Como
a banda de música
cristã que possui o maior número de discos vendidos (Já são
mais de seis milhões), o Petra foi parte crucial do trabalho pioneiro
na popularização da música que é, hoje em dia, um dos únicos
gêneros na indústria que mostra um crescimento percentual
anual de mais de dois dígitos. Com artigos recentes sobre o rápido crescimento
da música cristã publicados pelas revistas Time, People, Entertainment
Weekly,Spin, Details e Rolling Stone, o Petra continua posicionado dentre os
grupos mais visíveis e mais reconhecidos, enquanto se mantém dedicados a
exprimir seus ideais através de suas performances, que têm por base seu
ministério.
Esse
mês, a Modem Drummer traz para você uma entrevista com o baterista dessa
banda de enorme sucesso, Louie Weaver. Conversamos com ele por
telefone em sua casa, quando tinha acabado de voltar de uma de
suas apresentações.
MD:
Nos dê
uma idéia geral da situação d sua banda. O que vocês andam
fazendo?
LW:
Bem,
acabamos de finalizar nosso mais recente disco, chamado Petra Praise
2: We Need Jesus, estamos muitos animados com o resultado
que obtivemos, pois esse disco chegou ao primeiro lugar na parada
e ficou nessa posição por quatro semanas. Já temos um single
desse disco que também chegou à primeira posição. E fantástico
o que Deus está fazendo por nossa música. No momento, tocamos duas a
três vezes por semana, geralmente sexta, sábado e
domingo, somente durante o fim de semana. Durante a semana, fico em
casa com meu fllhinho e minha esposa. Quando chegarmos ao fim
do verão, começaremos uma turnê de outono, já temos 30 ou 40
apresentações agendadas. Estivemos trabalhando durante os fins
de semana apenas para nos tomarmos melhores como um todo.
Tudo está indo muito bem.
LW:
Acredito
que o Petra tem sido sempre um referencial dentro da música cristã,
tomando-se uma das mais importantes bandas dentro da indústria. É como
se nós ditássemos certos padrões a que todas as outras bandas seguem. Nós
levamos isso muito a sério, cremos que éisso que Deus quer que façamos, é
uma grande responsabilidade estar em primeiro lugar fazendo o que fazemos. É
algo
que me impressiona muito o fato que, depois de 25 anos de banda, 16 desde
que sou membro, Deus ainda permita que façamos o que fazemos melhor, que é
tocar rock, sendo essa nossa forma de louvar o Senhor.
MD:
Fale sobre o Comparison lntemational. Qual é seu
objetivo? Como é que vocês contribuem para a causa?
LW:
Há mais ou
menos 14 anos atrás, um senhor chamado Devon Donaklson (um dos
dirigentes da Comparison lntemationall nos procurou e disse
que eles queriam usar bandas para influenciar pessoas durante os concertos para que
patrocinassem crianças em países do Terceiro Mundo. Portanto nós,
que vivemos, como dizem, na terra da fartura, deveríamos nos esforçar para
dar àqueles que não têm nada do que nos está disponível. O que a banda
faz durante os concertos é pedir às pessoas que doem uma certa
quantia todo mês, creio que agora estamos pedindo 24 dólares,
para que uma criança do Terceiro Mundo tenha tudo o que necessita.
Tenho um filho, ele é a razão de eu fazer isso. Ao ver meu
filho, penso sobre todas as crianças que não conheço (não há
nada mais importante que as crianças de Deus), e que posso, usando apenas
um pouco do que tenho, ter certeza que em alguma parte do mundo, um
menino, uma menina, estão recebendo livros escolares, roupas e comida
todo dia, coisas que não teriam se eu não os patrocinasse. O que
é mais importante, eles recebem ensinamentos sobre quem foi Jesus
Cnsto, e sobre o que ele fez por todos nós.
MD:
Quando é você
se tomou membro da banda? Como se interessou por tocar bateria
e quando foi isso?
LW:
Comecei
a tocar bateria aos dez anos de idade, tenho 45 agora.
Simplesmente decidi que iria me tomar um baterista, creio que desde
que estava no primário. A partir do momento em que dei minha vida ao
Senhor e aceitei Jesus como meu salvador, sempre quis tocar rock ‘o’
roll para louvá-lo. Quando terminei o colegial, tive a oportunidade de ir para
uma faculdade, uma faculdade cristã, e enquanto estava lá,
comprei um disco de uma banda chamada Petra.
Comecei
a escutar esse disco o tempo todo. O grupo veio tocar em nossa faculdade
e, na época, eu estava tocando com uma outra banda, mas
quando vi aqueles caras tocando, pensei comigo mesmo, “Isso é o
que eu sempre quis fazer, ser parte de uma banda como essa”. Em meu grupo
todos eram ótimo músicos, mas fiquei extremamente impressionado
com eles. Comecei a orar, pedindo a Deus que me deixasse fazer
parte daquele grupo. Depois de um ano de orações, Deus continuava a me
dizer não, ele queria que eu ficasse onde estava. Eu estava no meu último
ano de faculdade, perto da formatura, me formei, e continuava a
pedir a Deus para ser o baterista do Petra. Sabe, quando pedimos
a Deus para que faça alguma coisa, ou para que nos guie em certa direção,
se estivermos lendo a Bíblia, se orarmos diariamente, se caminhamos pela
estrada que Ele nos indicou, estaremos no centro de Sua atenção, e podemos
nos dar conta de onde Ele quer que estejamos. É
nesse
lugar que eu sempre quero estar, onde Deus quer que eu esteja,
e não onde eu quero estar. Portanto, continuei pedindo, e Ele continuou me
dizendo “não, não, não”. Um dia, Ele disse “Sim”, e pediu para que eu
esperasse por Ele. U o Salmo 27, que é sobre esperar por Deus.
Conta a história de Davi, e explica como, quando seu exército
estava prestes a ser atacado, e todo seu povo lhe perguntava, “Davi, o que
vamos fazer?”, ele dizia, “Nós vamos esperar por Deus. Não agiremos
até que eu o ouça, até saber o que Ele quer que façamos”.
Fiquei tranqüilo então, pois havia ouvido Deus me dizer que esperasse
por Ele. Uns três anos depois, quando já havia esperado por Ele por três anos, eu estava tocando
com outra banda cristã, e essa banda se separou, os caras decidiram
seguir outros caminhos. Fui para casa, e não pensei sobre o que Deus
havia me dito que poderia fazer depois. Sem mais nem menos, Bob
Hartman, o guitamsta, me ligou e disse, “Louie, não temos ninguém
para tocar esse fim de semana. Você sabe de alguém que possa tocar
nesses concertos conosco?”. Eu disse, “Não, mas eu tocarei”.
Ensaiamos por duas vezes, tocamos nos concertos, e depois de havermos
feito os dois shows, em Detroit e em Champaign, Illinois, Bob Hartman chegou
para mim e disse, “Louie, nós gostaríamos que você fosse
nosso baterista. O que você acha?” Eu disse, “Bem, primeiro tenho que
orar”, e imediatamente disse, “Sim!”. Foi uma oração bem curta [nsos].
É como
se Deus nos preparasse para o que Ele planeja para nós. Eu sabia que Deus
me havia preparado por três ou quatro anos. Acredito que Deus tenha
me preparado a vida inteira para ser o baterista do Petra. Ele me diz para
onde tenho que ir, e é para lá que eu vou, pois sei que estou onde Deus
quer que eu esteja ao fazer parte do Petra.
MD:
Como você
se define como baterista? Você se considera mais técnico ou mais
intuitivo?
LW: Bem, acho que sou mais um baterista musical do que um baterista técnico.
Sou mais um baterista voltado ao sentimento. Sendo formado em música,
conheço bem o aspecto técnio, mas sempre busco dar algo de mim quando toco.
Tive aulas particulares durante o colegial, e meu professor sempre me dizia,
“Louie, você não é tão técnico quanto os outros caras,
mas você tem sentimento. Nunca perca isso, nunca deixe que ninguém o
tire de você, porque talvez não seja capaz de tocar as
coisas que os outros caras tocam, mas você tem sentimento. Você
tem um talento natural”. E eu disse, “Tudo bem”. Sempre luto
para me manter assim, fazendo com que esse sentimento esteja sempre
presente.
MD: Qual é o processo que a banda usa
para compor as canções?
LW: Antigamente, era o Bob que escrevia a maioria das canções para o Potra.
Ele costumava trazer uma fita (ele tem um pequeno estúdio em casa), onde
gravava a música mais ou menos do jeito que a queria. E nós costumávamos
ir para o estúdio e reproduzíamos a canção como achávamos que deveria
ser. Se alguma coisa não soava bem, nós a mudávamos. Mas houve outras
ocasiões em que ele, ou algum outro membro da banda, nos trazia
uma canção e dizia,
“Aqui
está o
material bruto para essa canção. Vamos fazer com que ela tenha o
nosso som. Um exemplo que posso mencionar é a canção “Quiet
Place”, do disco No Doubt, o disco com o
qual fizemos a tumê no Brasil, que nem era bem uma música no início, mas
trabalhamos muito sobre ela, durante uns dois dias, e fizemos a canção
se transformar no que é hoje. Foi assim que a criamos.
MD: Você se interessa por outros instrumentos além da bateria?
LW: Sim, eu comecei a tocar piano antes de tocar bateria. Mas não sou tão
bom no piano
quanto sou na bateria. Sou um baterista muito melhor do que sou
pianista, mas gosto muito de tocar o plano, entendo as notas, e
tudo o mais. Quando se vai para uma escola de música, tem-se que tocar todos
os instrumentos melódicos, e todos eles se relacionam diretamente ao plano.
MD: No decorrer dos anos, que mudanças você fez no seu estilo de
tocar?
LW: Já toco bateria há 35 anos, e aprendi desde cedo a tocar cruzando
os braços. Na bateria toco com a direita, mas na realidade sou
ambidestro, faço muitas coisas com a esquerda. Todos os meus licks
acabavam na esquerda, e eu os tinha que começar com a esquerda
e terminar com a esquerda. A maioria dos bateristas destros
começam na direita e terminam na direita. Pensando nisso, decidi tocar
meu chimbal, que está à minha esquerda, com a mão esquerda,
e tocar minha caixa na direita. Dessa forma, não teria mais que
cruzar os braços. Decidi tocar assim há uns quinze anos atrás. Por
todo esse tempo, toquei com os braços abertos. E foi muito bom, mas
minha técnica, e todas as coisas que treinei durante
toda a vida, eram feitas com os braços cruzados. Durante muitos anos,
havia tocado com os braços cruzados, e a decisão de tocar
aberto foi legal para mim, melhorou minha maneira de pensar, e também
minha maneira de tocar. Mas, no ano passado, resolvi voltar a tocar como
antes, como fazia no início. Me sinto mais confortável, minha pegada é
melhor, e os outros caras me dizem que eu estou tocando melhor. É
ótimo
tocar de ambas as formas, mas se tiver que ensinar um baterista que estiver começando agora, como,
por exemplo, se meu filho decidisse aprender a tocar, eu faria com que
ele tocasse o chimbal com a esquerda, desde o inicio. Eu já estou
muito velho para aprender novos truques Irisol. Funcionou bem, eu diria
que tive uns 75% de aproveitamento. Mas da forma anterior meu aproveitamento era
de 100%. Portanto, se não for precisar de toda a minha técnica
para tocar algo, toco de braços abertos com minha mão esquerda
no chimbal. Mas se sei que existem certas coisas que não tocarei bem,
cruzo os braços, para voltar a ter aquela velha pegada. Isso é
o mais importante, como já disse antes, éfazer com
que o sentimento esteja sempre presente.
MD:
Você ainda estuda, ou treina, muito?
LW:
Não tenho tido muitas
oportunidades para treinar ultimamente, não da forma que gostaria. Tenho um
quarto na minha casa que foi montado especificamerite para ser usado para
exercícios, e já
tive duas
baterias. Entretanto, recentemente montei um estúdio em outro estaclo,,Eulocoi,aterias
DW, qtw’.siq.ss
~pelhores-que.€pcistem,..ødecidiJevar.ci
kit DW que
tinha montado em meu quarto de exercícios para meu estúdio na Flórida.
Portanto, no momento, não tenho uma bateria para praticar. Uma vez
que meus tambores estão lá, e que quando estou em casa ajudo minha mulher em seu
trabalho, além de passar muito tempo com meu filho, não tenho
tido oportunidades para me exercitar. Mas logo que comprar uma outra bateria,
poderei voltar a praticar algumas vezes por semana. Gosto de poder
fazer isso, de dizer, “Bem, preciso tocar bateria”, descer até o quarto,
e começar a tocar. Era isso que fazia quando tinha um kit em
casa, simplesmente ia até o quarto e falava, “Agora é hora de tocar”.
MD:
Você gosta
de fazer solos durante os shows?
LW:
Com certeza, gosto muito. Na verdade, até recentemente, era costumeiro que eu tocasse um solo em todos os
shows do Potra. Mas em nossa nova tumê (já fizemos uns 20 shows)
não os tenho executado, exceto em uma apresentação em Montreal, no
Canadá. Quando fizemos nosso show lá, tive que tocar um solo,
porque a audiência ficava o tempo todo cantando, “Solo, Louie, solo,
Louie” (risosl. Os outros caras me disseram, “Bem, Louie, você
vai ter que tocar um solo”. Adoro tocar solos, e gostaria de
fazer um todas as noites. Mas nós, a banda, decidimos que, como tocamos duas
horas seguidas, deveríamos, “simplesmente tocar as canções, e assim louvar
o Senhor. Se decidirmos que você, Louie, deve tocar um solo, ou se platéia
exigir que o faça, então vamos em frente”. Eu prefiro tocar um solo, porque
essa éminha expressão de louvor ao Senhor, agradecendo por tudo que
Ele tem feito em minha vida. Eu os toco para Ele, como louvação.
MD:
Que tipo de ajustes
você costuma fazer em sua bateria? Que tipo de afinação busca no estúdio
de gravação? Os ajustes são diferentes para os shows ao
vivo?
LW:
Na maioria das
vezes durante os shows, uso peles de ataque Emperor transparentes e
peles de retomo Ambassador. Eu os deixo os tambores bem abertos, e afino a pele
de cima e a de baixo na mesma nota. Quando vou para o estúdio, mantenho a mesma
afinação, mas gosto de usar uma pele desenhada pela DW que
é fabricada pela Remo, uma Ambassador que tem uma faixa
especialmente formulada ao redor de sua borda, que faz com que as notas
fiquem mais limpas, e o tom se tome mais suave. Portanto, no estúdio
uso essa pele de ataque DW, e nos shows ao vivo uso as
Emperor transparentes.
MD:
Você usa equipamentos
eletrônicos, como clíks, metrônomos, coisas assim? LW: Sim. Temos mais ou
menos três canções em que gostamos de dar um certo realce,
usando teclados e percussão eletrônica, como na canção “No
Doubt”. Usamos um tape loop, que me dá um click, e isso proporciona um
percussão extra, que realmente realça a canção, sem termos que
ter uma porção de outras pessoas simplesmente para tocar percussão.
MD:
Como
você toca o pedal do bumbo? Apenas com a ponta do pé ou com todo o pé?
LW:
Eu uso a ponta do pé. Levando meu calcanhar e uso os dedos do pé. Eu costumava tocar com o pé todo, mas
descobri que havia coisas que podia tocar mais rápido e melhor
quando levantava o calcanhar e tocava com a ponta.
MD:
Você afina sua caixa
da mesma forma que afina os tom-toms? Totalmente aberta? LW: Não gosto
de ter nenhum tipo de abafamento na caixa, eu a afino bem aberta, e bem
esticada. Gosto de uma caixa bem firme, de som estalado.
Costumo até mesmo a manter as esteiras bem esticadas.
LW:
Se nos
pedirem para voltar