Respiração

 

                                                                 Prof. Dr.Darcymires I. do Rêgo Barros

Especialização em Neurofisiologia da Motricidade

e Psicomotricidade

 

Como primeira manifestação de vida do ser humano após o nascimento, juntamente com o movimento, respirar é uma necessidade fundamental. A respiração é um ato vital. É a essência da vida. O ser humano é capaz de permanecer muitas horas ou dias sem água ou qualquer alimento, mas não poderá sobreviver mais do que alguns segundos sem respirar. A respiração apresenta efeitos benéficos ao ser humano e constitui o processo central da realização de variadas formas de movimentos do organismo humano. Respirar é nutrir corpo e mente, sendo considerado pelos orientais como a fonte da vida humana.

A respiração domina o processo vital, pois o bom ou mau uso da respiração aumenta ou diminui o funcionamento metabólico e o equilíbrio das células e dos tecidos. Quando realizada de forma lenta e tranqüila é uma das variáveis que atuam na longevidade das pessoas. No oriente, a longevidade é medida pelos números de movimentos respiratórios.

Por ser um processo vital a respiração atua no equilíbrio metabólico das células e tecidos. É o processo de contração e descontração muscular que garante uma boa ventilação pulmonar pela promoção de trocas gasosas, ativando grande quantidade de energia no organismo.

 

Esclarece Ratto (1973) ser a respiração a função vital e fundamental do pulmão, pela promoção das trocas gasosas capazes de adequar a ventilação pulmonar e o fluxo capilar. Os movimentos respiratórios são inconscientes e dependem do centro nervoso situado no bulbo raquidiano, fixado abaixo da base do quarto ventrículo, denominado  “nó de Flourens”. Sua lesão produz  parada instantânea da respiração e conseqüentemente a morte.

 

A respiração sofre profundas modificações alterando seu ritmo devido ao “stress”e aos problemas emocionais. Os centros respiratórios da medula oblonga são influenciados pelos centros superiores do hipotálamo, que por sua vez, são governados por estimulações corticotalâmicas.  A atividade cortical consciente, as reações talâmicas  subsconscientes, os centros vitais na região hipotalâmica, o sistema neurovegatativo, as regulações hormonais, a função cárdiovascular e a respiração estão todos estreitamente inter-relacionados (Brandi, 1990).

A linguagem e o movimento são regidos pelas modalidades respiratórias: inspiração e expiração, abastecimento e ritmo.

A modalidade respiratória de inspiração é ativa por recrutar a contração sinergética de vários músculos subordinados à influência predominante dos centros respiratórios bulbares, pares e simétricos, integrados ao diafragma e ao tórax pelos cordões laterais da medula, origem do nervo frênico.

Há dois tipos básicos de respiração: (i) a respiração natural que apresenta variações de volume da caixa torácica, originadas pelos movimentos dos pulmões de inspiração e expiração. No ato inspiratório os pulmões enchem-se de ar que aumenta o volume da caixa torácica. No ato expiratório, o volume da caixa torácica diminui e pressiona os pulmões. Devido a sua elasticidade, recupera a forma primitiva e expulsa parte do ar contido. Essas estimulações periódicas procedentes do centro respiratório, transmitem ao diafragma movimentos de oscilações, através do nervo frênico, dos músculos torácicos inspiradores e das raízes anteriores dos nervos raquidianos torácicos. A respiração denominada natural deve ser livre e ampla, sem esforço particular, e estar inter-relacionada com a postura e o estado psíquico do ser; é também considerada como respiração abdominal.

(ii) a respiração controlada é realizada com a tomada de consciência do ato respiratório na busca de um estado de relaxamento que favoreça a função respiratória. Permite a  variação voluntária, de acordo com os objetivos, com o tempo de inspiração e com o tempo de expiração, integrados ao tempo de retenção do ar, após os movimentos de inspiração e expiração. A retenção do ar no final da inspiração, favorece a melhor oxigenação do sangue, enquanto a retenção no final da expiração permite a melhor recuperação da elasticidade do tecido alveolar. 

 

         Embora a respiração seja um processo global e harmônico do organismo, as formas de respiração podem ser denominadas predominantemente  abdominal e predominantemente  torácica.

 

         A respiração abdominal, realizada de forma profunda, pode trazer benefícios ao funcionamento orgânico,  porque acelera a circulação sangüínea e as ações do sistema digestivo. Permite a eliminação das toxinas, estimula o cérebro e a medula óssea, acelera o nível de produção sangüínea no fígado e alimenta o organismo.

 

         Um sangue com boa dose de oxigênio (sangue novo) recebe  grande produção de energia conduzida pelo  oxigênio a trilhões de células do corpo. Esse processo  possibilita a diminuição de dejetos do organismo.

         Praticamente, graças à respiração profunda, há melhoria geral  da saúde em conseqüência da perfeita  inter-relação entre o diafragma e os músculos da região inter-costal.

O músculo inspiratório por excelência é o Diafragma. É uma espécie de abóbada que separa as vísceras abdominais das vísceras torácicas. Prende-se atrás às vértebras lombares; à frente, ao osso esterno; e lateralmente, às últimas costelas. Quando se contrai, abaixa seu centro frênico, elevando as seis últimas costelas. Dessa forma, aumenta o diâmetro vertical do tórax (empurrando as vísceras abdominais para baixo e para fora) e o diâmetro transverso da região costal inferior.

         O movimento expiratório, na respiração vital, deve ocorrer simplesmente em função do relaxamento dos músculos inspiratórios. Isto possibilita a ação das forças passivas de elasticidade dos tecidos e da pressão atmosférica, a fim de promover a expulsão de boa parte do ar inspirado. Pela ação da gravidade, a caixa torácica é empurrada para baixo e para dentro, enquanto, por elasticidade, o diafragma sobe, retornando à forma convexa e à posição de repouso.

         Os músculos expiratórios comprimem as vísceras abdominais que, por sua vez, pressiona o diafragma, empurrando-o para cima: (i) grande reto e transverso do abdômen; (ii) os oblíquos  interno e externo do abdômen e; (iii)  o serrato posterior inferior.

Considera-se como modalidade respiratória mais adequada ao ser humano, a respiração abdominal ou diafragmática. Sua ação baseia-se no trabalho consciente e inconsciente da musculatura abdominal, ao descontrair-se no ato inspiratório e contrair-se na ação da expiração. Possibilita maior amplitude de entrada de oxigênio no campo pulmonar harmonizando-se com a respiração lenta e suave. Para os indianos o segredo da longevidade está numa respiração suave e tranqüila.

Para Nakamura (1981) “o segredo da vida longa é denominada respiração fetal pelos orientais. É um método de respirar análogo ao do feto no ventre materno. Esclarece ele, que se deve iniciá-la inspirando vagarosamente, em seguida reter o ar (energia da força vital) contando mentalmente até 120 prosseguindo ao exalar o ar lentamente pela boca. “

Prossegue Nakamura (opus cit.) que “ao praticar esse método de respiração, a pessoa deve atingir um estado de silêncio, prestando a máxima atenção para não fazer qualquer ruído ao inalar a força vital para dentro de seu corpo.”

 

Deve-se realizar a respiração fetal, no período de zero hora ao meio dia,  progressivamente, contando mentalmente o tempo de apnéia voluntária, até alcançar o a contagem  de 1.000,  a fim de que as pessoas idosas possam recuperar ” o vigor  de um pessoa na flor da idade”.

 

CONCLUSÃO

 

As  primeiras  manifestações  de vida no ser vivo são respiração e  movimento. A expiração é um ato consciente e inconsciente do ser humano que necessita do oxigênio e da eliminação de dióxido de carbono para sua sobrevivência.

         As modalidades respiratórias são compostas de:(i) expiração; (ii) inspiração; (iii) abastecimento e; (iv) ritmo.

         São várias as técnicas respiratórias preconizadas por uma parcela de  profissionais da área de saúde, todas elas, evidentemente, baseadas nas técnicas indianas do Yoga, e posteriormente adaptadas ao ritmo e ao ambiente da civilização ocidental.


EXEMPLO DE UMA TÉCNICA RESPIRATÓRIA DA ESCOLA  TRADICIONAL DA MEDICINA CHINESA:

 

                  A RESPIRAÇÃO  DA 

 

Objetivo: eliminação de gordura no organismo. Emagrecer.

 

- Na posição de (i) assentada; (ii) deitada ou; (iii) de pé, vivenciando somente a respiração. Respirar de forma ondulante, colocando uma das mãos sobre o umbigo e a outra na região lombar, na direção do umbigo.

 

         - INSPIRAR PELO  NARIZ - Encolher o abdômen

         - EXPIRAR  PELA BOCA    - Dilatar o abdômen.

 

Quando a pessoa tiver fome: realizar a respiração da Rã,  três vezes ao dia, por 10 a 20 vezes.

Para emagrecer, deve-se realizar a modalidade respiratória, meia hora antes das refeições em número de 40 vezes. Iniciar com 10 vezes e aumentar gradativamente até o número de 40 vezes.

 

Obs.: Caso a pessoa sinta tonteiras, demonstra falta de controle do processo respiratório. Não se deve, porém, impressionar. Apenas deve procurar dominar melhor a respiração, realizando-a lentamente a fim de obter o predomínio da técnica.

 

BIBLIOGRAFIA

BRANDI,  Edmée(1990). Voz Falada Vol. 1  -  Rio de Janeiro. Livraria Atheneu Editora.

  

ESBERARD, Charles A. (1980). Neurofisiologia. Rio de Janeiro. Editora Campus.

 

NAKAMURA, Takashi. ( 1981). Respiração Oriental – Técnica e Terapia. São Paulo. Editora Pensamento.

 

RATTO, O. R.(1973). Afecção do Aparelho Respiratório in Temas  de Clínica Geriátrica. Curitiba. Ed. Byk-Procienx, Fundo Editorial.

                 

SOUCHARD, Ph. Emmanuel. (1989). Respiração. São Paulo. Editora Summus.

 

SHILLINGS, Astrid.(1989)  QI-CONG. La Grulla Voladora.  Barcelona. Editorial Martinez  Rocca.

 

 


RESPIRAÇÃO

 

 

A linguagem e o movimento são regidos pelas modalidades respiratórias: inspiração e expiração, abastecimento e ritmo.

 

A modalidade respiratória de inspiração é ativa por recrutar a contração sinergética de vários músculos subordinados à influência predominante dos centros respiratórios bulbares, pares e simétricos, integrados ao diafragma e ao tórax pelos cordões laterais da medula, origem do nervo frênico.

 

Há dois tipos básicos de respiração:

(i)                      a respiração natural que apresenta variações de volume da caixa torácica, originadas pelos movimentos dos pulmões de inspiração e expiração. No ato inspiratório os pulmões enchem-se de ar  aumentando  o volume da caixa torácica. No ato expiratório, o volume da caixa torácica diminui e pressiona os pulmões. Devido a sua elasticidade, recupera a forma primitiva e expulsa parte do ar contido. Essas estimulações periódicas procedentes do centro respiratório, transmitem ao diafragma movimentos de oscilações, através do nervo frênico, dos músculos torácicos inspiradores e das raízes anteriores dos nervos raquidianos torácicos.

A respiração denominada natural deve ser livre e ampla, sem esforço particular, e está inter-relacionada com a postura e o estado psíquico do ser; é também considerada como respiração abdominal.

 

(ii)                    a respiração controlada é realizada com a tomada de consciência do ato respiratório na busca de um estado de relaxamento que favoreça a função respiratória. Permite a  variação voluntária, de acordo com os objetivos, com o tempo de inspiração e com o tempo de expiração, integrados ao tempo de retenção do ar, após os movimentos de inspiração e expiração.

A retenção do ar no final da inspiração, favorece a melhor oxigenação do sangue, enquanto a retenção no final da expiração permite a melhor recuperação da elasticidade do tecido alveolar. 

 

         Embora a respiração seja um processo global e harmônico do organismo, as formas de respiração podem ser denominadas  predominantemente  abdominal e predominantemente  torácica.

 

         A respiração abdominal, realizada de forma profunda, pode trazer benefícios ao funcionamento orgânico,  porque acelera a circulação sangüínea e as ações do sistema digestivo.

Permite a eliminação das toxinas, estimula o cérebro e a medula óssea, acelera o nível de produção sangüínea no fígado e alimenta o organismo.

 


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