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http://www.geocities.com/grdclube - Revista Eletrônica INFORMATIVO GRD - ANO III - Edição 05 - 
Janeiro a Junho de 2002.
 
Rio de Janeiro, 17 de fevereiro de 2002.


A GINÁSTICA RÍTMICA,  UM POUCO DE SUA HISTÓRIA

 

                                                Profa. Dra. Daisy Barros 
Especialização na área de Psicomotricidade
 na Ginástica Rítmica Desportiva

Introdução

            A origem das atividades físicas entre as mulheres remonta aos povos gregos desde os tempos de Homero. As legendárias guerreiras amazonas, montadas em seus fogosos corcéis, arremessando flechas de seus maleáveis arcos, podem ser as originárias do desporto feminino.

            Desde o tempo dos Jogos de Delos as mulheres participavam de concursos atlético e musical. Organizavam os Jogos de Hera, em homenagem à deusa grega do casamento, quando somente as mulheres, de todas as idades, divididas por categorias, participavam de corridas a pé e danças, utilizando as mãos ao expressar a linguagem (quironomia). Os dedos eram utilizados nas  cinco posições  fundamentais. Desses gestos expressivos pode ter surgido a dança, a gênese da Ginástica Rítmica.

            Per Henrik Ling na Suécia, desenvolveu um sistema de exercícios livres em que estimulava a ginástica estética expressas pela satisfação e emoção por meio de movimentos corporais sem aparelhos que se difundiu por toda a Europa Central, enquanto na Alemanha, Friedrich Jahn, na busca da unidade nacional, tentava conscientizar a população alemã com o seu Turnen.

        Desta síntese, surgiram na Alemanha, nos idos de 1920, as escolas de Rudolf Bode e Heinrich Medau com as designações de Ginástica Rítmica e Ginástica Moderna

            Rudolf Bode cria um sistema de ginástica – Ginástica Rítmica – cujo estudo baseava-se em exercícios com arco, corda, bola e à mão livre. Influenciado por Ling e Friedrich Jahn, Medau funda em Berlim uma escola de Ginástica, denominada Escola de Ginástica Moderna (Medau Schule) com o objetivo de formar professores de Ginástica, que transferiu para um castelo em Coburg, durante a II Guerra Mundial.  Em seus exercícios introduziu a bola, as maças, arco,  tamborim e variadas formas de movimentos corporais à mão livre, tais como, impulsos, balanceamentos, circunduções e movimentos em oito. Medau e Bode foram os pioneiros do trabalho com arco e bola na GR. Ernest Idla, professor e médico na Suécia foi discípulo deles. Sua  seguidora foi a estoniana Elsa Jalkanin na Finlândia. Ao observar os jogadores de basquetebol manipulando a bola, com um trabalho total do corpo, Idla procurou enfocar este trabalho na ginástica, tornando-se uma atividade revolucionária, por meio de movimentos naturais e ondulante do corpo, além das formas de locomoção de andar, correr e saltar.  Considerava a bola o aparelho mais importante na locomoção evitando a realização de poses e movimentos artificiais e sobretudo a utilização do arco, por não apresentar benefícios aos movimentos corporais e sim, como forma de truques e malabarismo. (tricks).

          Também não se pode deixar de mencionar Georges  Demeny, introdutor da ginástica sueca na França, além de criador da Calisthenia ou Somascética Natural; P.H. Clias,  estudou e fixou os movimentos da ginástica harmoniosa para as jovens, preconizava “exercícios com instrumentos”(aparelhos), tais como o bastão, o arco, a corda para saltos e o trapézio.

Nasceu da síntese dos estudos rítmicos de múltiplos métodos, tais como a Eurítmica do suiço Emile Jacques- Dalclroze, dos trabalhos de Demeny, do sistema de François Delsartes, que estabeleceu certa relação entre as emoções do corpo humano, seus gestos e mímica, das atitudes revolucionárias  de Isadora Duncan, que preconizava serem os gestos expressões diretas do estado da alma; da dança coreográfica da alemã Marie Wigman, do coreógrafo austríaco Rudolph von Laban que preconizava o espaço em detrimento da música; de Irene Popard, célebre pedagoga francesa, criadora de um método rítmico harmônico com efeitos estéticos que estimulavam movimentos de forma graciosa, arredondada, com máximo de amplitude e de perfeição,  onde a música era o pretexto e inspiração da dança. 

Na  década de 30, L. Alexéeva tornou muito popular, na União Soviética seu sistema de Ginástica harmônica, com composições  originais e improvisações integradas às danças de caráter  desportivo. Com o nome de Khudozhestvennaya Gimnasticka, foi aceita como uma modalidade desportiva que enfatizava muito as técnicas corporais incluindo as flexibilidades para trás e o balllet clássico.

Assim a Ginástica Rítmica como atividade desportiva nasceu, na Europa Central, na metade do século passado, com raízes na Ginástica Moderna.

Para Abàdné apud Barros (1992:68) “os principais precursores desta modalidade foram o pedagogo Pestalozzi, os expressionistas Delsart, Shebbins e Mensendyck, o francês Jacques Dalcroze, os alemães Rudolf Bode com sua obra “Gymnastik Rhytmish”, e Heinrich Medau com “Gymnastik Modern”, bem como as famosas dançarinas Isadora Duncan, Margareth Wiegman e o famoso coreógrafo autríaco e professor de dança, Rudolf von Laban.”


           Afirma ainda Abàdnè (op.cit.) que as competições realizadas desde 1948, com o nome de             “Rítmicas Artísticas”, eram praticadas como desporto internacional entre países ligados por laços político-ideológicos à União Soviética, tais como, Tchecoslováquia, Bulgária, Romênia, Alemanha Oriental, Hungria e Polônia. As ginastas vencedoras eram premiadas, nessa “Semana Artística”, com obras de arte de artistas plásticos locais, como pinturas, cerâmicas e estatuetas de madeira, porcelana e outras formas de manifestação cultural.

            Reconhecida pela F.I.G. - Federação Internacional de Ginástica em 1962 como desporto, tomou diversos nomes em vários períodos: (1962-1971) -  GINÁSTICA MODERNA; (1973) - GINÁSTICA  RÍTMICA MODERNA; (1975 – 1977) – GINÁSTICA  RÍTMICA DESPORTIVA; (1979) – GINÁSTICA RÍTMICA MODERNA,  novamente de ( 1981 – 1994)  - GINÁSTICA  RÍTMICA DESPORTIVA e, finalmente a partir de 1998 – GINÁSTICA RÍTMICA.

No ano de 1962 foi realizado o I. Campeonato Mundial de Ginástica Moderna, em Budapest, marcando o início da série de Campeonatos do Mundo e de outros eventos internacionais. Em 1967, o Brasil foi representado pela primeira vez no Campeonato do Mundo de Ginástica Moderna pela ginasta Daisy Barros, posteriormente técnica da seleção brasileira de conjunto que alcançou o 7.o lugar no Campeonato Mundial de Ginástica Rítmica Moderna em Madrid, em 1975. Em 1984, com o nome de Ginástica Rítmica Desportiva, foi incorporada aos Jogos Olímpicos de Los Angeles, sendo considerada desporto olímpico.

            A Ginástica Rítmica atual é uma atividade física de expressão gímnica e artística, baseada em um conjunto de rede de inter-relações entre o corpo, os aparelhos manuais e a música. Ela é realizada em um espaço de dimensão predeterminada a fim de ser “vista, apreciada e julgada”.

            Como expressão gímnica é uma atividade ginástico-artística determinada e controlada pelos regulamentos. Esta limitação estimula a reação do desenvolvimento de uma dimensão expressiva, onde a criatividade é controlada pelas exigências de ações de movimentos dos referidos regulamentos.

            Como rede de inter-relações, com base na teoria da informação, a ginasta pode ser considerada “emissora de ação” pela utilização do aparelho manual e da música; recebe as informações como “receptor” proveniente da manipulação variada do aparelho integrada de forma adequada ao compasso da música. Pelas informações recebidas, a ginasta é o centro de uma rede ininterrupta de trocas de informações que afetam constantemente o seu comportamento.

            Como forma de ser “vista e apreciada” a G.R. é admirada pela harmonia e suavidade dos movimentos, elegância, expressividade e beleza das variações integradas dos movimentos com o ritmo e a música. E, para ser “julgada” obedece a critérios objetivos das penalidades, das dificuldades, das bonificações e outras exigências das regras do Código de Pontuação. Por outro lado, possibilita uma margem de apreciação subjetiva relacionada ao quadro de árbitros, referente à impressão geral, expressão, elegância e demais critérios.

            Assim sendo, a G.R. - Ginástica Rítmica Desportiva é um sistema de atividades física e artística adaptada às condições psíquicas, físicas e morfológicas da mulher. Apresenta um conjunto sucessivo e variado de movimentos executados em sua globalidade com expressividade, ritmo e variações dinâmicas, com ou sem aparelhos manuais.

           Visa através dos exercícios individuais e de conjunto, o aprimoramento estético e a performance artística do movimento, sob um sentido dinâmico, refletindo a unidade perfeita entre os movimentos e a música.             Visa através dos exercícios individuais e de conjunto, o aprimoramento estético e a performance artística do movimento, sob um sentido dinâmico, refletindo a unidade perfeita entre os movimentos e a música.

Continua na próxima edição.


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