Revista Interview 181
Janeiro de 1995

 

Paula Toller e Fausto Fawcett - Acida com Marisa Monte e liberada com o sexo


As canções do Kid Abelha podem ser adocicadas, mas Paula Toller tem muitos outros sabores. É azeda quando o assunto são as gravadoras. Ácida ao falar de Marisa Monte. Doce, se referindo ao filho. Picante, se o tema é sexo.


FAUSTO FAWCETT: Treze anos de Kid Abelha, um show acústico comemorando, celebrando o território musical conquistado junto ao público que já é cativo. Na peneira dos anos 80 vocês carimbaram o atestado de quem veio pra ficar na MPB. O que você acha de certos comentários que rolaram na imprensa, por ocasião de um boom dos cinqüentões (Caetano, Jorge Ben Jor, Tim Maia, Bethânia cantando Roberto etc.), que meio que sacaneava a geração dos 80 dizendo que a embromação das bandas tinha acabado e que os verdadeiros senhores da música popular estavam de volta?

PAULA TOLLER: É estranho porque para você acreditar nisso, você tem que dizer que eles saíram de cena nos anos em que estávamos em evidência. O que não é verdade. Tudo tem a ver com uma explosão de mídia que ocorreu também depois com música infantil, sertaneja, baiana, lambada, pagode etc. Os baianos também tiveram sua época de novidade e quase tudo é feito atrás dessa onda. Mas a verdade é que quem é bom vai ficando e, se MPB quer dizer música popular brasileira, não vejo por que não pertencer a ela, não estar incluída num de seus pódios. Ah, é um pouco diferente, tem uma influência estrangeira, tem. Mas MPB também é pop, e é brasileira sim. Não é versão de outras músicas, não é cover. é original, é material legítimo.

FAUSTO FAWCETT: E essa geração também deu contribuição nítida no que diz respeito à produção de discos etc.

PAULA TOLLER: Até aquela época os discos brasileiros em geral, não só os de MPB linha evolutiva mas também as coisas populares e bregas, apresentavam uma precariedade. Ouvindo rádio você sabia o que era nacional e o que era estrangeiro pelo som, pela qualidade do som, e nossa geração, muito por causa do Liminha, também trouxe essa qualidade que você vê em todos os discos de Caetano e Gil. Qualquer artista tem direito a essa qualidade, que é uma questão de técnica de gravação, de bons estúdios... Hoje em dia você tem um knowhow de produção, de qualidade de som, que se tornou norma ativa para todo mundo. Também acabou aquela história hollywoodiana das gravadoras, devido às crises econômicas e a uma vontade política delas de não encherem tanto a bola dos artistas mais novos. Acabaram a ilusão de superstar. Embora os shows fiquem lotados e toso mundo conheça as músicas etc., aquela coisa de luvas e Mercedes-Benz acabou. Claro que ainda se ganha bem proporcionalmente a outras profissões, mas acabou aquele luxo de ganhar carros e benesses nababescas.

FAUSTO FAWCETT: Também um certo comportamento de diva...

PAULA: É, acho que acabou um pouco o espaço pra isso, o que eu acho bom, porque essa geração mais nova veio com mais disposição para trabalhar. Pra ser um pouco menos cultuada como diva. É mais trabalho e menos culto, todos nessa, sem exceção.

Não adianta sonhar com perspectivas de pequenas gravadoras dominando o mercado ou os mercados?

PAULA: Não, porque a distribuição ainda está a cargo das grandes gravadoras e elas é que decidem o que vai ser distribuído. distribuição é a base da comercialização.

FAUSTO: As gravadoras continuam todo-poderosas hoje em dia?

PAULA: Mais ou menos. Hoje em dia grandes produções publicitárias ligadas a produtos, a cervejas, substituem o que era feito pelas gravadoras. Elas tinham esse poder de multinacionais dominadoras e tal. Hoje estão meio que correndo atrás. Não digo que elas estão pobrinhas, não. O que elas não têm é esse poder de uma fábrica de cerveja de fazer o Carnaval, o futebol. As gravadoras ficaram muito dependentes da TV. A TV monopolizou a audiência e isso criou um problema. Não tem espaço para música na TV. Pouquíssimos programas com pouquíssimo tempo pra música. Quando a gente apareceu tinha muito mais: Chacrinha, "Globo de Ouro" etc. As gravadoras são um mal necessário. Você sabe que vai ter muitos problemas, alguma hora entra em conflito de interesses e pronto. Ou fica sem contrato ou te propõem um contrato leonino. A gente teve muitos problemas ultimamente com gravadora. Fim do contrato, conflito de interesses quanto ao novo, a gente insatisfeita com o trabalho da gravadora.

FAUSTO: Anos e anos de sucesso e nenhuma mordomia?

PAULA: Até que tem, mas nada como era nos setenta. Você ganha na medida do seu trabalho, nada mais. Ganhou ali, ganhou. Perdeu, perdeu. Eles têm uma associação brasileira dos produtores de disco que combinam várias coisas, entre elas que você não vai mais receber luvas. Nós não temos uma associação. Seria bastante chato ter um tipo de coisa muito sindicalizada porque, enfim, não combina com a profissão. Ao mesmo tempo, um cara consegue uma coisa num contrato dele e ninguém mais consegue. Pra você eu dou, pros outros não, esses continuam sendo simplesmente explorados.

FAUSTO: Voltando para aquele pseudopapo de medalhões versus geração de vocês. Na verdade é tudo cascata porque sempre houve flertes entre vocês e eles. Você, por exemplo, fez uma parceria televisiva com o Chico Buarque.

PAULA: Pois é. O Roberto Oliveira, da Bandeirantes, me chamou, me convidou em 85 para participar de um especial do Chíco Buarque. Recebi a fita com a música que era difícil. O nome dela era Dueto e ele costumava cantar com a Nara Leão. Eu tive duas horas para decorarar música. Melodia difícil, aquelas coisas do Chico cheias de palavras parecidas, mas todas diferentes. Cheguei lá, esperei à beça, chegou na hora de apresentar, ele olhava prum lado e eu pro outro. Ele é supertímído, eu então nem se fala. Depois ficamos tocando violão, tomando vinho, comendo pão com queijo, foi ótimo. Repito, essa história toda de verdadeira MPB versus roqueiros ou popeiros sem talento e embromadores é cascata e burrice.

FAUSTO: Aconteceu de a rapaziada se sentir culpada, obrigada a reverenciar certas figuras do morro ou, enfim, tipo estava fazendo rock, agora estou sério, também porque a Marisa Monte chegou junto fazendo uma varredura competentíssima no universo. Parece que a Marisa já tava aí há séculos.

PAULA: A carreira dela me parece ter sido bastante planejada. Com muito cuidado para não pintar erros. Foi seguindo uma linha já muito organizada, tanto que quando chegou na gravadora já tinha até exigência.

FAUSTO: Mas ela tem essa ligação mesmo.

PAULA: Eu sei, já vi entrevistas dela falando sobre isso, tô falando porque sei. Foi uma coisa muito cuidadosa até que chegaram arrebentando pra tudo que é lado. No nosso caso, rolou de tudo, a gente fazia de tudo, não sabia o que era ruim. A gente não sabia nem que ia assinar contrato, nem que tinha isso de contrato, de fazer disco.

FAUSTO: Você não teve aquela ligação com a aura da cultura rock, assim pose barra-pesada, de sex and drugs and rock'n'roll e o mundo foda-se...

PAULA: Não, nada dessa pose idiota.

FAUSTO: Tampouco enveredou pelo orgulho da ignorância que também grassa nos meios roqueiros ou adolescentes. Você é prendada intelectualmente.

PAULA: Graças a Deus, meu avô ajudou muito nisso. Ele era totalmente autoritário, reacionário. Me dava livros pra ler, despertando em mim uma solene dignidade que tinha a ver com cultura num sentido sério e tradicional da palavra, camadas de conhecimento. Ao mesmo tempo, era supermoralista, me fazia com 10, 11 anos ler Dante, enciclopédias, Machado de Assis, Eça de Queirós etc. Era uma pessoa muito culta e sempre me dizia pra seguir esse caminho da erudição, do conhecimento. É legal porque você conhece a humanidade que vale a pena, que marcou vida na Terra.

FAUSTO: Essa disciplina que levou a um refinamento cultural te ajudou a ter distanciamento do besteirol rock?

PAULA: E também pouco deslumbramento em relação ao mundanismo, ao mundo das festas, das colunas sociais, das badalações, dos affairs, das pirações gerais.

FAUSTO: Sexo, drogas e rock'n'roll?

PAULA: Pois é, sempre fui muito fria em relação a isso. Comigo não aconteceu de ficar muito deslumbrada com dinheiro, tipo eu vou fazer e acontecer ser a loura maioral e botar pra quebrar na volúpia da grana, da sacanagem e do luxo. Enfim, ser princesa mundana como Mariane Faithfull ou Bianca Jagger. Mesmo porque nunca tive vontade de me acabar, de tomar drogas e experimentei uma ou outra, mas... por exemplo, nunca cheirei pó e olha que já vi fileiras violentas passar na minha frente e eu tchau.

FAUSTO: Mas chega uma hora que você tem que tomar um porre, alguma coisa que te altere a química. Não adianta o controle emocional de raciocínio, tipo eu tenho tudo nas mãos, nada disso. Quando o caos chama no coração, a mente pega fogo e só algo exterior pode aplacar a tua dor, ou melancolia, ou euforia gratuita.

PAULA: Acontece.

FAUSTO: Isso acontece?

PAULA: Quando você experimenta um ácido acontecem milhões de coisas. Explosões mentais e tudo, ao mesmo tempo não é nada te envolvendo. Aconteceu de eu experimentar, quer dizer, experimentei uns três e na terceira vez pintou um alerta vermelho em mim e eu só pensava em morte (risos).

FAUSTO: Mas o que houve?

PAULA: Comecei a ficar depressiva e só pensava que meus amigos iam morrer. E pensava como é que ia ser quando eu visse todo mundo que eu gosto morrer. E eu ficando velha e queria viver. Passei a noite em claro e não gostei mesmo desse encontro com a sensação da morte, bad trip. Daí que, se acontece esse tipo de desbarato, então não quero mais.

FAUSTO: Todo veneno, toda droga, tem efeito colateral, dor, nojo, tédio, é como a vida de vez em quando, dá a mesma coisa.

PAULA: A questão é que eu tô aí pra pensar nas coisas legais que eu posso fazer. Um ou outro dia você fica mal, mas no geral vamos em frente que estar vivo é muito bom.

FAUSTO: É verdade.

PAULA: Agora acho uma loucura, por exemplo, aquele rapaz do Nirvana que morreu, O cara vem aqui, todo mundo achando o maior barato, muito louco, O cara tem instinto suicida, oh que legal, como é maluco, deprimido, como isso é moderno.

FAUSTO: Esse tipo de canonização é meio burra?

PAULA: E o cara vai e se mata e todo mundo acha mais legal. O cara deve ser um desgraçado na vida.

FAUSTO: Mudando de assunto radical. Como foi a saída do Leoni, a transição, troca de lideranças? Como é a tua relação com o George e o Bruno?

PAULA: A gente monopolizava um pouco esse setor de composição. Principalmente ele. Daí que a gente começou a se desentender em todos os sentidos. Eu fui casada com ele e a gente se separou, mas continuou a trabalhar durante algum tempo tranqüilamente. Eu já casada com outra pessoa, ele também. Depois começou a ficar difícil, a gente não se entendia mais musicalmente, pessoalmente. e numa certa época combinamos a separação dele do grupo. Ele já tava querendo enveredar pela carreira solo etc. Marcamos a separação. Quando ele saiu, eu e o George começamos a nos acostumar a compor juntos. Fui ficando mais próxima dele e do Bruno também, mas acabei me entendendo melhor pra compor com o George. E depois da saída do Leoni, a gente botou o pé na estrada, gravou um disco ao vivo. Saiu o disco do Leoni e a própria gravadora falando mal do Kid Abelha, dizendo através de pessoas dela mesma que o Leoni era o grande lance do Kid Abelha, que o Kid era o que era por causa dele e que ele ia arrebentar no disco solo.

FAUSTO: E o tempo mostrou...

PAULA: Depois ficamos tranqüilos porque a gente sabia que não era só o Leoni. A saída foi ruim a princípio, mas depois foi boa.

FAUSTO: Você tem um lado candelária forte? Os náufragos sociais, cidadanias etc.

PAULA: Essas coisas em grande escala, cidadania, direitos humanos, são coisas muito coletivas. Individualmente é tudo muito diferente. Não sou uma pessoa muito política no sentido mobilização. Não consigo falar para muitas pessoas uma coisa que agrade e detone suas expectativas. Jamais seria uma boa política, uma boa oradora para massas, digamos assim. Você vê, tenho músicas que o Brasil inteiro canta. Eu falo muito de mim.

FAUSTO: Mas é exatamente o que as pessoas fazem e é por isso que você faz sucesso...

PAULA: Mas tem grandes personalidalidades públicas que reúnem as pessoas e a dizem o que elas pensam e transformam tudo numa onda pública de ação. Eu não tenho talento pra isso não. A minha contribuição pra humamanidade é o meu filho. Acho que é uma pessoa que eu pretendo que se faça bacana.

FAUSTO: E essa sordidez que você assnala na humanidade. Nasceu o Gabriel, mudou dentro de você o sentimento de desconfiança para com a humanidade?

PAULA: Ser mãe também dá um sentimento de crueldade, um sentido de crueldade está embutido em toda mãe. Você que mandar, você vê o cara chorando e diz não.

FAUSTO: Mas isso é uma disposição interna sua ou...?

PAULA: Não, é apenas uma questão de impor limites. Não dá pra criar um bicho.

FAUSTO: Sua função é essa, impor limites?

PAULA: Ao mesmo tempo de abrir todos os caminhos e portas em termos de cultura. A educação ideal seria liberdade sexual total e exigência cultural total também. Seja o que você quiser, homem, mulher, bicha, fique trepando com trinta todo dia, vai ser casado caretinha, mas burro você não vai ser, ignorante não vai ser mesmo. Porque você tem que saber, porra. Existe um conhecimento acumulado e você tem obrigação de se inteirar se você se considera dessa raça humana. Tem que entrar no circuito global, é assim que eu penso sempre.

FAUSTO: Tá preparando o Gabriel para...

PAULA: Ser uma pessoa legal.

FAUSTO: Atenção, guinada radical, manobra de desvio rumo a básicos instintos. Você já recebeu muitas propostas pra ficar...

PAULA: Pelada? (risos) Nua?

FAUSTO: Como é sua porção calendária? Ela funciona direto?

PAULA: Já recebi várias propostas de vários teores diferentes. Algumas bem profissionais explícitas e outras meio escamoteando, tipo vamos fazer algumas fotos sensuais muito boas com prefácio de fulano que gosta muito de você etc. Mas todas as propostas aconteciam no dia seguinte ou dois dias depois de alguma coisa minha que saía nos jornais ou revistas provocando sensação, como na primeira participação minha no "Básico Instinto , quando meus peitos foram flagrados saindo do bustiê ou anteriormente, em janeiro de 88, quando minha calcinha apareceu num show no Maracanãzinho. No outro dia eu já sabia, ih vai pintar "Playboy . É que eles acham que tem gancho e já saem notinhas dizendo que eu tinha feito as fotos e o pessoal manda flores pedindo desculpas, dizendo que foi engano, mas quem sabe? Eu não sei, acho que não sirvo pra isso (risos).

FAUSTO: Como é que é? Não sirvo é ótimo...

PAULA: Não tenho vontade de fazer, não. Esse negócio de revista, todo mundo pegando, dizendo "olha aqui" (gargalhadas), "olha o detalhe" . Todo mundo me folheando.

FAUSTO: Por que esse pensamento, você sente algo tão primitivo assim, tão vodu? As pessoas tocam na revista à distância e você sente no ato?

PAULA: É o seguinte: eu viajo com um monte de homem no Kid e aí vai ser aquela situação, os caras ali com a revista escondida e aquele raio X me despindo, sei lá. Na real, particular, eu não acho mesmo é divertido. Pode ser que um dia, mas até agora não.

FAUSTO: Mas e seus peitinhos em todas as primeiras páginas de todos os jornais depois de sua estréia no "Básico" ? Ficou constrangida quando bateu os olhos ou deu uma risadinha de deboche?

PAULA: Não esperava, mas depois que passou o susto tudo bem. Foi um gancho pro show. As legendas eram hilárias - "Paula nem se importou" ou "Abelha cheia de pimenta" . Enfim, hilário.

FAUSTO: Amor e sacanagem, erotismo e pornografia, sensibilidade de romance da mulher pro sexo e animalóide do homem pro mesmo, sem paciência pra comunicação, cortes, sexo pra homem e sexo deferente pra mulher. Você acredita nessas divisões, nessas fronteiras?

PAULA: Não acredito. Não acredito nessas definições. Eu gosto de pornografia, li e leio muito autores que seguem por aí, vejo filmes, tem muita coisa boa nesse sentido. Gosto de erotismo em qualquer nível. Gosto de filmes e de shows, é algo que tem que ter muito. Esse negócio de homem-mulher ou masculino-feminino e assim e assado, enfim, dizer que todo homem é assim, que toda mulher é assim, não dá mais.

FAUSTO: Na verdade erotismo, pornografia ou não, é força de fantasia, seja ela qual for. E Camille Paglia disse: "Toda relação é o triunfo da imaginação

PAULA: Isso me lembra uma coisa.

FAUSTO: O quê?

PAULA: Antigamente, quando eu era adolescente, tipo 19, 20 anos, eu tinha um pouco essa fantasia de ser a mulher inesquecível (gargalhadas).

FAUSTO: Mas esse teu glamour hitchcock-carioca deixa qualquer um com um pé no inesquecível, pé, mão, coração no inesquecível. Como é que era teu estilo de sedução? Vamp total?

PAULA: Não exatamente. Como assim?

PAULA: Ah, Deneuve, aquela presença altiva, fulminante, de mulher que vai ser a única daquele homem. Achava que depois de namorar alguém, esse alguém jamais poderia gostar de outra pessoa tanto quanto de mim. Como espécie de prisão amorosa mesmo. Uma obsessão nesse sentido. E quase consegui (gargalhada). Eu queria ser perfeita. Capturar a vida do cara e depois... Deu certo várias vezes, mas um dia você cai do cavalo e acorda. Não é só tirar das pessoas, é preciso oferecer também. Atualmente a minha visão de estar junto de uma pessoa, de casamento, é muito diferente. Muito por causa do Lui, que foi o único homem que não deu mole (risos). Antes da gente começar a namorar, ele já foi me mandando fazer análise, porque não queria ninguém com paranóias de qualquer tipo perto dele. Isso foi legal porque análise é uma coisa muito boa pra se fazer.

FAUSTO: Porquê?

PAULA: Porque é muito divertido. Você se mantêm ali azeitando a máquina, não pra ficar contando os probleminhas não, mas pra ficar mais inteligente, pra se manter viva, pra não ficar louca esclerosada quando ficar velha.

FAUSTO: Me fale dos seus casamentos. São três, não?

PAULA: Três, fui casada uma vez de cada vez.

FAUSTO: 0k.

PAULA: A primeira vez que eu casei era bem numa época de procura de liberdade. Tinha grana para alugar um apê pela primeia vez e foi uma coisa quase natural que isso acontecesse com o namorado que eu tinha na época.

FAUSTO: O Leoni?

PAULA: É, e ele também estava na mesma situação. A gente também trabalhava junto e tal. Depois...

FAUSTO: O Herbert?

PAULA: Quando a gente se separou foi muito duro, foi muito longa a separação. Acontece que já foi um casamento mais sério, a gente fazia planos de ter filhos etc. Também tinha uma coisa que eu não conseguia deixar de pensar, uma certa competição que existia, coisa profissional, e a gente não conseguia administrar isso dentro de casa. Achávamos que era normal e que da porta da rua pra dentro não aconteceria nada disso. Foi muito... uma perda de inocência. Foi uma passagem tanto minha quanto dele para um estágio superior de esperteza, atenção pra vida. Ficar mais esperto. A gente ficou um ano se separando, uma confusão danada, sofrimento de ambos os lados. Hoje em dia temos uma boa amizade. A gente praticamente não se vê por causa dos compromissos de trabalho, mas tudo bem entre a gente.

FAUSTO: E o Lui? Com ele foi tipo fulminante, réveillon fulminante?

PAULA: Foi. Olhei pra ele e disse para mim mesma, casei. Não teve nem aquele lance de insinuar uma paquera, enfim, um segundo olhar de confirmação. Foi na veia.

FAUSTO: Paula, quais são seus planos para o futuro recente?

PAULA: O show acústico, Meio Desligado, viajar com ele por várias cidades.

 

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