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Algarvios residentes em Londres

Até onde se estendem as fronteiras

Celebrámos este mês o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Lusófonas. No nosso país, o Presidente da República condecorou algumas dezenas de cidadãos que se notabilizaram pelas suas acções cívicas ou no desempenho dos seus cargos e profissões. A festa pouco mais teve e o dia foi passado na praia pela maioria dos habitantes deste país. No entanto, para quem vive fora deste "jardim à beira mar plantado", este dia é bastante importante, pois permite avivar o espírito e a identidade cultural dos que já estão fora há algum tempo. É esse o caso de muitos portugueses, algarvios incluídos, que se encontram a residir no reino Unido, mais precisamente na capital britânica, Londres. A nossa correspondente nesta cidade acompanhou os festejos do 10 de Junho e conta-nos um pouco da vida destes cidadãos portugueses em "terras de sua Majestade".

Muitas vezes as necessidades obrigam as pessoas a deslocar-se para outro país, para adquirirem uma melhor qualidade de vida. Mesmo que isso implique algum esforço. Em Londres habitam milhares de portugueses que saíram há anos de Portugal, oriundos de todos os cantos do país. Entre eles encontram-se alguns algarvios, que fomos descobrir estabelecidos na cidade.

Elisa Costa vive aqui desde 1962, com o marido, António Costa, que trabalha como chefe de cozinha desde muito novo. Esta algarvia da zona de Faro gosta muito de trabalhar com crianças e quando a oportunidade de trabalhar como "babby-sitter" surgiu, pensou duas vezes e seguiu para a capital britânica. �Até agora nunca me dei mal com a cidade, apesar de me ter custado um bocadinho no início�, diz Elisa Costa.

Deslocada para um ambiente bem diferente do de Portugal, ela afirma que 38 anos depois está bem habituada. Tal como este casal, existem milhares de outros portugueses que quiseram alcançar um lugar em Londres. Encontramo-los nas mais variadas profissões, desde proprietários de estabelecimentos comerciais, agências de viagens, oficinas ou simplesmente empregados de mesa ou empregadas domésticas. A concentração de portugueses na capital britânica é tal que eles conseguiram fixar-se em zonas que já são conhecidas como "zonas de Portugal". Refiro-me à parte Sul de Londres (Stockwell, Vauxhall) e à parte Oeste (Portobelo Road, Ladbroke Grove).

Em cada uma destas zonas fazem questão de deixar presente que são de Portugal e fazem-no através do nome dos seus estabelecimentos. Os que nos são mais familiares são o "café do Algarve", em Ladbroke Grove e a Oficina "Algarve Motors", em Vauxhall.

Para além disto, todos os fins-de-semana centenas de compatriotas nossos concentram-se em festas, cheias de música e animação, em que relembram a cultura do nosso país e os nossos costumes, como o Fado, o vinho, a alegria. Anualmente, realiza-se a "Grande Festa dos Portugueses", que este ano foi no dia 11 de Junho, o dia seguinte ao feriado português do Dia de Portugal e das Comunidades. Esta festa reuniu mais de 10 mil emigrantes no Parque de Kennington, depois de o governo britânico ter autorizado a sua utilização.

Ali esteve representado Portugal de Norte a Sul.

Mas a vida destes portugueses (onde se incluem inúmeros algarvios) não se resume apenas a festas. Uma vez que vêm com a firme intenção de lutar por uma vida melhor, têm os seus dias completamente ocupados com o trabalho.

Não se queixam dos rendimentos, mas muitas vezes não conhecem horas de descanso ou de refeições em família, porque o trabalho está em primeiro lugar. Elisa Costa foi uma das pessoas que nos confirmou isto mesmo, porque o seu trabalho não se resume à capital britânica.

Juntamente com os seus patrões, já viajou para diversos sítios, como o Canadá, França, Holanda, Itália, Marrocos, sempre por tempo indeterminado, o que não lhe permite ter uma vida muito estável. No entanto, quando a questionámos sobre se queria regressar a Portugal, respondeu que não se importava, até porque essa era a vontade do seu marido, mas que preferia, mesmo assim, continuar em Londres, porque não encontrava em Portugal as condições de vida que adquiriu nesta cidade. Mas a intenção da maior parte destes emigrantes nacionais é de um dia voltar ao país de origem, porque mesmo bem acolhidos, as rivalidades às vezes também existem e manifestam-se em coisas por vezes insignificantes, causando problemas, como pudemos confirmar no passado dia 12, em que os orgulhosos britânicos perderam com a selecção nacional uma importante partida do Campeonato Europeu de Futebol.

Amélia Martins

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