Dead Fish

Um dos maiores expoentes do hardcore nacional, o Dead Fish acaba de dar início a uma nova fase em sua carreira que já conta 13 anos de estrada e intensa atividade no mundo independente. O que marca este momento atual é o lançamento do excelente "Zero e Um", mais recente disco do grupo e primeiro trabalho da banda após a assinatura com a gravadora Deck Disk.

Graças a isso, o Dead Fish está freqüentando como nunca os mais diversos veículos de comunicação. São diversas as matérias, as entrevistas, os shows... Dia desses, num domingo à noite (6 de junho), o quinteto gravou apresentação no Hangar 110, maior casa de shows do punk/hardcore paulistano (material que será exibido na MTV e entrará no DVD da banda). Novos tempos, são estes para uma das bandas mais admiradas do país.

O que nem todo mundo sabe é que, pouquíssimo tempo antes do lançamento de "Zero e Um", o Dead Fish esteve perto, muito perto de encerrar as atividades. Também não são todos os que têm conhecimento da forte ligação entre a banda e o skate. É sobre isso e muitos outros assuntos que Rodrigo, vocalista do grupo, fala em entrevista exclusiva para o site da 100%SKATE, concedida por telefone, direto do escritório da Deck.

(A resenha de "Zero e Um" pode ser conferida na 100%SKATE edição # 76.)

Para começar com um assunto um pouco diferente do que vocês andam falando em outras entrevistas, queria que você falasse um pouco sobre como está o envolvimento de vocês com o skate, se vocês estão tendo tempo de andar.
Cara, já tem uns dois, três anos que eu não ando assim. O Nô, que é o batera, sempre anda... A gente anda desde molequinho, né, cara. Comecei com 11, o Nô deve ter começado com oito anos... A gente sempre está dando umas voltas, mas não é tão constante, não.

Vocês estão com que idade, mais ou menos?
Eu estou com 31. Meus joelhos já deram problema lá com 23, 24, 25 anos, não estou no melhor da forma.

Mas eu vi lá no site de vocês que na seção de links tem até um que é do site da 100%...
Tem, tem. A gente conhece a 100% desde sempre assim. A gente anda com o Cesinha há mais de sete anos, oito anos [Cesinha Lost é dono do selo Highlight Sounds e foi skatista profissional até meados dos anos 90].

E vocês estão acompanhando o skate hoje em dia? Como é que está o relacionamento de vocês com o skate, apesar de não estarem andando com tanta freqüência?
Cara, eu perdi um pouco a referência, porque eu entrei numa mania meio old school assim. Eu acho que hoje em dia tem uma molecada meio diferente de atitude da minha época, sabe? Não que seja nada de mais, eu acho muito bom esse crescimento do skate, a forma que ele cresceu, eu acho maravilhosa. Muito bom ter um monte de brasileiro se dando bem na gringa – a estrutura no Brasil, já disseram que está melhor; apesar de ser um país meio em crise, já disseram que está bem melhor que na minha época. Eu até competi umas vezes, amador.

Você competiu até esse tempo que você parou?
Não, não. Eu competi dos 18 aos 23 anos. Um ano depois que eu entrei na faculdade, eu dei uma parada, parei de competir.

Eu lembro que tem uma letra que fala de skate.
Tem [a música] "Just Skate". A gente não tem tocado muito, mas volta e meio nego pede, saca? Cara das antigas, que ouvia a gente, fala: "Toca ‘Just Skate’!". E a gente: "pô, vamo tocar pros caras...". A gente recebeu um convite para fazer uma session de dia de semana só com caras das antigas, eu fiquei muito feliz, saca?, de os caras terem lembrado da gente. Eu ia sabe aonde? Na Ultra, cara. Aí, os caras falaram: "tem uma session só de tiozinho, só de nego das antigas". Aí, eu fiquei muito feliz, falei: "pô, os caras continuam andando, se reúnem, chegam a ouvir som, trocar idéia". Eu acho isso muito bom.

E no público de vocês tem bastante gente que anda de skate, tem uma ligação bastante próxima, não é?
Tem, tem. Já teve mais, cara – a gente já foi mais próximo do "público skate". Acho que, quando o envolvimento do rap começou a ganhar mais espaço, a gente perdeu um pouco, mas... Tranquilo, a gente sempre ouviu rap também. Eu ouço rap.

E agora – chegando um pouco mais no assunto atual – eu estava vendo no site de vocês e tem muitas datas de show, não é?
Tem, tem bastante data.

E como é que estão esses shows? Talvez vai ter alguma coisa no nordeste, em junho...
A gente já está meio que fechando três shows por lá. A gente já fez turnês lá antes, sacou? Só que essa vai estar com uma estrutura um pouco melhor.

E qual que é a principal mudança que vocês enxergam no momento atual do Dead Fish? A impressão que dá, lendo as matérias que estão saindo, lendo o release, vendo o vídeo release, é de que vocês estão numa nova fase.
É, a banda se reinventou depois de 13 anos, saca? Todo mundo precisa dar uma mudada, né? E saíram dois integrantes, um já tinha saído há um bom tempo, o outro saiu agora há pouco... Tem os caras mais novos, que são os dois guitarristas, o Philippe e o Hóspede. E eles deram um gás totalmente diferente.

E aí você acha que muito dessa nova fase é atribuído à presença deles, a esse ingresso mais recente...
Sim. Você ouviu o CD?

Ouvi, claro. Mas, na sonoridade do Dead Fish, onde dá para sentir esse "sintoma"provocado pela entrada do Philippe e do Hóspede
Mais na composição, os caras das guitarras me ajudaram bastante. Porque eu não sou músico, não sei tocar guitarra, então os caras me deram muita força na parte de composição, tocando guitarra. As melodias ficam mais bem encaixadas. Eu acho que está tudo mais redondinho. Este CD, eu acho que é o CD mais bem-ajeitado, mais bem-estruturado... Sem perder força; eu acho que ganhou força, ganhou muita força.

E como foi planejamento do disco, desde a gravação até o lançamento? Vocês levaram quanto tempo para fazer tudo, desde o momento em que vocês viram que iriam lançar mesmo pela Deck Disk?
Cara, a gente teve um mês e pouco para fazer um CD, foram duas sessões de 15 dias lá em Vitória, num estúdio de um amigo nosso e... Meu, a gente terminou e foi para o estúdio, ficamos 44 dias no Rio, dentro de um estúdio, trancados assim. Foram praticamente dois meses.

As músicas que vocês fizeram vocês já tinham desde antes de decidir lançar pela gravadora?
Não, é tudo música nova, tudo que a gente fez com a formação nova.

Mas a formação nova, que juntou de vez vocês cinco, é mais ou menos de quantos meses para cá?
Dá quatro meses, três para quatro meses.

É muito recente, então.
Muito, é tudo muito novo, foi tudo muito, muito corrido. A gente ia acabar a banda...

Vocês tinham decidido que iriam acabar o Dead Fish, mesmo?
Decidimos que ia acabar. Aí, o que aconteceu? Recebemos uma proposta da Deck... Pô, eu já estava saindo fora, ia fazer um mestrado, o Nô ia agilizar a vida dele... Só o Negão, o Alyand, que ele falou: "não, eu não desisto, não desisto". Aí, recebemos a proposta da Deck, o Rafael [Ramos, dono da gravadora] teve timing.

Foi uma proposta oportuna.
A gente falou "ah, então vamos chamar velhos amigos e continuar com a banda". Um pouco melhor assim. Foi um contrato justo, foi um contrato bem justo, eu acho.

De qualquer forma, pelo que se vê em matérias que estão saindo sobre o Dead Fish, parece que vocês não tinham tanto receio de que pudesse sair alguma errada a partir do momento que vocês resolveram continuar, não é? Parece que vocês tinham tudo bem claro quanto ao que iriam fazer a partir daquele momento, de que haveria muito trabalho dali para frente.
Sim. A gente é uma banda que discute, conversa muito, deixa tudo muito às claras. Mesmo nas horas ruins, e nas horas mais ou menos, tudo ficava muito às claras. Tanto que, quando a gente desanimou, desanimou de vez.

E foi uma coisa de todo mundo (tirando o Alyand)?
É, de todo mundo, estava todo mundo muito cansado da estrada. Meu, a gente sempre foi uma banda estradeira, sempre foi uma banda que fez muito show em lugares pequenos, sempre tocando. A gente fez muitas amizades, conseguimos crescer no meio, e chegou uma hora que eu acho que o limite de idade, o limite de viagens, de convivência, estava acabando. E estamos trazendo dois caras mais novos, com uma onda diferente, a galera é amiga, independente de tocar junto, sacou?

E além dessa motivação, tem algum outro tipo de contribuição que os dois trouxeram, algo musical?
Eles são supertécnicos, não sei se você percebeu. Eles vêm da geração que é mais técnica. A nossa geração [dos outros três integrantes do Dead Fish ] é mais podrona, é "vamo que vamo, punk rock, hardcore é isso aí!". E os moleques vieram e trouxeram influências mais técnicas, pelo som que eles cresceram ouvindo. O legal é que não perdeu aquela coisa de alma que a banda tem, eu acredito que o Dead Fish tem uma coisa muito na alma mesmo...

E esse tempo todo de existência do Dead Fish, de 13 anos, é uma coisa que todo mundo se obriga a citar, porque é bastante tempo. Quais são os principais momentos da banda, como você dividiria a trajetória do Dead Fish nesse tempo todo?
A trajetória, eu dividiria:

- Começo. Quando o meu irmão tocava, o irmão do Nô tocava. Hoje, um é engenheiro, o outro formou uma outra banda de eletrônico, outro virou engenheiro em Curitiba...

- A parada em 96. Quando o meu pai morreu.

- A volta em 97, com o "Sirva-se". Foi com a formação nova, que o Alyand acabou ficando de vez.

- E esta terceira fase [a atual], eu acho. A fase de assinar com uma gravadora que, apesar de independente, tem uma estrutura maior, sacou?

As respostas a esta fase atual, ao disco novo, estão sendo bastante positivas.
Estão, muitas coisas positivas. Até agora, de negativo, mesmo, é que às vezes você tem que falar com gente que você não está a fim... Isso não é o seu caso. Eu lembro que a gente saiu uma vez na 100%. E é histórico a gente estar de novo podendo falar com vocês.

Se houvesse alguma coisa que vocês acham que poderia ser diferente em "Zero e Um", seria o quê?
Por enquanto, não deu para perceber ainda o que poderia ser diferente. Aliás, poderia ser diferente a gente conseguir uma casa para alugar logo aqui em São Paulo (SP), porque a gente não está conseguindo, sacou? (risos)

Vocês estão onde agora?
A gente estava na casa de um amigo nosso, que é o roadie de guitarra, o Ian. Estava todo mundo lá, socado na casa do cara...

(Ouve-se uma voz ao fundo...)

O Nô está falando assim que ele (o Ian) anda pra caramba de skate. E aí agora uns estão no apart hotel, a minha mina de Vitória veio fazer um curso e eu estou meio na aba dela, num apart também. Está todo mundo meio correndo atrás da casa, mas pelo jeito não saiu nada até agora... Aqui em São Paulo é muito burocrático, né?

Arrumar lugar para ficar aqui é complicado.
Em São Paulo é estranho, você tem que levar fiador, a mãe do fiador e a tetravó viva do fiador, para ver se comprova que o cara é um cara idôneo, sabe? É barbaridade. É tragicômico, porque a gente está meio desabrigado.

Mas aí vocês estão fazendo bastante shows agora, não é?
Ah, meu, estamos na estrada...

E o que o pessoal vem comentar com relação à mudança?
Normalmente, para o cara da banda, ninguém vai falar muito dos aspectos negativos. Basicamente, falam que a banda teve uma retomada de algumas letras mais engajadas, falam do peso do CD, que está bem gravado... Já ouvi muitos elogios nesse sentido. [Aspectos] Negativos, a gente vai saber por quintos, terceiros...

E o lance de "Zero e Um" ter sido finalizado nos EUA, pelas mãos de um cara muito conhecido no meio, o Ryan Greene (NOFX) como é que foi? Eu assisti ao vídeo-release e vi que era uma coisa que, para vocês, não estava muito nos planos.
Foi surpresa, cara! Eu mesmo saí da sala onde a gente estava reunido [na hora em que a banda recebeu a notícia de que a mixagem seria feita nos EUA], falei "ah, esse cara [Rafael] está contando piada...". Aí depois que eu fui ver, falei "C*, é sério!". E foi maravilhoso. Eu acho que ele fez a mixagem do jeito dele; pode não ter agradado 100% todo mundo, mas ficou "monstro", eu achei "monstro" assim. Eu, como vocalista, achei maravilhoso.

Percebe-se que o vocal ficou um pouco mais evidente desta vez.
É. Eu acho que aí já é uma coisa mais da gravadora mesmo.

Mas isso é uma opção de vocês por causa do cuidado na composição e no encaixe dos versos, com a métrica?
A gente foi mais criterioso dessa vez.

E isso foi uma opção de vocês e da gravadora?
Essa do vocal [ficar mais evidente], talvez da gravadora, mais da gravadora do que da gente. Mas essa coisa de ter mais cuidado com as melodias, foi tudo muito conversado dentro da banda. Porque a gente queria que saísse um CD que desse tesão pra todo mundo continuar fazendo mais 20 CDs. Então, nós fomos muito criteriosos, apesar da falta de tempo, nesse sentido.

Uma coisa que não se pode deixar de falar é que esse é um momento muito oportuno para vocês se lançarem com essa que você considera uma estrutura um pouco melhor. O som de vocês hoje em dia tem mais espaço, aceitação.
Você acha que é oportuno? Eu acho que a gente perdeu um pouco de timing.

Eu acho que não perderam o timing, não...
Eu não sei. Essa discussão dentro da banda é bem polêmica...

Sinceramente, eu acho que não foi perdido, não. Até porque parece que o hardcores ainda está no "auge". Não está mais no começo – vocês perderam o timing do começo, sem dúvida. Mas ainda está num momento bom.
Comercialmente falando, você diz?

Comercialmente falando, também. Mas o espaço e a receptividade, principalmente.
Pode ter certeza. Eu acho que ainda tem espaço para crescer, mais um ano ou dois. Eu não entendendo muito dessa parte comercial. Sei que o tempo da banda foi o tempo da banda, porque a gente antes não queria estar num selo maior; antes a gente não queria que alguém cuidasse da gente. Agora, a gente quer, quer muito e está se sentindo bem.

Com isso, vocês podem se preocupar mais só com tocar...
Se preocupar mais com tocar, se preocupar mais com composição, se preocupar mais em como estão as pessoas dentro da banda. Não em ter que ficar cobrando cara de show, ter que ficar montando banquinha [para vender CDs da banda nos shows]... Apesar de que o cara que monta banquinha, o cara que cuida de show, é tudo amigo nosso, uma equipe de amigos para fazer isso. Mas eu mesmo não vou lá, bater de frente com o cara que comprou o CD e não pagou – isso é uma coisa que desgasta... Principalmente no nosso selo, o Terceiro Mundo [que já encerrou as atividades], confundia muito, misturava muito a banda com o selo.

E talvez por isso que tenha rolado o desgaste natural também.
Isso é uma constatação meio óbvia dentro da banda: o desgaste do selo acabou trazendo desgaste para dentro da banda, um erro fenomenal.

É uma questão de logística mesmo, não é?
É, mistura uma logística toda, vira um samba do crioulo doido e aí já viu...

Com o lançamento de "Zero e Um" por uma gravadora, o som do Dead Fish chegar a lugares e pessoas que provavelmente não tiveram muito contato com a banda. O que você acha que essas pessoas vão pensar
Eu acho que o cara que não está informado, que não sabe muito que é que é, ele vai comparar muito com outras bandas, tipo o CPM22. É meio inevitável. Mas o cara que está mais informado vai falar: "pode crê, os caras fizeram um CD legal, e eu acho que tem mais coisas pela frente". Eu acho que esse CD, ao meu ver, eu que estou envolvido, é o seguinte: é a prova de que eu ainda posso continuar por mais alguns anos, com uma banda e tentando viver disso, sacou? Para mim, é isso. Agora, para o público que vem...

O mais legal agora é que nossa distribuição vai alcançar lugares em que o nosso selo, a Terceiro Mundo, nunca chegaria – por exemplo, interior do Mato Grosso, saca? Interior do Pará... Coisas que, meu, a Deck tem distribuição, tem e vai chegar lá. E, hoje em dia, é difícil o cara não ter tanto acesso à informação...

De qualquer forma, quanto mais fácil o acesso, melhor.
Se o cara tem mais acesso, de repente ele fica até curioso para saber mais coisas, de repente sobre a nossa ex-gravadora, sobre as bandas lá do nosso estado, lá do Espírito Santo.

Como é que está o lançamento dos discos anteriores de vocês, da fase independe?
É, eles [da Deck Disk] pediram para distribuir os nossos outros quatro CDs. Mas isso ainda está em negociação, a gente ainda está negociando pontos. Mas, provavelmente, vai sair pela Deck, sob licença da Terceiro Mundo.

Vocês saíram de Vitória há pouco tempo. Como é que estão as coisas por lá, o que o pessoal de lá achou do disco novo?
É, a gente saiu faz quase um mês. Ah, eu não sei, cara, a gente está longe essas últimas semanas, mas, pelo que eu fiquei sabendo, a gente recebeu uma matéria de página de caderno 2, assim... No Espírito Santo, a gente tem uma mistura de amor e raiva, porque algumas pessoas de lá não valorizam tanto. O nosso público lá é muito legal, muito, muito legal. Mas, entre elogios e críticas, eu acho que nego está muito orgulhoso, a maioria. Eu fico feliz.

Até porque, toda vez que falam de vocês, fazem questão de dizer "os capixabas do Dead Fish". Talvez por ser uma coisa mais inusitada, o Estado de origem da banda...
É, a nossa origem não é tão comum, apesar de existir uma cena rocker no Espírito Santo já de muitos anos. Tem muita banda, não só de rock, de reggae, de rap...

Olhando os últimos 13 anos, qual você acha que foi a mudança mais notável no Dead Fish, tirando a transição do idioma, do inglês para o português?
Os CDs são muito marcantes, são momentos. Eles são retratos de momentos, se você ver.

Tem mais alguma coisa que você acha interessante de falar?
Cara, eu quero que o skate domine o mundo, quero um skatista presidente, um skatista governador e um skatista prefeito. A mentalidade lá dos anos 80 e 90.

Ah, espera aí, martela isto pra gente, pelo amor de Deus, a gente pede por favor, de joelhos: uma pista pública nova, skate park novo em Vitória, os moleques lá estão precisando, sacou? Não só os moleques do skate, os moleques do in-line, da bike, está todo mundo precisando. Fala com o Nô aqui, porque o Nô é o mais desesperado nesse sentido.

( Rodrigo passa o telefone para Nô, baterista do Dead Fish)

Nô falando:
Olha só: se der para dar uma força, a prefeitura e o governo [de Vitória e do Espírito Santo] não ajudam nada lá. Outro dia, construíram uma pista lá. Pegaram um projeto não sei de onde e construíram umas transições muito ruins, uma coisa absurda.

Onde foi isso aí?
Cara, isso foi perto do parque Moscoso, no centro da cidade [Vitória].

Não faz tanto tempo, então?
Não faz, mas fizeram uma porcaria, que "inadável" assim. E eu conheço os caras lá, presidente da associação e tudo mais, e eles estavam combinado de chamar um advogado, pegar uma britadeira e ir lá quebrar a parada para ver se dava um Ibope, se dava jornal, se dava cadeia para alguém. Pra nego ver se olha um pouco pro skate lá. Porque tem uma praça gigante, um half abandonado, e duas "bolas" pra andar de patins.

Não tem skatepark, eles já estão tentando um projeto na prefeitura para fazer um skate park ali, uma área de street naquela parte que não é usada. Só que até conseguir é F. Se der para colocar uma parada assim, para dar uma força.

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FONTE: 100% Skate
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