Escola Secundária
do Fundão
Departamento de
Ciências Sociais e Humanas
Introdução
à Filosofia 11º ANO
FICHA DE AVALIAÇÃO
I
Presta
atenção ao seguinte texto:
A
argumentação é essencialmente comunicação, discussão. Enquanto a demonstração
é independente de qualquer sujeito, até mesmo do orador, uma vez que um cálculo
pode ser efectuado por uma máquina, a argumentação por sua vez necessita que
se estabeleça um contacto entre o orador que deseje convencer e o auditório
disposto a escutar.
C.
Perelman
1.
Identifica no texto as referências à demonstração. Transcreve-as.
(10)
2.
Refere quatro argumentos que justifiquem a primeira afirmação do texto.
(20)
II
Atenta
no seguinte:
Os
nossos conhecimentos não provêm nem da sensação nem da percepção isoladas,
mas da acção inteira da qual a percepção constitui somente a função de
sinalização. O que é próprio da inteligência não é, com efeito,
contemplar mas “transformar” e o seu mecanismo é essencialmente operatório.
Piaget
1.
Distingue sensação de percepção. (20)
2.
Partindo do texto esclarece o sentido dos seguintes conceitos em Piaget:
a)
estruturas cognitivas;
b)
equilibração;
c)
assimilação;
d)
acomodação. (40)
A única coisa que a fenomenologia aspira esclarecer é
o que significa ser objecto de conhecimento,
ser sujeito cognoscente, apreender o objecto.
Ferrater
Mora
3.
Esclarece as relações do sujeito, do objecto e da apreensão no fenómeno
do conhecimento. (25)
III
Atenta
no texto que se segue:
A
princípio, o meu espírito, ávido de saber, contentava-se com qualquer
alimento que se lhe oferecia; a breve trecho, porém, tornou-se-lhe impossível
digerir e começou a vomitar tudo o que ingerira.
Francisco
Sanches
1.
Identifica a “possibilidade” do conhecimento presente no texto. (05)
2.
Cingindo-te ao texto, distingue dúvida céptica de dúvida metódica.
(25)
Observa
o seguinte:
Sem
a sensibilidade, nenhum objecto nos seria dado; sem o entendimento nenhum seria
pensado. Pensamentos sem conteúdo são vazios; intuições sem conceitos são
cegas.
Kant
3.
A partir do texto elucida a forma como Kant ultrapassou a antiga
antinomia entre racionalistas e empiristas. (40)
IV
Os
Portugueses descobriram o caminho marítimo para a Índia.
A
minha tia é portuguesa.
A
minha tia descobriu o caminho marítimo para a Índia.
1.
Identifica a regra ou regras infringidas neste silogismo. (15)
PROPOSTA DE CORRECÇÃO
(APENAS
LINHAS ORIENTADORAS)
I
1.
“Independente de qualquer sujeito”... “um cálculo pode ser
efectuado por uma máquina”.
2.
a) O procedimento é dialógico, utilizam-se juízos de valor, existem
ambiguidades. b) Os raciocínios são pessoais e não têm necessidade de uma lógica
formal. É uma lógica pragmática num contexto vivencial. c) O auditório é
implicado na busca pelo preferível, não pela essência. d) Como a argumentação
é discussão predomina a opinião sobre a verdade.
II
1.
Sensação: Homem que se situa numa realidade que o estimula. Capacidade
de detectar estímulos. Impressão subjectiva e interior que vem dos sentidos e
que é causada pela realidade exterior.
Percepção:
Formação mental de representações dos objectos que vêm da realidade
exterior através dos sentidos. Organização e interpretação das sensações.
Percepção do mundo... construção do mundo.
a)
Não são inatas. Espécie de suporte. Formadas graças à actividade do
sujeito na sua relação com o meio. Possibilitam a apreensão e interpretação
do mundo.
b)
As necessidades do sujeito causam desequilíbrio aquando da constante
adaptação ao meio. O sujeito procura satisfazer essa necessidade,
reestabelecendo o equilíbrio cada vez mais estável. É uma “paragem”
provisória.
c)
Aspecto presente na adaptação ao meio. Integração dos objectos nas
estruturas cognitivas já existentes.
d)
Ajustamento das estruturas à nova situação. Desta maneira, o sujeito
conhece os objectos e pode pensá-los.
3.
Sujeito: o que conhece. Sai de si mesmo, transcende-se. Objecto: o que é
apreendido pelo sujeito, é exterior ao sujeito, permanece inalterável no acto
do conhecimento.
Na
apreensão o sujeito cognoscente sai de si em direcção ao objecto; capta as
propriedades do objecto. Regressa assim com a representação, com a imagem das
propriedades do objecto. A imagem do objecto é o que constitui o conhecimento
quando o sujeito regressa a si. Esta relação é uma correlação.
III
1.
É o cepticismo.
2.
“Impossível
digerir”; “vomitar”... Nega-se a possibilidade do conhecimento. É o
cepticismo típico do Renascimento face às novidades de um “saber de experiências
feito”. A dúvida céptica nega a possibilidade do conhecimento. É um estado
permanente de dúvida. Anula-se s si próprio. A dúvida metódica é um
“estar a caminho”, implica purificação, espírito não conformado, libertação
de preconceitos e dogmas. Possibilita um alcance de uma primeira verdade.
Implica crítica. Cf. Descartes, dúvida cartesiana e cogito.
3.
Através do apriorismo. O conhecimento começa com a experiência
mas não deriva da experiência. O conhecimento resulta de uma síntese entre as
formas “a priori” e os elementos materiais dados pela sensibilidade. Pela
sensibilidade captamos os objectos / fenómenos e submetemo-los às formas “a
priori” de tempo e espaço. No espaço e no tempo organizamos e coordenamos as
impressões sensoriais.
Entendimento:
pode, com ele, conhecer-se os objectos / fenómenos dados pela sensibilidade. É
o que compreende o que a sensibilidade percebe. Nele existem 12 categorias “a
priori” que unificam os fenómenos segundo leis. Por exemplo, a de causalidade
permite estabelecer relações causais entre os fenómenos e ultrapassar o
problema de Hume. O entendimento dá universalidade e necessidade ao
conhecimento.
Razão: síntese perfeita do conhecimento. Através dos seus “conceitos puros” dá unidade ao conhecimento verdadeiro ("uso regulador da Razão Teórica").
IV
1.
a) Termos equívocos. Portugueses como povo e portuguesa
como nacionalidade. B) A duas permissas particulares não se segue conclusão
alguma.