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Sítio do Escorrega, freguesia de Alcantarilha

Passagem de nível faz "escorregar" automobilistas

No passado dia 18 de Maio, pelas 16 horas, um carro ia a atravessar a passagem de nível do Sítio do Escorrega (que se situa a cerca de 500 metros da estação de Alcantarilha, para o lado do Algoz), quando, de repente, lhe surge pela frente uma pequena locomotiva de transporte de pessoas e material da via férrea e o abalroa. Deste acidente resultaram avultados danos materiais na viatura e ferimentos ligeiros no condutor, mas este foi apenas o último. Ao longo de dois anos, o local conta já com cinco sinistros, dos quais resultaram dois mortos, nove feridos e muitos prejuízos.

�Durante anos e anos nunca houve qualquer acidente. Eles só começaram a partir do momento em que a passagem de nível foi alterada�, afirma Orlando Gonçalves, Presidente da Junta de Freguesia de Alcantarilha. �O que é facto é que, de há cerca de dois ou três anos para cá - desde que se instalaram os sinais sonoros -, já se registaram acidentes, o que nunca tinha acontecido antes. Eu fui nascida e criada ali perto e nunca dei por isso. A CP resolveu tirar as cancelas e optou pelos sinais luminosos e sonoros, só que, naquele caso, não resulta muito�, queixa-se Laura Anselmo, Membro da Assembleia Municipal pelo PSD. Esta senhora apresentou este caso durante a última sessão da Assembleia e tem acompanhado a situação, bem como as preocupações manifestadas pela população residente no local. O próprio Presidente da Junta de Freguesia de Alcantarilha já enviou ofícios para a Câmara e já estabeleceu contactos directos com a REFER (a entidade que supervisiona as linhas férreas), no sentido de se encontrar uma solução para este problema. Ambos estão de acordo quanto à melhor forma de acabar com os acidentes neste local: a passagem de nível que ali está instalada é de tipo C, ou seja, tem apenas um sinal sonoro e luminoso, que é accionado quando o comboio se aproxima; se passasse a ser uma passagem de nível de tipo B - com uma cancela automática e um sinal sonoro - , os condutores estariam mais seguros. �O que mais sentido fazia era transformar aquela passagem do tipo C para o tipo B, com duas barras (uma cancela), de modo a que as pessoas, ao entrarem na passagem de nível, ficassem protegidas, porque uma pessoa pode vir muito atenta, mas quando dá por ela está em cima da passagem de nível, que fica a cerca de 20 metros da estrada nacional 269 (que liga Silves ao Algoz). A pessoa sai da estrada e entra numa passagem de nível sem qualquer protecção�, alerta Orlando Gonçalves.

A própria Câmara Municipal, pela voz do seu vereador, Eng. Sousa Ribeiro, nos garantiu estar a envidar todos os esforços no sentido de solucionar este problema, tendo estado já em algumas reuniões com responsáveis da REFER, onde foi abordado este assunto. Sousa Ribeiro disse-nos, mesmo, que esta empresa está a proceder à requalificação total das passagens de nível no Algarve. O concelho de Silves verá algumas das suas desaparecerem, como é, por exemplo, o caso da passagem de nível da Franqueira (na estrada Silves - Alcantarilha), que será substituída por uma passagem desnivelada.

O Jornal O GRÉS contactou, também, a REFER, que através do responsável pela zona do Alentejo e do Algarve, Eng. Caramelo, nos disse ter conhecimento da situação e estarem os departamentos responsáveis por esta área dentro da empresa a analisar o pedido feito pela Câmara, Junta de Freguesia e população, salientando, no entanto, o facto de a passagem de nível estar de acordo com as exigências da legislação em vigor.

A população, descontente com esta situação, promete não baixar os braços, como nos diz Laura Anselmo: �Já foi feito um abaixo assinado aqui há alguns dois anos. Há particulares que falaram na possibilidade de, em último caso, as pessoas se juntarem e cortarem a linha... Penso que não deveria ser necessário chegar a esse extremo. As coisas têm que ser vistas, sem que sejam os populares a agir...� E acrescenta: �Neste momento o que eu sei, é que não devem ser precisos mais acidentes, nem mais mortes para que se tomem medidas�. Orlando Gonçalves tem uma visão bastante pessimista, que resulta da experiência vivida nesta dois últimos anos e no facto de saber que os condutores também nem sempre são cuidadosos e respeitadores: �Há muitos condutores que, como se costuma dizer, "estão-se marimbando"! Arriscam e passam em qualquer lado! Há um pouco de pressa e este é um local muito sério, em que devemos esperar para passar. Este tipo de passagem vai continuar a dar dores de cabeça. Não vai ficar por aqui! Se a REFER não tomar medidas urgentes, estou convencido - e oxalá que isso não aconteça - que vão dar-se mais acidentes!�

Laura Anselmo conclui este raciocínio e, com uma simplicidade certeira, resume os sentimentos de todos os que estão preocupados e consternados com o que se tem passado no Sítio do Escorrega: �Não podemos pôr tudo nas mãos de Deus! Temos que pô-las primeiramente nas mãos dos homens e Deus ajudará depois! Podem vir dizer: "Ah, foi uma falta de atenção das pessoas, um erro humano da parte de quem ia a atravessar" e por aí fora. Pode ser, mas o maior erro humano é o que eles fizeram, porque tem reparação e eles não reparam! A perda de vidas é irreparável!�

Sandra Moreira

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