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Em Armação de Pêra

O lixo é no...

 

Todos os anos se fala, nesta época, do problema do lixo em Armação de Pêra.

Este ano, porém, já muitas vozes se insurgiram em relação ao estado em que se encontram as ruas desta vila, algumas, até, que chegaram aos órgãos de Comunicação.

Assim, O GRÉS procurou averiguar junto da Presidente da Câmara e do Presidente da Junta de Freguesia qual a situação em que se encontra esta localidade do nosso concelho relativamente à limpeza urbana, nesta altura em que o mês mais importante, em termos turísticos, chega ao fim.

 

 

�No que se refere à limpeza urbana e à limpeza dos contentores do lixo e moloques, as coisas não estão a correr tão bem como no ano passado�, afirma José Casimiro, Presidente da Junta de Freguesia de Armação de Pêra.

Este autarca queixa-se, essencialmente, de falta de pessoal, que, na sua opinião, é o que mais tem contribuído para que Armação de Pêra não ande de cara "bem lavada". �Em termos de mão-de-obra, a Junta tem até mais uma pessoa do que o ano passado, mas tem menos pessoas na área total da vila a limpar e, como tal, não pode satisfazer do mesmo modo que fez no ano passado�, diz José Casimiro e recua no tempo para explicar, de acordo com a sua visão, o problema da falta de pessoal: �Faço aqui um pouco a comparação com 1990, o primeiro ano em que eu fui autarca. Nessa altura a Junta de Freguesia tinha seis pessoas pagas pela Câmara. Dois faleceram, três foram para a reforma, um está em pré-reforma ou baixa permanente, o que significa que das seis pessoas que existiam em 1990, actualmente não temos nenhuma e a Junta não foi compensada nem com essas pessoas, nem em termos económicos�. E José Casimiro sublinha as dificuldades económicas que tem de enfrentar na gestão do orçamento do órgão autárquico que dirige: �A Junta paga os vencimentos entre 23 e 27; acaba de pagar e fica com a conta a descoberto. A conta só volta a ter saldo positivo outra vez, quando se começam a receber as rendas do mercado, de 8 a 10. O que significa que o rendimento do mercado que a Junta tem e que poderia ser destinado a outras actividades, está a ser canalizado para os funcionários, quase todos para a limpeza urbana�.

Para além de tudo isto, o Presidente da Junta salienta que a Câmara, no ano passado, em Julho, Agosto e Setembro, colaborava, enviando uma equipa de limpeza urbana para a marginal e para os acessos à praia. Isso, diz, já facilitava o trabalho da Junta, que podia tirar duas ou três pessoas para a limpeza do resto da vila.

Quando questionada sobre este problema específico, a Presidente da Câmara, Isabel Soares é peremptória: �Os problemas que a Junta tem são os que nós temos. A limpeza urbana é da responsabilidade da Junta de Freguesia� e vai dizendo: �Estão-se a tirar 70 toneladas de lixo diariamente em Armação de Pêra e a capacidade dos nossos serviços é "complicada"�. Para a autarca, existe um problema de dimensionamento dos fundos municipais, que não acautelam o crescimento populacional de Armação de Pêra no período estival e que impedem uma resposta eficaz por parte dos serviços camarários.

�Infelizmente, o Governo ainda não entendeu que o Fundo de Coesão Municipal não deverá ser atribuído em função do número de habitantes, que são cerca de 3500, mas que neste momento deverão atingir os 100 mil!�. E prossegue, em tom de desabafo: �Ontem chegou um camião novo que a Câmara, mesmo com as suas dificuldades, comprou para melhorar a recolha de resíduos sólidos�. Este veio colmatar uma situação que já se arrastava há algum tempo e que trazia alguns problemas, como nos conta José Casimiro: �Um dos carros estava avariado e deitava fora os lixos líquidos na altura da recolha. Isso causou grandes maus cheiros e a imagem que se via à volta dos contentores era um bocado degradante, não era a mais aconselhável para uma terra como Armação de Pêra, que se quer afirmar como uma potência no turismo algarvio�. Este problema, porém, parece estar a ser resolvido pela autarquia, que tem estado a desinfectar os contentores e moloques da vila, chegando a gastar apenas num dia, como nos afirmou Isabel Soares, 68 litros de desinfectante.

Mas, questiona-se a Presidente da Câmara, �quanto tempo dura? Se calhar, nem 24 horas!�. Basta olhar para os ecopontos, cheios de lixo que não estão preparados para albergar e rodeados de caixotes de papelão, mobílias velhas e toda a espécie de objectos que se possa imaginar.

A actuação das pessoas, o modo como armazenam o lixo e o despejam nos recipientes próprios para a sua recolha talvez seja um dos pontos chave desta questão e, aí, os dois autarcas estão de acordo: nem todos colaboram para que Armação de Pêra esteja sempre limpa. �Os restaurantes e cafés - e já foram feitas pela Câmara cartas a quase toda a gente há algum tempo - são capazes de despejar directamente para os contentores as borras das máquinas dos cafés, que têm água e fica tudo sujo! Há falta de respeito pelo trabalho dos outros!�, lamenta Isabel Soares e José Casimiro quase prossegue o mesmo raciocínio: �Nesta vila não há uma "cultura do lixo". O lixo merece tanto respeito como outra coisa! Aqui coloca-se lixo nos contentores durante 24 horas! Isto não pode ser numa terra de turismo! Tem que haver disciplina! E ninguém se sente envergonhado por isso, porque é hábito!�.

Como resolver esta situação que todos os anos aflige os responsáveis autárquicos e a população? José Casimiro deixa algumas sugestões: �Tem que se fazer um horário. Se começarmos com este tipo de organização durante o Inverno, as pessoas vão disciplinar-se e no Verão, quando alugarem as suas casas e contactarem com os turistas, vão informá-los também,. � certo que no primeiro Verão é capaz de não correr tão bem, mas no segundo corre melhor e no terceiro poderá já estar óptimo�. E prossegue: �Estas questões têm que ser pensadas, faladas, têm que ser discutidas para se resolverem e a Junta está disposta a ter uma reunião com a Câmara e com técnicos, apenas para debater este assunto. Vamos a terras onde as coisas corram melhor e copiemos, pois não somos nenhuns iluminados e o que pretendemos é resolver este assunto�. E Isabel Soares também lembra, a propósito da lavagem das ruas pedonais, que �a via pública está utilizada pelos restaurantes, sendo uma das obrigações do licenciamento, que a limpeza seja da competência dos próprios concessionários�.

O que parece ser óbvio para todos é que este �vendaval de lixo�, como lhe chamou José Casimiro, não pode continuar, sobretudo se pensarmos que o progresso económico e turístico desta vila passa pela qualidade e pela defesa do ambiente e da saúde. E neste caso, todos podem ajudar.

Sandra Moreira

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