Kid Abelha desliza numa onda diferente

Carlos Albuquerque

Donavon Frankenreiter leva a vida que pediu a Netuno. Surfista, dono
de um estilo todo especial, ele tem patrocinadores que o pagam, mas
não para competir em campeonatos estressantes. Ele é uma espécie de
surfista-modelo, cujo trabalho é posar pegando ondas perfeitas nos
mais diversos cantos do mundo.

Além de aparecer em revistas e filmes, ele tem uma atividade
extracurricular: é músico. Seu primeiro disco solo, que leva seu nome
no título e foi lançado ano passado no Brasil, tem a mesma linha zen
de voz e violão que consagrou seu amigo Jack Johnson. E foi
justamente esse seu lado B que o trouxe ao Rio, onde participou de um
luau musical ao lado do Kid Abelha.

Músicas entrarão como extras do DVD ao vivo

Morador de Carmel, a mesma pequena cidade californiana que teve Clint
Eastwood como prefeito, ele passou três dias no Rio, a maior parte
dos quais em estúdio, gravando duas músicas que vão entrar, como
extras, no DVD ao vivo, ainda sem título, que o Kid Abelha vai lançar
em junho.

Uma delas é a regravação de Rei do salão (que virou King of the
free ride), cuja versão original tem um vídeoclipe com imagens do ex-
surfista profissional Teco Padaratz em ação nas ondas.

Esse clipe me chamou a atenção para o som do Kid Abelha diz
Donavon, de jeans, camiseta e chapéu, enquanto toma café perto da
piscina de um hotel na Barra. Depois, a gravadora me mandou alguns
discos do grupo. E eu adorei o som.

Nós conhecíamos o Donavon pelos filmes e também pelo disco dele
conta Paula Toller. Todo mundo na banda gosta de músicas como It
dont matter e Free;. Por isso, resolvemos chamá-lo para gravar com
a gente. Seria um toque diferente para o DVD.

Como prato principal, o DVD terá um show, gravado no estúdio Locall,
em São Paulo, com todo o repertório do novo disco do grupo, ;Pega
vida, que chega às lojas no fim do mês. Entre os extras, vão estar
as duas músicas gravadas com Donavon: King of the free ride; e uma
regravação de;It don matter.

Tivemos um entrosamento muito legal no estúdio garante George
Israel. A gravação ficou bem orgânica, não teve nada forçado.

Foi ótimo porque foi tudo gravado ao vivo, com todos se olhando e
ouvindo explica Donavon. Não foi uma gravação em que cada um faz
sua parte sozinho. E adorei ver minha música com a voz da Paula e o
sax do George.

Durante sua passagem pelo Rio, Donavon nem teve chance de fazer uma
das coisas que mais gosta.

Não tive tempo de pegar onda, embora o mar estivesse ótimo. Só saí
do hotel para ir ao estúdio. E fui para uma churrascaria, comer carne
e beber muita caipirinha (risos) . Mas adoraria voltar depois, para
fazer um show com o Kid Abelha e viajar pelo Brasil pegando onda.

O profissionalismo e a tranqüilidade do músico-surfista, que veio da
Austrália (onde estava fazendo shows com sua banda) só para gravar
com o Kid Abelha, impressionaram a todos no grupo.

Tivemos problemas técnicos durante a gravação, o que nos deixou até
sem jeito, mas ele nem se alterou. Foi de uma doçura impressionante
conta Bruno Fortunato.

Ele tem um astral muito bom completa George Israel. Fez lembrar
o sentimento que nos fez criar a banda, o prazer de levar um som
entre os amigos. Foi a mesma impressão que tive quando assisti ao
show do Neil Young no Rock In Rio.

Estréia de Donavon teve produção de Jack Johnson

Pensando bem, como alterar o humor de uma pessoa cujo trabalho é
pegar ondas boas e, de vez em quando, gravar um disco com a ajuda
dos brous (Jack Johnson co-produziu o primeiro disco de Donavon, ao
lado do brasileiro Mário Caldato Jr)? Inveja é aquela coisa, mas é
difícil não sentir isso vendo a agenda de trabalho de Donavon.

Vou ficar alguns dias em casa e depois embarco numa viagem de surfe
para a África do Sul e o Japão.

Por aqui, ficam os seus mais novos grandes amigos, um grupo de
músicos e surfistas, nessa ordem

Eu pego onda, o Bruno também, mas quando dá, né ? diz George
Israel.

Eu tento, mas geralmente as ondas é que me pegam brinca Paula.

Fonte: O Globo - 08/04/05






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