Desde 1834, durante o governo do Regente Feijó, pensava-se na construção de uma
estrada de ferro ligando Santos a São Paulo. A barreira representada pela muralha de 800
metros da Serra do Mar inibia o desenvolvimento tanto do planalto quanto da Baixada
Paulista desde o século 16, quando da fundação da cidade de São Paulo, pois o transporte
de cargas por tropas de mulas era extremamente precário e limitado.
A declividade
abrupta da Serra, porém, tornava o custo de construção de uma ferrovia altíssimo para as
possibilidades da época.
Posteriormente, com a expansão da cafeicultura para o
oeste do Estado nas décadas seguintes, criaram-se condições objetivas para a viabilização de
um investimento de grandes proporções, que colocaria o Porto de Santos mais próximo das novas
áreas produtoras, já que a produção do Vale do Paraíba mostrava sinais de decadência.
Cientes da potencialidade da nova cafeicultura do oeste paulista, baseada no trabalho
assalariado de imigrantes e assentadas em melhores técnicas de plantio e beneficiamento,
capitalistas brasileiros liderados pelo Barão de Mauá - Irineu Evangelista de Souza formaram uma empresa com o propósito
de viabilizar a ligação ferroviária entre a Baixada Paulista e o planalto, para
isto assumiram o projeto que já vinha sendo desenvolvido pelo alemão Frederico Fomm.
Frederico Fomm, um alemão, foi o primeiro a levar a sério
a proposta de construção de uma ferrovia subindo a Serra.
Residente em Santos, resolveu estudar na serra de Cubatão qual o caminho
que melhor se prestasse ao assentamento de trilhos para a construção de
uma via férrea que ligasse a baixada ao planalto.
O melhor traçado era a encosta da serra de Piaçaguera, por onde passava
uma antiga trilha indígena a partir de Paranapiacaba (que em tupi significa
lugar de ver o mar).
De posse de todo o material necessário, em 1838, Fomm requereu
concessão imperial para executar a obra , o que lhe foi concedido através
da Lei 27 de 29 de março de 1838. Mas Fomm morreu enquanto lutava para
obter os financiamentos.
Em virtude deste fato o projeto foi cair nas mãos do grupo liderado pelo
Barão de Mauá, que contratou
um técnico inglês para traçar a rota de São Paulo à baixada.
Na construção da Estrada de Ferro São Paulo Railway, as dificuldades foram
inúmeras, não só do ponto de vista técnico visto apresentar condições adversas para vencer o
desnível de 800 metros da Serra do Mar, mas também manobras obscuras visando
inviabilizar economicamente o empreendimento forçando o Barão de Mauá a transferir seu
controle para empresas inglesas, fato que o levou a associar-se ao Banco Rotschild.
Em 26 de abril de 1856, o decreto imperial 1759 concedeu direitos e
privilégios para a construção e exploração de uma linha férrea entre a
Baixada Santista e São Paulo à empresa THE SAINT PAUL RAILWAY(SPR), com
sede em Londres. As obras tiveram início em 15 de maio de 1860 surgindo no alto da serra
do mar os alojamentos que deram origem a primeira cidade operária do
Brasil, e mais tarde em 1907 recebe o nome de, Paranapiacaba.
A primeira viagem experimental ligando Santos a São Paulo ocorreu no
dia 6 de setembro de 1865, há exatamente 140 anos, Sendo que em 1867 veio a
ser o primeiro ano de funcionamento regular da São Paulo Railway, quando foram
transportadas 71.531 toneladas de mercadorias, fato que definitivamente
trouxe progresso a região, impulsionou o desenvolvimento de Cubatão
e proporcionou um novo alento ao porto de Santos. Pesquisa histórica feita
por Edna Lemos Moura aponta que a exportação do café, principalmente, justificava
nesta época a construção de uma ferrovia.
A Baixada Santista deve ao Visconde de Mauá ( que mais tarde seria
injustiçado, apesar de homem de grande visão, perdendo quase toda sua fortuna)
a construção de uma ferrovia por onde passaria todo o progresso de São
Paulo, além de levas de imigrantes italianos ,espanhóis e japoneses que
foram trabalhar nas lavouras de café, embarcando na Praça Marques de Monte
Alegre , próximo ao Porto de Santos.
A viagem inaugural do sistema funicular(as composições subiam presas
a cabo de aços, desde Paranapiacaba, no trecho da serra), que marca também
a inauguraçõo da estação de Cubatão, se deu no dia 16 de fevereiro de 1867
e levou "apenas" 3 horas e 10 minutos.
ROMANTISMO - Entre 1896 e 1901 o traçado inicial na serra foi modificado,
construindo-se uma nova linha com 10 quilômetros de extensèo. Em 1946,
a SPR foi encampada pelo Governo Federal, passando a chamar-se Estrada
de Ferro Santos-Jundiai.
Já em 1861 se cogitava mudar o Sistema funicular para o de tração mista(
engate de esteira em uma cremalheira e cabo de garantia) o que só ocorreu
no dia 17 de agosto de 1974. O então presidente da República, Garrastazu
Médici, inaugurou o novo sistema
circulando pela via onde, no passado , também andou em um trem especialmente
feito pelos ingleses, o então imperador D. Pedro II, e tantas outras figuras
históricas que deram à ferrovia , nos contos de Geraldo Ferraz e Afonso
Schmidt, um ar de encantamento e romantismo.
Ainda há muita gente na Baixada Santista que sente saudades do estilo
inglês da velha SPR , com seus maquinistas e moços de bordo impecavelmente
vestidos (de terno e gravata e educação britânica). A subida a Paranapiacaba
com o fog do estilo londrino e, principalmente, o exato cumprimento dos
horários na saída e chegada do trem.
FONTE:
A TRIBUNA 29/08/99 pág. B5
O Estado de São Paulo 4 de setembro de 2005 - cad economia B7
http://www.efbrasil.eng.br/electro/efsj.html - acessado em 05 jan 2006
DOM JOÃO III
João III, 0 Piedoso - 15.° rei de Portugal
Nasceu em Lisboa a 6 de Junho de 1502, onde também faleceu a 11 do mesmo mês, do ano de
1557.
Era filho de el-rei D. Manuel e de sua segunda mulher, a rainha D. Maria, filha dos reis
católicos Fernando e Isabel.
Tinha pouco mais de 19 anos quando faleceu seu pai, a 13 de Dezembro de 1521, e foi
aclamado rei de Portugal no dia 19 do mesmo mês.
Quando subiu ao trono em Dezembro de 1521, Portugal dominava em pelo menos três continentes,
na Ásia, África e América, fundara fortalezas na Índia, e até no extremo Oriente tinha o
domínio de muitas ilhas africanas, e de grande parte das costas orientais e ocidentais
do continente africano, possuindo também o território vastíssimo do Brasil, que chamou
muito a atenção do monarca.
A intromissão de corsários e piratas no Atlântico Sul, deu motivos a um dos
projetos mais importantes e ambiciosos de D. João III - a exploração e colonização do
Brasil. É neste quadro que em 1530 Martim Afonso de Sousa parte para uma expedição, com
o intuito de fazer o reconhecimento do litoral brasileiro e afastar os navios franceses.
É neste contexto que D. João III , dividiu-o em capitanias, e começou assim por
meio de donatários a colonizá-lo. A capitania de São Vicente foi doada pelo Rei de
Portugal, D. João III a Martim Affonso de Sousa à 28 de Setembro de 1532. Mas esta
não surgiu no momento de sua doação; já que as terras de São Vicente já existiam antes
da chegada de seu fundador, Martm Affonso de Sousa. Bem antes de 1531(quando Affonso de
Sousa chegou à São Vicente) já existiam portugueses que habitavam esta região junto com
os índios.
Para saber mais
http://www.marinha.pt/extra/revista/ra_set_out2002/pag16.html
http://www.arqnet.pt/dicionario/joao3.html
http://www.klepsidra.net/klepsidra9/martim.html