
Prof.
Dr. Darcymires do Rêgo Barros
Especialização
em Neurofisiologia
da
Motricidade e Psicomotricidade
A
Acroginástica ou Ginástica Acrobática é um desporto gímnico cuja prátiva
é originária da Ginástica Artística, onde somente os elementos acrobáticos
são considerados, em que as possibilidades de risco e o virtuosismo são
valorizados. São exercícios físicos caracterizados pelo domínio do corpo em
variadas posições inusitadas, com rotações do corpo em três eixos, no espaço,
no solo e nos aparelhos. É qualificada como todo elemento ginástico aéreo com
saltos, giros e reversões com possíveis riscos. Epstemologicamente surgiu nas
acrobacias e malabarismos dos “saltimbancos” de tempos remotos do Antigo
Egito e da Idade Média, além da tradição dos países bascos em que
predominam as pirâmides e os exercícios de força combinada.
A Ginástica Acrobática é praticada com elevado número de
participantes, desde os anos de 1960, na Europa Central e nos países que
pertenciam à extinta União Soviética. É uma prática competitiva mista com
programas evolutivos de acrobacias e pirâmides – individual e em grupo - em
que os participantes encontram-se em situações emocionais de risco subjetivo.
É organizada e regulamentada por uma Federação
Internacional, presentemente ligada à FIG. Por ser um programa de competição
e de formação, pode ser bem adaptada à prática da Ginástica Escolar. No
Brasil o precursor da Ginástica Acrobática foi o Prof. Charles Astor, francês
naturalizado brasileiro, professor de Acrobacias e Trampolim Elástico, desde a
da década de 40, da Escola de Cadetes da Aeronáutica, hoje, Academia da Força
Aérea do Rio de Janeiro.
Estimulado
pelo profssor Alfredo Colombo, diretor da divisão de educação Física do MEC,
nas décadas de 50 e 60, Charles Astor confeccionou artrezanalmente cerca de
vinte trampolins elástico que foram distribuídos em vários Estados do Brasil,
simultaneamente. Nessa ocasião foram ministrados cursos de informação e
atualização pela equipe do prof. Charles Astor naqueles Estados.
Atualmente a Acroginástica é uma das três modalidades da
Ginástica Geral, juntamente com a Aeróbica Desportiva e o Trampolim,
administradas pela FIG – Federação Internacional de Ginástica – órgão máximo
diretivo da Ginástica no Mundo, que se ocupa diretamente da Ginástica como
desporto de elite e desporto de massa.
ACROSPORT E EDUCAÇÃO FÍSICA
Acrosport ou Acrogym, criado pela
Federação Francesa de Trampolim e de Desportos Acrobáticos é freqüentemente
designado pelo termo de “força combinada” e parece beneficiar-se de um novo
deleite de interesse de parte das crianças e adolescentes. Aparentado com as
atividades do circo, é regida por uma Federação Internacional de Desportos
Acrobáticos que programa e organiza as competições internacionais. O
Acrosport é favorecido por certa preferência dos professores de Educação Física,
por ser uma disciplina que exerce ação educativa, devendo apenas ser adaptada
em algumas formas de aprendizagem.

A Acroginástica ou Acrosport caracteriza-se pelas figuras formadas a
dois, em contato constante ou passageiro, não importando a parte do corpo.
A disciplina tem como atitude fundamental dois papéis a serem
desempenhados:
O ginasta BASE encarregado de sustentar, impulsionar e receber o volante.
O ginasta VOLANTE que sobe escalando na base ou permanece na posição
fixa; coloca-se em apoio invertido ou não, e voa ou salta.
Os diferentes papéis não são forçosamente determinados no início ou
no fim da figura. Dessa forma, a figura de base pode vir a ser volante no
decorrer da mesma seqüência. Assim, o ginasta BASE pode ser ao mesmo tempo
volante atuando com papéis diferenciados.
Acrosport consiste na realização de um encadeamento de figuras
coletivas combinadas com exercícios individuais. É obrigatória a realização
de seis exercícios coletivos e três individuais.
As figuras coletivas são compostas por dois, três ou quatro ginastas
que realizam equilíbrios, lançamentos com ou sem pegadas do companheiro.
APLICAÇÃO EM EDUCAÇÃO FÍSICA
ESCOLAR
Pode
parecer curioso procurar desenvolver argumentos em prol da utilização do
Acrosport. Esta prática cada vez mais explorada atualmente pelos professores de
Educação Física encontra-se ao mesmo tempo, denegrida por aqueles que a
percebem como simples “ funambulismo”. Seu valor estaria apenas em motivar
os alunos totalmente entediados dos tradicionais ciclos da ginástica.
A
Acrogym ou Ginástica Acrobática é uma prática originária da Ginástica Artística,
onde somente são considerados os elementos ou exercícios acrobáticos e o
risco é fortemente valorizado.
Sua abordagem consiste em realizar
encadeamentos de figuras acrobáticas coletivas, estáticas ou dinâmicas,
combinadas por exercícios vigorosos de habilidade e destreza, de aprendizagem rápida
e fácil, tendo a música como suporte.
Nas sessões de Educação Física Escolar torna-se difícil
o trabalho simultâneo dos elementos gímnicos e as figuras coletivas, sobretudo
nas primeiras séries do ensino fundamental.
O aspecto coletivo representa a especificidade do Acrosport,
pela sua riqueza de movimentos e sua atração que exerce sobre a juventude.
Os elementos individuais são constituídos de elementos
acrobáticos, elementos de equilíbrio, elementos de flexibilidade e elementos
coreográficos. Esses elementos são por si hierarquizados por família e
segundo os graus de dificuldade.
Os apoios invertidos, a postura e a flexibilidade são três
elementos básicos na realização das figuras estática ou dinâmica.
A característica das figuras ou elementos ESTÁTICOS é o
contato permanente com o companheiro.
APLICAÇÃO EM EDUCAÇÃO FÍSICA
Do ponto de vista material:
É uma atividade pouco
dispendiosa em material. Alguns tapetes (colchões) de 6 cm. de espessura com um
número reduzido de colchões grossos para quedas. Sua prática favorece a
aquisição de habilidades psicomotoras possibilitando o acesso às atividades físicas
expressivas.
Do ponto de vista do ensino:
É uma atividade relativamente fácil
de ensinar; Bem próximo do “espetáculo”, ela pode colocar em ação efeitos cênicos
com diversos cenários.
É classificada no quadro geral das
atividades acrobáticas e suscetível de representar uma alternativa da ginástica
escolar.
Procura alcançar objetivos
concernentes à cooperação, à capacidade de trabalhar em grupo e a introdução
da noção de equipe, além de responsabilidade e respeito mútuo.
Do ponto de vista do aluno:
Tem como característica principal o lúdico.
Estimula a criatividade dos alunos na pesquisa de formação de
coreografias e de novas pirâmides.
Favorece uma pedagogia do sucesso a
maior número de participantes.
Do ponto de vista da atividade:
Em pleno progresso ela reencontra
um certo privilégio, sem dúvida pelo fato de ser novidade (ou pela sua renovação).
É um espetáculo que leva a um grande número de
participantes.
Os
sucessos são
relativamente rápidos, porque as capacidades físicas exigidas são menos
importantes que as “colocações” para a realização das pirâmides,
sobretudo pelo trabalho estático.
O fato de colocar em ações muito
pares possibilita uma multiplicação de pirâmides, onde o efeito de novidade
ou elemento surpresa tende a ocorrer em cada sessão.
ANÁLISE DIDÁTICA
Fundamentos
O ginasta base equilibra o volante na
posição estática, o impulsiona para faze-lo “voar” ou girar e,
eventualmente, ajudar a recebe-lo. (movimento dinâmico).
O ginasta volante equilibra-se e
deixa-se equilibrar pelo ginasta base (posição estática), realizando suas
acrobacias nos espaço. Depois é recebido com total domínio (movimento dinâmico).
Pode-se realizar figuras em dupla
(duo), a três (trio), com quatro pessoas (quarteto) e outras.
FORMAÇÃO DE PIRÂMIDES
Três são os princípios de
segurança individual e coletiva:
1. A solidez dos apoios implica em que os braços e as
pernas estejam perpendiculares ao solo e as costas retas;
2. O volante deve posicionar-se reto, na vertical, com
apoios sólidos nas bases, pé no quadril ou nos ombros (articulação
escapulo-umeral. Os apoios afastados e alinhados com a base deve ser a garantia
da estabilidade do conjunto.
3. O terceiro princípio fundamenta-se nas pegadas ou
tomadas de mãos entre os membros da pirâmide que deverá assim limitar a
altura na construção da pirâmide.
Na formação da pirâmide, deve-se
utilizar os apoios para manter o equilíbrio. Procurar fixar a pirâmide, no mínimo
por três a cinco segundos. Descer da pirâmide com todo segurança; desfazê-la
iniciando sempre por aquele que estiver mais alto, descendo sempre de forma
suave e tranqüila, sem saltar.
Pode-se também, construir junto à
formação da pirâmide, encadeamentos de figuras integrando alguns elementos
acrobáticos (roda, saltos, rolamentos etc) utilizando o suporte musical.
As figuras fixas e as figuras dinâmicas ou em
movimento apresentam as seguintes características:
As figuras fixas: (i) base(s) e
volante(s) no solo; (ii) volante(s) e base(s).
As figuras em movimento: (i)
figuras estáticas com
deslocamentos; (ii) figuras estáticas em transição.
O elemento (exercício) ou figura DINÂMICA se caracteriza
pela realização de movimentos na fase aérea. Assim, os volteios e giros são
impulsionados e recebidos pelo companheiro ou companheiros com breve ou sem
contato com os mesmos.
As figuras dinâmicas:
(i) figuras simples; (ii) figuras de saída e; (iii) figuras de
retomadas.
São três as possibilidades de posição dos elementos básicos:
apoio invertido, flexibilidade e postura, se encontram em todas as categorias.
METODOLOGIA
Os exercícios aplicados metodicamente são classificados de
acordo com seus efeitos psíquicossomáticos.
O trabalho coletivo (conjunto), o trabalho em grupos (dois a
dois, três a três e/ou quatro a quatro) são bem definidos, obedecendo ao
papel particular de cada participante (volante e base).
Deve-se estimular a participação de um grande número de
alunos, procurando observar e
desenvolver as atitudes e movimentos fracos; aperfeiçoar as posturas, os equilíbrios
invertidos e aprimorar a flexibilidade; educar o ritmo coletivo e propiciar o
desenvolvimento da coordenação e a independência dos movimentos.
Os efeitos psíquicos produzidos pela atividade geram obediência
aos comandos, espírito de equipe e a procura da correção das atitudes e
posturas em que solicita atenção e concentração na tarefa aplicada.
As atitudes, os gestos e movimentos requestados devem ser
adequados em nível de desenvolvimento da estrutura e da constituição da criança
e/ou do adulto, tais como os equilíbrios, as posturas e o domínio da
flexibilidade.
A aplicação dos exercícios de acordo com a estrutura
corporal exige atitudes e movimentos coordenados, com efeito intenso e sua
qualidade reside na boa execução, do ponto de vista de efeito e qualidade do
trabalho.
CONCLUSÃO
A Acroginástica é ao mesmo tempo uma ginástica de
desenvolvimento e ajustamento postural, tanto quanto a ginástica corretiva. Tem
como finalidade precípua a integração do ser humano em seu âmbito social,
bem como a busca da melhoria da qualidade.
Como atividade desportiva, o Acrosport,
a Acroginástica ou a Ginástica Acrobática privilegia as características
espetaculares e artísticas, por ser uma atividade coletiva de produção de
formas corporais que tem como objetivo a atividade física baseada no efeito estético
e visual.
Informativo GRD Clube, N° 03 - 07/set/2001.