ESCOLA SECUNDÁRIA DO FUNDÃO

Introdução à Filosofia – 10º Ano

 

Ficha de Trabalho

 

 

“Neste momento passava no pátio um dos mais velhos criados da quinta. Daniel chamou-o e mandou-o subir.

Daí a instantes, entrava-lhe o homem no quarto.

Daniel deitou-se e disse-lhe que falasse.

O criado não sabia em quê.

- No que quiseres; mas fala-me para aí.

O velho olhou para a janela, olhou para o ar, e disse:

Temos vento; aquelas nuvens brancas costumam dar nisso.

- Tu sabes o que é o vento? - disse Daniel, espreguiçando-se.

-  O vento? O vento é assim uma coisa... como.. um assopro - respon­deu o homem.

- És um asno. O vento é uma corrente de ar, produzida pela desi­gual distribuição da temperatura na atmosfera.

E Daniel, dizendo isto, entre dois bocejos, olhou para o criado, diver­tindo-se em estudar-lhe no rosto o efeito da definição científica.

O homem abriu a boca, sorrindo de dúvida.

Mas aposto que o menino não me sabe dizer uma coisa?

- O quê? - perguntou Daniel, que esteve a achar sabor ao diálogo.

- Donde vem o vento e para onde vai?

Esta pergunta, análoga à outra que, ainda não há muito, se fez em lugar mais sério, embaraçou algum tanto Daniel.

- E tu sabes, António?

- Eu ?! Não que nem nenhum matemático. E diga-me, sabe também o que são estes sinais que aparecem às vezes, como a semana passada?

- Que sinais?

- Pois não viu aquela noite da semana passada a Lua a sumir-se, a sumir-se, que era uma coisa de estarrecer?

- Ai, isso era um eclipse.

- Um eclis? Pois seria um eclis, seria. Mas o que é que faz aquilo?

- É a Terra.

- Terra!

- A Terra, a Terra, a sombra da Terra, do Mundo.

- A sombra! Então... nós estamos debaixo e a Lua de cima, como lhe havemos de fazer sombra? Essa não é má!

Daniel, para se distrair, quis experimentar até que ponto podia fazer compreender a este homem a ideia do fenómeno físico em questão. Alguma coisa se há-de tentar na aldeia, em uma longa tarde de estio.

- Imagina tu, aquela janela, o Sol; eu, a Lua; e tu, a Terra. Ora bem; põe-te a andar para a esquerda.

- Mas, se a janela é que é o Sol, que ande a janela.

- Não há tal; pois a Terra é que anda.

- Como! Então a Sol não é que anda?

- Não, homem. O Sol está parado.

O criado deu uma risada.

- Muito obrigado. Para ver o Sol andar, olhe que não é preciso ir ao Porto. Vê-se mesmo de cá.”

Júlio Dinis, (1996), As Pupilas do Senhor Reitor. Porto Editora

     

Tarefas

 

 

1.  Identifica no texto duas das formas de conhecimento que conheces.

 

2.  Retira do texto características de cada uma delas.  

 

© E.S.F Grupo de Filosofia, 2000.

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