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Vai fazer 20 anos, mas parece que foi ontem: no dia 13 de novembro de 1982, o Kid Abelha, já com a demo de "Distração" na programação da Rádio Fluminense, fez o primeiro show de sua história, abrindo para Zé da Gaita e Jards Macalé - no Circo Voador, naturalmente. À época, os Rolling Stones comemoravam duas décadas de carreira e a cantora Paula Toller, que era fã de Marcos e Paulo Sérgio Valle, Stevie Wonder e Rita Lee (principalmente de Rita Lee), achava tal duração um absurdo. - Para mim era coisa de outro mundo uma banda ficar de pé por tanto tempo - lembra. - Hoje penso que 20 anos é só um número, mas acho bom comemorar. É tão difícil trabalhar, é tão difícil fazer música e é tão difícil viver de música... Paula, George Israel e Bruno Fortunato - o atual Kid Abelha, enfim - estavam pensando em lembrar a data com um show no Circo (ou "nas ruínas do Circo", como ela diz). Mas acabaram convidados para fazer um disco do projeto Acústico MTV. Saiu melhor que a encomenda: o grupo acaba de gravar hoje, no Pólo de Cine e Vídeo, em Jacarepaguá, o CD que chega às lojas em meados de novembro. Na hora "H", portanto. O "Acústico MTV" do Kid Abelha vem com novidades. Além dos grandes sucessos e das participações especiais que já viraram marca do projeto - desta vez tem Lenine (em "Na rua, na chuva, na fazenda", de Hyldon) e Edgar Scandurra (guitarrista e compositor do Ira!, em "Como eu quero") - o disco traz três faixas inéditas cujas letras marcam uma nova fase no caminho do Kid Abelha: "Meu vício agora", "Nada sei (apnéia)" e "Gilmarley song", parcerias de Paula e George, falam de um universo até então estranho às letras do grupo. - As músicas novas têm uma cara diferente dos nossos sucessos. Quero falar de outros assuntos e este disco já apresenta uma mudança que vem por aí - adianta Paula, que em seguida acha melhor trocar a forte palavra "mudança" pela mais simpática "andança". - Em uma dessas músicas, digo que não vou mais falar de amor e dor, elementos que estão sempre nas minhas letras. Estou mostrando uma visão menos particular das coisas. Andávamos meio reclusos. É bom fazer uma coisa diferente. 'A Paula sempre foi uma espécie de Nara', diz Gil "Gilmarley song" é diferentérrima . Escrita na noite em que Paula viu o show "Kaya N'Gan Daya", de Gilberto Gil, a música é, segundo a autora, "um recado a favor da paz e da música e contra a megalomania" ("Vamos falar mais baixo/Vamos parar pra escutar/Uma barriga roncando/Uma mamãe chorando", diz uma estrofe). O baiano recebeu um CD com a homenagem na última segunda-feira, assim que pôs os pés no Rio de volta de uma temporada de apresentações pelo Nordeste. - Fico encantado. A Paula, apesar de surgida no seio dessa coisa rock, sempre teve um recato, sempre foi uma espécie de Nara Leão, até mesmo no jeito de cantar, com uma voz muito própria, natural, sem afetação. É lindo que gente como ela tenha se encantado com um show tão singelo e feito uma música por causa de Gil e de Marley - derrete-se Gil. A admiração mútua acaba de render a Paula um convite para se apresentar no trio elétrico Expresso 2222, no próximo carnaval soteropolitano. Ela adorou a idéia porque acredita que a fórmula do sucesso de um artista é justamente o contato constante com o público. O que esse público não sabe, ou parece não saber, é que a Paula Toller que em cena corre de lá para cá e exibe um corpinho malhado, conquistado às custas de alongamento, musculação (ambos três vezes por semana, em casa, com a ajuda de um professor particular) e partidas de tênis (duas vezes por semana, sempre contra o marido, o cineasta Lui Farias), completou 40 anos no último dia 23 de agosto. Se bem que a idade, para ela, não faz muita diferença. - Só sinto que fiquei mais alegre. Era cheia de problemas e hoje não invento mais problemas. Sou uma pessoa do sim, gosto de ver o lado bom das coisas - divaga. O marido, que divide a vida com a recém-quarentona há 14 anos (antes, porém, Paula foi casada com Herbert Vianna), concorda. Para ele, Paula é totalmente do bem e quase não mudou com o tempo: - Ela é uma pessoa muito constante, sempre teve uma direção muito precisa e definida do que quer. Além disso, é carinhosa, generosa, inteligente, muito consciente e domina muito bem a profissão que tem, da letrista à empresária. Do ponto de vista profissional, é muito madura. Nem sempre foi assim. No início de sua trajetória, Paula teve problemas sérios com a imprensa: quando surgiu no fervilhante cenário musical oitentista, ficou muitíssimo chateada com a imagem de aparvalhada que colaram à sua imagem. E o trauma só passou recentemente. - Tinha 20 anos, era uma garota de classe média sem nenhum traquejo e me pintaram como uma boba - reclama. - Tinha uma turma a fim de dar opinião, de aparecer. Já eu, quis sumir. Mas agora relaxei. Mesmo assim,
Paula continua passando muito tempo em casa, na Gávea. Gosta de
cantar com o filho, Gabriel, de 13 anos, apreciador de rock, reggae e
rap. Come bem ("e de tudo") mas há muito largou o vício
da Coca-Cola, que para ela tem "muita química". Adora
praia. Está em dívida com o cinema ("Quando estou dentro
da sala, adoro, mas dá preguiça de pegar o carro, estacionar...").
Não morre de amores pela música eletrônica ("Em
festa, então, é uma coisa muito cansativa. Não tomo
ecstasy..."). É muy amiga de George Israel, do casal Fernanda
e Dado Villa-Lobos.
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