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Não são só os estudantes residentes em território nacional que enfrentam dificuldades neste início de ano lectivo. Existem muitos jovens portugueses espalhados pelo mundo, que vão agora iniciar mais uma época de estudo, contactando com colegas e professores de outra cultura e línguas diferentes. Uma das muitas ambições dos jovens que desejam um bom futuro é poderem estudar fora do país. Muitos emigram junto com os seus pais, procurando uma vida melhor do que em Portugal. Países como a Inglaterra, Itália ou mesmo a França são os mais procurados pelos jovens estudantes, devido aos seus cursos e à facilidades oferecidas pelas escolas e Ministério, muitas das vezes só para alunos estrangeiros. António Morgado é um estudante de Biologia na William Morris Academy, em Londres. Tem 20 anos e habita na capital inglesa há quatro. Veio em busca de uma oportunidade de carreira e melhores condições de vida. �Eu sempre quis ser veterinário e em Portugal estava a achar muito difícil atingir esse objectivo, porque para além de serem muitos estudantes para poucas vagas, as notas também são bastante elevadas�, confessa António. Decidiu, então, tentar a sua sorte em Londres, onde concluiu o "A Level Degree", que é o equivalente ao 12° ano em Portugal. No entanto, de acordo com as suas próprias palavras, não foi nada fácil habituar-se à cidade, à escola e à língua: �No início custou-me bastante, porque só depois de estarmos em contacto com a língua é que nos apercebemos que as bases da escola portuguesa são de longe insuficientes para ingressarmos com sucesso na escola inglesa�. Por isso, António inscreveu-se previamente numa escola de Inglês, já em Londres, para melhor se familiarizar com o idioma. �Os britânicos, para além de falarem muito rápido, baseiam-se muito em abreviaturas, o que nos dificulta ainda mais a familiarização�, acrescenta este jovem. Fátima Morgado, sua irmã, tem 15 anos e está também em Londres a estudar dança e teatro, actualmente na mesma escola, a William Morris Academy. A sua opinião em relação à escola é bastante diferente. Fátima ainda estava na escolaridade obrigatória e, como tal, teve de ingressar numa escola pública, a St. Thomas More Schooll e repetir basicamente tudo o que já tinha aprendido em Portugal: �A escolaridade aqui é atribuída de acordo com a idade e, por isso, tive de repetir o GCSC, que é o 9° ano português. Aqui faz-se em dois anos!�. Até concluírem este grau, os alunos têm de usar uniforme e as escolas têm um sistema de ensino muito rígido, pelo menos, comparando com o sistema português. O uniforme oficial da escola é o único vestuário permitido, o uso de maquilhagem, anéis, pulseiras ou brincos é proibido, assim como andar com o cabelo apanhado, ter a saia mais curta ou mais comprida do que está estabelecido. Todas estas restrições são entregues a cada aluno no início do ano, junto com o resto do regulamento interno da escola. No entanto, isto não é tão complicado como parece, pelo menos para Fátima Morgado: �Nenhuma das restrições da escola me atingiram directamente e consegui habituar-me facilmente a tudo�. A prova disso, é que Fátima deixa a escola dois anos mais tarde, levando consigo três menções honrosas, assim como prémios em dinheiro, que a distinguiram dos seus colegas ingleses pelo seu rápido progresso nas disciplinas. Mas estudar em Londres implica mais coisas, para além da escola propriamente dita, como por exemplo, os transportes. Um passe mensal para as principais zonas londrinas custa cerca de 80 libras (aproximadamente 24 mil escudos). No início, esta foi uma das principais dificuldades dos pais destes dois irmãos, que tinham acabado de chegar a Londres, tinham de pagar o aluguer de uma casa, a comida e mais os transportes de quatro pessoas, ou seja, muitos gastos para poucos ganhos. Segundo eles, era quase impossível suportar. �Quando nos mudámos para Londres não tínhamos muito a ideia de tudo o que nos esperava. No início, fazíamos o caminho da escola a pé, para pouparmos dinheiro, porque não suportávamos os gastos e só passado algum tempo é que conseguimos entrar no ritmo agitado que se vive aqui�, diz António Morgado. Para além disso, o seu pai acrescenta que a força de vontade é muito importante: �Nós sempre nos ajudámos muito uns aos outros e se não fosse a nossa força de vontade, provavelmente já teríamos voltado�, salienta António Maria Morgado e é isto, reafirma, que acontece a muitos portugueses. Mesmo assim, segundo Fátima e António, esta opção foi a mais acertada que tomaram. Ambos esperam formar-se e arranjar um bom emprego: António em veterinária e Fátima no teatro musical. �Estamos na terra das oportunidades. Aqui tudo é possível�, afirma Fátima esperançosa de poder actuar no West End, o famoso bairro londrino dos teatros onde se representam conhecidos musicais. E termina dizendo: �Já estive mais longe!�. Amélia Martins
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