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Em Armação de Pêra

Animação de Verão gera polémica

No passado dia 3 de Agosto, a Câmara Municipal de Silves mandou retirar o palco que se encontrava junto da Capelinha de Santo António das Areias, na Fortaleza de Armação de Pêra. Esta situação gerou algum desagrado nos armacenenses e na Junta de Freguesia, como refere o seu Presidente, José Casimiro: �No dia três de Agosto vou à Fortaleza e, quando chego lá, vejo o palco desmontado em cima do camião. Eu fiquei estupefacto�. E prossegue: �Falei com várias pessoas e com a senhora Presidente, que me disse que o palco tinha de ir para Pêra. Eu insurgi-me educadamente, pois nós já tínhamos animação marcada para dia 4, 6 e 7 de Agosto�.

De facto, a Presidente da Câmara, Isabel Soares, justificou a remoção deste equipamento com a existência de vários acontecimentos culturais a decorrer em freguesias diversas simultaneamente: �Nessa altura estavam a decorrer a Feira de Actividades Económicas (FAE), em Messines e a Festa do Petisco, em Pêra. A FAE também precisava de dois palcos. Dado que nós não tínhamos no nosso plano de actividades nada agendado, nem tínhamos conhecimento de que havia actividades naquele dia, face a que Pêra necessitava, também para aquele dia, de um palco, foi retirado um só dos de Armação de Pêra e seria reposto (como foi, aliás) assim que a FAE terminasse, no dia 7�, afirma Isabel Soares, sem deixar de referir que Armação continuou a dispor de um palco (onde normalmente se fazem as aulas de aeróbica, junto à Lota), que constituía uma alternativa viável ao retirado.

A Junta de Freguesia, por seu turno, contrapõe, afirmando que �a Câmara sabe que já é norma a Junta marcar alguns eventos� em datas diferentes daquelas em que a autarquia tenha programada animação. No caso concreto dos dias em que o palco esteve fora de Armação, havia alguns desses espectáculos e apenas se realizou um deles, tendo os restantes sido desmarcados. �No dia 4 fomos fazer animação para o palco da aeróbica, sem condições nenhumas... Os artistas - holandeses - tiveram de atravessar a areia para ir dançar, com os sapatos cheios de areia; os espectadores ficaram na estrada, junto aos carros e misturados com eles, dando um aspecto nada bom para Armação de Pêra, de tal modo que cancelei logo os outros dois espectáculos�, conta José Casimiro.

Mas esta parece não ser a única queixa dos armacenenses no que toca à animação de Verão. José Casimiro faz eco dos comentários que se ouvem pela vila, quando afirma que �a Câmara programou sete eventos e apenas seis se vão realizar, uma vez que um dos grupos não apareceu� e acrescenta: �A Junta de Freguesia, com os parcos recursos que tem, faz muito mais animação em Armação de Pêra do que faz a Câmara�.

Isabel Soares, contudo, tem uma opinião diversa: �A Câmara tem dado a Armação de Pêra aquilo que ninguém deu, quer a nível de entretenimento, quer a nível desportivo. Os grupos que lá vão não são para as grandes massas, mas são os grupos que a Câmara deve apoiar, os grupos locais, o folclore, a música tradicional, que são do concelho de Silves ou de concelhos limítrofes. E há o Festival "Sete Sois, Sete Luas", que tem representações internacionais�. A Presidente da Autarquia refere, igualmente, a inexistência de espaços amplos e com condições para receber grandes espectáculos como o principal obstáculo à realização de eventos dessas dimensões na vila. Diz, mesmo, que muitos artistas se recusam a tocar ali, devido a esse facto e dá como exemplo o programa de Televisão "Estrelas do Mar", que a RTP tem realizado este Verão nas praias algarvias: �Nós tínhamos previsto ter as "Estrelas do Mar" e a televisão RTP recusou, porque não queriam fazê-lo na areia e não viram outro espaço com condições�.

Para além disto tudo, há outro problema que se coloca, há muitos anos: a Capelinha serve, por falta de outras instalações, de casa mortuária. Por vezes, é necessário desmarcar os eventos programados com grande antecedência, pois não é de todo correcto que se realizem enquanto se vela um cadáver. Este ano, já se verificou esta situação e o Presidente da Junta de Freguesia tomou algumas providências: �Já falei com o Sr. Padre Beato e ele disse-me que durante os meses de Agosto e de Setembro os funerais irão para a Igreja Matriz, para uma das salas que ela possui e já foi informado igualmente o senhor da agência funerária�. A Presidente da Câmara também já tem prevista uma solução: �Já demos algumas instruções ao Pároco, no sentido de que a Câmara, assim que tenha aprovado um loteamento (a norte da via dorsal), fará a doação de um espaço onde será feita a nova igreja e que deverá ter uma casa mortuária.� E remata: �Penso que esse loteamento dentro de um mês ou dois estará definido�.

O GRÉS promete acompanhar esta situação, para dar a informação em primeira mão aos seus leitores.

Sandra Moreira

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