- Revista Eletrônica INFORMATIVO G.R.D. - ANO IV - Edição 07 - 
Janeiro a Junho de 2003. 
Rio de Janeiro, 1° de março de 2003.
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INTERDISCIPLINARIDADE

ABORDAGEM INTERDISCIPLINAR  DA  APRENDIZAGEM

 

Prof. Dr. Darcymires do Rêgo Barros

Técnico em Assuntos Educacionais

Ministério da Educação

 

 

QUE É INTERDISCIPLINARIDADE?

 O ensino brasileiro enfrenta um problema na nova disposição dos conteúdos de ensino, ao ser proposto um esquema organizado nas áreas da lingüística, da matemática, do sócio-cultural, de expressão plástica (desenho, tecnologia básica), de expressão dinâmica (artes cênicas, música e educação física) e religiosa.

A interdisciplinaridade é um conjunto específico de conhecimentos com características próprias em cada nível de ensino de formação profissional, de mecanismo, de métodos e de matérias, sob a coordenação em forma de rodízio de um dos membros da equipe. Adquire importância particular, sobretudo em todo campo da pesquisa científica.

A disciplinaridade configura-se como uma setorização, resultante da necessidade de conhecer a fundo os diversos aspectos de cada área do conhecimento, determinada por normas de reflexão e de estudo  caracteristica de  cada setor.

As diferentes disciplinas expressam diversamente uma sinergia, um conhecimento, uma percepção da realidade, assim como um modo de conquistar, de ordenar e de transformar a realidade, utilizando, para isso, linguagens específicas que convergem num único objetivo educativo.

Daí, a inter-relação das diversas atividades, pedagógica e didática, ao se programar sob o enfoque cultural da realidade, de forma objetiva, intencional e sensível, a aquisição do saber unitário e sistêmico.

A Educação, segundo os antigos gregos, não é somente saber pensar, é pensar com liberdade e profundidade, ser equilibrado, ter bons modelos, ser afável. Este conceito de educação, como plenitude pessoal de virtudes morais, físicas e inclusive sociais, já existia no pensamento de Platão.

Para Lamm (1986) há 50 anos atrás, os professores se consideravam não apenas transmissores de conhecimentos e habilidades, mas também, orientadores educacionais de um tipo especial de sabedoria: a natureza da vida correta, a verdade, a bondade e a beleza, o valor do pensamento e da reflexão.

A clareza de pensamento e as capacidades de expressão oral, escrita e gestual são fomentadas pela educação física, artística e cultural, resultando, a utilização da linguagem não verbal, características destes campos disciplinares. Assim, pode-se concluir que nenhuma disciplina pode deixar de ter qualquer comunicação com as demais.

As décadas de 60-70, nos ee.uu. se caracterizaram pelas experiências controvertidas com vasta documentação polêmica político-pedagógica que consagrava formalmente o princípio da interdisciplinaridade nos programas de estudos.

No Brasil, com as alterações curriculares propostas pela  lei 5692/71 e posteriormente pela nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional em 1996, que inovou com os PCNs em todos níveis de ensino, procura-se reagrupar as atividades nas grandes áreas, sob a influência da psicologia de Piaget e do cognitivismo estrutural de Brunner e das idéias de Vigotsky.

A capacidade de relacionar-se é a modalidade constitutiva das atitudes que são tomadas por qualquer empredimento educativo.

A interdisciplinaridade é a dimensão na qual, atualmente, tende-se realizar o caráter relacional do desenvolvimento da pessoa no que se refere à aquisição cultural.

Cada disciplina possui uma lógica própria de desenvolvimento:

Na Escola Maternal e no Jardim de Infância, de aprendizagem pouco precisa com predomínio das ações sensório-afetivas.

No ensino fundamental, com possibilidade da aprendizagem  afetiva, mas de maneira formal, que necessita  ser modificada para a percepção intencional e sensível.

É neste nível que aparecem as diversas disciplinas, dotadas de sua primeira organização, caracterizada pela unidade do vetor (professor) e pela falta de diferenciação dos programas e dos conteúdos em função do conjunto da sociedade.

O primeiro salto qualitativo se produz em nível do primeiro segmento do ensino fundamental, quando as disciplinas se especificam como tais, ainda que se agrupem e se fusionem em função de afinidades e critérios de competência, individuais e diferenciadas.

Assim, as matérias se convertem nos primeiros instrumentos das atitudes específicas – cálculo, desenho, música, trabalho manual – ou de reflexão acerca dos meios de comunicação, sobre a existência de relação, sobre o lugar da pessoa na história e no meio ambiente – educação física, linguagem – da  geografia humana.

Em nível de ensino médio, as matérias se especificam graças a uma chave metodológica, científica e técnica.

Os adolescentes, tendo ou não dificuldades de aprendizagem, devem operar com base em critérios de liberdade e responsabilidade, preparando-os para a vida adulta.

Neste nível os alunos têm competências mais elevadas e operam com base em critérios mais rigorosos de seletividade.

Finalmente em nível universitário chega-se ao mais alto grau de articulação e especificidade.

O princípio da integração disciplinar baseia-se nas intersecções, nas correspondências estruturais e nos vínculos interdisciplinares entre profissionais de Medicina, Fonoaudiologia, Educação Física, Fisioterapia, Psicologia, Enfermagem, Odontologia, Farmácia e demais profissionais de diferentes sub-áreas.

A interdisciplinaridade é traduzida como a interação entre duas ou mais disciplinas. Parte de uma simples comunicação de idéias até a integração recíproca das idéias essenciais. Contém dados de terminologias, de metodologias, de procedimentos da organização das investigações e dos ensinos, com bases afins nas pesquisas entre as disciplinas contíguas.

A capacidade de relacionar-se é modalidade constitutiva dos comportamentos em qualquer empreendimento educativo.

Na Educação Física as atividades propostas que objetivam a melhoria das posturas; a aprendizagem das formas de sentar, levantar, escrever, e outras, se integra com a educação e organização psicomotora da criança ao adolescente, em pleno processo de desenvolvimento.

Entre os Jogos Psicomotores, cujos objetivos visam  contribuir de forma inovadora para o melhor desenvolvimento psicomotor do criança, destacam-se os Jogos de Força e emoção; Jogos de Memória Auditiva e visual; Jogos Cooperativos, Atividades Dinâmicas e Atividades de Concentração e atenção..

A interdisciplinaridade é a dimensão na qual, atualmente, se pretende realizar o caráter relacional no desenvolvimento da pessoa, no que se refere à aquisição de conhecimentos e às influências culturais. Com ela questiona-se essa segmentação dos diferentes campos de conhecimento. Buscam-se, os possíveis pontos de convergência entre as várias áreas e a sua abordagem conjunta, propiciando uma relação epistemológica entre as disciplinas.

Aproximamo-nos com mais propriedade dos fenômenos naturais e sociais, que são normalmente complexos e irredutíveis ao conhecimento obtido quando são estudados por meio de uma única disciplina. As interconexões que acontecem nas disciplinas são causa e efeito da interdisciplinaridade.

Em cada disciplina deve evidenciar não somente os conteúdos, como também as metodologias de elaboração e de desenvolvimento; as reflexões pessoais dos professores e dos alunos que interatuam paralelas às elaborações institucionais que complementam os programas.

Atualmente, existe forte tendência para  a  troca de visão entre o real e  a emergência  de um novo modelo – de natureza interdisciplinar e transdisciplinar – que corresponde a uma nova visão do mundo. Esta modificação é acompanhada  de uma mudança de consciência, considerada de natureza holística.

Importante é que tenhamos uma consciência clara de que as trocas e suas conseqüências sejam consideráveis e abordem a relação da pedagogia e da andragogia com as formas de comunicação e apprendizagem, com transcendente potencial de energia no processo de educação como uma totalidade.

 

Referências Bibliográficas:

GGUSDORF, Georges. (1997). A Interdisciplinaridade in Revista de Filosofia da Universidade Gama Filho. Rio de Janeiro.

LLAMM, Normam. (1996). Missão Moral da Universidade in Jornal do Brasil, 16.12.96.

& LAPIERRE,André  & AUCOUTURIER. (1990). Os Contrastes. Porto Alegre. Editora Art Médicas.




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