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A Câmara Municipal de Silves está a estudar, há já algum tempo, a implantação de um guincho na zona dos pescadores da praia de Armação de Pêra. A Câmara pretende, segundo a sua presidente, Isabel Soares, dar um aspecto mais harmonioso e arrumado à zona ocupada pelos pescadores, porque, segundo ela, esta área �fica muito desarrumada, tem um aspecto muito pouco digno para uma zona turística�. Para além disso, a autarquia pretende melhorar as condições de trabalho dos pescadores que se dedicam à pesca artesanal e que em Armação de Pêra não têm um porto de abrigo para as suas embarcações. Por isso, o executivo camarário concorreu ao Projecto "Pró-Pesca", uma iniciativa do Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas, que surge no âmbito do Programa de Desenvolvimento Económico do Sector das Pescas, e obteve o financiamento para a execução de um projecto que prevê o tal ordenamento da praia (com a construção de barracas de arrumos para os pescadores) e a construção do referido guincho, uma obra que está orçamentada em 54 921 mil contos.
Acho que não é boa �barbanita�, não!
No entanto, a colocação de um equipamento deste género em Armação de Pêra não é bem aceite por todos, a começar pelos próprios pescadores. João Alberto, um dos marítimos desta praia que se deslocou a Monte Gordo para ver como funciona esta estrutura, mostra-se bastante reticente quanto à sua utilidade. �Pelo que eu vi em Monte Gordo, não vai beneficiar nada a praia, não acho jeito nenhum naquilo. Aquilo é um "valado"... Onde é que eles vão pôr aquilo ali? Acho que não é boa "barbanita", não!...� O próprio Presidente da Junta de Freguesia considera que esta não é a melhor solução para resolver os problemas dos pescadores: �A estrutura, tal como a vimos em Monte Gordo, parece-me que não é agradável em termos ambientais, em termos de funcionamento, em termos de segurança para a praia de Armação de Pêra�, José António Silvestre, outro pescador armacenense que visitou Monte Gordo, aponta a solução que, segundo os pescadores e a Junta de Freguesia, seria a melhor para a praia: �Os dois tractores sempre seria melhor. Um guincho não pode empurrar para baixo, só pode puxar para cima. Quando houver levante ou mar de fora, o tractor é mais prático, mais seguro e sempre se evita o betão. Mas é preciso haver dois�. A única vantagem que os pescadores encontram para este tipo de estrutura prende-se com a necessidade que alguns barcos têm (sobretudo os que se dedicam à pesca da lula) de entrar na praia de noite, altura em que normalmente o tractor que lhes serve de apoio, não está disponível, pois o seu dono está em casa. Este parece, de facto, ser o principal problema dos pescadores armacenenses, como nos conta José António Silvestre: �O tractor está muito caro (ainda agora aumentou mais quinhentos escudos) e já nos manifestámos que está caro. Mas o dono diz: "O problema é teu; se quiseres, não venhas cá". Mas sem ele também não podemos viver e se há dias em que se ganha dez, há dias em que não se ganha nenhum e o ganho dos pescadores não dá para isto�. Na verdade, o dono do tractor é um dos que se tem mostrado mais descontente com este projecto, pois vê a sua fonte de rendimento em perigo. A própria Presidente da Câmara tem consciência deste problema e aponta o facto de o guincho dispor de um tractor e ser completamente gerido pelos pescadores como uma das vantagens da instalação desta estrutura. No entanto, é peremptória ao afirmar que a Autarquia não pretende fazer nada que vá colocar obstáculos a uma efectiva melhoria das condições de trabalho dos pescadores e da própria praia: �Está a ser encontrada por parte dos técnicos a maneira e forma como deveria ser colocado o guincho, de modo a facilitar e não a prejudicar. O que se pretende é que em termos funcionais melhore e em termos paisagísticos não seja agressivo, porque, senão, não valeria a pena, ia contra aquilo que pretendemos�, e acrescenta: �O Pro-Pesca ainda não nos deu a posição definitiva. Nós concorremos. Por conseguinte, está garantido o financiamento, mas não queremos fazer algo que depois vá contra aquilo que nós defendemos. Ainda não é definitivo, nem ponto assente que o guincho será posto, porque não queremos criar obstáculos.� Há que aguardar que se faça uma nova reunião com os pescadores (desde a visita a Monte Gordo que não voltaram a reunir-se com a Presidente da Câmara), para sabermos qual será a decisão tomada. Só então saberemos se teremos que contar com um novo rosto para a praia de Armação de Pêra, já nos próximos tempos e veremos, como diz o Presidente da Junta, se �a última palavra é dada pelos pescadores�.
Ana Cristina Santos e Sandra Moreira |