Escola Secundária do Fundão

Departamento de Ciências Sociais e Humanas

Introdução à Filosofia 10º ANO

 

FICHA DE AVALIAÇÃO

 

CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO

O teu teste será avaliado de acordo com os seguintes critérios:

- Domínio dos conteúdos programáticos

- Expressão escrita e articulação linguística.

- Utilização rigorosa dos conceitos.

- Articulação lógica dos conteúdos.

- Fundamentação de todas as afirmações.

 

I

 

1. Assinala, na folha de teste, utilizando V ou F, as afirmações que se seguem conforme as consideres verdadeiras ou falsas: (20)

a)      Seremos capazes de definir filosofia desde que tenhamos conhecimento do filósofo, da sua intencionalidade, da sua circunstância.

 

b)     É completamente impossível responder à questão “O que é a filosofia de Nietzsche?” porque esta é uma questão complicada, polémica e pouco precisa.

 

c)      A definição de filosofia na perspectiva de Aristóteles é que esta é a busca das primeiras causas e dos primeiros princípios de todas as coisas.

 

d)     O conceito universal ou cósmico da filosofia kantiana é de que esta deveria relacionar e sistematizar todo o universo do saber humano.

 

e)      A filosofia de Marx é uma filosofia da praxis pois é uma reflexão prática acerca das vantagens da aplicação industrial da máquina a vapor.

 

f)       Para Wittgenstein a filosofia é uma reflexão sobre a linguagem de modo a clarificar com rigor as proposições.

 

g)      Liberdade, escravidão, autenticidade, destino, sofrimento e morte são palavras de que faz sentido falar na definição de filosofia existencialista.

 

h)      Um dos sentidos da universalidade enquanto dimensão da filosofia é que a mesma deverá ser reservada aos intelectuais pois apenas estes a compreendem e dela têm experiência.

 

i)        Porque a filosofia questiona o questionar dizemos que tem uma dimensão de radicalidade.

 

j)       Pode viver-se sem filosofia tal como pode viver-se sem música, sem poesia e sem justiça. Apenas não tão bem.

 

II

Atenta no texto que se segue:

Ter espírito filosófico é ser capaz de se espantar com os acontecimentos habituais e as coisas comuns, pôr-se como objecto de estudo o que há de mais geral e de mais vulgar; ao passo que o espanto do sábio só se produz a propósito de fenómenos raros e escolhidos e todo o seu problema consiste em reduzir esse fenómeno a outro mais conhecido. Quanto mais inferior é um homem em inteligência tanto menos mistério encerra a existência para ele. Tudo lhe parece trazer em si a explicação do seu começo e do seu porquê.

A. Schopenhauer* in, Da Necessidade Metafísica.

*Filósofo Alemão n.1788 m.1860

 

2. Partindo do texto, esclarece o sentido etimológico de “Filosofia”. (15)

3. Tendo em conta o texto explica dois aspectos que te permitam diferenciar o “espírito filosófico” e o espírito do “sábio” a que o autor se refere. (30)

4. Estabelece uma relação entre as frases sublinhadas no texto e o método da Filosofia. (30)

5. Enumera dois itens inerentes ao problema da determinação do objecto da Filosofia. (10)

6. Explica-os apresentando uma conclusão acerca deste problema. (25)

 

III

Presta atenção ao seguinte texto:

O que, no nosso tempo, passa por ensino, mesmo nas nossas “melhores” escolas e universidades, é um anacronismo sem remédio. Os pais pensam na instrução como um meio de preparar os filhos para a vida futura; os professores advertem que a falta de instrução prejudicará os jovens no mundo de amanhã; os governos e os mass media são unânimes em exortar os jovens a frequentar a escola. (...)

No entanto, apesar  de toda esta retórica voltada para o futuro, as nossas escolas estão viradas para trás, para um sistema moribundo. (...)

No mundo de amanhã, os atributos mais apreciados da era industrial tornar-se-ão desvantagens. A tecnologia de amanhã não precisa de milhões de homens pouco letrados, (...) nem de homens que obedeçam sem pestanejar às ordens recebidas, conscientes que o preço do seu pão é a obediência maquinal à autoridade. A tecnologia de amanhã precisa de homens capazes de julgar e decidir criteriosamente, de abrir o seu caminho em ambientes novos, de acompanhar a transformação rápida e constante da realidade. (...) Com isto não se pretende discordar da aprendizagem de factos ou de informações. Pelo contrário. Simplesmente as escolas não se devem limitar a ensinar factos, devem também ensinar a manejá-los. Os estudantes precisam, em suma, de aprender a aprender.

Alvin Toffler in, Choque do Futuro.

 

7. Retira do texto todas as expressões que se enquadrem nas seguintes dimensões da Filosofia: a) racionalidade; b) autonomia. (15)

8. Explica a autonomia enquanto dimensão da Filosofia relacionando-a com as expressões que retiraste em 7.b. (30)

9. Explica a racionalidade enquanto dimensão da Filosofia. (25)

 

 

Proposta de Correcção da Ficha de Avaliação (apenas tópicos de resposta)

Confere estes tópicos de resposta com os teus:

 

I

1. Assinala, na folha de teste, utilizando V ou F, as afirmações que se seguem conforme as consideres verdadeiras ou falsas:

a

b

c

d

e

f

g

h

i

j

V

F

V

F

F

V

V

F

V

V

 

II

2. Etimologia de Filosofia: “filo”: gostar; “sofia”: sabedoria. Gostar, amar e, portanto, querer estar a caminho, sempre mais perto as sabedoria. No fundo, é o contrário do que o texto diz: “... tudo lhe parece (ao que não tem espírito filosófico) trazer em si a explicação do seu começo e do seu porquê.”

 

3. O texto diz: “ter espírito filosófico é ...” e “o espanto do sábio...” Isto significa que o filósofo: [Dos seguintes tópicos de desenvolvimento, aluno deverá seleccionar pelo menos dois.]

 i.     Inicia a sua reflexão filosófica a partir de qualquer realidade.

 ii.     Não impõe verdades. Espírito não dogmático.

 iii.     Não se afirma como detentor do conhecimento absoluto e perfeito.

iv.     A sua busca pelo saber inicia-se pela interrogação e pela dúvida.

 v.     É inconformado; nunca se dá por satisfeito.

 vi.     As interrogações são mais importantes que as respostas.

 

Pelo contrário: [Dos seguintes tópicos de desenvolvimento, aluno deverá seleccionar pelo menos dois.]

vii.     O sábio julga-se possuidor do conhecimento e da verdade.

viii.     Por isso mesmo não se preocupa em constantemente “estar a caminho”.

 ix.     Preocupa-se apenas com o que é extraordinário porque “tudo lhe parece trazer em si a explicação do seu começo e do seu porquê”.

 

4. O texto refere-se à incapacidade de um homem de “inteligência inferior” para quem a realidade “não traz qualquer mistério” pois nada lhe oferece dúvidas. Isto opõe-se ao espírito da Filosofia e do seu método porque:

ii.     o método se baseia na razão pura livre de elementos provenientes dos sentidos.

ii.     O filósofo reflecte, duvida, problematiza, critica de forma rigorosa porque racional.

iii.     O método da Filosofia exige – porque racional – um questionamento radical e, portanto, rigoroso apesar da multiplicidade de respostas a uma só questão.

Conclusão: o método da Filosofia funda-se na inquietação e na dúvida ao contrário do “método” do sábio a que o texto alude.

 

5. Por exemplo: Objecto que é determinado pela intencionalidade do filósofo e Objecto que é determinado pela temporalidade da Filosofia.

 

6. Ao contrário do das ciências, o objecto da Filosofia é indeterminado porque:

 i.     qualquer ponto de partida é válido para a reflexão filosófica dependendo da atitude, interesse, formação e intencionalidade do filósofo.

 ii.     A história da Filosofia prova que os objectos da Filosofia foram variando com o decorrer dos tempos. (temporalidade)

Conclusão: a determinação do objecto da Filosofia é um problema filosófico tal como o é a sua definição. O objecto da Filosofia é a totalidade do real.

 III

7.

a)      homens capazes de julgar e decidir criteriosamente; não se devem limitar a ensinar factos, devem também ensinar a manejá-los; Os estudantes precisam, em suma, de aprender a aprender.

b)      homens que obedeçam sem pestanejar às ordens recebidas; obediência maquinal à autoridade; homens capazes de julgar e decidir criteriosamente; abrir o seu caminho em ambientes novos; acompanhar a transformação rápida e constante da realidade; não se devem limitar a ensinar factos, devem também ensinar a manejá-los; Os estudantes precisam, em suma, de aprender a aprender.

 

8. Há dois sentidos na autonomia enquanto dimensão da Filosofia. Por um lado a filosofia é autónoma em relação à ciência, ao senso comum, à religião, à ideologia e a tudo o que possa por em causa a liberdade de pensar. Por outro lado termos espírito filosófico significa:

 i.     pensarmos por nós próprios e não nos influenciarmos nem conduzirmos pelo pensamento dos outros; [homens que obedeçam sem pestanejar às ordens recebidas; obediência maquinal à autoridade; homens capazes de julgar e decidir criteriosamente].

 ii.     saber decidir o que é melhor para nós próprios; [abrir o seu caminho em ambientes novos;

 iii.     ter a coragem de nos guiarmos por nós próprios, através da nossa própria razão porque só assim seremos verdadeiramente livres, autónomos e, portanto, responsáveis.

 

9. É através da razão (e, portanto, do método racional) que a Filosofia organiza, explica, e compreende o mundo e a vida. O discurso da Filosofia é puramente racional, rigoroso e, por conseguinte, livre de qualquer obscuridade ou dúvida. Os seus conceitos são extraordinariamente claros e distintos apesar da multiplicidade de respostas apresentadas.

  

ÓGrupo de Filosofia, 2000/2001, E.S.F.

 

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