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Não se conhece uma cidade, apenas visitando os seus monumentos, por mais numerosos e importantes que sejam, ou comendo e bebendo os alimentos quotidianos desses cidadãos, porque nos falta cumplicidade, �e sem cumplicidade com a imagem, com os saberes, os gostos e os defeitos dum mundo tão privado como o teu ninguém aprende a vivê-lo�. Este Livro de Bordo, com vozes, olhares e memorações, é sobre Lisboa mas podia ser sobre qualquer cidade, porque ao lê-lo divaguei constantemente pela cidade de Silves, tentando rescrever este mesmo livro com as vozes, os largos, os cafés, o castelo e o rio Arade desassoreado espelhando a imagem da nossa cidade.
Num leitura entrecortada pelas setenta páginas de sentimento do autor e as divagações pela memória do leitor, reconstruindo aquilo que é lido numa nova forma de leitura, este pequeno livro, mas grande no saber e na vivência, é uma boa leitura para tempo de férias, para tempo de reflexão sobre o passado e a reformulação do futuro, numa praia do nosso concelho tentando sorver a felicidade do autor sentado em cima do Tejo: António Manuel Guerreiro
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José Cardoso Pires nasceu, em 1925, em São João do Peso, Castelo Branco. Fez a instrução primária e secundária em Lisboa tendo ingressado em Matemáticas Superiores na Faculdade de Ciências de Lisboa, sem todavia concluir o curso. Depois de uma curta passagem pela Marinha Mercante, cumpre o serviço militar em Vendas Novas e Figueira da Foz, em 1947. Nos anos cinquenta e sessenta publica algumas das suas primeiras obras e envolve-se em diferentes projectos culturais. Ainda, em 1972, publica Dinossauro Excelentíssimo, livro de literatura infantil/juvenil onde crítica o salazarismo e a mentalidade provinciana de Salazar. Após a Revolução de 25 de Abril e consequente queda da Ditadura interessa-se pela análise da actividade da polícia política (PIDE/DGS), da qual resultam vários romances, nomeadamente, em 1983, a Balada da Praia dos Cães. Os seus últimos livros são sobre Lisboa e sobre o acidente Vascular-Cerebral de que é vítima. Morre em 1998.
Os Caminheiros e outros contos
(conto - 1949)
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