ‘Te Amo Pra Sempre’ e ‘Pintura Íntima’, por achar que uma era muito carnaval e a outra, final de show plugado. Mas com ‘Te Amo Pra Sempre’ a gente sentiu que achou um caminho interessante para ela e diferente do original. Essa música deu um peso no show que a gente sentiu que é importante ter. É um programa de televisão que é um show, então tem que ter aquela música que é a última do show, que dá aquele gás. O ‘Pintura Íntima’ acabou entrando aos 45 minutos do segundo tempo, porque a gente tinha uma idéia, primeiro, de que iríamos entrar com um bloco de carnaval, que seria o Monobloco, do Pedro Luís e A Parede, ou o Afro Reggae, mas acabou complicando por questões cênicas. Depois a gente começou a achar até que não era por aí. Tem uma hora que tem que fechar a tampa. A gente queria pegar umas músicas antigas, que a gente pudesse pegar como um lado B e trazer de volta de uma outra forma, como uma música nova. Mas resolvemos fazer as músicas novas, que são ‘Nada Sei’, ‘Meu Vício Agora’ e ‘Gilmarley Song’, que é uma homenagem ao Gilberto Gil e a todas as pessoas que fazem música.

mtv.com.br – Algumas canções foram escolhidas pelos internautas, que votaram através do site de vocês. Houve alguma surpresa nas escolhas dos fãs? George Israel - Falamos: "Deixa os caras escolherem É muita música!" A gente escolheu várias, mas deixou essas que gente estava em dúvida para serem definidas nessa pesquisa do site. Escolhemos algumas músicas em função disso. ‘Maio’, ‘Grand Hotel’… ‘Maio’ principalmente, porque é uma música que tocou no rádio, mas não tocou tanto. A gente não sabia que ela era tão querida, porque nunca tinha estourado no rádio. É uma música gostosa de tocar, que tem esse clima de um acústico.


mtv.com.br – Como a conteceu a convocação da banda do ‘Acústico’? George Israel - Eu tenho banda com o Rodrigo (Castro, guitarrista do Barão Vermelho). Ele já gravou com o Kid várias vezes nesses últimos quatro ou cinco discos. Quando o Barão Vermelho parou, vimos essa possibilidade, mas estávamos com o Dunga na época. É um cara que, no ‘Acústico’, manda bem, porque também faz o back vocal. Ele tem esse espírito de violeiro de fogueira. A gente toca muito junto e faz muita coisa de onda, como pegar dois violões, ir para a casa de alguém e ficar tocando por umas quatro horas. Esse espírito é legal, apesar que, do jeito que o cenário ficou armado, o Kid Abelha ficou em destaque, diferente do que acontece nos shows. O Kadu, que é bateirista, está há muito tempo com a gente, desde 91, e produziu comigo os últimos quatro discos. É um cara que tem uma puta pegada, mas também tem a manha das baladas. O tecladista, que é o Humberto Barros, que é fantástico, um músico muito bom. O naipe de metais está com a gente há várias turnês. O Ramiro, que é o percussionista, já tocou com o Skank e com o Lulu Santos por muito tempo. É argentino, mas morou na Bahia por 15 anos. Ele também é produtor e fez o Zeca Baleiro, entre outras coisas. Queríamos trazer um tipo de percussão que nunca usamos no Kid, que é essa coisa do berimbau, da cuíca, dos instrumentos exóticos que ele tem. Queríamos usar isso no lugar da percussão latina, que é o que a gente sempre usou mais. Tem as cordas (violinos e violoncelo), que a gente não quis colocar como uma presença permanente. Não queríamos ir por esse caminho, mas não resistimos à tentação de colocar em quatro músicas, que é para dar um colorido. Acho que o resultado sonoro é muito bom, mas não quisemos fazer isso em todas as músicas





















mtv.com.br - Depois de tudo pronto, entre arranjos e detalhes técnicos, qual a cara do programa? George Israel - A cara do nosso acústico é um pouco variada, até em função de eu tocar saxofone, violão e bandolim. As canções em que eu toco sax acabam sendo levadas por um outro lado. Eu vejo isso depois de estar pronto. Tem as coisas que a gente acha que é mais um acústico mesmo, que são violões, bandolins em cima das outras cordas. Tem um pouco de tudo que a gente faz naturalmente. Paula Toller - Esse trabalho de pegar as músicas e traze-las para a essência delas, da composição, da harmonia e da melodia, é super legal. A gente adora fazer isso. É uma maneira de realçar a composição, sem tanto enfeite. Trazer mais para um clima de "Olha como é essa música", como se você estivesse tocando violão para um amigo. Esse que é o espírito do acústico da gente.




mtv.com.br - Existe algum acústico em especial que vocês curtiram ou em que se basearam para criar parte do show? George Israel - A gente ouviu vários. Eu gosto muito de coisas de vários acústicos. Acho muito legal o da Cássia Eller, o do Capital (Inicial). A gente até falou do Legião Urbana, dessa história de ser bem a essência de como começou o acústico. As pessoas não ensaiavam tanto para fazer o programa. O acústico virou uma coisa muito forte. Paula Toller - Olha, todos os acústicos que eu já vi foram sem esse olhar profissional. Foi como platéia. O único que eu realmente conheço bem é o da Rita Lee, porque eu fiz uma participação cantando com ela. O resto foi mais no papel de público. Não vejo muito o que os outros fazem, porque um artista é tão diferente do outro, que, se você ficar olhando de forma clínica, não vai dar certo. Eu não gosto disso. Gosto de me preparar bem e deixar o que é meu acontecer. Gosto de deixar algumas coisas acontecerem, sem ficar muito cheia de precaução. Eu deixo espaço para as surpresas. É claro que a parte profissional, de preparo técnico, ensaios, a escolha da equipe, desde o cara que faz a mixagem dos earphones até a maquiadora. Prefiro escolher as pessoas boas no que fazem e delegar a elas o trabalho delas. O Kid trabalha assim até com os músicos. A gente gosta dos músicos que tem idéias próprias. É legal você estar aberto para as coisas que podem acontecer na hora, porque, se você planeja demais, fica um negócio meio frio. Não gosto de estar 100% ensaiada. É claro que nós estamos ensaiados pra caramba. Mesmo porque é um show gravado ao vivo. É diferente de você fazer um disco de estúdio. Nós ensaiamos várias horas por dia por várias semanas. Eu, como cantora e mestre de cerimônias, tenho essa função de apresentar algo de novo no dia. Eu não passo texto, não fico decorando texto. É claro que eu penso no que vou falar, mas não escrevo. Acho que é legal quando as pessoas sentem que na "hora do vamos ver" rolam umas coisas diferentes. Eu gosto dessa sensação de não saber exatamente como vai ser e poder apresentar alguma coisa de improviso.

mtv.com.br - Vocês já possuem um disco acústico, o ‘Meio Desligado’, de 1995. Por que decidiram gravar um novo trabalho nesses moldes? George Israel - Com ‘Meio Desligado’, a gente sentiu que musicalmente rendeu pra cacete, o resultado do disco é maravilhoso, mas que não nos beneficiamos tanto disso. Queríamos fazer mais shows e não tinha lugares. Era uma dificuldade tentar vender o show e as pessoas não sabiam o que era. Hoje em dia é o contrário. Apesar de teoricamente não ser tão próprio para fazer shows em ginásios. Mesmo a gente já tendo feito um acústico, as pessoas perguntavam: "E aí? Quando vocês vão fazer um acústico?" Acho que o especial viria bem a qualquer hora. A gente curtiu pra caramba o outro e está curtindo esse, até porque é muito gostoso tocar as violas e tal. É uma coisa que a gente gosta.









mtv.com.br - Qual a história das participações de Edgard Scandurra e Lenine? George Israel - A gente pensou em tanta gente para convidar, mas quisemos fugir do óbvio em função de gente com quem fizemos outras coisas, da galera aqui do Rio de Janeiro. Queríamos uma coisa diferente, que nunca tivéssemos feito antes. Pensamos no Edgard Scandurra. Eu estava conversando com o Edgard. É engraçado que ‘Mudança de Comportamento’ é uma música do Ira!, mas que poderia ter sido feita para o Kid Abelha. Apesar de sermos de cidades diferentes e do caminho dentro do estilo ser totalmente diferente, bebemos das mesmas fontes, entendeu? A gente apareceu no mesmo momento e bebemos de fontes bastante variadas. Viemos de uma geração que estava ouvindo muito o que estava sendo feito lá fora, que eram coisas novas, como new wave, punk, e tinha também uma bagagem de música brasileira, que a gente cresceu ouvindo, música de rádio. Tinha um frescor nos anos 80 por causa dessa história de renovação do pop rock, mas cada um escolheu um caminho.
Todo mundo adora o trabalho do Lenine. Eu conheci o Lenine na faculdade. Quando ele chegou no Rio, eu via shows dele na PUC e acho bacana o cara ter percorrido esse caminho todo e não ter perdido o estilo. Simplesmente o tempo foi passando e ele foi aprimorando a onda dele. Algo que vinha do começo, mas que durante um tempo as portas ficaram fechadas, porque o som que rolava era urbano. As coisas mais regionais, com sotaque, ficaram muito em segundo plano. Acho que com a histório do mangue beat, do Carlinhos Brown, entre outras coisas, abriu um espaço e acho que o Lenine entrou fazendo o que ele sempre fez. Vi o show dele e fiquei chapado. É rock’n’roll na atitude, apesar de ter muita coisa na letra, de a sonoridade possuir uma mistura, é um puta show de rock’n’roll. E ele é uma figura muito doce, meio louca, no sentido do contraste entre o comportamento dele e o da Paula. Legal ficou a ‘Na Rua, Na Chuva’, que tem a frase "Dizem que sou louco", e aparece o cara com aquele cabelão, soltando a voz. Depois de ter convidado, até somou com uma coisa que a gente tem forte com o nordeste, com o público nordestino. A gente, nos últimos dois anos tem ido muito para aquela região. Porque o Brasil tem muito isso de você estar legal uma hora no sul, outra nas capitais…











mtv.com.br - Como aconteceu a escolha das músicas que seriam divididas com os convidados? George Israel – Quando o Edgard foi convidado, havíamos escolhido quase todo o repertório. Daí, pensamos: "E agora? Onde tem espaço?" A que venceu foi um estalo: "Solos de guitarra não vão me conquistar". É bacana você chamar o convidado para uma música importante, que a gente toca há muito tempo. De repente, a novidade é a participação do cara, o que ele vai colocar ali. Foi uma escolha que eu achei bem original. A gente ficou contente de ter lembrado e de ter rolado. A gente já tem um guitarrista. E o Edgard canta, mas no Ira! não é o cantor. Ele fez a voz e o solo e acabou rolando o ‘Mudança de Comportamento’, que era uma música que a gente já tinha tocado uma vez no Palace, em São Paulo. A gente não fez arranjo. Acabou tocando dois violões, voz e o bandolim. Era um negócio que eu queria muito que tivesse, esse lance original do acústico. Quase como quando a gente fez o ‘Balada MTV’, que éramos nós três e percussão. Como no acústico do Legião Urbana. Mas é uma coisa difícil de manter, porque vai-se aperfeiçoando, entre aspas, os arranjos e fica difícil de manter. A Paula sugeriu e a gente mandou uma fita para ele com três músicas, e uma delas era ‘Na Rua, Na Chuva’. Engraçado que os dois lados pensaram a mesma coisa. Outra coisa curiosa é que nessa fita também estava o ‘Como Eu Quero’. A gente ia chamar só o Lenine, mas o que rolou com ele foi tão maneiro, que a gente falou: "Pô! Vamos chamar mais alguém". É um puta tempero no show a novidade de ter alguém no programa e que vai fazer um negócio que é só ali que vai rolar.

mtv.com.br – Rolou também uma participação especial do violão do Frejat… George Israel - É, tem o dobro emprestado dele. Ele está ali presente de alguma forma. O Frejat é uma escolha que podia ter sido legal pra caramba, nós temos um proximidade muito grande com ele, mas o Barão está representado ali pelo Rodrigo.

















mtv.com.br – O programa possui três momentos de aparente homenagem: ao Cazuza, em ‘Brasil’, ao Claudinho, com ‘Quero Te Encontrar’, e a Gilberto Gil, com ‘Gilmarley Song’. Eles foram intencionais? George Israel - O do Cazuza realmente virou uma homenagem, mas fizemos mais pela música mesmo. Fiquei muito feliz da Paula aparecer com a letra do ‘Gilmarley’. Foi uma puta felicidade aparecer aquela letra para mim. Agora, ‘Quero Te Encontrar’ a gente tinha escolhido antes do Claudinho morrer.
Quase desistimos da música porque, na época que a gente tava começando a encaixá-la no repertório, aconteceu a tragédia. Ficou um certo bode. Passou um tempo e a gente concluiu que foi tão espontâneo da nossa parte, que ficou tipo uma homenagem, mas a intenção não era essa. Era mais uma coisa da alegria da música dos caras, de ser uma música pop com um puta astral, de uma galera que vem de outra parte da cidade, porque o Rio tem isso de ser dividido mesmo. É legal alguém que tenha esse astral, parece que junta a cidade, a Zona Norte, a Zona Sul, qualquer zona. Está sendo bacana pra gente, porque não queríamos fazer algo voltado para nossos ídolos e tal. A homenagem ao Gil cumpre bem esse papel de homenagear quem a gente gosta. Em vez da gente gravar uma música da Rita Lee ou do Tim Maia, achou mais legal trazer algo como Claudinho & Buchecha para um outro ambiente.

Paula Toller - São coisas completamente diferentes. A gente já gravou várias músicas do Cazuza e até parcerias do George com ele, que são muitas. Mas é a primeira vez que a gente grava essa música, que é tão importante na carreira do Cazuza e também para o Brasil. É uma música que marcou muito não apenas com o Cazuza como com a Gal Costa também. É aquele tipo de coisa que a gente só se toca quando alguém fala: "Pô! Essa música é do George e agente nunca gravou…" O momento é tão interessante já que esse programa já é um clássico da televisão e essa música é clássico do pop. É o primeiro samba rock dessa geração. É um momento legal para uma novidade desse tipo. O Cazuza foi, além de amigo íntimo do George, amigo meu, um cara super astral. Estava sempre nos shows. Foi um cara que, num momento em que não era muito bacana gostar do Kid Abelha, ele peitou, fez um release pra gente, se considerou mais um kid abelha. Eu não esqueço isso, porque foi uma demonstração de personalidade dele. De repente a gente não era moderno e ele foi lá, deu a opinião dele e muita gente foi atrás. Quanto ao ‘Quero Te Encontrar’, realmente é uma música que a gente adora e sempre deu uma cantaroladinha em ensaio. Achamos que seria uma regravação interessante, assim como foi ‘Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda’, em 97. Daí, justamente na primeira vez que a gente tocou a música num show, para ver qual era a reação do público, foi a noite do acidente. Foi uma loucura, porque a gente acordou no dia seguinte ao show e ficou sabendo. Desistimos dessa idéia, mas, aos poucos a gente começou a achar que a música falava mais alto, e que não importava se as pessoas iam falar que era oportunismo, homenagem. A música era bonita, bacana, com o maior astral, e tínhamos idéias interessantes de como fazê-la, com berimbau e um suingue diferente. A gente fez e dedicou a essa dupla, que é uma das mais alto astral que já pintaram na música brasileira.

mtv.com.br - Não dá um friozinho na barriga fazer uma versão totalmente diferente de ‘Brasil’ da de Cazuza, que já é histórica? George Israel - A Paula já tinha lembrado, quando a gente estava escolhendo o repertório. É uma música muito importante, eu sou parceiro de composição, e a gente nunca tinha tocado. Achei legal valorizar esse lado que eu tenho de compositor fora do Kid, e que a Paula também tem. Mostrar outras coisas que normalmente a gente não mostra. Acho que ficou legal. Eu estou cantando junto com a Paula uma música feita para outra pessoa junto com o Cazuza. Acho que ‘Brasil’, nesse momento, volta a ter uma força impressionante. É um hino, mas a gente ficou com medo. Medo porque, a princípio, é difícil fazer uma versão à altura de uma música que é tão conhecida. Quando você faz uma versão, tem que estar acrescentando alguma coisa. Uma música que ficou conhecida como samba rock, com batucada no final. Procuramos fugir um pouco disso, mas sem perder o peso.

mtv.com.br - E qual a origem de ‘Gilmarley Song’? Paula Toller - Adoro esses nomes misturados, meio esdrúxulos. Quando eu fui assistir o show atual do Gil, em que ele canta Bob Marley, fiquei super inspirada. Como eu estava pensando em escrever uma canção que falasse sobre prestar atenção nas coisas sutis, de parar com essa megalomania de guerra, bombas, helicópteros, equipamentos, tudo muito grandioso. É uma canção para as pessoas prestarem atenção nas coisas pequenas, que são as coisas do dia-a-dia, e não as coisas que saem nas manchetes. O lance do Bob Marley, que escreveu músicas de protesto, críticas e até românticas. O trabalho dele é engajado, de chamar atenção para a pobreza, para tudo que existe de injustiça e o Gil também, que é uma pessoa importante nisso no Brasil. Fiquei tão emocionada naquele show, que cheguei em casa e comecei a escrever essa música cheia de citações, tanto ao Gil quanto ao Bob Marley. Citei até o Shakespeare. Mandamos a música para o Gil. Ele ficou super contente. Adorou. Me chamou para cantar no Carnaval da Bahia. ‘Gilmarley é um dos momentos que eu fico esperando chegar na hora do show.















 

 

* entrevistas e reportagens e fotos extraídas de fontes tais como MTV, O Globo, Jornal do Brasil e outros

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