COMO BEZERRA DE MENEZES SE TORNOU ESP�RITA
"Nasci e criei-me, at� aos 18 anos, no seio de uma fam�lia tradicionalmente cat�lica (...).

Casei-me com uma mo�a cat�lica, a quem amava de cora��o (...). No fim de quatro anos, fui subitamente batido pelo tuf�o da maior adversidade que me podia sobrevir: minha mulher me foi roubada pela morte, em 20 horas, deixando-me dois filhinhos, um de 3 anos e outro de 1.

Aquele fato produziu-me um abalo f�sico e moral, de prostrar-me.

As gl�rias mundanas, que havia conquistado mais por ela do que por mim, tornaram-se-me aborrecidas, sen�o odiosas, e, como delas, coisas da terra, eu n�o via nada, nada encontrei que me fosse de lenitivo a tamanha dor.

(...) Um colega, tendo traduzido
O Livro dos Esp�ritos, de Allan Kardec, fez-me presente de um exemplar, que aceitei, por cortesia.

Deu-mo na cidade, e eu morava na Tijuca, a uma hora de viagem de bonde.

Embarquei com o livro e, n�o tendo distra��o para a longa e fastidiosa viagem, disse comigo: ora, adeus! n�o  hei de ir para o inferno por ler isto; e, depois, � rid�culo confessar-me ignorante de uma filosofia, quando tenho estudado todas as escolas filos�ficas.

(...) Lia, mas n�o encontrava nada que fosse novo para o meu esp�rito, e entretanto tudo aquilo era novo para mim!

(...) Eu j� tinha lido e ouvido tudo o que se acha em
O Livro dos Esp�ritos, mas eu tinha a certeza de nunca haver lido obra alguma esp�rita,e , portanto, me era imposs�vel descobrir onde e quando me fora dado o conhecimento de semelhantes id�ias! (...) parece que eu era esp�rita inconsciente, ou, como se diz vulgarmente, de nascen�a (...).

A moral crist�, iluminada pelos inef�veis princ�pios do Espiritismo, n�o pode deixar de modificar, para melhor, a quem a cultiva n�o somente por dever, mas tamb�m e principalmente por nela ter encontrado a paz do esp�rito!

N�o sou, por minha fraqueza, o que ela deve fazer do cora��o humano; n�o me posso julgar, sem incorrer em orgulho ou falsa mod�stia; mas posso assegurar que j� compreendo os meus deveres para com Deus, para com os meus semelhantes, de um modo diverso, acentuadamente mais elevado, que antes de ser esp�rita.

(...) Antes de ser esp�rita, s� o pensar em perder um filho, fazia-me mentalmente blasfemar, punha-me louco.

Depois de esp�rita, tenho perdido quatro filhos adorados, e depois de criados, louvando e agradecendo ao Pai de amor ter provado, por aquele modo, minha obedi�ncia a seus sacrossantos decretos".

Reformador, 1892
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