Escola Secundária do Fundão
Departamento de Ciências Sociais e Humanas
Introdução à Filosofia 10º ANO

FICHA DE AVALIAÇÃO

 

CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO

O teu teste será avaliado de acordo com os seguintes critérios:

- Domínio dos conteúdos programáticos

- Expressão escrita e articulação linguística.

- Utilização rigorosa dos conceitos.

- Articulação lógica dos conteúdos.

- Fundamentação de todas as afirmações.

I

1. Assinala, na folha de teste, utilizando V ou F, as afirmações que se seguem conforme as consideres verdadeiras ou falsas: (20)

a) A Escola Jónica rompeu progressivamente com a tradição mítica que explicava a origem do cosmos com base em deuses e heróis.

b) Para Heraclito e Parménides o princípio fundamentante da realidade já não é um elemento físico, mas o próprio Ser.

c) As preocupações da filosofia grega apenas incidiam sobre o problema da origem da realidade.

d) Os sofistas preocupavam-se com a busca da verdade que, diziam, era imutável e universal.

e) Os sofismas são argumentos verdadeiros com aparência de falsos.

f) Os sofistas, ao terem sido os primeiros a reflectir sobre questões políticas e morais e ao desenvolverem técnicas de argumentação, serviram de inspiração à filosofia platónica.

g) Na medida em que Platão, politicamente, dá relevo à organização da cidade-estado pode considerar-se um defensor da democracia.

h) A cidade-estado ideal para Platão é aquela que respeita a divisão social inspirada na divisão da alma.

i) O conhecimento dado pelos sentidos e as opiniões individuais são a fonte do conhecimento verdadeiro para Platão.

j) A Teoria da Reminiscência afirma que, após a morte, o homem contemplará o mundo dos paradigmas e do conhecimento verdadeiro.

II

Atenta no texto que se segue:
Quem não tem umas tintas de filosofia é homem que caminha pela vida fora sempre agrilhoado a preconceitos que se derivaram do senso comum, das crenças habituais do seu tempo e do seu país, das convicções que cresceram no seu espírito sem a cooperação ou o consentimento de uma razão deliberada.


Bertrand Russell in, Os Problemas da Filosofia.

 

2. Partindo do texto, explica 3 argumentos que te permitam sustentar a afirmação de Bertrand Russell acerca do valor da filosofia. (21)
3. Expõe dois conselhos que darias a um colega para que o orientasses no papel de "aprendiz" de filósofo. (24)

 

III


Presta atenção ao seguinte texto:
O pensamento racional tem um registo civil: conhece-se a sua data e lugar de nascimento. Foi no século VI antes da nossa era, nas cidades gregas da Ásia Menor. (...) O homem grego acha-se assim içado acima de todos os outros povos, predestinado; nele se encarnou o "logos". 'Se inventou a filosofia', opinava Burnet, 'deve-o às suas qualidades de inteligência excepcionais: o espírito de observação aliado ao poder do raciocínio'.


Jean-Paul Vernant in, Do Mito à Razão.

4. Tendo em conta o texto, avalia a importância da busca pelo 'arquê' para o desenvolvimento do pensamento racional. (35)
5. Identifica dois dos vários condicionalismos que terão levado a que o pensamento racional tivesse o "registo civil" a que se refere o texto. (15)
6. Caracteriza brevemente o momento de passagem do pensamento mítico ao pensamento racional. (10)

 

IV

Considera o seguinte:
"Sócrates chamou a filosofia do céu à terra."
Estas palavras de Cícero exprimem exactamente o carácter da investigação socrática. Ela tem por objecto exclusivamente o homem e o seu mundo, isto é, a comunidade em que vive.

Nicola Abbagnano in, História da Filosofia, Vol. I

 

7. Tendo em conta o texto que acabaste de ler, explicita duas das razões pelas quais se afirma que com Sócrates aconteceu uma revolução na história da Filosofia. (20)
8. Explica, genericamente, o funcionamento do método socrático. (30)
9. Descreve o posicionamento de Aristóteles face à questão gnosiológica. (25)

 

 

PROPOSTA DE CORRECÇÃO DA FICHA DE AVALIAÇÃO

I

1.

a

b

c

d

e

f

g

h

i

j

V

V/F

F

F

F

F

F

V

F

F

 

 

II

2.

a) Combate o dogmatismo e liberta de dogmas, ideias pré-concebidas, crenças do senso comum. Como diz o texto: Quem não tem umas tintas de filosofia é homem que caminha pela vida fora sempre agrilhoado a preconceitos que se derivaram do senso comum (...).

b) Permite saber mais e dá-nos uma nova maneira de estar no mundo: saber pensar melhor, saber agir melhor, saber interrogar melhor.
c) Dá-nos novas perspectivas e dimensões sobre a realidade: quando começamos a filosofar damo-nos conta de que até as realidades mais simples podem ser vistas de outras perspectivas.

3.
a) Não se apressar a adoptar soluções para os problemas.
b) Não ler obras de apenas uma Escola ou tendência sem conhecer todos os argumentos.

c) Não se apressar a adoptar soluções para os problemas.

d) Não se deixar levar pelo simplismo e superficialidade do senso comum.
e) Ver a Filosofia não como uma pilha de conclusões mas como uma actividade de elucidação de problemas.
f) Atitude receptiva e humilde.
g) Recusar-se a aceitar dogma e, muito menos, a convencer os outros desses dogmas.

 

III

4. Representa uma atitude racional, uma reflexão sobre a Natureza. Face à multiplicidade de seres, era preciso encontrar a substância una que lhes deu origem. O "arquê" é essa substância primordial que deu origem a todos os seres e, portanto, ao Cosmos. A procura pelo "arquê" não implica a sensibilidade mas sim o raciocínio, a busca racional. Tal, foi de extrema importância porque foi a primeira vez que, na história do pensamento Ocidental, que se recorreu ao raciocínio enquanto faculdade humana, aliado à observação directa, para explicar a realidade, dando-se início aos primórdios da metodologia científica e, portanto, à Filosofia. [O aluno deverá citar o texto numa perspectiva interpretativa e para ilustrar os aspectos essenciais.]


5. Condicionalismos de ordem económica: prosperidade das cidades gregas. Existência de mão-de-obra abundante o que permitia o ócio dos cidadãos para concretizar o debate e a reflexão. Condicionalismos geográficos: contactos e abertura com diferentes povos e culturas graças a uma situação geográfica privilegiada. Condicionalismos climatéricos: a suavidade do clima da Grécia permitia a saída para o exterior o que facilitava o diálogo e a observação da realidade.

 

6. Pensamento mítico: explicação para a realidade com base em mitos: histórias com personagens divinas, heróis, animais fabulosos. Gradualmente, progressivamente, as explicações deixaram de ser dadas com base nos mitos para passarem a ser dadas com base em raciocínios. Assim, o momento de passagem foi de continuidade, não de ruptura.

IV

7. Razões antropológicas: A origem do Cosmos deixou de ser uma das questões mais importantes. A sua preocupação é o Homem sobretudo do ponto de vista político e moral. Razões intelectuais: Claramente se dá importância ao papel desempenhado pela razão já que, no homem, esta é indispensável na busca pela Verdade. Razões Morais: Coloca a ética em primeiro lugar. Os conceitos de Verdade que o Homem deve tentar alcançar - para alcançar a sabedoria - são conceitos essencialmente morais. Assim, acredita que a bondade depende da sabedoria. Por isso, o texto diz: "tem por objecto (...) o homem e o seu mundo, isto é, a comunidade em que o homem vive."

 

8. A base do método é o diálogo. Há dois momentos distintos. A ironia: Sócrates questiona o interlocutor com o objectivo de que este tome consciência de que possui falsas opiniões e conhecimentos. É necessário que o interlocutor reconheça a sua própria ignorância e se disponha a procurar a verdade. É um momento de purificação. A maiêutica: Sócrates pretendia que o interlocutor alcançasse a verdade que já existia em si (admite o inatismo) por si mesmo. O papel de Sócrates é ajudar cada interlocutor a "dar à luz" essa mesma Verdade.

 

9. O ponto de partida para alcançar o conhecimento é a realidade. Partindo de objectos concretos que são percepcionados pelo sujeito, formam-se no entendimento as ideias desses objectos. Posição empirista oposta à de Platão.

ÓGrupo de Filosofia, 2000/2001, E.S.F.

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