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- Revista Eletrônica
INFORMATIVO GRD - ANO III - Edição 05 - |
A
GINÁSTICA RÍTMICA, UM POUCO DE
SUA HISTÓRIA
Profa. Dra. Daisy Barros
Especialização na área de Psicomotricidade
na Ginástica Rítmica Desportiva
Introdução
A origem das atividades físicas entre
as mulheres remonta aos povos gregos desde os tempos de Homero. As legendárias
guerreiras amazonas, montadas em seus fogosos corcéis, arremessando flechas de
seus maleáveis arcos, podem ser as originárias do desporto feminino.
Desde o tempo dos Jogos de
Delos as mulheres participavam de concursos atlético e musical. Organizavam os
Jogos de Hera, em homenagem à deusa grega do casamento, quando somente as
mulheres, de todas as idades, divididas por categorias, participavam de corridas
a pé e danças, utilizando as mãos ao expressar a linguagem (quironomia). Os
dedos eram utilizados nas cinco
posições fundamentais. Desses
gestos expressivos pode ter surgido a dança, a gênese da Ginástica Rítmica.
Per Henrik Ling na Suécia,
desenvolveu um sistema de exercícios livres em que estimulava a ginástica estética
expressas pela satisfação e emoção por meio de movimentos corporais sem
aparelhos que se difundiu por toda a Europa Central, enquanto na Alemanha,
Friedrich Jahn, na busca da unidade nacional, tentava conscientizar a população
alemã com o seu Turnen.
Desta síntese, surgiram na
Alemanha, nos idos de 1920, as escolas de Rudolf Bode e Heinrich Medau com as
designações de Ginástica Rítmica e Ginástica Moderna
Rudolf Bode cria um sistema de
ginástica – Ginástica Rítmica – cujo estudo baseava-se em exercícios com
arco, corda, bola e à mão livre. Influenciado por Ling e Friedrich Jahn, Medau
funda em Berlim uma escola de Ginástica, denominada Escola de Ginástica
Moderna (Medau Schule) com o objetivo de formar professores de Ginástica, que
transferiu para um castelo em Coburg, durante a II Guerra Mundial.
Em seus exercícios introduziu a bola, as maças, arco,
tamborim e variadas formas de movimentos corporais à mão livre, tais
como, impulsos, balanceamentos, circunduções e movimentos em oito. Medau e
Bode foram os pioneiros do trabalho com arco e bola na GR. Ernest Idla,
professor e médico na Suécia foi discípulo deles. Sua
seguidora foi a estoniana Elsa Jalkanin na Finlândia. Ao observar os
jogadores de basquetebol manipulando a bola, com um trabalho total do corpo,
Idla procurou enfocar este trabalho na ginástica, tornando-se uma atividade
revolucionária, por meio de movimentos naturais e ondulante do corpo, além das
formas de locomoção de andar, correr e saltar.
Considerava a bola o aparelho mais importante na locomoção evitando a
realização de poses e movimentos artificiais e sobretudo a utilização do
arco, por não apresentar benefícios aos movimentos corporais e sim, como forma
de truques e malabarismo. (tricks).
Também não se pode deixar de
mencionar Georges Demeny,
introdutor da ginástica sueca na França, além de criador da Calisthenia ou
Somascética Natural; P.H. Clias, estudou
e fixou os movimentos da ginástica harmoniosa para as jovens, preconizava
“exercícios com instrumentos”(aparelhos), tais como o bastão, o arco, a
corda para saltos e o trapézio.
A
GINÁSTICA RÍTMICA
Nasceu
da síntese dos estudos rítmicos de múltiplos métodos, tais como a Eurítmica
do suiço Emile Jacques- Dalclroze, dos trabalhos de Demeny, do sistema de François
Delsartes, que estabeleceu certa relação entre as emoções do corpo humano,
seus gestos e mímica, das atitudes revolucionárias
de Isadora Duncan, que preconizava serem os gestos expressões diretas do
estado da alma; da dança coreográfica da alemã Marie Wigman, do coreógrafo
austríaco Rudolph von Laban que preconizava o espaço em detrimento da música;
de Irene Popard, célebre pedagoga francesa, criadora de um método rítmico
harmônico com efeitos estéticos que estimulavam movimentos de forma graciosa,
arredondada, com máximo de amplitude e de perfeição,
onde a música era o pretexto e inspiração da dança.
Na
década de 30, L. Alexéeva tornou muito popular, na União Soviética
seu sistema de Ginástica harmônica, com composições
originais e improvisações integradas às danças de caráter
desportivo. Com o nome de Khudozhestvennaya Gimnasticka, foi aceita como
uma modalidade desportiva que enfatizava muito as técnicas corporais incluindo
as flexibilidades para trás e o balllet clássico.
Assim
a Ginástica Rítmica como atividade desportiva nasceu, na Europa Central, na
metade do século passado, com raízes na Ginástica Moderna.
Para
Abàdné apud Barros (1992:68) “os principais precursores desta modalidade foram o pedagogo
Pestalozzi, os expressionistas Delsart, Shebbins e Mensendyck, o francês
Jacques Dalcroze, os alemães Rudolf Bode com sua obra “Gymnastik Rhytmish”,
e Heinrich Medau com “Gymnastik Modern”, bem como as famosas dançarinas
Isadora Duncan, Margareth Wiegman e o famoso coreógrafo autríaco e professor
de dança, Rudolf von Laban.”
Reconhecida pela F.I.G. - Federação
Internacional de Ginástica em 1962 como desporto, tomou diversos nomes em vários
períodos: (1962-1971) - GINÁSTICA
MODERNA; (1973) - GINÁSTICA RÍTMICA
MODERNA; (1975 – 1977) – GINÁSTICA RÍTMICA DESPORTIVA; (1979) – GINÁSTICA RÍTMICA MODERNA,
novamente de ( 1981 – 1994) -
GINÁSTICA RÍTMICA DESPORTIVA e,
finalmente a partir de 1998 – GINÁSTICA RÍTMICA.
No
ano de 1962 foi realizado o I. Campeonato Mundial de Ginástica Moderna, em
Budapest, marcando o início da série de Campeonatos do Mundo e de outros
eventos internacionais. Em 1967, o Brasil foi representado pela primeira vez no
Campeonato do Mundo de Ginástica Moderna pela ginasta Daisy Barros,
posteriormente técnica da seleção brasileira de conjunto que alcançou o 7.o
lugar no Campeonato Mundial de Ginástica Rítmica Moderna em Madrid, em 1975.
Em 1984, com o nome de Ginástica Rítmica Desportiva, foi incorporada aos Jogos
Olímpicos de Los Angeles, sendo considerada desporto olímpico.
A Ginástica Rítmica atual é uma
atividade física de expressão gímnica e artística, baseada em um conjunto de
rede de inter-relações entre o corpo, os aparelhos manuais e a música. Ela é
realizada em um espaço de dimensão predeterminada a fim de ser “vista,
apreciada e julgada”.
Como expressão gímnica é uma
atividade ginástico-artística determinada e controlada pelos regulamentos.
Esta limitação estimula a reação do desenvolvimento de uma dimensão
expressiva, onde a criatividade é controlada pelas exigências de ações de
movimentos dos referidos regulamentos.
Como rede de inter-relações, com
base na teoria da informação, a ginasta pode ser considerada “emissora de ação”
pela utilização do aparelho manual e da música; recebe as informações como
“receptor” proveniente da manipulação variada do aparelho integrada de
forma adequada ao compasso da música. Pelas informações recebidas, a ginasta
é o centro de uma rede ininterrupta de trocas de informações que afetam
constantemente o seu comportamento.
Como forma de ser “vista e
apreciada” a G.R. é admirada pela harmonia e suavidade dos movimentos, elegância,
expressividade e beleza das variações integradas dos movimentos com o ritmo e
a música. E, para ser “julgada” obedece a critérios objetivos das
penalidades, das dificuldades, das bonificações e outras exigências das
regras do Código de Pontuação. Por outro lado, possibilita uma margem de
apreciação subjetiva relacionada ao quadro de árbitros, referente à impressão
geral, expressão, elegância e demais critérios.
Assim sendo, a G.R. - Ginástica Rítmica
Desportiva é um sistema de atividades física e artística adaptada às condições
psíquicas, físicas e morfológicas da mulher. Apresenta um conjunto sucessivo
e variado de movimentos executados em sua globalidade com expressividade, ritmo
e variações dinâmicas, com ou sem aparelhos manuais.
Continua na próxima edição.
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INFORMATIVO GRD - ANO II - Edição 03 - Janeiro a Junho de 2001.. |
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