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A quinta-feira de ascensão marca o final de ciclo de quarenta dias inaugurado com a Páscoa. Em Portugal, além das cerimónias religiosas da liturgia cristã, o povo dedica-se a certas práticas específicas e tradicionais, que parecem constituir fragmentos de antigos ritos de carácter mágico-religioso, cujo significado preciso aparece apenas em alguns casos raros. No Sul do País, a data é conhecida pela designação de "Dia da Espiga": as pessoas saem para os campos, para apanharem a "espiga", isto é, arranjarem um raminho, que é composto por uma espiga de trigo e um ramo de oliveira, e que, além destas espécies, pode conter outros cereais - centeio, cevada, aveia, etc. -, e também rosas, papoilas; malmequeres, margaridas, pampilhos, ou outras flores campestres, em número e combinações variáveis, conforme as localidades, que se pendura dentro de casa, na parede da cozinha ou da sala, e aí se conserva um ano, até ser substituído pela "espiga" do ano seguinte. A este ramo, por ser colhido neste dia especial, associa-se uma ideia expressa de virtude benfazeja. Esta é, sem dúvida, uma óptima ocasião para se fazer um picnic em família e descobrir alguns dos locais magníficos que o nosso concelho nos reserva (ver artigo sobre espaço de merendas na Barragem do Funcho). Não deixe de sair e de aproveitar o ar puro da Primavera, cumprindo esta tradição tão antiga.
Sandra Moreira
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