
|
- Revista Eletrônica
INFORMATIVO G.R.D. - ANO IV - Edição 07 - |
EQUILÍBRIO
E DESEQUILÍBRIO
Especialização em Neurofisiologia da Motricidade e Psicomotricidade
Membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia
da Academia Brasileira de Medicina Anti-envelhecimento
International
Federation on Ageing (IFA)
Os
terapeutas, nos dias de hoje, têm grande receio em responder adequadamente à
forma de curar o desequilíbrio, a tontura ou a vertigem, causas que levam as
pessoas acima de 60 anos a consumir assiduamente
medicamentos antivertiginosos.
Sensações
errôneas do movimento, em que tudo gira em torno, as vertigens são causadas
pelo desregulamento das diversas fontes de informação que permitem nosso
deslocamento na posição vertical, com a cabeça elevada e os pés no solo.
Essas informações são fornecidas pela visão, orelha interna, planta
dos pés e músculos cervicais gerados pelo cérebro (cerebelo), que indicam
nossa posição no espaço. Quando não
são complementares e concordantes, nosso cérebro torna-se confuso. O cérebro,
obrigado a interromper sua atividade, leva
o paciente ao estado de angústia,
por não compreender o que se passa e nem qual órgão está atingido. Há perda
do domínio do espaço envolvente,
constatada pela ruptura entre a vontade e a resposta incontrolada do corpo. São
sensações bem próximas da idéia de loucura ou
de morte iminente.
Quando
a crise termina, a pessoa torna-se reticente em evocar as dificuldades e
encontrar palavras para descrevê-la, em geral, ao seu interlocutor, terapeuta
ou não. Procura não insistir a fim de não despertar
lembranças angustiantes.
Prosper
Ménière em 1860, descobriu que a orelha interna não é somente a sede do órgão
de audição. O ser humano, para estar
em equilíbrio, deve satisfazer duas condições, sem intervenção da consciência:
(i) projetar permanentemente o centro de gravidade de seu corpo na superfície
do solo compreendida entre os pés; (ii) ter, permanentemente, uma imagem estável
na retina, mesmo se a pessoa estiver em movimento. Portanto, assim que girar a
cabeça, os olhos devem voltar no mesmo sentido e com a mesma velocidade para
conservar uma imagem estável. Se o
movimento da cabeça prosseguir, os olhos se concentram o maior tempo possível
em algum ponto fixo.
O
equilíbrio é a manutenção da projeção do centro de gravidade do corpo
humano no interior do polígono de sustentação (pés), por meio do ajustamento
postural, sem oscilações ou desvios nas condições estática ou dinâmica.
O
cerebelo é um dos principais órgãos do equilíbrio e do movimento. Sua
função primária relaciona-se com a manutenção do equilíbrio corporal e da
coordenação.
Como o cérebro humano é constituído
de células nervosas que compõem uma rede organizada em estruturas paralelas e
hierárquicas, forma um conjunto de
extrema complexidade.
Os sinais elétricos propagados ao
longo dos axônios no sistema nervoso, são de menor freqüência que as
sinapses químicas. Os sinais químicos intervêm na comunicação entre os neurônios,
em nível das sinapses químicas, sendo mais freqüentes no sistema nervoso. Daí
a regulação cinestésica labiríntica visual variar de pessoa para pessoa.
A
orelha interna é considerada como a parte essencial do órgão da audição e
do equilíbrio. É constituído de espaços revestidos e separado de epitélio,
denominado labirinto membranoso. Esses espaços contêm um liquído, endolinfa complementada com a
perilinfa, que se encontram nos canais semicirculares e envolvem
parcialmente o labirinto membranoso.
Chama-se
nistagmo o movimento rápido, ritmado e involuntário do globo ocular, que pode
ser realizado em um ou em dois sentidos.
A
criança adquire equilíbrio nos três primeiros anos de vida, proveniente de
uma aprendizagem difícil, demarcada por numerosas quedas. As grandes linhas
dessa aprendizagem são idênticas a todos, mas cada uma personaliza sua estratégia
privilegiando determinadas informações, o que explicaria os diversos modos de
andar. Em situações limitadas, perigosas ou novas para a pessoa, o equilíbrio
é uma preocupação consciente. Se
vigiarmos constantemente a evolução de nosso equilíbrio, estaremos
seguramente menos vigilantes na rua ou quando nossa atenção cresce, sobretudo
se o caminho for acidentado.
O
cérebro é o chefe da orquestra do sentido do equilíbrio. Ele dirige, através
do cerebelo, os movimentos do corpo e controla melhor sua realização, levando
em conta as eventuais e imprevistas discordâncias.
O
aparelho vestibular informa sobre os movimentos da cabeça. Está situado em
cada orelha interna, atrás da cóclea, parte anterior do labirinto (órgão da
audição), em continuidade com a própria cóclea.
Os
olhos, por meio da retina, captam os movimentos dos objetos no meio ambiente. Os
receptores articulares e receptores musculares (os proprioceptores)
compreendendo aqueles da arcada plantar informam ao cérebro sobre a posição
de cada articulação, a tensão de cada músculo e a evolução do centro de
gravidade em nível dos pés.
Estas
três fontes de informação dos centros nervosos, que coordenam a ação de
todos os músculos, devem normalmente estar em harmonia. Em caso contrário, a
informação vestibular se retém no cérebro. O vestíbulo pode sofrer dois
tipos de infecção radicalmente diferentes: (i) as infecções mecânicas, onde
as células sensoriais permanecem intactas e; (ii) as infecções sensoriais que
provocam a redução mais ou menos importante e mais ou menos reversível da
sensibilidade orgânica.
No
primeiro caso, encontram-se os problemas das densidades das estruturas
vestibulares, nas quais as vertigens, muito ligeiras, são ligadas à inclinação
da cabeça. No segundo caso, a doença
é permanente e depende muito pouco da posição da cabeça.
Para
explorar os vestíbulos, a técnica em vigor a partir de 1930 consistia em
registrar eletricamente os movimentos oculares. É a eletronistagmografia (ENG).
Esta técnica, muito divulgada no mundo, permite analisar certos movimentos na
obscuridade total.
Mas,
o ENG tem seus limites, particularmente pela impossibilidade física de eliminar
os movimentos de torção da orelha. Na realidade, somente os movimentos
horizontais são mensuráveis, o que limita o exame do canal lateral do vestíbulo
a um dos cinco captores sensoriais.
A
idéia de gravar com uma câmera a imagem dos olhos, a fim de analisar os
movimentos, surgiu em 1905, ou seja, 10 anos após a invenção do cinema pelos
irmãos Lumière. Mas, somente em 1985, algum centro de pesquisa afortunado,
trabalhando em particular para a conquista espacial, conseguiu analisar
automaticamente o nistagmo, graças às câmaras de vídeo em miniatura que
operam próximo ao infravermelho. Isto é, permite filmar os olhos em negro e
acoplá-los a um sistema de informática.
O
equilíbrio é a função de estabilização neuronal constante na posição de
pé, em repouso e em deslocamentos ativo e passivo que permite o ser humano a
manter-se na posição vertical. Procura reencontrar o equilíbrio do corpo no
espaço, graças a um ajustamento apropriado neuromuscular.
Resulta da troca permanente entre três
sistemas que informam ao cérebro a posição do corpo no espaço: os sistemas
proprioceptivos (planta dos pés e músculos), o aparelho vestibular (orelha
interna) e o sistema visual. Estas
informações são normalmente complementares e concordantes.
O sistema de equilíbrio do corpo
humano pode compara-se a um móbile de Calder formado pelo sistema nervoso. Por
exemplo: um estímulo num canal semicircular da orelha interna rompe o equilíbrio
entre os sistemas simpático e parassimpático, provocando náuseas e manifestações
de tensão vascular; a ação sobre os músculos óculomotores, que se traduz
por um nistagmo (movimento ocular ritmado), atua sobre os centros nervosos e
suscita a sensação de vertigem; e a ação sobre os músculos locomotores leva
à instabilidade na posição de pé, por ocasião da marcha.
Situado
na orelha interna, bem atrás do aparelho auditivo, o vestíbulo, como todo
captor sensorial, é estimulado pela transformação do influxo nervoso em
energia cinética. Esses influxos transportam informações para o tronco
cerebral, de onde parte para os centros subcorticais e corticais, o que permite
a elaboração dos reflexos e a percepção das sensações.
Os
centros corticais permitem a conscientização dos movimentos e da posição
vertical, daí ser o sistema vestibular justamente denominado de " sexto
sentido", embora sejamos incapazes de inter-relacionar as sensações
conscientes do sexto sentido à sua fonte, situada na orelha interna.
Cada
vestíbulo compreende cinco captores sensoriais independentes e
inter-relacionados entre si: (i) o utrículo, a maior porção do labirinto
membranoso do ouvido e o sáculo. Dois órgãos constituídos de cavidade cheia
de líquido (endolinfo)
A
neurite vestibular, habitualmente de origem viral, é responsável pela vertigem
rotatória com náuseas e vômitos, reflexos que duram muitos dias, e levam o
paciente ao leito.
Perturbações
do Equilíbrio – Equilíbrio patológico
A
posição bípede não é considerada um equilíbrio no sentido físico do
termo. É um desequilíbrio permanente, constantemente compensado. As variações
do equilíbrio constituem a atitude da pessoa. Esta atitude, relativamente estável,
representa a solução individual de cada pessoa ao encontrar a solução do
problema de equilíbrio que se insere em seu esquema corporal e na imagem do
corpo, integrado às sensações sensório-motoras precisas.
O
equilíbrio é a manutenção da projeção do centro de gravidade do corpo
humano no interior do polígono de sustentação (pés), por meio do ajustamento
postural, sem oscilações ou desvios nas condições estática ou dinâmica.
O cerebelo é um dos principais órgãos
do equilíbrio e do movimento. Sua função
primária relaciona-se com a manutenção do equilíbrio corporal e da
coordenação.
Como o cérebro humano é constituído
de células nervosas que compõem uma rede organizada em estruturas paralelas e
hierárquicas, forma um conjunto de
extrema complexidade.
Os sinais elétricos propagados ao
longo dos axônios no sistema nervoso são de menor freqüência que as sinapses
químicas. Os sinais químicos intervêm na comunicação entre os neurônios,
em nível das sinapses químicas, sendo mais freqüentes no sistema nervoso. Daí
a regulação cinestésica labiríntica visual variar de pessoa para pessoa.
A
orelha interna é considerada como a parte essencial do órgão da audição e
do equilíbrio. É constituído de espaços revestidos e separado de epitélio,
denominado labirinto membranoso. Esses espaços contêm um líquido, endolinfa complementada com a
perilinfa, que se encontram nos canais semicirculares e envolvem
parcialmente o labirinto membranoso.
As
cavidades das divisões do labirinto membranoso e do saco endolinfático contêm
a endolinfa e a perilinfa que atuam de forma acentuada no equilíbrio.
A
pessoa ao rodar ou girar, ao executar movimentos de rolos para frente ou para trás,
saltos aéreos com giros e outros, produzem movimentos ondulatórios desses líquidos
propiciando sensações de tonteiras. Essas sensações passam logo após a
cessação das ondas provocadas pelos movimentos giratórios.
Integradas à parede do labirinto
membranoso, as células colunares com prolongamentos semelhantes aos pêlos,
se projetam para a luz formando receptores especiais. Essas áreas
especializadas, encontradas na porção
dilatada dos canais semicirculares, são denominadas cristas
ampolares e máculas, que, por sua vez, são inervadas por ramos periféricos
do nervo vestibular.
As terminações nervosas da crista e
da mácula são estimuladas pelo movimento do líquido endolinfático
dentro do labirinto membranoso complementadas pelos prolongamentos ciliados
(nervos proprioceptivos) das células sensoriais. Esses estímulos
causam impulsos que passam pelo sistema nervoso através das células
bipolares da divisão vestibular do nervo auditivo e formam a base do sentido do
equilíbrio.
A função primária do cerebelo se
relaciona com a manutenção do equilíbrio corporal e com a coordenação
global, sendo que o sistema integrador próprioceptivo-vestibular controla e
regula a interação inicial dos reflexos posturais, as posições e atitudes
corporais. O cerebelo participa ativamente na organização, execução dos
movimentos coordenados, como um dos componentes essenciais da adaptação do
equilíbrio estático e dinâmico.
Para Schrager (1991:56-57), o processo
integrador sistêmico próprioceptivo-vestibular antigravitacional é a base de
todo processo adaptativo postural no meio ambiente, assim como a organização
perceptiva corporal e espacial integrada contribui
na estruturação das noções temporais.
Acrescenta
Schrager (opus cit.),...”quando o desenvolvimento postural/posicional e motor
se altera, ( ou seja, todo o desenvolvimento )e conseqüentemente, quando
a dominância hemisférica e habilidades simbólicas encontram-se
comprometidas, a integração sistêmica perceptivo-vestibular antigravitacional
estará inadequada.”
Os movimentos espaciais possuem três
dimensões, principalmente as rotações do corpo em sua totalidade. Solicitam
os receptores vestibulares localizados na orelha interna. Os receptores
vestibulares que orientam o movimento da cabeça, além do corpo no espaço,
intervêm na percepção do campo de gravidade. Todos - evoluções inabituais e
mais precisamente as diferentes rotações - vêm organizar e regular essas
informações.
Essas duas principais percepções,
associadas às percepções cinestésicas e ao domínio emocional - sistema límbico
-, são as determinantes do domínio de todas as evoluções aéreas
e acrobáticas.
Alguns pesquisadores afirmam que as
rotações e suas sensações específicas são componentes de experiências
intra-uterinas do bebê.
Diversos profissionais que atuam com
crianças pequenas têm procurado manter e ampliar as primeiras percepções por
meio de jogos de rolamentos (cambalhotas) para frente e para trás. Raros são
os educadores especializados em atividades precoces com crianças pequenas que
ativam essas potencialidades, privilegiando as outras formas de motricidade
ditas “naturais”. Mesmo tardiamente para crianças de três-quatro anos,
elas devem ser freqüentemente estimuladas nessas sensações rotatórias, seja
espontaneamente nas praças públicas, seja de maneira construída nas aulas de
ginástica.
Os receptores visuais,
nos
quais atuam a visão e a acomodação visual, atuam integrados aos
receptores vestibulares.
A visão é capital em todas as formas
de movimentos e acrobacias. Ela tem papel importante no quadro
perceptivo-polisensorial que coloca em jogo no decorrer da evolução de uma atividade com rotação.
O fechamento instintivo dos olhos,
pelo reflexo protetor, acompanha geralmente as primeiras rotações à frente e
atrás, no iniciante. Rapidamente os olhos voltam a ficar abertos, pela
diversidade das situações e pela escolha dos gestos a serem realizados,
permitindo multiplicar as ocasiões de casar harmoniosamente a visão com as
demais percepções.
A acomodação visual será integrada
a partir de uma visão natural, em nível do solo, pelo espaço euclidiano em três
dimensões nos novos conjuntos dinâmicos em diferentes alturas.
Os movimentos insólitos do corpo
invertido vêm enriquecer esses conjuntos perceptivos, incorporando novos dados
exteriores fornecidos pela visão e aumentando a eficiência da recuperação do
corpo no espaço (em associação com outras percepções).
As
habilidades simbólicas como a leitura, a escrita e a linguagem leitura/escrita,
são processos que dependem do desenvolvimento da fala e da linguagem devido à
liberação dos circuitos superiores de informações corporais.
A
atenção das perturbações do sistema próprioceptivo-vestibular deve ser o
primeiro momento de cuidado preventivo precoce das discapacidades na
aprendizagem humana.
Daí
a necessidade de ser o trabalho educativo/reeducativo das funcionalidades do
complexo sistema perceptivo-vestibular, como parte integrante do processo de
diagnóstico na área das patologias do desenvolvimento, um dentre os primeiros
aspectos, a ser observado em
qualquer abordagem preventiva ou terapêutica, num Programa de Estimulação
Essencial.
|
CARACTERÍSTICAS
DO EQUILÍBRIO: -
MENOR BASE DE SUSTENTAÇÃO -
ELEVAÇÃO DO CENTRO DE GRAVIDADE -
MAIOR TEMPO DE DURAÇÃO -
VARIEDADE DE AÇÕES: DINÂMICO - ESTÁTICO. |
O
APARELHO VESTIBULAR
Quais
as reações quando a pessoa encontra-se sob o imperativo de fortes emoções?
Como se comportam os desportistas após uma vitória? Os jogadores de futebol
executam espontaneamente saltos, passos de danças, malabarismos e outras formas
espontâneas de movimento, deixando vazar seus sentimentos, as crianças viram
cambalhotas, etc.
O
estado de consciência do ser humano apresenta diferentes níveis de acordo com
os princípios filosóficos de cada autor.
O estado de vigília é considerado o nível máximo de consciência
do ser humano.
Nele os ciclos de estímulos neurológicos produzidos pelo cérebro giram
em torno de 14 a 40 ciclos por segundo. De Ropp citado por Schubert (1966::20)
fundamentado em textos de autores famosos, afirma que “ o estado de consciência habitual do homem (estado de
vigília) não é o nível máximo de consciência que ele pode alcançar.”
(…) “ Vive em
sonhos e habita um mundo de ilusões, o que ocasiona perigos para sim mesmo e
para os outros.” É necessário
que as pessoas sintam a si mesma.
Gurdjieff
apud Schubert (1996:20) esclarece a
questão da consciência estabelecendo que existem quatro estados de consciência
possíveis ao ser humano, sendo eles: (i) o
sono - estado passivo no qual o humano passa a maior parte de sua vida; (ii)
estado desperto da consciência - ou estado de vigília em que o ser
humano passa outra parte de sua vida; (iii) consciência do próprio ser - a lembrança de si mesmo, a
autoconsciência e; (iv) estado objetivo
da consciência - quando a pessoa observa
a realidade das coisas como são realmente. É denominado de consciência cósmica.
Para
ele, o ser humano mesmo em estado de vigília não está desperto. É necessário
despertar para ter-se consciência de si mesmo.
“Quando
o homem compreende que não tem consciência de si mesmo”,
que
não sente a si mesmo, que vive no mundo qual
um robô, segundo
as
regras que lhe são impostas (nem sempre sadias, equilibradas), que a
sua
opinião depende do que pensam os outros, que é isto ou aquilo por
tradição,
que cultiva hábitos sem mesmo saber porque;
que se
deixa
massificar
pela mídia (geralmente desequilibrada e irresponsável);
que
se
deixa manipular, etc., é possível, então, que lhe surja o impulso de sair
deste
estado. De tentar acordar
e começar
a pensar
em si, num
processo
de autodescobrimento.” (Schubert,
1996: 20)
Integradas à parede do labirinto
membranoso, as células colunares com prolongamentos semelhantes aos pêlos,
se projetam para a luz formando receptores especiais. Essas áreas
especializadas, encontradas na porção
dilatada dos canais semicirculares, são denominadas cristas
ampolares e máculas, que, por sua vez, são inervadas por ramos periféricos
do nervo vestibular.
As terminações nervosas da crista e
da mácula são estimuladas pelo movimento do líquido endolinfático
dentro do labirinto membranoso complementadas pelos prolongamentos ciliados
(nervos proprioceptivos) das células sensoriais. Esses estímulos
causam impulsos que passam pelo sistema nervoso através das células
bipolares da divisão vestibular do nervo auditivo e formam a base do sentido do
equilíbrio.
A função primária do cerebelo se
relaciona com a manutenção do equilíbrio corporal e com a coordenação
global, sendo que o sistema integrador próprioceptivo-vestibular controla e
regula a interação inicial dos reflexos posturais, as posições e atitudes
corporais. O cerebelo participa ativamente na organização, execução dos
movimentos coordenados, como um dos componentes essenciais da adaptação do
equilíbrio estático e dinâmico.
Para Schrager (1991:56-57), o processo
integrador sistêmico próprioceptivo-vestibular antigravitacional é a base de
todo processo adaptativo postural no meio ambiente, assim como a organização
perceptiva corporal e espacial integrada contribui
na estruturação das noções temporais.
Acrescenta
Schrager (opus cit.),...”quando o desenvolvimento
postural/posicional e motor se altera, ( ou seja, todo o desenvolvimento )e
conseqüentemente, quando a dominância
hemisférica e habilidades simbólicas encontram-se comprometidas, a integração
sistêmica perceptivo-vestibular antigravitacional estará inadequada.”
Os movimentos espaciais possuem três
dimensões, principalmente as rotações do corpo em sua totalidade. Solicitam
os receptores vestibulares localizados na orelha interna. Os receptores
vestibulares que orientam o movimento da cabeça, além do corpo no espaço,
intervêm na percepção do campo de gravidade. Todos - evoluções inabituais e
mais precisamente as diferentes rotações - vêm organizar e regular essas
informações.
Essas duas principais percepções,
associadas às percepções cinestésicas e ao domínio emocional - sistema límbico
-, são as determinantes do domínio de todas as evoluções aéreas
e acrobáticas.
Alguns pesquisadores afirmam que as
rotações e suas sensações específicas são componentes de experiências
intra-uterinas do bebê.
Diversos profissionais que atuam com
crianças pequenas têm procurado manter e ampliar as primeiras percepções por
meio de jogos de rolamentos (cambalhotas) para frente e para trás. Raros são
os educadores especializados em atividades precoces com crianças pequenas que
ativam essas potencialidades, privilegiando as outras formas de motricidade
ditas “naturais”. Mesmo tardiamente para crianças de três-quatro anos,
elas devem ser freqüentemente estimuladas nessas sensações rotatórias, seja
espontaneamente nas praças públicas, seja de maneira construída nas aulas de
ginástica.
Os receptores visuais,
nos
quais atuam a visão e a acomodação visual, atuam integrados aos
receptores vestibulares.
A visão é capital em todas as formas
de movimentos e acrobacias. Ela tem papel importante no quadro
perceptivo-polisensorial que coloca em jogo no decorrer da evolução de uma atividade com rotação.
O fechamento instintivo dos olhos,
pelo reflexo protetor, acompanha geralmente as primeiras rotações à frente e
atrás, no iniciante. Rapidamente os olhos voltam a ficar abertos, pela
diversidade das situações e pela escolha dos gestos a serem realizados,
permitindo multiplicar as ocasiões de casar harmoniosamente a visão com as
demais percepções.
A acomodação visual será integrada
a partir de uma visão natural, em nível do solo, pelo espaço euclidiano em três
dimensões nos novos conjuntos dinâmicos em diferentes alturas.
Os movimentos insólitos do corpo
invertido vêm enriquecer esses conjuntos perceptivos, incorporando novos dados
exteriores fornecidos pela visão e aumentando a eficiência da recuperação do
corpo no espaço (em associação com outras percepções).
As
habilidades simbólicas como a leitura, a escrita e a linguagem leitura/escrita,
são processos que dependem do desenvolvimento da fala e da linguagem devido à
liberação dos circuitos superiores de informações corporais.
A
atenção das perturbações do sistema próprioceptivo-vestibular deve ser o
primeiro momento de cuidado preventivo precoce das discapacidades na
aprendizagem humana.
Daí
a necessidade de ser o trabalho educativo/reeducativo das funcionalidades do
complexo sistema perceptivo-vestibular, como parte integrante do processo de
diagnóstico na área das patologias do desenvolvimento. O Programa de Estimulação
dentre os primeiros aspectos, a ser observado em qualquer abordagem preventiva
ou terapêutica, num Programa de Estimulação Essencial.
EXEMPLO
DE UMA AULA COM O TEMA: EQUILÍBRIO
-
Encontrar solução de problemas que exijam o domínio das atitudes e destrezas,
aplicando os mecanismos de adequação aos estímulos perceptivos.
-
Objetivos
didáticos:
(i) conseguir que a criança aprofunde o conhecimento das características
estruturais e funcionais do próprio corpo. (ii) utilizar as capacidades físicas
básicas da Atividade Física e buscar o controle de movimentos adaptados às
circunstâncias e às condições de cada situação problema. (iii) promover a
adoção de hábitos posturais e a prática das atividades físicas saudáveis;
(iv) desenvolver as estruturas psicomotoras, as agilidades e destrezas corporais
de forma sensível e utilizá-las em diferentes situações.
ATIVIDADES:
1.
Realizar, o mais amplamente possível as ações elementares, também
consideradas praxias: rolar,
rastejar, engatinhar, andar/correr, trepar, pendurar-se, lançar, saltar,
saltitar, puxar, empurrar, girar e outros movimentos naturais e espontâneos da
criança.
2.
Participar, com “os outros” (crianças e adultos), das atividades corporais
de expressão, aplicadas de forma simples e coerentes, com ou sem apoio musical;
por meio de jogos, induzidos pelo respeito às regras.
3.
Caminhar lentamente sobre uma trave baixa; (exercícios de diminuição da base
de
sustentação).
4.
Caminhar lentamente, para frente e para trás, sobre a trave do banco
sueco invertido.
(Exercícios com base móvel).
5. Realizar o exercício anterior de olhos cerrados. (Exercícios. Táteis e perceptivos).
6.
Caminhar de gatinhas sobre uma trave alta. (Trocas freqüentes do centro de
gravidade).
7.
Caminhar de pé segurando a mão do colega numa trave alta.
8.
Repetir o exercício anterior de olhos cerrados.
9.
Correr e saltar sobre um plinto, caindo de pé no solo.
10.
Saltitar de forma variada no Trampolim Acrobático (Cama Elástica).
TIPOS DE ATIVIDADE PARA EDUCAR O EQUILÍBRIO
(coordenação
grossas ou coordenação da dinâmica geral)
(conteúdo formal do movimento). Diferem do item 6, que requer o número de tarefas e atenção).
BIBLIOGRAFIA:
ANDRÉ-THOMAS
P. (1955). L’equilibre
et la fonction labyrinthique chez le nouveu-né et le nourrison.
L’
Encephale, 44, 2:97-137.
MERRIT,
Lewis P. Rowland (org). Tratado
de Neurologia.
Rio de Janeiro. Editora Guanabara, 1986
Revista
de Estudios y Experiencias Psicomotricidad. Madrid. CITAP.
1998-1999.
Revue
Science & Vie. Paris. Excelsior Publ. 1999.
SCHRAGER,
Orlando L. (1991) Aspectos neuropsicológicos
del desarrollo de los procesos posturales y su incidencia sobre el aprendizaje
humano in Psicomotricidad,
Revista de Estudios y Experiencias, n.º 38-39. Vo. 2-3.