Esta exposição foi a primeira que fizemos usando o nome do grupo, dando a conhecer o resultado de um processo de 5 anos. Infelizmente a exposição foi desmontada pouco tempo depois da abertura.
O trabalho de Cyríaco Lopes procurava explicitar alguns problemas da galeria do Centro Cultural Cândido Mendes, mas tambem o tipo de papel que as artes visuais normalmente representam no Brasil. Tanto a Grande Galeria quanto a Pequena Galeria do CCCM são corredores, sendo a primeira também o saguão do teatro. "O Livro das Cores" ocupou todo o chão da sala menor com frágeis sacos plásticos cheios dágua sobre pedaços de papéis com imagens de rostos de homens no momento do gozo. A delicadeza dos materiais indicava outros caminhos e outra relação com o espaço de exposição. Na abertura, o público destruiu grande parte do "Livro". No dia seguinte ,de manhã, Cyríaco refez o trabalho (que tinha em torno de 300 imagens/sacos plasticos) incorporando os vestígios da destruição "dionisíaca" da véspera. Nessa mesma tarde o diretor do CCCM mandou que um funcionário retirasse o trabalho (o que não poderia ser feito sem destruí-lo), sem avisar ao artista. Assim que este ficou sabendo do ocorrido, retirou seu outro trabalho e tentou entrar em contato com a responsável pela galeria e o diretor , que não se encontravam em suas casas ou ambientes de trabalho. O Grupo A95, em breve espaço de tempo, desmontou toda a exposição, redigiu e divulgou uma carta protesto. É importante que se divulguem estes acontecimentos para que se tenha a exata idéia da relação circuito de exibição/produção artística no Brasil.
Para uma visâo ampla do assunto, ver também o site do artista Muntadas sobre censura `as artes |
Requiem para Maria Louca/CL |