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Se tivermos em conta o Turismo como uma das actividades económicas mais emergentes, teremos igualmente noção da importância que esta assumirá para uma região, que, devido a diversos factores demais evidentes, confiará nesta actividade como fonte de riqueza, desenvolvimento e potenciamento regional. O efeito multiplicador que o Turismo acarreta é enorme e demasiado importante para ser ignorado. Contudo, nem tudo que luze é ouro e o Turismo como actividade económica, se poderá por um lado dinamizar uma região, por outro poderá cimentar ainda mais as assimetrias já existentes.
Resumindo um pouco a situação, todos sabemos ou pelo menos imaginamos que o Turismo sofre de uma grave mazela designada por sazonalidade. Perante esta e de um ponto de vista regional, é primordial que se alarguem novos leques de "produtos turísticos", potencializando regiões com características diferentes e trunfos de igual valor ao tradicional "Sol e Praia". O concelho de Silves terá condições excelentes para de alguma forma cativar e assegurar uma franja de mercado mais segmentada e de motivações diferentes, relativamente àquilo que estamos habituados a ver nesta região. Refiro, terá, porque de facto não nos podemos referir a Silves como um concelho que usufrua dos benefícios da actividade turística desenvolvida e seria óptimo pudermos dizer que de facto esta zona beneficia de um turismo cultural, religioso ou de outra qualquer natureza. De facto é assim, porque se pensarmos que a actividade turística engloba um mercado, uma oferta, e uma procura que dinamize os factores anteriores impulsionando outros inerentes, o que se verifica, é que isto ainda não acontece. Temos de facto algum movimento de turistas durante a época de Verão, que e somente através de excursões incluídas em "pacotes" organizados por operadores e agências, se deslocam principalmente à cidade, mas que raramente pernoitam. � um facto que os tempos são de mudança e até já temos uma unidade hoteleira, mas será isso suficiente para vincar a cidade ao turismo? Será pelo movimento que se nota por esta altura pascal, que se poderá afirmar que temos Turismo Religioso? Será que pelo facto de possuirmos um riquíssimo legado histórico e cultural, basta-nos para nos defendermos com um Turismo Cultural? Não. A iniciativa local, autárquica e regional terá necessariamente que passar primeiramente pela sensibilização da população. Será da conjugação de virtudes e recursos que possuímos na região que poderemos marcar um novo rumo, uma visão diferente e muito mais benéfica, porque de facto Silves detém potencial para isso. Depois de criadas as condições infra-estruturais necessárias, os apoios aos residentes e as acessibilidades convenientes, poderemos então pensar de uma forma sustentável numa forma de turismo alternativa e impulsionadora, consentânea com aquilo que temos como património.
Jorge Freitas |