SIMON O SHAPER CAMPEÃO CARIOCA

Autoria: Luis Henrique


Marcelo Simon shaper carioca, 31 anos; acaba de ingressar na mais recente revolução do mundo do Surf. É a primeira grande mudança na maneira como as pranchas são feitas. Trata-se de um software ( surfcad ) adaptado a um modelador inteligente de alta precisão ( a máquina de fazer prancha ).

Simon

Heitor Alves, cearense radicado no Rio, Profissional Top SuperSurf que faz parte da equipe Simon.


Produção



Como funciona esse sistema?

Simon: Eu crio os shapes no computador, envio o arquivo para a máquina, ela faz o serviço e eu dou o acabamento final.

E quais as vantagens para os clientes na utilização desse sistema?

Simon: Cada prancha feita fica arquivada no computador e pode ser reproduzida fielmente depois. E o melhor não é a cópia perfeita e sim a possibilidade de evolução real a cada prancha, pois cada mudança sugerida será exatamente feita e não aproximadamente, como acontece quando feita a mão.

Quer dizer que agora qualquer um pode comprar o programa e sair fazendo prancha por aí?

Simon: Claro que não! A máquina não faz milagre, não cria pranchas, apenas faz aquilo que o shaper planejou . Quem fazia prancha boa vai continuar fazendo, e evoluir, mas quem não fazia, não te jeito.... ( risos )

Esse sistema realmente funciona? Existem mais shapers o utilizando?

Simon: O sistema não é único, mas por mim, e por nomes como: Matt Biolos, Eric Arakawa, Pat Rawson, Al Merrick, entre outros, é considerado o melhor. Eu e toda a minha equipe já testamos os modelos feitos à máquina. Agora só falta você.

Billabong, Voll'us Darts, Quiksilver, HIC, Reef, Rusty, Hurley, Roxy, Lost, Volcom, MCD, Hang Loose, Qix, Rip Curl, O'neill, Adio, Atticus, Black Flys, Black Label, Breakdown, Bullhead, Burton, Circa, DC Shoes, Dickies, Dragon, DVS, Eletric, Element, Etnies, Flojos, Fossil, Fox, Gallaz, Globe, Independent, John Deere, Kik Wear, Kirra, Lilu, Nixon, Osiris, Paul Frank, Puma, Rainbow, Raisins, Shortys, Silver Moon Concept, Spitfire, Split, Spy, Tilt, To the Edge, Trans Nine, Vans.


ENTREVISTA - MARCELO ARIAS DA UNIPRAN

Autoria: Unipran


UNIPRAN lança 3a Pós-graduação em Surfe e Esportes Praticados com Prancha.

Pelo terceiro ano consecutivo a Universidade da Prancha – UNIPRAN – Núcleo de ensino, pesquisa e extensão dos esportes com prancha, ligado ao Centro Universitário Monte Serrat – UNIMONTE, lança a sua pós-graduação em surfe e esportes praticados com prancha. Esta iniciativa é pioneira no mundo e objetiva capacitar pessoas a trabalhar nos mais diversos setores ligados a esses esportes (surfe, skate, windsurfe, kitesurfe, wakeboarding e sandboarding). Confira a entrevista com o professor Ms. Marcello Árias, um dos coordenadores da UNIPRAN.

Marcello, a UNIPRAN já esta caminhando para o seu terceiro ano. Em quais áreas vocês estão trabalhando?
R: Sendo o único núcleo universitário do Brasil, temos priorizado as atividades acadêmicas, tais quais os cursos de capacitação profissional, clínicas prático/teóricas, pós-graduações e pesquisas científicas com esportes com prancha, principalmente o surfe e o skate. Porém, a pós-graduação é o carro chefe, pois são esses alunos que melhorarão a qualidade dos serviços prestados em nosso meio num futuro bem próximo.

Como funciona esta pós-graduação?
R: Como todas as outras de nível Lato-Sensu (especialização), tem a duração de 15 meses. Ela é composta de 360 horas/aula e as aulas são ministradas aos sábados. Ao término da pós, os alunos devem entregar uma monografia científica versando sobre algum assunto de interesse pessoal. A partir daí o aluno passa a ser pós-graduado em surfe e esportes praticados com prancha.

Qualquer pessoa pode fazer?
R: Não. Somente aquelas pessoas que já possuem uma graduação superior, ou seja, que já possuam um certificado de um curso de terceiro grau.

Isso não é elitista Marcello?
R: Muitas pessoas têm me perguntado isso, e eu julgo esta pergunta bem pertinente. Nosso país ainda é um país do terceiro mundo, e muitas pessoas não têm acesso à educação. Gradativamente temos melhorado isso. Porém, se quisermos evoluir como nação, é imperativo apostar em todos os aspectos da educação. Esta pós-graduação é direcionada para aquelas pessoas mais privilegiadas de nossa nação, os 5% de nossa população que tem um nível superior. Queremos melhorar ainda mais o conhecimento dessas pessoas para que elas possam transmití-los para a população em geral, não tão privilegiada em termos educativos. Entretanto, na UNIPRAN também oferecemos cursos e clínicas abertas a toda comunidade, onde os mesmos assuntos são abordados de forma mais lúdica. Fora isso, a UNIMONTE tem uma enorme preocupação em colaborar com a sociedade em geral. Para isso, disponibiliza vários tipos de bolsas, inclusive bolsas integrais para alguns atletas, como é o caso do Daniks Fischer que esta cursando jornalismo na UNIMONTE com uma bolsa de 100%. É importante salientar que tais bolsas só são concedidas em alguns casos especiais e somente para cursos os superiores. Nos cursos de pós-graduação não oferecemos bolsas-de-estudo, pois geralmente o número de alunos é bem mais reduzido, sendo que comumente as pós-graduações não se pagam, são simplesmente peças de um processo educacional contínuo que não pode ser negligenciado, pois é parte fundamental da formação de alguns profissionais. Logo, é quase que uma obrigação das instituições de ensino superior oferecer cursos de especialização.

Quais as matérias ministradas nesta pós-graduação?
R: São inúmeras: Evolução Histórica dos Esportes com Prancha; Montagem, Implantação e Gerenciamento de Escolas de Esportes com Prancha; Fisiologia do Exercício Aplicada aos Esportes com Prancha; Treinamentos Físico e Mental Aplicados aos Esportes com Prancha; Aspectos Clínicos, Cinesiológicos e Biomecânicos Aplicados aos Esportes com Prancha; Física, Ecologia, Biologia e Oceanografia nos Esportes com Prancha, Nutrição, Recursos Ergogênicos nos Esportes com Prancha; Aspectos Sociais e Jurídicos nos Esportes com Prancha; Mídia, Mercado Consumidor; Administração e Marketing; Metodologia da Pesquisa Científica.

Parece que este curso é bem eclético e abrangente, mas existe uma ênfase na área da saúde. Que tipo de profissional tem procurado vocês?
R: Nosso curso aborda inúmeros aspectos da área da saúde, pois surfe é um esporte que promove a saúde. Desta forma, temos vários profissionais de educação física fazendo a pós-graduação. Mas isso não impede que profissionais de outras áreas obtenham valiosas informações para suas carreiras. No ano de 2003 tivemos jornalistas, administradores de empresas e biólogos fazendo nosso curso.

Uma vez formados, os profissionais estarão aptos a trabalhar em quais áreas do mercado dos esportes com prancha?
R: No geral, nossos profissionais estarão aptos a trabalhar em diversas áreas que envolvam aspectos históricos, didáticos, pedagógicos, fisiológicos, tecnológicos, administrativos e metodológicos ligados ao surfe e esportes com prancha para o desenvolvimento de várias atividades, além de possibilitar o entendimento da dinâmica envolvida no atual mercado de consumo. Mais especificamente poderão desenvolver com segurança a montagem, implantação e gerenciamento de escolas de iniciação e especialização esportivas; a elaboração, planejamento e condução de aulas técnicas ou recreativas (individuais ou em grupos) em diversos locais (escolas, academias, clubes, pousadas, hotéis, etc...); a aplicação dos princípios fisiológicos; a análise cinesiológica e biomecânica; a elaboração, direção e execução de programas de condicionamento e treinamento físico e/ou mental personalizados para atletas e não-atletas; a prevenção dos principais traumas agudos e crônicos advindos da prática esportiva; a elaboração, direção e execução de programas personalizados de reabilitação física; a conscientização sobre procedimentos clínicos, nutricionais, uso de recursos ergogênicos e mecanismos de ação de drogas; a utilização dos conhecimentos da Física, Ecologia, Biologia e Oceanografia; o entendimento de aspectos sociais, jurídicos e administrativos; a prestação de serviços de assessoria e consultoria para vários setores da sociedade; a compreensão sobre a mídia especializada e o mercado consumidor de produtos e serviços; o emprego do método científico para obtenção de melhores resultados, desenvolvimento e realização de pesquisas e publicações científicas.

Caramba! É você que ministra todas essas disciplinas?
R: Não! Em hipótese alguma! Ministro várias aulas nesse curso, mas conto com uma equipe altamente competente formada na sua grande maioria por surfistas, skatistas, snowboarders, wakeboarders e winsurfistas. O que os diferencia é o fato de que todos eles são profissionais exemplares em suas áreas: fisioterapia, medicina, educação física, nutrição, jornalismo, veterinária, biologia, etc. A grande maioria ainda tem títulos de Mestre ou Doutor, o que os capacita ainda mais a exercer essa nobre arte que é ensinar. Conseguimos formar um time altamente diferenciado em suas respectivas profissões, mas que não deixaram o “felling” de lado e continuam se divertindo com seus esportes. Isso faz com que o relacionamento aluno/professor não seja monótono e cansativo, pois a interação entre eles é total. Durante o curso várias vezes saímos para surfar juntos, andar de wakeboard, etc. Tentamos dividir as aulas de modo que em um sábado temos uma aula profunda e teórica e no sábado seguinte algo mais leve e prático. Dessa forma o curso não se torna cansativo. Afinal somos surfistas e nossa forma de encarar a vida deve ser sempre preservada, ou seja: bom humor, diversão e companheirismo, que agora aliados ao extremo profissionalismo produzirá uma nova safra de praticantes de esporte com prancha, mais informada e conseqüentemente mais preparada para encarar o pesado swell que é a vida em si.

Quais são esses profissionais?
R: Adriano Paulo de Oliveira, o Teco, Alexandre Vianna, Andréa Ramirez, Romeu Andreatta, David Szpilman, Eledir Busanello, Márcia Portes, Emilson Colantônio, Flávio Ascânio, Francisco Navarro, Guilherme Pimenta Castelão, Otto Gadig Bismark, Luciane Garante Antunes, Marcelo Szpilman, Marco Antônio Ferrari Carneiro, Marcelo Baboglhuian, o Doc, Marco Antônio Ferreira Alves, Dilmar Pinto Guedes, Tácito Pessoa, Pedro Rodrigues, Reury Frank Pereira Bacurau, Ricardo Ricci Uvinha, Rogério Buzzato Rodrigues, Shirley Dias da Silva e eu. Esse curso é reconhecido pelo MEC?
R: Esta é uma boa pergunta. O Ministério da Educação e Cultura é o órgão que normatiza a educação em nosso país. Sendo assim, todas as instituições de ensino do Brasil tem que necessariamente adequar-se a alguns padrões estabelecidos pelo MEC. Se a instituição de ensino funciona dentro dessas normas, ela passa a ter autonomia para criar alguns cursos, inclusive os de pós-graduação. Logo, não é o curso que é reconhecido pelo MEC, mas sim a instituição que o ministra, e a UNIMONTE é reconhecidamente um das instituições que mais tem crescido no estado de São Paulo, tanto em instalações como em qualidade de serviços prestados. Resumindo, não é totalmente errado falar que nossa pós é reconhecida pelo MEC, porém o mais correto seria falar que a instituição que a ministra o é. Falando um pouco sobre escolas de surfe, você poderia afirmar que esta pós-graduação forma professores e instrutores de surfe também?
R: Olha, este é um assunto extremamente complexo e que tem causado muita confusão. Quando você resolve ministrar aulas de surfe, você está necessariamente colocando-se em uma posição de professor, e ensinar é algo nobre. Durante anos a profissão de Educação Física não foi reconhecida como tal, e isso abriu brechas para inúmeras pessoas trabalharem ministrando aulas de natação, musculação e até surfe sem que tivessem passado por uma formação e uma capacitação profissional adequada para isso, ou seja, sem que tivessem passado por um curso de formação superior com disciplinas como pedagogia, psicologia da educação, primeiros socorros, etc. Em 1998, entretanto, a Educação Física passou a ser reconhecida como profissão e, desde então, ministrar qualquer aula na área dos esportes e da saúde sem que se tenha a formação superior (professor de Educação Física), passou a ser exercício ilegal de profissão, sujeito a penas previstas pela lei. Logo, atualmente, se você ministra aulas de surfe, tem necessariamente que ser formado em Educação Física, caso contrário poderá ser impedido e punido. O órgão que fiscaliza essas atividades é o CONFEF, conselho federal de educação física, algo parecido com o conselho federal de medicina. Mas, o CONFEF e seus subordinados, os CREFS, conselhos regionais de educação física, permitiram que surfistas que já atuavam como professores cinco anos antes da promulgação da lei que regulamentou a profissão de Educação Física, obtivessem o direito legal de continuar exercendo sua profissão, o que no meu entender foi muito justo. Esse é o caso, por exemplo, do surfista Zecão de Ubatuba. Mas agora, não tem jeito, se você quiser ser professor de surfe, tem que fazer Educação Física. Nenhum curso de final de semana te credenciará para tal, mesmo que o nome professor venha substituído por instrutor, o que é a mesma coisa. Nossa pós- graduação também não credencia ninguém a ser professor. Especializa e aprimora quem já é professor (Educação Física), e capacita outros profissionais de outras áreas a trabalhar em outros setores alheios a docência em si, como organização de eventos ou mesmo administração de escolas e centros de esportes com prancha.

Onde os interessados podem obter mais informações sobre a pós-graduação, e qual é o investimento financeiro para a obtenção deste título acadêmico?
R: O investimento é da ordem de 280 reais mensais, pagos em 15 parcelas. Maiores informações podem ser obtidas na secretaria de pós-graduação e pesquisa da UNIMONTE. Av. Senador Feijó, 423 Térreo – Vila Mathias – Santos/SP – CEP 11 015 – 505

Telefax : (13) 32356510 / 32321070 / 32282008

Site: www.unipran.unimonte.br

Porém, quem preferir obter mais informações comigo mesmo pode ligar para (13) 34668489.

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ENTRVISTA COM MARCELO TREKINHO + ALTAS FOTOS DE FÁBIO MINDUIM

Autoria: Redação Click Surf
Fotografia: Fábio Minduim e Trekinho

ENTREVISTA: MARCELO TREKINHO Bem colocado no WQS: ”Ainda tem muita estrada pela frente”


O carioca Marcelo Trekinho falou ao Clicksurf, diretamente do Havaí, comentando sua participação nas três etapas do WQS que foram disputadas na Austrália em março. Confira!


Clicksurf: Vamos falar sobre a sua participação na perna australiana. No primeiro evento, em Sydney, você passou uma bateria, mas perdeu na estréia dos cabeças-de-chave. Como estava o mar e como foram tuas baterias lá?


Joatinga, Rio.Para participar dos Circuitos Internacionais voce tem que voar muito...

...são muitas pistas para decolar. Joatinga, Rio.

Vôo acrobático na Sul/ Leblon.

Na Joatinga, Rio de Janeiro, tem uns ângulos diferentes que o Minduim foi lá conferir

Galera brasileira em Margaret River

Trekinho com a fauna local

Brazucas na areia

Trekinho e o seu foguete

Surfando no Campeonato Rip Curl

Foto MInduim

Conferindo um bom dia de tubos em Ipanema


Trekinho: O mar estava bem difícil. Pela manhã, na maré cheia, rolavam ondas no inside e na maré seca as ondas iam para o outside, mas não estavam constantes. Na minha primeira bateria, peguei apenas duas ondas do outside. A galera ficou no inside, onde rolavam mais ondas, mas não eram muito pontuadas. Escolhi ficar lá fora e a que viesse era minha. Na segunda bateria, comecei no inside, mas logo fui lá para fora, peguei uma boa, mas depois não veio mais nada. Precisei de uma nota 4 e pouco para virar. Vários atletas perderam precisando de nota baixa.


Clicksurf: Em Newcastle, você não deu sorte e perdeu na estréia, mas se reabilitou em Margaret River ( Salomon Masters - veja matéria no canal WQS/ ClickSurf ), uma das etapas mais importantes do tour, que foi disputada em altas ondas. Como foi a sua participação lá?


Trekinho: Fiz uma bateria boa em Newcastle e foi bem apertada, tirei um 7 e um 6 e pouco, as notas foram muito próximas das do outro cara. Em Margaret, fiz uma bateria boa de estréia com notas regulares e passei em primeiro sem problemas. A segunda foi a bateria mais dramática da minha vida. Todos pegaram ondas nos primeiros três minutos. Eu tirei um 3, o Raoni levou um 9, o Frederic Robin um 4 e o Trent Munro, um 8. Depois disso ninguém mais pegou onda até a regressiva, quando eu estava precisando de um 4 e pouco. Nos dois segundos finais fiquei em pé, tirei um 5 e pouco e virei. Fiquei adrenalizado, mas passei. Nas oitavas, o Raoni e o Jake Paterson se acharam e tiraram notas altas, e eu caí em algumas ondas que me custaram a classificação.


Clicksurf: Com o resultado no Salomon Masters, você passou para 14º lugar no ranking. É o seu melhor começo de temporada?


Trekinho: O começo não diz muita coisa. Tenho que manter a média de mil pontos por evento no mínimo. Ainda tem muita estrada pela frente, esse foi só o primeiro resultado.


Clicksurf: Quais são os seus planos agora depois das etapas WQS na Austrália?


Trekinho: Voltar para o Brasil e voltar a fazer minha preparação física. Viajando fica difícil de manter o ritmo de treino. Também pretendo fazer um curso de francês para não pagar mais mico naquela terra. Os caras não fazem muita questão de te ajudar se você não fala a língua deles. Fazer um curso de computação também está nos meus planos. Ainda quero fazer um curso de carpintaria, mas isso vai ter que ficar mais para a frente.


FICHA TÉCNICA

Nome: Marcelo Trekinho

Idade: 24 anos

Shaper: Claudio Hennek

Patrocínios: Volcom, XCel, Black Flys, Veltra


RANKING WQS 2004 - após 7 etapas
01)- 5845 - Neco Padaratz (SC)
02)- 5488 - Greg Emslie (AFR)
03)- 4860 - Marcelo Nunes (RN)
04)- 4680 - Raoni Monteiro (RJ)
05)- 4558 - Travis Logie (AFR)
06)- 4510 - Adrian Buchan (AUS)
07)- 4392 - Chris Ward (AUS)
08)- 4230 - Kirk Flintoff (AUS)
09)- 4008 - Eric Rebiere (FRA)
10)- 3715 - Kelly Slater (EUA)
11)- 3535 - Renan Rocha (SP)
12)- 3498 - Damien Hobgood (EUA)
13)- 3480 - Yuri Sodré (RJ)
14)- 3435 - Marcelo Trekinho (RJ)
15)- 3166 - Jihad Kohdr (PR)
16)- 3153 - Darren O-Rafferty (AUS)

Billabong, Voll'us Darts, Quiksilver, HIC, Reef, Rusty, Hurley, Roxy, Lost, Volcom, MCD, Hang Loose, Qix, Rip Curl, O'neill, Adio, Atticus, Black Flys, Black Label, Breakdown, Bullhead, Burton, Circa, DC Shoes, Dickies, Dragon, DVS, Eletric, Element, Etnies, Flojos, Fossil, Fox, Gallaz, Globe, Independent, John Deere, Kik Wear, Kirra, Lilu, Nixon, Osiris, Paul Frank, Puma, Rainbow, Raisins, Shortys, Silver Moon Concept, Spitfire, Split, Spy, Tilt, To the Edge, Trans Nine, Vans.


ENTREVISTA EXCLUSIVA COM HEITOR ALVES, CAMPEÃO CARIOCA PROFISSIONAL DE 2003.

Autoria: Fedoca
Fotografia: Luis Henrique Leitão

São os do Norte que vem, Heitor campeão profissional de 2003 do Rio.
Depois de passar pelo skate e capoeira optou pelo surf

Heitor Alves, 22 anos, Cearense, goofie.


Os aéreos são uma das características dele. Foto Luis Henrique


Foto Luis Henrique



foto Fedoca



Mora no Rio há 6 anos. Chegou e ficou morando com a tia em Copacabana durante 1 ano, depois foi para o Recreio, onde racha uma casa com o também cearense Bibi. Seguiu o caminho que vários surfistas nordestinos tentam ao vir para o Sul: se aperfeiçoar, tentar a sorte e descolar patrocínio.

“Comecei a treinar com o Cristian no Surf Performance, e aí as coisas começaram a acontecer” lembra Heitor. ”Participei de vários circuitos, ASBT, FESRJ, Recreio, Cyclone/Búzios, Cabo Frios e ganhei vários” diz orgulhosamente.

Em 2003 foi Campeão carioca, profissional, e 3º no Supertrials. O circuito carioca foi realizado em 3 etapas, e suas colocações foram 13º em Campos, 1º em Quissamã e 2º na Barra. Outros resultados importantes na carreira foram: campeão Open ASBT 2001, 4º FESERJ OPEN 2002 e vice- campeão brasileiro amador pelo Rio de Janeiro em 2002, ano em que o estado foi o campeão.

Em busca das ondas as suas principais viagens foram: Uruguai em setembro / outubro de 2003 em matéria que está na revista Fluir nas bancas esse mês. WQS em Noronha, Cacimba do Padre. Panamá e Peru, janeiro 2004, prêmio do patrocinador, FreeSurf, pelo título.

E as ondas que mais gostou foram: El Faro em Pacasmayo, norte do Peru. É uma esquerda longa mais tubular do que Chicama, “ Nós pegamos uns 2 metros, pouca gente dentro d’água , o nosso grupo de 3 brasileiros, o meu shaper Simon,eu e mais alguns brasileiros que estavam lá. Você surfava uma onda e voltava andando para o pico. Gostei muito também de Caballeros, perto de Punta Hermosa, Peru, ao sul de Lima. No Panamá gostei muito de Bluff, Dompers e Punch ( ver mini-série)”.

Sua história como surfista começou na Pr.do Náutico, na Beira-mar , Fortaleza “ o meu irmão descascava pranchas velhas e fazia as minhas primeiras 5’4”, ele foi o responsável por eu surfar” conta Heitor .

Passou também por outros esportes como o skate “ Fui campeão Cearense em Mini-ramp, mas decidi pelo surf porque me machucava muito”. Além disso Heitor era chamado de “Ninja”, pelos amigos, por causa dos saltos mortais que dava aprendidos na capoeira. Subir em coqueiros, era uma outra atividade que ele se amarrava em fazer.

Na terrinha natal, Ceará , as ondas que mais gosta e que mais surfava, eram o Titãnzinho e Futuro, em Fortaleza , e fora Paracuru,Taiba, Icaraí e Iguape.

Aqui no Rio está sempre com vários cearenses que já conhecia como Adilton, Duda, Pelado, Lucinha Lima e Bibi, sendo que com esse tem uma banda, HC (Hardcore). A banda faz uns happy hours com a galera, leva uns sons nas viagens. Ele toca guitarra, violão elétrico tipo Ovation e o Bibi é o vocalista. O Som é cover de punk rock, o Clicksurf vai conferir a próxima apresentação e conta.

Por enquanto vejam as fotos do Heitor, ele as vezes se grila que a prancha fique se molhando n’água do mar aí faz um surf mais aéreo.
Patrocínio: Free Surf

Shaper: Simon


YSO AMSLER , O DESPERTAR DE UMA PAIXÃO

Autoria: Fernando "Fedoca" Lima
Fotografia: Beth

Yso Amsler , O despertar de uma paixão
Após vários anos sem surfar e shapear Yso retoma o que estava adormecido

Um dos mais importantes shapers e fabricantes de prancha do Rio nos anos 70 , após ficar muitos anos sem shapear e surfar, nos conta um pouco dessa trajetória, a importância que a família representou nesse processo, o que é até contrastante, o surf nesse período dos anos 70 era um “terror” para as famílias, elas não queriam seus filhos surfistas, bom isso já é outra história...

Essa entrevista com o Yso é um pouco longa para os padrões da Internet, mas vale a pena, as raízes do esporte estão nessas pessoas que começaram a shapear com ralador de coco, numa época que nem em ficção científica existiam computadores, o máximo eram os cérebros eletrônicos. Leia o que der agora e salve para ler o resto mais tarde.

Desde quando você faz “shape”?Eu comecei em 1972, sendo que na primeira prancha Amsler o shape foi feito pelo meu irmão Sergio, cerca de dois meses antes de eu começar.

Você pegou a mudança de pranchão para pranchinha? Minha vida sempre foi junto ao mar, nasci na Urca, e com três anos de idade me mudei para Cabo Frio, onde vivi por cinco anos.

Em 1964 apareceu na Praia de Fora (dentro da Fortaleza de São João) a primeira madeitit que era uma espécie de “fish” de duas quilhas. Foi trazida pelo Carlinhos, irmão do Cesinha Chaves (do skate). Claro que passei do marisquinho(skin bord) para o surf, sendo que, no Natal de 1964, ganhei minha madeirit(prancha de madeira compensada aperfeiçoada pelo carpinteiro, que bolou uma forma de envergar o bico), feita na serraria da Francisco Otaviano.

No ano de 1968 ganhei um pranchão usado, aquele que era do “Xuxa”. Durante um ano, meu irmão Sergio e eu íamos os dois numa Caloi 10, pedalando da Urca até o Arpoador, carregando o pranchão debaixo do braço. Ali pegamos muita onda.


Yso curtindo um pico perto de Cabo Frio. foto Beth

Yso em Massambaba. foto Beth

A filha Olívia na Barra. foto Mãe Beth

Yso com o irmão Sérgio, uma parceria de "brothers".foto Beth

Com um long recente.

Em plena função

Barra da Tijuca. foto Beth

Massambaba. foto Beth

Filho de peixe...André- Barra.foto Beth

Mãe e filho curtindo o surf

Yso e o filho André na mesma onda, Barra da Tijuca, Rio. foto Beth mãe e esposa

Em 1969 me acidentei de moto, ficando um ano sem pegar onda. Na ocasião em que deixei a cadeira de rodas e retirei o gesso, surgiam as primeiras mini-model no Rio. Na época, o Cauli comprou uma mini-model chamada gipsy. Então o Kadinho e eu ficamos de “pirú” cativo da prancha dele. Como éramos mais velhos que o Cauli, nós dois passávamos mais tempo surfando com a prancha do que ele – penso que ele deve se lembrar desta época com saudades.

No início dos anos 70, o Canário e o Marcelo começaram a fazer mini-models a partir dos pranchões existentes; eram as pranchas Twilight. Entreguei meu pranchão, e eles me devolveram uma mini-model. Em seguida o Sérgio descolou outro pranchão, entregando a eles, mais uma mini-model Twilight nos foi entregue, pranchas com as quais meu irmão e eu pegamos muita onda. Em uma tarde de domingo, no final de 1971, no meio de uma conversa, depois de um fim-de-semana de muita onda, meu irmão disse “ vamos fazer prancha de surf”. Dei a maior força, e ele, no fim-de-semana seguinte, já estava em São Conrado, na casa do Coroel Parreiras, onde comprou um bloco de espuma, fibra, resina e catalizador. A fabricação foi em nossa casa mesmo, na Urca. O Sergio fez o shape, e o encapamento fizemos juntos, claro que no meio da laminação a resina começou a endurecer, contornamos o problema, no final deu tudo certo. Foi a primeira prancha Amsler, uma prancha rosa 7´0” needle nose, diamond tail, com monoquilha. Esta demos para um amigo nosso, o Cesar Abacaxi.

Mas meu amigo Zé “Santinho” Bello foi o nosso primeiro cliente. Como ele tinha um prancão importado, me pediu para fazer uma mini-model. Fiz o shape na garagem da casa dele e encapei na mesa da sala de jantar da casa dele. Dona Nair Bello, mãe dele, ficou na bronca, claro, porque o encapamento não secava nunca, e ainda por cima a casa toda cheirava à resina. Foi nesta época, de transição dos pranchões para as mini-models, que começamos a fabricação da prancha Amsler

Durante quanto tempo você shapeou?Eu fiz shape sem parar desde o início de 1972, quando fui vice-campeão carioca e surfista revelação no campeonato do Pier( primeiro campeonato de pranchinha no Rio), quando surfei com a sexta prancha Amsler que fizemos, uma prancha rosa e branca 6´6” diamond tail com monoquilha. Essa prancha foi feita para meu amigo Pedro Theberge.


Yso no Pier em 1972. Em meados de 1977 encerramos a fabricação da pranchas Amsler.

Quantas pranchas mais ou menos? Eu fiz 400 pranchas, entre 1972 e 1977, sendo que cabe destacar que neste período Cauli, Robertinho Valério, Andre Pitzalis e Helmo sempre fizeram pranchas comigo. Além das 400 mencionadas, em 1986 fiz mais 50. Desde que voltei a fazer shape em 2001, já estou chegando aos 500 shapes feitos.

Porque parou? Houveram duas crises do petróleo muito fortes naquela época, e como eu era estudante de Engenharia, resolvi trocar de cavalo, me afastei das pranchas e me formei engenheiro. Considero uma decisão muito acertada que tomei.

Ficou sem shapear por quanto tempo? Eu fiquei nove anos sem fazer shape, mas no final do ano de 1986 voltei, porque precisava complementar meu salário de Engenheiro, ia nascer a minha filha Olivia. Naquela ocasião, meu querido “protégê” Robertinho Valério, dono da Neutron, muito me ajudou, encomendando quantos shapes eu fizesse. No final de dezembro daquele ano, eu já tinha o dinheiro necessário para o nascimento, depois disto parei de novo por quinze anos.

E por que? O motivo pelo qual parei de fazer shape primeiro, e depois parei novamente, foi uma questão de atender às prioridades que eu estabeleci pra minha própria vida. O surfe e shape não direcionaram minha vida, mas me complementaram. Mais ainda, me acompanharam, mesmo que nem sempre tenha sido tão de perto.

Essa paixão de que você fala é em relação ao surf ou a shapear? Sou definitivamente um apaixonado pelo surf, pois quando estou pegando onda eu me divirto, principalmente por me sentir totalmente confortável, pode ser na Reserva, em swell de dois a três pés, ou na Macumba, quando o swell cresce acima dos dez pés. Por outro lado, eu sou um privilegiado, por poder surfar uma prancha em que eu faço o shape. A arte do shape permite criar, e naquelas horas em que fico dentro do quarto verde trabalhando, após abrir minha cesta de ferramentas de onde saem surforms e lixas, minha skill, plaininhas, esquadros e calibre, então escolho o template a ser utilizado risco o outline, serro o bloco e luzes, estou totalmente concentrado em minha arte, esquecendo o mundo externo.

Você testa as suas pranchas, ou melhor, você hoje em dia só usa prancha feita por você? Meu irmão Sérgio e eu continuamente testamos os pranchões que faço, e todos aprimoramentos são repassados para as novas encomendas que recebo. Sérgio e seus filhos, um outro sobrinho meu, meus filhos e eu somente usamos prancha Amsler. Sempre foi assim e pretendo que continue assim.

Os seus clientes de pranchas são os que já fizeram no passado e agora voltaram? Sim o Cesar Abacaxi, o Zé “Santinho” Bello, o Alexandre Sayd, o Alex Dumont o Dadinho foram os primeiros no passado e continuam acreditando no meu sonho, em minha arte.

O nível deles de exigência é parecido com o de quando eles tinham 18/20 anos? Eles acreditam no que faço, sou muito agradecido pela confiança que têm mim. O gratificante é que, somados a estes, chegaram pessoas como o Rainer Thrum, o Antonio Coqueiro, o Renato de Lucca, o Pedroca, o Paulo, o Roberto, o Raphael entre outros.

Os materiais, ferramentas, mudaram muito ? Antes de falar em materiais, gostaria de falar de três surfistas amigos e parceiros meus, desde o tempo do Arpoador, Saquarema, Pier e de várias temporadas juntos no Hawaii, pelos quais tenho muito respeito e profunda admiração: são eles o Daniel “Salim” Friedman, o Ítalo “Capacete” Marcelo e o Ricardo “Kadinho” Meyer. Ao Salim, obrigado por me acolher no Ocean Club, dividindo comigo sua sala de shape; ao Capacete, obrigado por me acolher na Island Mana, laminando minhas pranchas; e ao Kadinho, obrigado pela atenção que sua Escolhinha de Surf RK dá aos meus filhos, e principalmente pela atenção que os três têm com os meus filhos Olivia e Anddy. Eles são lendas vivas do Surf Brasileiro, que fazem a diferença. Voltando aos materiais e ferramentas, primeiramente gostaria de lembrar que a 32 anos atrás nossa ferramentas eram profundamente rudimentares, pois para fazer um shape utilizavamos, grosa, ralador de coco e lixa de calafate para desbastar os blocos de polieuretano. Atualmente houve uma enorme diversificação na quantidade de plugs de espuma, facilitando a vida dos profissionais de shape, apareceram novos fabricantes de espuma – a Teccel (obrigado Ruy, pela ajuda que você me deu na travessia do 1º semestre de 2003, não me deixando nunca sem espuma). Resina e fibra tem à disposição, ferramentas, diversas novidades, porém uma séria falta é a plaina Skill, aqueles que têm sabem que ela faz a diferença.

E a paixão como vai? Tenho conciliado o trabalho como engenheiro, em São Paulo, com o shape nos sábados e o Surf nos domingos, o romance continua, claro.


Yso no Posto 5 Copacabana, foto do Fredy Koester na primeira edição da revista Brasi surf de abril de 1975

Você sentia que fazia parte por ser surfista de uma galera especial movida por um entusiasmo, idealismo, ou era um jovem como outro qualquer, achando que ia mudar o mundo? Eu creio que como surfistas, realmente éramos uma galera especial. Fomos nós os primeiros a fazer shape e encapar pranchas, fazer calções e parafina, fotografar, fazer revistas, e a viver disto, a deixar o país atrás de ondas grandes, primeiro foi Pico Alto, Punta Rocas, seguido de Pipeline, Sunset e Waimea. Também a trabalhar em prancha lá fora, porque, em 1973, fui o primeiro a fazer shape e encapar para Surfline Hawaii e lixar para WaveCrest Hawaii. Eu nunca achei que ia mudar o mundo, pessoalmente fazia apenas a minha parte, com certeza abrindo portas para as gerações que nos sucederam. Outros daquela galera especial também abriram portas para as novas gerações, sendo que dentre eles eu não poderia deixar de ressaltar o Carlos Mudinho, o Rico, o Otávio Pacheco, o Betão, o Bocão e o Pepe.

Os fabricantes de hoje fazem pranchas com a mesma paixão, ou o profissionalismo hoje é maior e eles nem pensam nisso? Eu acredito que, na nossa arte, sempre a paixão e o profissionalismo precisam caminhar juntos, foi assim comigo, eu não consigo enxergar de outra forma.

E como a sua família se relaciona com o surf, a Beth virou fotógrafa de surf , por sinal está mandando bem, e os filhos? Minha mulher sempre foi minha maior incentivadora. Nos anos todos em que meu surf e shape hibernavam, não faltou momento em que ela não me questionasse, dizendo que não seria possível que meus filhos crescessem sem me ver surfar. No ano 2000, o despertador tocou pra mim, quando Fred Hemmings (tenho amizade por ele e sua familia desde os anos 70) veio a Maresias para o Legends, de onde me telefonou dizendo “Yso quando você virá nos visitar de novo no Hawaii”. De lá, através do Helmo, me mandou seu belo livro autografado “The soul of surfing is hawaiian!”. No ano seguinte eu estava de volta ao Hawaii, onde comprei uma small long board 8´3”, shape do Danny Nichols, shaper com quem já dividira uma pequena oficina de laminação, ao lado da casa onde morávamos o Salim, o Kadinho e eu, na Comsat Road (no Hawaii de 1975).

No final de 2001 fiz um shape pro meu filho, e desde então não mais parei de fazer. Eu me sinto completamente realizado, porque, além de estar no mar surfando com meus filhos, ainda tenho a companhia da Beth, na areia, nos fotografando.

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