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http://www.geocities.com/grdclube - Revista Eletrônica INFORMATIVO GRD - ANO III - Edição 05 - 
Janeiro a Junho de 2002. 
Rio de Janeiro, 14 de fevereiro de 2002.


O Cérebro e o Envelhecimento

 

Prof. Dr. Darcymires do Rêgo Barros
Especialização em Neurofisiologia da Motricidade

Antes de Cristo,  Platão afirmava estar a mente localizada no interior da cabeça, por ela apresentar a forma de uma esfera, segundo afirmativa, seria a forma geométrica mais perfeita. Aristóteles concebia estar a mente dentro do coração, pois sendo o sangue quente  bombeado pelo coração, o calor implicava vitalidade. 

            Desde a Idade Média admitia-se que a mente procedia do cérebro, embora não houvesse uma idéia bem definida de como ela convergia. Somente no século 17, houve a mudança de pensamento referente à mente, com René Descartes. Concebia ele que a mente vivia no cérebro, porém era uma coisa imaterial, inteiramente separada dos tecidos físicos que existiam dentro da cabeça. A consciência era a única evidência confiável de que nós verdadeiramente existimos, embora estabelecesse Descartes a afirmativa  de que a mente e o corpo eram inteiramente independentes.

            Damásio (1994) afirma ser a mente criada pelo corpo, especificamente pelo cérebro. A consciência pode ser nada mais que um evanescente subproduto do mais mundano e total processo físico, metaforicamente, como o relâmpago é o resultado da correlação da luz com a chuva.

            As informações enviadas pelos sentidos à mente compõem claramente uma parte, assim como as químicas do corpo, cujos fluxos são experimentados como sentimentos e emoções.  A emoção é fundamental no processo do pensamento racional. Ela é o elemento chave na aprendizagem e nas tomadas de decisões. A linguagem e a memória estão estreitamente envolvidas, tornando bem claro que o fenômeno mental da consciência é muito complexo tanto quanto o  pensamento.

            É bastante conhecido que as emoções alteram rapidamente o estado e o padrão da respiração. A atividade cortical consciente, as reações talâmicas subconscientes, os centros vitais na região hipotalâmica, o sistema neurovegetativo, as regulações hormonais, a função cardiovascular e a respiração estão todos inseparavelmente inter-relacionados, influenciando de maneira extremamente complicada o comportamento pessoal e postural do ser humano.

            Observa-se que a aprendizagem e a memória são funções que estão estreitamente inter-relacionadas. Por meio desses processos, o ser humano adquire, assimila e guarda todos os dados de modo a torná-los recuperáveis mais tarde.

O armazenamento ou assimilação dos dados processa-se por meio de um padrão de conexões entre os neurônios e as células nervosas que sustentam como blocos básicos o edifício do cérebro. Quando uma informação entra no cérebro, por meio de impulsos elétricos que correm a partir da retina localizada acima do nervo ótico e dentro do córtex cerebral, esses impulsos desaparecem em frações de segundo. Sua passagem reforça o agrupamento particular de conexões, capacita a recriação da imagem. O padrão mais freqüente é reforçado pela repetida visão da pessoa ou pelo esforço de lembrá-la quando a imagem fica na memória, qualquer que seja  seu tempo.

            As memórias são feitas de muitos e diferentes padrões de conexões de neurônios, alguns destinados especificamente aos sons, cheiros, texturas, outros para visão com dezenas de milhares de neurônios desferindo  impulsos elétricos simultaneamente.

As memórias de fatos concretos e acontecimentos podem ser rastreadas quando solicitadas pela coordenação do hipocampo, que é uma conexão de neurônios. Outras espécies de memória são dirigidas a partir de outras áreas.  Por exemplo: as amídalas que são do tamanho de uma amêndoa, são pequenos nós de células nervosas localizadas próximo ao tronco do cérebro, no sistema límbico. Sua especialização é o medo, embora outras partes do cérebro sejam críticas para regular a emoção. O gânglio basal, uma aglomeração de matéria cinzenta dentro dos dois hemisférios cerebrais, administra os hábitos e habilidades físicas.

O cerebelo localizado na base posterior do crânio governa a aprendizagem condicionada, o equilíbrio e alguns reflexos. Os danos ocasionados nestas regiões têm efeito na forma correspondente da memória.

As conexões neuronais devem ser estimuladas desde os primeiros dias e meses de vida, quando o cérebro ainda está em seu período de formação. Caso contrário, elas se atrofiam e morrem.

Para Damásio (op.cit),  milhares de zonas convergentes que são espalhadas através do córtex  processam a linguagem, como também podem coordenar todas as outras espécies de informação que o cérebro necessita - percepção, memória e emoção - para serem inteiramente funcionais.  Essas zonas convergentes, misturando pedaços diferentes de informações, como um todo, podem ser responsáveis pelo mais estranhos fenômenos do cérebro: a consciência, o sentimento de si, o aqui e agora.

            A consciência para Damásio (idem)  ..."é um conceito de si mesmo, uma coisa que você reconstrói a cada instante, com base na imagem de seu próprio corpo, sua autobiografia.” É um fenômeno biológico complexo que evolui no decorrer da vida do organismo.

- O cérebro humano ainda pode evoluir e aumentar suas capacidades?

            Pesquisadores norte-americanos afirmam que não. Peter Cochrone e seus colegas de pesquisas e aplicações tecnológicas avançadas do Laboratório BT  em Massachusetts vêm apresentar uma nova prova.

            Os pesquisadores esclarecem que o cérebro dos mamíferos não pode ultrapassar o estágio do mais evoluído dentre eles, o ser humano - sem colocar em perigo sua eficácia.

            Seu raciocínio é o seguinte: ...“nosso cérebro contém cerca de 10  neurônios interconectados por 10  sinapses. Se eles aumentassem, para dar lugar a novos neurônios, o influxo nervoso teria um caminho maior a percorrer. Eles alterariam então o corpo dos neurônios - axônios -  ampliando-se a fim de percorrer mais rapidamente os sinais. Mas se o tamanho dos axônios aumentasse, eles não dariam lugar para novos neurônios.” Conclusão, o cérebro seria maior, mas sua potência tornar-se-ia a mesma. Antropólogos e biólogos têm procurado julgar esta tese bem simples.

Os pesquisadores de Ipswich apresentam uma crítica bem maior ao considerarem o cérebro como um sistema homogêneo, sendo constituído de zonas especializadas. O aumento de tamanho de algumas zonas não implicaria necessariamente no aumento geral de neurônios. De outro lado, a melhoria das capacidades do cérebro poderia ser obtida pela evolução de sua estrutura sem trocar de tamanho ( Science & Vie, n.º 955, abril 1997:12 ).

Nenhum cérebro humano é idêntico ao outro. A grosso modo parecem iguais, mas ao serem analisados detalhadamente, apresentam várias diferenças. Essas variações anatômicas têm repercussão sobre as funções cerebrais. Ao observar-se um atlas do cérebro, a maior parte das regiões cerebrais são identificadas de maneira vaga: suas fronteiras são raramente indicadas, mesmo nas estruturas simples como o tálamo ou o núcleo caudal.

Alan Evans, coordenador do Centro da Imagem Cerebral do Instituto de Neurológico de Montreal, centro vital do Consórcio Internacional de Cartografia do Cérebro (ICBM), analisou cerca de 450 cérebros de homens, mulheres, jovens, adultos e idosos. Verificou que o tamanho do cérebro difere em cada indivíduo.

Como medir os detalhes das variações de estrutura entre os objetos de diferentes tamanhos? Jean Talairach, neurologista francês propõe, um sistema de coordenadas em três dimensões ao apresentar um quadro de referência comum a todas as imagens.  A partir dessas coordenadas, é possível deformar as imagens proporcionalmente, de maneira que todas tenham o mesmo tamanho. 

As lesões do córtex parietal criam profundos problemas de percepção do corpo e de suas relações com o mundo. As pessoas com lesões parietais à direita vêem o mundo tendo esquecido a metade da esquerda. Elas desenham a metade de uma casa ou da face de uma pessoa a sua frente. Esquecem  as habilidades do lado esquerdo e comem apenas na metade da direita do prato com alimentos. Outro problema ocasionado pelas lesões parietais é a perda do sentido de propriedade de seu próprio corpo. A pessoa acaba descobrindo que o braço esquerdo não é dele, e sim de sua mãe, por exemplo.

A cabeça serve de plataforma e referencial móbil, ao estabilizar-se em rotação no plano sagital. A partir da estabilização da cabeça é que são coordenados os movimentos dos membros. O controle descendente da cabeça para os pés inverte,  completamente, a maneira tradicional  da concepção do controle da postura dos pés para a cabeça. Este controle ocorre já no decorrer do primeiro ano de vida.

            Durante um movimento o cérebro utiliza múltiplo referencial: a gravidade, o  referencial externo, o corpo em sua totalidade ou determinadas partes de si.

O que se passa no cérebro de um pássaro ao cantar? Albert Yu & Daniel Margoliash da Universidade de Chicago estudaram 13 machos "mandarins" (Taeniopygia guttata), pequenos pássaros exóticos domésticos. Foram introduzidos eletrodos em várias partes do cérebro.

Tanto como a linguagem humana, o canto de um pássaro é constituído de frases, composta de sílabas formadas de letras (as notas) e sua produção necessita de intervenção em muitas regiões cerebrais. Os pesquisadores descobriram que essas regiões são hierarquizadas. Assim, a produção de uma nota é gerada por determinada parte do cérebro, o encadeamento dessas notas por uma outra região e assim sucessivamente. Esta descoberta sugere que pode existir uma organização similar entre as regiões de nosso cérebro na elaboração da linguagem. ( Science & Vie, nr. 955, abril 1997:14)

            As fascinantes descobertas têm revelado algumas informações fundamentais sobre os processos de envelhecimento e longevidade, sobretudo quanto à importância do cérebro em desempenhar funções fundamentais.

            O envelhecimento é todo o processo de desenvolvimento e crescimento que ocorre com as mudanças morfológicas, psicológicas, fisiológicas e bioquímicas  no ser humano, no decorrer do tempo, sob a influência do ambiente, das condições materiais e do contexto social.  É o produto de uma complexa interação de fatores biológicos e sócio-ambientais  que ocorrem no transcurso do tempo de vida, ocasionando alterações fisiológicas estruturais, tanto morfológicas como funcionais que se produzem em nível do sistema nervoso central, incidindo  nas atividades físicas   e  mentais  do ser humano.

            O cérebro desenvolve-se em ciclos por impulsos elétricos durante a maior parte da existência, não somente até os 20 anos, como ocorre com o resto do organismo. Ele perde ligações neuronais menos usadas e forma outras nos circuitos sinápticos mais utilizados de maneira mais complexa.  Este desenvolvimento depende em grau do tipo e da qualidade do exercício que for estimulado, seja ele físico ou intelectual.

Pouco afetado pelo transcurso do tempo, o cérebro, desde que tenha uma nutrição adequada de glicose, energia e oxigênio encontrados no  sangue e elaborados nos órgãos digestivos é purificado nos pulmões, no fígado e nos rins. Outros elementos corporais, como as estruturas nervosas e hormonais, têm um papel fundamental nos processos de pensamento e na vivência de sentimentos. Sangue, oxigênio e energia atuam de forma integrada na alimentação do cérebro.

           No decorrer dos exercícios, o excesso de ações poderá sobrecarregar o cérebro de toxinas que irão impedir seu funcionamento ideal.

O processo de envelhecimento atua sobremodo sobre a pele demonstrando  mudanças drásticas decorrentes do avançar da idade. Nos primeiros sinais de rugas  as pessoas  sentem-se desvalorizadas frente à sociedade. A vaidade ferida leva a efeitos psicológicos profundos, sobretudo na perda da auto-imagem e mudanças bruscas nas interações sociais.

Somente com o tempo, a vaidade dará lugar à aceitação e a uma resposta sensata à mudança. Até o cérebro está sujeito aos efeitos prolongados de tensão constante, que causa danos ao hipocampo e, conseqüentemente,  à memória.

O cérebro, no que concerne ao córtex, distingue as zonas primárias que tratam da informação sobre um modo único (visual, auditivo, motor ...) e as zonas associativas que tratam da informação de maneira integrada, de forma complexa, atuando nas funções ditas superiores, como, entre outras, a linguagem, o reconhecimento visual... As zonas primárias sofrem apenas perdas mínimas no envelhecimento, mas seu desgaste é tão importante quanto as zonas associativas. Entretanto, o circuito mais vulnerável é a conexão entre as duas estruturas essenciais da memória: o córtex entorhinal e o hipocampo. Daí elas serem denominadas vias perfurantes.

A longevidade corresponde à duração máxima de uma vida de uma espécie, independente das condições ecológicas.

A capacidade de realizar ações em relação a si e aos outros não depende da força muscular, e sim do cérebro, que é o organismo essencial para desenvolver esta capacidade, podendo gerar por si mesmo sua própria quota de sangue para gerar mais energia.

O cérebro desenvolve-se por impulsos elétricos em ciclos, durante a maior parte da existência e não somente até os 20 anos, como ocorre com o resto do organismo. Ele perde ligações neuronais menos usadas e forma outras nos circuitos sinápticos mais utilizados de forma mais complexa.  Seu desenvolvimento depende, em grau, do tipo e da qualidade do exercício que for estimulado, seja ele físico ou intelectual.

Pouco afetado pelo transcurso do tempo, o cérebro, desde que tenha uma nutrição adequada de glicose, energia e oxigênio encontrados no  sangue, elaborados nos órgãos digestivos,  purifica-se nos pulmões, no fígado e nos rins. Outros elementos corporais, como as estruturas nervosas e hormonais, têm um papel fundamental nos processos de pensamento e na vivência de sentimentos.

Sangue, oxigênio e energia atuam de forma integrada na alimentação do cérebro. No decorrer dos exercícios, o excesso de ações poderá sobrecarregar o cérebro de toxinas que irão impedir seu funcionamento ideal.

No Oriente, a longevidade é medida pelo número de movimentos respiratórios realizados. Quanto mais tranqüila e lenta a respiração, maior será a duração da vida do ser humano. Por outro lado, quanto mais curta e rápida for a respiração, menor será a cota de oxigênio e de energia  recebida e maior será a fadiga.

Como a respiração e a energia dominam o processo vital, o bom ou o mau uso da respiração aumenta ou diminui o funcionamento metabólico e o equilíbrio das células e dos tecidos.  Como a respiração e a energia dominam o processo vital, o bom ou o mau uso da respiração aumenta ou diminui o funcionamento metabólico e o equilíbrio das células e dos tecidos. 

Continua na próxima Edição.;


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