- Revista Eletrônica INFORMATIVO G.R.D. - ANO IV - Edição 07 - 
Janeiro a Junho de 2003. 
Rio de Janeiro, 1° de março de 2003.
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                                    EQUILÍBRIO E DESEQUILÍBRIO

 

                                                                                         Prof. Dr. Darcymires do Rêgo Barrros

                Especialização em Neurofisiologia da Motricidade e Psicomotricidade

Membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia

da Academia Brasileira de Medicina Anti-envelhecimento

International Federation on Ageing (IFA)

 

Os terapeutas, nos dias de hoje, têm grande receio em responder adequadamente à forma de curar o desequilíbrio, a tontura ou a vertigem, causas que levam as pessoas acima de 60 anos a consumir assiduamente  medicamentos antivertiginosos.

Sensações errôneas do movimento, em que tudo gira em torno, as vertigens são causadas pelo desregulamento das diversas fontes de informação que permitem nosso deslocamento na posição vertical, com a cabeça elevada e os pés no solo.  Essas informações são fornecidas pela visão, orelha interna, planta dos pés e músculos cervicais gerados pelo cérebro (cerebelo), que indicam nossa posição no espaço. Quando  não são complementares e concordantes, nosso cérebro torna-se confuso. O cérebro, obrigado a interromper sua atividade, leva  o paciente ao estado de  angústia, por não compreender o que se passa e nem qual órgão está atingido. Há perda do domínio do espaço  envolvente, constatada pela ruptura entre a vontade e a resposta incontrolada do corpo. São sensações bem próximas da idéia de loucura ou  de morte iminente.

Quando a crise termina, a pessoa torna-se reticente em evocar as dificuldades e encontrar palavras para descrevê-la, em geral, ao seu interlocutor, terapeuta ou não. Procura não insistir a fim de não despertar  lembranças  angustiantes.

Prosper Ménière em 1860, descobriu que a orelha interna não é somente a sede do órgão de audição. O ser humano, para  estar em equilíbrio, deve satisfazer duas condições, sem intervenção da consciência: (i) projetar permanentemente o centro de gravidade de seu corpo na superfície do solo compreendida entre os pés; (ii) ter, permanentemente, uma imagem estável na retina, mesmo se a pessoa estiver em movimento. Portanto, assim que girar a cabeça, os olhos devem voltar no mesmo sentido e com a mesma velocidade para conservar uma imagem estável.  Se o movimento da cabeça prosseguir, os olhos se concentram o maior tempo possível em algum ponto fixo.

O equilíbrio é a manutenção da projeção do centro de gravidade do corpo humano no interior do polígono de sustentação (pés), por meio do ajustamento postural, sem oscilações ou desvios nas condições estática ou dinâmica.

O cerebelo é um dos principais órgãos do equilíbrio e do movimento. Sua  função primária  relaciona-se com a manutenção do equilíbrio corporal e da coordenação.

Como o cérebro humano é constituído de células nervosas que compõem uma rede organizada em estruturas paralelas e hierárquicas,  forma um conjunto de extrema complexidade.

Os sinais elétricos propagados ao longo dos axônios no sistema nervoso, são de menor freqüência que as sinapses químicas. Os sinais químicos intervêm na comunicação entre os neurônios, em nível das sinapses químicas, sendo mais freqüentes no sistema nervoso. Daí a regulação cinestésica labiríntica visual variar de pessoa para pessoa.

A orelha interna é considerada como a parte essencial do órgão da audição e do equilíbrio. É constituído de espaços revestidos e separado de epitélio, denominado labirinto membranoso. Esses espaços contêm um liquído, endolinfa complementada com a perilinfa, que se encontram nos canais semicirculares e envolvem parcialmente o labirinto membranoso.

Chama-se nistagmo o movimento rápido, ritmado e involuntário do globo ocular, que pode ser realizado em um ou em dois sentidos. 

A criança adquire equilíbrio nos três primeiros anos de vida, proveniente de uma aprendizagem difícil, demarcada por numerosas quedas. As grandes linhas dessa aprendizagem são idênticas a todos, mas cada uma personaliza sua estratégia privilegiando determinadas informações, o que explicaria os diversos modos de andar. Em situações limitadas, perigosas ou novas para a pessoa, o equilíbrio é uma preocupação consciente.  Se vigiarmos constantemente a evolução de nosso equilíbrio, estaremos seguramente menos vigilantes na rua ou quando nossa atenção cresce, sobretudo se o caminho for acidentado.

O cérebro é o chefe da orquestra do sentido do equilíbrio. Ele dirige, através do cerebelo, os movimentos do corpo e controla melhor sua realização, levando em conta as eventuais e imprevistas discordâncias.

O aparelho vestibular informa sobre os movimentos da cabeça. Está situado em cada orelha interna, atrás da cóclea, parte anterior do labirinto (órgão da audição), em continuidade com a própria cóclea.

Os olhos, por meio da retina, captam os movimentos dos objetos no meio ambiente. Os receptores articulares e receptores musculares (os proprioceptores) compreendendo aqueles da arcada plantar informam ao cérebro sobre a posição de cada articulação, a tensão de cada músculo e a evolução do centro de gravidade em nível dos pés.

Estas três fontes de informação dos centros nervosos, que coordenam a ação de todos os músculos, devem normalmente estar em harmonia. Em caso contrário, a informação vestibular se retém no cérebro. O vestíbulo pode sofrer dois tipos de infecção radicalmente diferentes: (i) as infecções mecânicas, onde as células sensoriais permanecem intactas e; (ii) as infecções sensoriais que provocam a redução mais ou menos importante e mais ou menos reversível da sensibilidade orgânica.

No primeiro caso, encontram-se os problemas das densidades das estruturas vestibulares, nas quais as vertigens, muito ligeiras, são ligadas à inclinação da cabeça.  No segundo caso, a doença é permanente e depende muito pouco da posição da cabeça.

Para explorar os vestíbulos, a técnica em vigor a partir de 1930 consistia em registrar eletricamente os movimentos oculares. É a eletronistagmografia (ENG). Esta técnica, muito divulgada no mundo, permite analisar certos movimentos na obscuridade total.

Mas, o ENG tem seus limites, particularmente pela impossibilidade física de eliminar os movimentos de torção da orelha. Na realidade, somente os movimentos horizontais são mensuráveis, o que limita o exame do canal lateral do vestíbulo a um dos cinco captores sensoriais.

A idéia de gravar com uma câmera a imagem dos olhos, a fim de analisar os movimentos, surgiu em 1905, ou seja, 10 anos após a invenção do cinema pelos irmãos Lumière. Mas, somente em 1985, algum centro de pesquisa afortunado, trabalhando em particular para a conquista espacial, conseguiu analisar automaticamente o nistagmo, graças às câmaras de vídeo em miniatura que operam próximo ao infravermelho. Isto é, permite filmar os olhos em negro e acoplá-los a um sistema de informática.

 
As Leis do "Sexto sentido"

O equilíbrio é a função de estabilização neuronal constante na posição de pé, em repouso e em deslocamentos ativo e passivo que permite o ser humano a manter-se na posição vertical. Procura reencontrar o equilíbrio do corpo no espaço, graças a um ajustamento apropriado neuromuscular.

Resulta da troca permanente entre três sistemas que informam ao cérebro a posição do corpo no espaço: os sistemas proprioceptivos (planta dos pés e músculos), o aparelho vestibular (orelha interna) e o sistema visual.  Estas informações são normalmente complementares e concordantes.

O sistema de equilíbrio do corpo humano pode compara-se a um móbile de Calder formado pelo sistema nervoso. Por exemplo: um estímulo num canal semicircular da orelha interna rompe o equilíbrio entre os sistemas simpático e parassimpático, provocando náuseas e manifestações de tensão vascular; a ação sobre os músculos óculomotores, que se traduz por um nistagmo (movimento ocular ritmado), atua sobre os centros nervosos e suscita a sensação de vertigem; e a ação sobre os músculos locomotores leva à instabilidade na posição de pé, por ocasião da marcha.

 
O Vestibular

Situado na orelha interna, bem atrás do aparelho auditivo, o vestíbulo, como todo captor sensorial, é estimulado pela transformação do influxo nervoso em energia cinética. Esses influxos transportam informações para o tronco cerebral, de onde parte para os centros subcorticais e corticais, o que permite a elaboração dos reflexos e a percepção das sensações.

Os centros corticais permitem a conscientização dos movimentos e da posição vertical, daí ser o sistema vestibular justamente denominado de " sexto sentido", embora sejamos incapazes de inter-relacionar as sensações conscientes do sexto sentido à sua fonte, situada na orelha interna.

Cada vestíbulo compreende cinco captores sensoriais independentes e inter-relacionados entre si: (i) o utrículo, a maior porção do labirinto membranoso do ouvido e o sáculo. Dois órgãos constituídos de cavidade cheia de líquido (endolinfo)

A neurite vestibular, habitualmente de origem viral, é responsável pela vertigem rotatória com náuseas e vômitos, reflexos que duram muitos dias, e levam o paciente ao leito.

 

Perturbações do Equilíbrio – Equilíbrio patológico

A posição bípede não é considerada um equilíbrio no sentido físico do termo. É um desequilíbrio permanente, constantemente compensado. As variações do equilíbrio constituem a atitude da pessoa. Esta atitude, relativamente estável, representa a solução individual de cada pessoa ao encontrar a solução do problema de equilíbrio que se insere em seu esquema corporal e na imagem do corpo, integrado às sensações sensório-motoras precisas.

O equilíbrio é a manutenção da projeção do centro de gravidade do corpo humano no interior do polígono de sustentação (pés), por meio do ajustamento postural, sem oscilações ou desvios nas condições estática ou dinâmica.

O cerebelo é um dos principais órgãos do equilíbrio e do movimento. Sua  função primária  relaciona-se com a manutenção do equilíbrio corporal e da coordenação.

Como o cérebro humano é constituído de células nervosas que compõem uma rede organizada em estruturas paralelas e hierárquicas,  forma um conjunto de extrema complexidade.

Os sinais elétricos propagados ao longo dos axônios no sistema nervoso são de menor freqüência que as sinapses químicas. Os sinais químicos intervêm na comunicação entre os neurônios, em nível das sinapses químicas, sendo mais freqüentes no sistema nervoso. Daí a regulação cinestésica labiríntica visual variar de pessoa para pessoa.

A orelha interna é considerada como a parte essencial do órgão da audição e do equilíbrio. É constituído de espaços revestidos e separado de epitélio, denominado labirinto membranoso. Esses espaços contêm um líquido, endolinfa complementada com a perilinfa, que se encontram nos canais semicirculares e envolvem parcialmente o labirinto membranoso.

As cavidades das divisões do labirinto membranoso e do saco endolinfático contêm a endolinfa e a perilinfa que atuam de forma acentuada no equilíbrio.

A pessoa ao rodar ou girar, ao executar movimentos de rolos para frente ou para trás, saltos aéreos com giros e outros, produzem movimentos ondulatórios desses líquidos propiciando sensações de tonteiras. Essas sensações passam logo após a cessação das ondas provocadas pelos movimentos giratórios.

Integradas à parede do labirinto membranoso, as células colunares com prolongamentos semelhantes aos pêlos, se projetam para a luz formando receptores especiais. Essas áreas especializadas,  encontradas na porção dilatada dos canais semicirculares, são denominadas cristas ampolares e máculas, que, por sua vez, são inervadas por ramos periféricos do nervo vestibular.

As terminações nervosas da crista e da mácula são estimuladas pelo movimento do líquido endolinfático dentro do labirinto membranoso complementadas pelos prolongamentos ciliados (nervos proprioceptivos) das células sensoriais. Esses estímulos  causam impulsos que passam pelo sistema nervoso através das células bipolares da divisão vestibular do nervo auditivo e formam a base do sentido do  equilíbrio.

A função primária do cerebelo se relaciona com a manutenção do equilíbrio corporal e com a coordenação global, sendo que o sistema integrador próprioceptivo-vestibular controla e regula a interação inicial dos reflexos posturais, as posições e atitudes corporais. O cerebelo participa ativamente na organização, execução dos movimentos coordenados, como um dos componentes essenciais da adaptação do equilíbrio estático e dinâmico.

Para Schrager (1991:56-57), o processo integrador sistêmico próprioceptivo-vestibular antigravitacional é a base de todo processo adaptativo postural no meio ambiente, assim como a organização perceptiva corporal e espacial integrada  contribui na estruturação das noções temporais.

Acrescenta Schrager (opus cit.),...”quando o desenvolvimento postural/posicional e motor se altera, ( ou seja, todo o desenvolvimento )e conseqüentemente, quando  a dominância hemisférica e habilidades simbólicas encontram-se comprometidas, a integração sistêmica perceptivo-vestibular antigravitacional estará inadequada.”

Os movimentos espaciais possuem três dimensões, principalmente as rotações do corpo em sua totalidade. Solicitam os receptores vestibulares localizados na orelha interna. Os receptores vestibulares que orientam o movimento da cabeça, além do corpo no espaço, intervêm na percepção do campo de gravidade. Todos - evoluções inabituais e mais precisamente as diferentes rotações - vêm organizar e regular essas informações.

Essas duas principais percepções, associadas às percepções cinestésicas e ao domínio emocional - sistema límbico -, são as determinantes do domínio de todas as evoluções aéreas  e acrobáticas.

Alguns pesquisadores afirmam que as rotações e suas sensações específicas são componentes de experiências intra-uterinas do bebê.

Diversos profissionais que atuam com crianças pequenas têm procurado manter e ampliar as primeiras percepções por meio de jogos de rolamentos (cambalhotas) para frente e para trás. Raros são os educadores especializados em atividades precoces com crianças pequenas que ativam essas potencialidades, privilegiando as outras formas de motricidade ditas “naturais”. Mesmo tardiamente para crianças de três-quatro anos, elas devem ser freqüentemente estimuladas nessas sensações rotatórias, seja espontaneamente nas praças públicas, seja de maneira construída nas aulas de ginástica.

Os receptores visuais, nos quais atuam a visão e a acomodação visual, atuam integrados aos receptores vestibulares.

A visão é capital em todas as formas de movimentos e acrobacias. Ela tem papel importante no quadro perceptivo-polisensorial que coloca em jogo  no decorrer da evolução de uma atividade com rotação.

O fechamento instintivo dos olhos, pelo reflexo protetor, acompanha geralmente as primeiras rotações à frente e atrás, no iniciante. Rapidamente os olhos voltam a ficar abertos, pela diversidade das situações e pela escolha dos gestos a serem realizados, permitindo multiplicar as ocasiões de casar harmoniosamente a visão com as demais percepções.

A acomodação visual será integrada a partir de uma visão natural, em nível do solo, pelo espaço euclidiano em três dimensões nos novos conjuntos dinâmicos em diferentes alturas.

Os movimentos insólitos do corpo invertido vêm enriquecer esses conjuntos perceptivos, incorporando novos dados exteriores fornecidos pela visão e aumentando a eficiência da recuperação do corpo no espaço (em associação com outras percepções).

As habilidades simbólicas como a leitura, a escrita e a linguagem leitura/escrita, são processos que dependem do desenvolvimento da fala e da linguagem devido à liberação dos circuitos superiores de informações corporais.

A atenção das perturbações do sistema próprioceptivo-vestibular deve ser o primeiro momento de cuidado preventivo precoce das discapacidades na aprendizagem humana.

Daí a necessidade de ser o trabalho educativo/reeducativo das funcionalidades do complexo sistema perceptivo-vestibular, como parte integrante do processo de diagnóstico na área das patologias do desenvolvimento, um dentre os primeiros aspectos,  a ser observado em qualquer abordagem preventiva ou terapêutica, num Programa de Estimulação Essencial.

 

CARACTERÍSTICAS DO EQUILÍBRIO:

- MENOR BASE DE SUSTENTAÇÃO

- ELEVAÇÃO DO CENTRO DE GRAVIDADE

- MAIOR TEMPO DE DURAÇÃO

- VARIEDADE DE AÇÕES: DINÂMICO - ESTÁTICO.

 

 

O APARELHO VESTIBULAR

 

Quais as reações quando a pessoa encontra-se sob o imperativo de fortes emoções? Como se comportam os desportistas após uma vitória? Os jogadores de futebol executam espontaneamente saltos, passos de danças, malabarismos e outras formas espontâneas de movimento, deixando vazar seus sentimentos, as crianças viram cambalhotas, etc.

 O estado de consciência do ser humano apresenta diferentes níveis de acordo com os princípios filosóficos de cada autor.

 O estado de vigília é considerado o nível máximo de consciência  do  ser humano.  Nele os ciclos de estímulos neurológicos produzidos pelo cérebro giram em torno de 14 a 40 ciclos por segundo. De Ropp citado por Schubert (1966::20) fundamentado em textos de autores famosos, afirma  que “ o estado de consciência habitual do homem (estado de vigília) não é o nível máximo de consciência que ele pode alcançar.” (…) “ Vive em sonhos e habita um mundo de ilusões, o que ocasiona perigos para sim mesmo e para os outros.”  É necessário que as pessoas sintam a si mesma.

Gurdjieff apud  Schubert (1996:20) esclarece a questão da consciência estabelecendo que existem quatro estados de consciência possíveis ao ser humano, sendo eles: (i) o sono - estado passivo no qual o humano passa a maior parte de sua vida; (ii) estado desperto da consciência - ou estado de vigília em que o ser humano passa outra parte de sua vida; (iii) consciência do próprio ser - a lembrança de si mesmo, a autoconsciência e; (iv) estado objetivo da consciência - quando a pessoa  observa a realidade das coisas como são realmente. É denominado de consciência cósmica.

Para ele, o ser humano mesmo em estado de vigília não está desperto. É necessário despertar para ter-se consciência de si mesmo.

           “Quando o homem compreende que não tem consciência de si mesmo”,

           que não sente a si mesmo, que vive no mundo qual  um  robô, segundo

           as regras que lhe são impostas (nem sempre sadias, equilibradas), que a

           sua opinião depende do que pensam os outros, que é isto ou aquilo por

           tradição, que cultiva hábitos sem mesmo saber  porque;  que   se  deixa

           massificar pela mídia (geralmente desequilibrada e irresponsável);    que

           se deixa manipular, etc., é possível, então, que lhe surja o impulso de sair

           deste estado.  De  tentar  acordar   e   começar   a    pensar  em  si,   num

            processo de autodescobrimento.” (Schubert, 1996: 20)

 

Integradas à parede do labirinto membranoso, as células colunares com prolongamentos semelhantes aos pêlos, se projetam para a luz formando receptores especiais. Essas áreas especializadas,  encontradas na porção dilatada dos canais semicirculares, são denominadas cristas ampolares e máculas, que, por sua vez, são inervadas por ramos periféricos do nervo vestibular.

As terminações nervosas da crista e da mácula são estimuladas pelo movimento do líquido endolinfático dentro do labirinto membranoso complementadas pelos prolongamentos ciliados (nervos proprioceptivos) das células sensoriais. Esses estímulos  causam impulsos que passam pelo sistema nervoso através das células bipolares da divisão vestibular do nervo auditivo e formam a base do sentido do  equilíbrio.

A função primária do cerebelo se relaciona com a manutenção do equilíbrio corporal e com a coordenação global, sendo que o sistema integrador próprioceptivo-vestibular controla e regula a interação inicial dos reflexos posturais, as posições e atitudes corporais. O cerebelo participa ativamente na organização, execução dos movimentos coordenados, como um dos componentes essenciais da adaptação do equilíbrio estático e dinâmico.

Para Schrager (1991:56-57), o processo integrador sistêmico próprioceptivo-vestibular antigravitacional é a base de todo processo adaptativo postural no meio ambiente, assim como a organização perceptiva corporal e espacial integrada  contribui na estruturação das noções temporais.

Acrescenta Schrager (opus cit.),...”quando o  desenvolvimento postural/posicional e motor se altera, ( ou seja, todo o desenvolvimento )e conseqüentemente, quando  a dominância hemisférica e habilidades simbólicas encontram-se comprometidas, a integração sistêmica perceptivo-vestibular antigravitacional estará inadequada.”

Os movimentos espaciais possuem três dimensões, principalmente as rotações do corpo em sua totalidade. Solicitam os receptores vestibulares localizados na orelha interna. Os receptores vestibulares que orientam o movimento da cabeça, além do corpo no espaço, intervêm na percepção do campo de gravidade. Todos - evoluções inabituais e mais precisamente as diferentes rotações - vêm organizar e regular essas informações.

Essas duas principais percepções, associadas às percepções cinestésicas e ao domínio emocional - sistema límbico -, são as determinantes do domínio de todas as evoluções aéreas  e acrobáticas.

Alguns pesquisadores afirmam que as rotações e suas sensações específicas são componentes de experiências intra-uterinas do bebê.

Diversos profissionais que atuam com crianças pequenas têm procurado manter e ampliar as primeiras percepções por meio de jogos de rolamentos (cambalhotas) para frente e para trás. Raros são os educadores especializados em atividades precoces com crianças pequenas que ativam essas potencialidades, privilegiando as outras formas de motricidade ditas “naturais”. Mesmo tardiamente para crianças de três-quatro anos, elas devem ser freqüentemente estimuladas nessas sensações rotatórias, seja espontaneamente nas praças públicas, seja de maneira construída nas aulas de ginástica.

Os receptores visuais, nos quais atuam a visão e a acomodação visual, atuam integrados aos receptores vestibulares.

A visão é capital em todas as formas de movimentos e acrobacias. Ela tem papel importante no quadro perceptivo-polisensorial que coloca em jogo  no decorrer da evolução de uma atividade com rotação.

O fechamento instintivo dos olhos, pelo reflexo protetor, acompanha geralmente as primeiras rotações à frente e atrás, no iniciante. Rapidamente os olhos voltam a ficar abertos, pela diversidade das situações e pela escolha dos gestos a serem realizados, permitindo multiplicar as ocasiões de casar harmoniosamente a visão com as demais percepções.

A acomodação visual será integrada a partir de uma visão natural, em nível do solo, pelo espaço euclidiano em três dimensões nos novos conjuntos dinâmicos em diferentes alturas.

Os movimentos insólitos do corpo invertido vêm enriquecer esses conjuntos perceptivos, incorporando novos dados exteriores fornecidos pela visão e aumentando a eficiência da recuperação do corpo no espaço (em associação com outras percepções).

As habilidades simbólicas como a leitura, a escrita e a linguagem leitura/escrita, são processos que dependem do desenvolvimento da fala e da linguagem devido à liberação dos circuitos superiores de informações corporais.

A atenção das perturbações do sistema próprioceptivo-vestibular deve ser o primeiro momento de cuidado preventivo precoce das discapacidades na aprendizagem humana.

Daí a necessidade de ser o trabalho educativo/reeducativo das funcionalidades do complexo sistema perceptivo-vestibular, como parte integrante do processo de diagnóstico na área das patologias do desenvolvimento. O Programa de Estimulação dentre os primeiros aspectos, a ser observado em qualquer abordagem preventiva ou terapêutica, num Programa de Estimulação Essencial.

EXEMPLO DE UMA AULA COM O TEMA: EQUILÍBRIO

 - Encontrar solução de problemas que exijam o domínio das atitudes e destrezas, aplicando os mecanismos de adequação aos estímulos perceptivos.

- Objetivos didáticos: (i) conseguir que a criança aprofunde o conhecimento das características estruturais e funcionais do próprio corpo. (ii) utilizar as capacidades físicas básicas da Atividade Física e buscar o controle de movimentos adaptados às circunstâncias e às condições de cada situação problema. (iii) promover a adoção de hábitos posturais e a prática das atividades físicas saudáveis; (iv) desenvolver as estruturas psicomotoras, as agilidades e destrezas corporais de forma sensível e utilizá-las em diferentes situações.

 

 

ATIVIDADES:

 

1. Realizar, o mais amplamente possível as ações elementares, também consideradas praxias: rolar, rastejar, engatinhar, andar/correr, trepar, pendurar-se, lançar, saltar, saltitar, puxar, empurrar, girar e outros movimentos naturais e espontâneos da criança.

 

2. Participar, com “os outros” (crianças e adultos), das atividades corporais de expressão, aplicadas de forma simples e coerentes, com ou sem apoio musical; por meio de jogos, induzidos pelo respeito às regras.

 3. Caminhar lentamente sobre uma trave baixa; (exercícios de diminuição da base de      
     sustentação).

 4. Caminhar lentamente, para frente e para trás, sobre a trave do banco  sueco invertido.
    (Exercícios com base móvel).

 5. Realizar o exercício anterior de olhos cerrados. (Exercícios. Táteis e perceptivos).

 6. Caminhar de gatinhas sobre uma trave alta. (Trocas freqüentes do centro de gravidade).

 7. Caminhar de pé segurando a mão do colega numa trave alta.

 8. Repetir o exercício anterior de olhos cerrados.

 9. Correr e saltar sobre um plinto, caindo de pé no solo.

 10. Saltitar de forma variada no Trampolim Acrobático (Cama Elástica).

 


TIPOS DE ATIVIDADE PARA EDUCAR O EQUILÍBRIO

  1. POSIÇÕES:  DE PÉ, SENTADO E DINAMISMO INTERMEDIÁRIOS.

 

  1. DIMINUIÇÃO DA BASE DE SUSTENTAÇÃO.

 

  1. ALTERNÂNCIAS DE SUPERFÍCIES DE APOIO (Trocar as superfícies em todas as posições).

 

  1. BASES MÓVEIS.

 

  1. BASES DE DIFERENTES CONSISTÊNCIAS.

 

  1. CARGAS  ACENTUADAS  NO MOVIMENTO .

 

  1. ATIVIDADES COMBINADAS (Posturas, passadas, posições invertidas)

(coordenação grossas ou coordenação da dinâmica geral)

 

  1. TROCAS DO CENTRO DE GRAVIDADE ( Cargas ativas, elevações, descidas, deslocamentos e trações).

 

  1. VELOCIDADES SEGMENTARES COM CARGA.

 

  1. EXPERIÊNCIAS DE DISTRIBUIÇÃO  DE MASSAS E VOLUMES.

 

  1.  COMBINAÇÕES COMPLEXAS ( que comprometem  o equilíbrio)

            (conteúdo formal do movimento). Diferem do item 6, que requer o número de tarefas e atenção).

 

  1.  A BUSCA DA PRECISÃO APÓS AS TAREFAS GLOBAIS INTENSAS.

    

  1.  RECURSOS DE ALTA PRECISÃO (Coordenação fina).

 

  1.  O REEQUILÍBRIO. As  principais técnicas para consegui-lo.

 

  1.  TRABALHO EM CONDIÇÕES DE DIMINUIÇÃO SENSORIAL. Privação do tato, fechar os olhos, diminuir os dados sensoriais).

 


BIBLIOGRAFIA:

 

ANDRÉ-THOMAS P. (1955). L’equilibre et la fonction labyrinthique chez le nouveu-né et le nourrison. L’ Encephale, 44, 2:97-137.

 

MERRIT, Lewis P. Rowland (org). Tratado de Neurologia. Rio de Janeiro. Editora Guanabara, 1986

 

Revista de Estudios y Experiencias Psicomotricidad. Madrid. CITAP. 1998-1999.

 

Revue  Science & Vie. Paris. Excelsior Publ. 1999.

 

SCHRAGER, Orlando L. (1991) Aspectos neuropsicológicos del desarrollo de los procesos posturales y su incidencia sobre el aprendizaje humano  in Psicomotricidad, Revista de Estudios y Experiencias, n.º 38-39. Vo. 2-3.




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