Escola Secundária do Fundão

Departamento de Ciências Sociais e Humanas

 Introdução à Filosofia 10º ANO (Turma 1 A)

 

FICHA DE AVALIAÇÃO

 

CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO

O teu teste será avaliado de acordo com os seguintes critérios:

- Domínio dos conteúdos programáticos

- Expressão escrita e articulação linguística.

- Utilização rigorosa dos conceitos.

- Articulação lógica dos conteúdos.

- Fundamentação de todas as afirmações.

 

I

 

Assinala, na folha de teste, utilizando V ou F, as afirmações que se seguem conforme as consideres verdadeiras ou falsas: (20)

 

1.      Uma boa educação filosófica exige a adopção das opiniões de um filósofo.

2.      Aprender filosofia contribui para melhor pensar, melhor interrogar e melhor agir.

3.      Os mitos são histórias sagradas com origem na razão humana.

4.      Através do pensamento mítico, o homem dava resposta à sua necessidade concreta de compreender o mundo físico e o mundo social.

5.      Os primeiros filósofos reflectiram sobre o Homem.

6.      Os “físicos” milesianos foram os primeiros a falar de um elemento primordial, um fundamento do universo.

7.      Sócrates defendeu a experiência como fonte do conhecimento verdadeiro.

8.      Para Sócrates, a maldade tem origem no próprio homem que é livre e responsável pelos seus actos.

9.      Os filósofos-reis devem governar a cidade ideal de Platão porque o seu espírito é dominado pela coragem, pela vontade.

10.  Aristóteles inspirou as concepções do realismo e do empirismo.

 

II

Lê o seguinte texto:

Era um envelope branco, pequeno. Já no quarto, Sofia leu as três perguntas que o envelope continha:

Haverá um elemento primordial a partir do qual tudo é gerado?

Será que a água se pode transformar em vinho?

Como é que a terra e a água se podem transformar numa rã viva?

Sofia achou estas perguntas absurdas, mas andou com elas na cabeça durante toda a tarde.  Na manhã seguinte, na escola, reflectiu nas três perguntas pela ordem apresentada.

Jostein Gaarder in, O Mundo de Sofia, Ed. Presença, 2000

 

1-     Explica por que motivo, apesar de parecerem absurdas, a formulação das questões a que o texto alude, foram decisivas na estruturação das raízes do pensamento ocidental.

Atenta nas seguintes afirmações:

AFIRMAÇÃO A

Não existe verdade segura e unívoca que possa triunfar; existem unicamente argumentos mais ou menos convincentes.

R. Barili, pensador do século XX.

 

AFIRMAÇÃO B

Sempre que dois homens emitam sobre a mesma coisa uma opinião contrária, é óbvio que um deles está enganado.

R. Descartes, pensador do século XVII.

  

2-     No quadro da filosofia grega do século V a.C., identifica que espécie de pensadores subscreveriam, respectivamente, a afirmação A e a afirmação B.

 

3-     Caracteriza, no contexto filosófico grego do século V a.C., o conceito de verdade presente em cada uma das afirmações.

 

4-     Explica de que forma Sócrates usa o diálogo para ajudar a que os seus interlocutores alcancem a verdade.

 

5-     Demonstra, recorrendo a um argumento, por que razão se diz que com Sócrates ocorreu uma revolução na história da filosofia.

 

Considera o seguinte texto:

Conhecer as coisas será, então, conhecer o que elas verdadeiramente são, o que têm de comum e permanente. Os Gregos estavam firmemente convencidos de que por muito útil que o conhecimento sensível possa ser, os sentidos por si só não bastam para nos proporcionar esse conhecimento.

Navarro Cordon e Calvo Martínez in, História da Filosofia, Edições 70.

 

6-     Partindo do texto, explica, comparativamente, a forma como Platão e Aristóteles conhecem as coisas como elas “verdadeiramente são”.

 

Repara neste excerto retirado de um livro policial:

Poirot encarou-o com uma expressão suave e triste: « - O senhor tem confiança... tem sempre confiança! Nunca fez uma paragem para perguntar a si próprio: ‘Isto pode ser assim?’ Nunca duvida nem se espanta. Nunca se interroga: ‘Isto não será demasiado simples?’»

Agatha Christie.

 

7-     Tendo em conta o texto, organiza uma reflexão acerca do valor da Filosofia.

 

FIM

Bom trabalho!

Janeiro de 2002

© Grupo de Filosofia, E.S.F. 2002

  

 PROPOSTA DE CORRECÇÃO

(Tópicos de resposta)

I

 

1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

F

V

F

V

F

V

F

F

F

V

 

II

 

 1. O aluno deve citar o texto sobretudo em relação ao “absurdo” da primeira questão. Ela representa uma preocupação em explicar a origem de tudo sem o recurso ao mito. Representa uma atitude racional, uma reflexão sobre a Natureza. Face à multiplicidade de seres, era preciso encontrar a substância una que lhes deu origem. O “arquê” é essa substância primordial que deu origem a todos os seres e, portanto, ao Cosmos. A procura pelo “arquê” não implica a sensibilidade mas sim o raciocínio, a busca racional. Tal, foi de extrema importância porque foi a primeira vez que, na história do pensamento Ocidental, que se recorreu ao raciocínio enquanto faculdade humana, aliado à observação directa, para explicar a realidade, dando-se início aos primórdios da metodologia científica e, portanto, à Filosofia.

 

2. Afirmação A: Sofistas. Afirmação B: Sócrates, os Socráticos, os Filósofos.

 

3. Afirmação A: Verdade relativa, depende dos interesses individuais e do momento. Cepticismo: não há uma tomada de posição absoluta relativamente a qualquer temática para evitar o compromisso. Falta de empenho na busca da verdade. Técnicas de argumentação que conduzem a conclusões que não são necessariamente verdadeiros. Sofismas: argumentos falsos com aparência de verdadeiros. Verdade que se confunde com a opinião pessoal.

Afirmação B: Como diz o texto: Não pode haver dois pontos de vista diferentes sobre uma temática. Verdade universal, única, válida para todos os homens. Verdade que se pode obter através da razão. Verdade inata que existe no próprio Homem e que ele consegue alcançar por si mesmo. Verdade que é o garante da sabedoria, da bondade. Conceitos éticos de verdade.

 

4. A base do método é o diálogo. Há dois momentos distintos. A ironia: Sócrates questiona o interlocutor com o objectivo de que este tome consciência de que possui falsas opiniões e conhecimentos. Num interrogatório argumentativo e de exemplos e contra-exemplos, mostra a inadequação ou a falsidade dessa definição. É necessário que o interlocutor reconheça a sua própria ignorância e se disponha a procurar a verdade. O interlocutor está neste momento despojado dos seus preconceitos, ideias feitas e falso saber. É um momento de purificação. A maiêutica: continuação do diálogo tendo em vista a auto-descoberta da verdade. Sócrates pretendia que o interlocutor alcançasse a verdade que já existia em si por si mesmo. O papel de Sócrates é ajudar cada interlocutor a “dar à luz” essa mesma Verdade. Conceitos universais éticos e morais. Exemplificar com o facto da profissão da mãe ter sido parteira.

 

5. O aluno escolhe um de três argumentos. Razões antropológicas: A origem do Cosmos deixou de ser uma das questões mais importantes. A sua preocupação é o Homem sobretudo do ponto de vista político e moral. Razões intelectuais: Claramente se dá importância ao papel desempenhado pela razão já que, no homem, esta é indispensável na busca pela Verdade e está presente no diálogo. Razões Morais: Coloca a ética em primeiro lugar. Os conceitos de Verdade que o Homem deve tentar alcançar – para alcançar a sabedoria – são conceitos essencialmente morais. Assim, acredita que a bondade depende da sabedoria.

 

6. Citar o texto e distinguir o papel dos sentidos e da razão em Platão e Aristóteles. Platão: o conhecimento sensorial das coisas (sombras, cópias) do mundo sensível é apenas um conhecimento de opinião – não é conhecimento verdadeiro. Conhecimento verdadeiro é conhecimento de ideias que existem no mundo inteligível. Este mundo é acessível apenas à razão: a origem do conhecimento verdadeiro está na razão (racionalismo) e o Homem tem de realizar um esforço racional para alcançar o conhecimento das essências do mundo inteligível. Os sentidos apenas servem para recordar ao Homem a verdade que ele já contemplara no mundo inteligível. Aristóteles: o conhecimento verdadeiro tem origem em duas faculdades: os sentidos e a razão. O ponto de partida para alcançar o conhecimento é a realidade. Partindo dos objectos concretos da realidade que são percepcionados pelo sujeito, formam-se no entendimento as ideias desses objectos.

 

7. Combate o dogmatismo e liberta de dogmas, ideias pré-concebidas, crenças do senso comum. Permite saber mais e dá-nos uma nova maneira de estar no mundo: saber pensar melhor, saber agir melhor, saber interrogar melhor. Dá-nos novas perspectivas e dimensões sobre a realidade: quando começamos a filosofar damo-nos conta de que até as realidades mais simples podem ser vistas de outras perspectivas.

 

© Grupo de Filosofia, E.S.F. 2002.

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